SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O SANTO SACRIFÍCIO DA CEIA E DA MISSA

   O Salvador não quis que o seu Sacrifício sangrento da Cruz, de onde nasceu a Igreja cristã, permanecesse entre nós apenas qual longínqua lembrança, a ser atingida pela fé. Foi vontade sua perpetuar esse sacrifício ao longo do tempo, tornando-o presente a cada instante que passa da hstória do mundo. Não por ser ineficaz e imperfeito o Sacrifício do Calvário, mas para aplicar-lhe a virtude a cada homem que passa.
   Além disso, a Igreja de Jesus Cristo não seria perfeita se ela fosse incapaz de oferecer a Deus um sacrifício condigno. Tão grande falha na Esposa dileta do Filho de Deus seria imcompreensível. E realmente não existe. Porquanto, como ensina o Concílio de Trento (Sessão XXII, c. 1), instituiu Jesus Cristo um sacrifício para sua Igreja, visível como convém à natureza dos homens.
   Fê-lo NA VÉSPERA DE SUA PAIXÃO, na qual seu Sangue inocente iria resgatar-nos do cativeiro do demônio. De fato, na ÚLTIMA CEIA, ofereceu-se como VÍTIMA ao Pai Eterno, sob as especies de PÃO e de VINHO. E ordenou aos seus apóstolos - que no momento constituiu sacerdotes - e aos seus sucessores, que renovassem aquele mesmo sacrifício até o fim dos séculos. É o SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA,  o qual repete o sacrifício da Ceia, e realiza a profecia de Malaquias, ao anunciar a Hóstia pura quodidianamente ofercida ao Senhor de um ao outro extremo da terra.

   NO CENÁCULO, O RITO ERA REPRESENTAÇÃO ANTECIPADA DA IMOLAÇÃO DA CRUZ.
   NA MISSA: REPRESENTAÇÃO COMEMORATIVA DO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO.

   Mas o rito eucarístico NÃO é UMA REPRESENTAÇÃO VAZIA de um acontecimento passado, é uma comemoração eficaz, porque sobre o altar, sob as espécies de pão e vinho, se tornam PRESENTES o corpo e o sangue do Senhor.
   A Santa Missa é um sacrifício sob forma sacramental, apresenta atualmente Cristo em estado de vítima, TORNA PRESENTE  a Cruz. Toda a realidade da Missa está em função da Cruz.

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O SACRIFÍCIO DA CRUZ E DA MISSA

   I) SEMELHANÇAS
   Substancialmente, não há distinção entre um sacrifício e outro. Em ambos temos:
   a) a mesma VÍTIMA: Jesus Cristo na sua adorável Humanidade;
   b) o mesmo SACERDOTE: Jesus Cristo. Na Cruz: Ele pessoalmente. - Na Missa: Ele ainda, mas servindo-se do ministério do sacerdote que lhe empresta os lábios e as mãos, para renovar a oblação da Cruz.

   II) DIFERENÇAS
   a) Na maneira da oblação. No Calvário, o sacrifício foi cruento, isto é, com derramamento de sangue. Na Missa, o sacrifício é incruento, isto é, sem derramamento de sangue.
   b) Quanto ao sacrificador. O Sumo Sacerdote é o mesmo em ambos, como vimos. Mas, na Cruz, Jesus se imolou direta e pessoalmente; na Missa, Ele se serve de instrumentos que são os sacerdotes consagrados.
   c) Quanto aos efeitos. O Sacrifício da Cruz realizou a obra da Redenção. O Sacrifício da Missa torna presente o Sacrifício da Cruz para aplicar os frutos da Redenção.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

UMA PÁGINA DE SANTO AFONSO

 O capítulo XV do Livro "PRÁTICA DE AMAR A JESUS CRISTO".

A caridade tudo crê


QUEM AMA A JESUS CRISTO, CRÊ TODAS AS SUAS PALAVRAS

   1. - Uma pessoa que ama, dá crédito a tudo o que diz o amado, e, por isso, quanto maior é o amor duma alma a Jesus Cristo, tanto mais firme e viva é a sua fé. O bom ladrão, vendo o nosso Redentor que estava na cruz morrendo sem culpa, e sofrendo com tanta paciência, começou a amá-lo. Por isso, movido deste amor e iluminado depois pela luz divina, creu ser Ele verdadeiramente o Filho de Deus, e por esta razão lhe pediu se lembrasse dele, quando entrasse em seu reino.

   2. - A fé é o fundamento da caridade, mas a caridade depois é que aperfeiçoa a fé. Quem mais perfeitamente ama a Deus, mais perfeitamente crê. A caridade faz que o homem creia não só com a inteligência, mas também com a vontade. Muitos creem com a inteligência, mas não com a vontade, como são os pecadores, os quais sabem serem mais que certas as verdades da fé, mas depois não querem viver segundo os divinos preceitos. Estes têm uma fé muito fraca, pois que, se tivessem uma fé viva, crendo que a divina graça é um bem maior do que todo o bem, e que o pecado é um mal maior do que todo o mal, porquanto nos priva da graça divina, com certeza mudariam de vida. Se, pois, preferem a Deus os míseros bens deste mundo, é porque não creem, ou muito fracamente creem. Aqueles que, pelo contrário, creem não só com a inteligência, mas ainda com a vontade, de modo que não só creem, mas querem crer em Deus revelador pelo amor que Ele lhes tem, e gostam de crer, estes, sim, creem perfeitamente, e, por isso, procuram informar a sua vida com as verdades que creem. 

   3. - A falta de fé naqueles que vivem em pecado, não nasce da obscuridade da mesma fé; pois que, bem que Deus tenha querido que as coisas da fé nos fossem em grande parte obscuras e encobertas, para que tivéssemos merecimento em crer, contudo as verdades da fé se nos tornam tão evidentes pelos sinais que as manifestam, que não crê-las, seria não só imprudência, mas impiedade e loucura. Nasce, portanto, a fraqueza da fé de muitos, dos seus maus costumes. Quem despreza a amizade de Deus para não se privar dos prazeres proibidos, quisera que não houvesse lei que os proibisse, nem castigo para os que pecam, e por isso esforça-se por evitar a consideração das verdades eternas, da morte, do juízo, do inferno, da divina justiça. E, porque estes objetos lhe causam demasiado terror, e tornam amargos os seus deleites, chega por isso a atormentar a cabeça para descobrir razões, ao menos verossímeis, com que possa persuadir-se, ou convencer-se de que não há alma, nem Deus, nem inferno, para viver e morrer como os brutos que não conhecem lei nem razão.

   4. - É a relaxação dos costumes a fonte de que têm nascido e de que todos os dias saem tantos livros e sistemas de materialistas, indiferentistas, socialistas, deístas e naturalistas. Uns deles negam a divina existência, outros negam a divina providência, dizendo que Deus, depois de criar os homens, não se importa mais deles, indiferente a respeito de amarem ou ofenderem a Deus, a salvarem-se ou a perderem-se; outros negam a divina bondade, afirmando que Deus criou muitas almas para o inferno, induzindo-as Ele mesmo a pecarem para que se condenem e vão amaldiçoá-lo para sempre no fogo eterno. 

   5. - Ó ingratidão e malvadez dos homens! Deus os criou, por sua misericórdia, para fazê-los eternamente felizes no céu; cumulou-os de tantas luzes, benefícios e graças, a fim de que alcançassem a vida eterna; para o mesmo fim os remiu, com tantas dores e tanto amor, e eles esforçam-se por não crerem nada, para viverem à sua vontade, entregues aos seus vícios. Mas não; que por mais esforços que façam, jamais poderão os míseros libertar-se do remorso da má consciência e do temor da vingança divina. Acerca desta matéria, dei à estampa um obra intitulada  A Verdade da Fé, na qual demonstrei com clareza a insubsistência de todos os sistemas dos incrédulos modernos. Oh, se deixassem os vícios, e se aplicassem a amar a Jesus Cristo, certamente não poriam mais em dúvida as verdades da fé, acreditariam firmemente toda a doutrina revelada por Deus.

   6. - Quem ama a Jesus Cristo de todo o coração, tem sempre diante dos olhos as máximas eternas e por elas regula as suas ações. Quem ama a Jesus, oh, como entende bem o que disse o Sábio: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade (Eccl. I, 2); que toda a grandeza terrena é fumo, engano e podridão, que o único bem e felicidade duma alma consiste em amar o seu Criador e fazer-lhe a vontade, que nós somos tanto quanto somos diante de Deus; que nada vale ganhar todo o mundo, se a alma se perde; que todos os bens da terra não podem contentar o coração do homem, mas só Deus o contenta; em suma, que é preciso deixar tudo para ganhar tudo!...

   7. - A caridade crê tudo. Há cristãos que não são tão perversos como os de que acabamos de falar, que tomaram não acreditar em nada para viverem nos vícios sem remorso e com mais liberdade. Há cristãos, digo, que creem, mas têm uma fé lânguida, creem os sagrados mistérios, creem as verdades reveladas no Evangelho: a Trindade, a Redenção, os sacramentos e outras, mas não nas creem todas. Jesus Cristo disse: Felizes os pobres; felizes os atribulados; felizes os que se mortificam; felizes aqueles que são perseguidos, criticados e escarnecidos dos homens: Bem-aventurados os pobres (Lucas, VI-20). Bem-aventurados os que choram (Mateus V-5). Bem-aventurados os que têm fome de justiça (Ibid.). Bem-aventurados os que sofrem perseguição. Sereis bem-aventurados quando vos amaldiçoarem e disserem todo o mal contra vós (Ibid.). Assim falou Jesus Cristo no Evangelho. Mas como pode dizer-se depois que creem no Evangelho os que dizem: Bem-aventurados os ricos; bem-aventurados os que não sofrem; bem-aventurados os que procuram os prazeres; desgraçados os que são perseguidos e maltratados dos outros? Destes é forçoso dizer ou que não creem no Evangelho, ou que só creem em parte. Quem crê tudo, considera sua dita e benefício de Deus ser neste mundo pobre, enfermo, mortificado, desprezado e maltratado dos homens. Isto crê e diz quem crê tudo o que se diz no Evangelho e tem verdadeiro amor a Jesus Cristo.

Colóquios e súplicas

   Meu amado Redentor, vida da minha alma, eu creio que Vós sois o único bem digno de ser amado. Creio que Vós sois o que com maior amor amais a minha alma, porque só por amor chegastes a morrer consumido de dores por mim. Creio que nesta vida, nem na outra não há maior felicidade do que amar-vos e fazer a vossa vontade. Tudo eu creio firmemente e por isso renuncio a tudo para ser todo vosso e não possuir mais do que a Vós. Pelos méritos da vossa paixão ajudai-me e fazei-me qual quereis que eu seja.
   Verdade infalível, eu creio em Vós, Misericórdia infinita, em Vós confio. Infinita bondade, eu vos amo. Amor infinito que vos destes a mim na vossa paixão e no sacramento do altar, todo me dou a Vós.
    E a Vós também me recomendo, ó refúgio dos pecadores, Maria, Mãe de Deus. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA: DEFINIÇÃO, EXCELÊNCIA E FINS

   A SANTA MISSA é o SACRIFÍCIO INCRUENTO do CORPO e do SANGUE de JESUS CRISTO, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de PÃO e VINHO, em memória do SACRIFÍCIO DA CRUZ.
   Já explicamos que sacrifício é:  OBLAÇÃO E IMOLAÇÃO.
   O SACRIFÍCIO DA MISSA  consiste na oblação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, presentes sobre o altar sob as espécies ou aparências da pão e vinho. A essência desse sacrifício está na CONSAGRAÇÃO das duas espécies, isto é, do pão e do vinho, SEPARADAMENTE.
   A CONSAGRAÇÃO é a IMOLAÇÃO incruenta da vítima. A separação da espécies  representa a separação do Corpo e Sangue de Jesus Cristo na Cruz. Na Missa, o Corpo de Jesus não se separa realmente do seu Sangue. Se fosse assim, Jesus morreria outra vez e haveria um novo sacrifício. Não há um novo sacrifício na Missa; há o MESMO SACRIFÍCIO  que foi oferecido na Cruz. A separação é nas PALAVRAS e nas ESPÉCIES (do pão e do vinho), que REPRESENTAM a separação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo na Cruz. À esta separação chama-se SEPARAÇÃO MÍSTICA ou SACRAMENTAL.
   Na Cruz, a morte de Jesus foi real; na Missa, há apenas morte mística. Pela separação sacramental do Corpo e do Sangue, Jesus Cristo se torna presente em estado de vítima. No instante em que consagra, o sacerdote age na pessoa de Cristo, Sumo Sacerdote que se oferece em oblação.
   Devemos dizer que a morte de Jesus na Santa Missa é apenas mística, mas a oblação de Jesus como Vítima é a mesma do Calvário, real e eficaz como no Calvário. Daí a:


   EXCELÊNCIA  DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Como todo valor do sacrifício depende da dignidade da Vítima e do Sacerdote que a oferece, nenhuma dúvida há de que tanto é infinita a MISSA  como o foi a oblação da CRUZ.

FINS DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   1º) Fim latrêutico (adoração): Em primeiro lugar, a glorificação do Pai Celeste, correspondente à sua Majestade infinita.
O sacrifício é, antes de tudo, um testemunho externo dos sentimentos de reverência absoluta diante do poder e senhorio de Deus. Ora, Jesus Cristo, Nosso Senhor, pela oblação reverente da própria vida, na Cruz, reconheceu o soberano direito de Deus sobre os homens. Na Santa Missa, renova essa oblação, prestando ao Pai Onipotente toda honra e glória.

   2º) Fim eucarístico (ação de graças): A fim de mostrar nossa gratidão, oferecemos ao benfeitor algo que nos é precioso. Que há de mais precioso que Jesus Cristo? Por Ele, em nome d'Ele, rendemos graças a Deus, igualando o benefício recebido. A Missa é EUCARISTIA, isto é, ação de graças.

   3º) Fim propiciatório (expiação, reconciliação): Pelo seu sacrifício, Jesus expiou, satisfez condignamente a ofensa feita ao Deus infinito. A cada pecador, este Sacrifício se aplica sobretudo pelos Sacramentos e pela Missa. Na Missa, como na Cruz, Jesus aplaca a ira divina ultrajada pelos nossos pecados e se oferece pela nossa redenção, nossa  e de todo o mundo, e bem assim "por aqueles que repousam em Cristo e nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz".

   4º) Fim impetratório (petição de graças): Como na Cruz, assim também sobre o Altar, Jesus continua a sua mediação, é atendido nas suas preces, "para que sejamos cumulados de toda bênção e graça".
   Devemos todavia conservar em nossos pedidos a ordem que indica a liturgia: a) antes de tudo rezar pelas grandes intenções da Igreja; b) depois, pedir graças espirituais para nós e os outros; c) por último, implorar favores temporais, na medida em que forem úteis à nossa salvação.

   

sábado, 30 de julho de 2016

O ECUMENISMO

Extraído do capítulo X da "CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS" escrita por D. Marcel Lefebvre em 1984.

   (...) "A palavra, que apareceu em 1927 por ocasião dum congresso realizado em Lausanne, deveria por si própria prevenir os católicos se eles se referiam à definição que lhe dão todos os dicionários: "Ecumenismo: movimento favorável à reunião de todas as Igrejas cristãs numa só". Não se podem misturar princípios contraditórios, é evidente, não se podem reunir, de maneira a fazer deles uma só coisa, a verdade e o erro. A não ser que se adotem os erros e se rejeite toda ou parte da verdade. O ecumenismo se condena por si mesmo.

   (...)

   Na linguagem religiosa, o ecumenismo se estendeu ultimamente às religiões não cristãs, traduzindo-se bem depressa em atos. Um jornal do Oeste nos indica por um exemplo preciso a maneira pela qual se processa a evolução: numa pequena paróquia da região de Cherburgo, a população católica se preocupa com trabalhadores muçulmanos que acabam de chegar para uma construção. É uma atitude caridosa pela qual não se pode deixar de felicitá-los. Numa segunda fase, vemos os muçulmanos pedir um local para festejar o Ramadã e cristãos oferecer-lhes o sub-solo de sua igreja. Depois começa a funcionar neste lugar uma escola corânica. No fim de dois anos, os cristãos convidam os muçulmanos a festejar o Natal com eles, "em torno de uma prece comum preparada com extratos dos capítulos do Corão e com versículos do Evangelho" A caridade mal entendida levou estes cristãos a pactuarem com o erro.

  Em Lille, os dominicanos oferecem uma capela aos muçulmanos para ser transformada em mesquita. Em Versalhes, pediu-se auxílio financeiro nas igrejas para "a aquisição dum lugar de culto para os muçulmanos". Duas outras capelas foram-lhes cedidas em Roubaix e em Marselha, assim como uma igreja em Argentenil. Os católicos se fazem os apóstolos do pior inimigo da Igreja de Cristo, que é o Islão e oferecem seus óbulos a Maomé! Há, parece, mais de 400 mesquitas na França e em muitos casos são os católicos que deram o dinheiro para sua construção. 

   Todas as religiões têm hoje direito de cidadania na Igreja. Um cardeal francês celebrava um dia a missa em presença de monges tibetanos que tinham sido colocados na primeira fila vestidos com seus hábitos de cerimônia, e se inclinava diante deles enquanto que um animador anunciava: "Os bonzos participarão conosco da celebração eucarística". Numa igreja de Rennes foi celebrado o culto de Buda; na Itália, vinte monges foram iniciados solenemente no Zen por um budista. 

   Não acabaria de citar os exemplos de sincretismo aos quais assistimos. Veem-se desenvolver associações, nascer movimentos que encontram sempre para presidir-lhes um eclesiástico em pesquisa, como aquela que quer chegar à "fusão de todas as espiritualidades no amor" Ou projetos pasmosos como a transformação de Nossa Senhora da Guarda em lugar de culto monoteísta para os cristãos, os muçulmanos e os judeus, projeto felizmente contrariado por grupos de leigos.

  O ecumenismo, na sua acepção estrita, reservada então aos cristãos, faz organizar celebrações eucarísticas comuns com os protestantes, assim como sucedeu em particular em Estrasburgo. Ou então são os anglicanos que são convidados na catedral de Chartres para celebrar a "Ceia eucarística". A única celebração que não se admite nem em Chartres, nem em Estrasburgo, nem em Rennes, nem em Marselha é a da santa missa segundo o rito codificado por São Pio V.

   Que conclusão pode tirar de tudo isso o católico que vê as autoridades eclesiásticas dar cobertura a cerimônias tão escandalosas? Que todas as religiões se equivalem, que ele poderia muito bem obter sua salvação com os budistas ou os protestantes. Ele corre o risco de perder a fé na santa Igreja. É bem o que se lhe sugere; quer-se submeter a Igreja ao direito comum, quer-se pô-la no mesmo plano que as outras religiões, recusa-se a dizer, mesmo entre os sacerdotes, os seminaristas e os professores de seminário, que a Igreja Católica é a única Igreja, que ela possui a verdade, que somente ela é capaz de dar a salvação aos homens por Jesus Cristo. Agora se diz abertamente: "A Igreja não é senão um fermento espiritual na sociedade, mas em pé de igualdade com as outras religiões, um pouco mais que as outras, talvez... "Aceita-se em rigor, e nem sempre, em conferir-lhe uma ligeira superioridade".

   Neste caso, a Igreja seria apenas útil, não mais necessária. Ela constituiria um dos meios de alcançar a salvação. 

   É preciso dizê-lo claramente, uma tal concepção se opõe dum modo radical ao próprio dogma da Igreja católica. A Igreja é a única arca da salvação, nós não devemos ter medo de afirmá-lo. Vós frequentemente ouvistes dizer: "Fora da Igreja não há salvação" e isto choca as mentalidades contemporâneas. É fácil fazer crer que este princípio não está mais em vigor, que se renunciou a ele. Parece ser de uma severidade excessiva. 

   Entretanto, nada mudou, nada pode ser mudado neste domínio. Nosso Senhor não fundou várias igrejas, mas só uma. Não há senão uma só cruz pela qual nos possamos salvar e esta cruz foi dada à Igreja católica; ela não foi dada às outras. À sua Igreja, que é sua esposa mística, Cristo deu todas as suas graças. Nenhuma graça será distribuída ao mundo, na história da humanidade, sem passar por ela.

   Isto quer dizer que nenhum protestante, nenhum muçulmano, nenhum budista, nenhum animista será salvo? Não; e constitui um segundo erro pensá-lo.

   Aqueles que reclamam da intolerância ouvindo a fórmula de São Cipriano "Fora da Igreja não há salvação" rejeitam o Credo: "Reconheço um só batismo para a remissão dos pecados" e estão insuficientemente instruídos a respeito do batismo. Há três maneiras de recebê-lo: o batismo da água, o batismo do sangue (é o dos mártires que confessam sua fé sendo ainda catecúmenos) e o batismo de desejo. 

   O batismo de desejo pode ser explícito. Bastantes vezes, na África, ouvíamos um de nossos catecúmenos dizer: "Meu padre, batizai-me logo, pois se eu morrer antes de vossa próxima passagem, eu irei para o inferno".

   Nós lhe respondíamos: "Não; se não tendes pecado mortal na consciência e se tendes o desejo do batismo, já tendes a sua graça em vós."

   Tal é a doutrina da Igreja, que reconhece também o batismo de desejo implícito. Ele consiste no ato de fazer a vontade de Deus. Deus conhece todas as almas e sabe, por consequência que nos meios protestantes, muçulmanos, budistas e em toda a humanidade, existem almas de boa vontade. Elas recebem a graça do batismo sem o saberem, mas duma maneira efetiva. Por aí mesmo elas se unem à Igreja. 

   Mas o erro consiste em pensar que elas se salvam por meio de sua religião. ELAS SE SALVAM EM SUA RELIGIÃO MAS NÃO POR MEIO DELA. (Destaque meu). Não há salvação por meio do Islão ou pelo xintoísmo. Não há Igreja budista no céu, nem Igreja protestante. São coisas que podem parecer duras de ouvir, mas esta é a verdade. Não fui eu quem fundou a Igreja, foi Nosso Senhor, o Filho de Deus. Nós, sacerdotes, somos obrigados a dizer a verdade.

   Mas a preço de quantas dificuldades os homens dos países não penetrados pelo cristianismo chegam a receber o batismo de desejo! O erro é um obstáculo ao Espírito Santo. Isto explica porque a Igreja tenha sempre enviado missionários a todos os países do mundo, que inúmeros dentre eles tenham conhecido aí o martírio. Se se pode encontrar a salvação em qualquer religião, para que atravessar os mares, ir submeter-se, em climas insalubres, à uma vida penosa, à doença, a uma morte precoce? Desde o martírio de Santo Estêvão, o primeiro a dar sua vida por Cristo e o qual por esta razão se festeja no dia seguinte ao do Natal, 26 de dezembro, os Apóstolos puseram-se a caminho para ir difundir a boa nova na bacia do Mediterrâneo; te-lo-iam feito se se soubesse que haveria salvação também no culto de Cibele ou pelos mistérios de Eleusis? Por que Nosso Senhor lhes teria dito: "Ide evangelizar as nações"?

   É assombroso que hoje em dia alguns pretendam deixar cada um seguir o seu caminho para Deus segundo as crenças em vigor no seu "meio cultural". A um padre que queria converter crianças muçulmanas, o seu bispo disse: "Não, fazei delas boas muçulmanas, será muito melhor do que torná-las católicas!" Foi-me certificado que os monges de Taizé tinham pedido, antes do concílio, para abjurar seus erros e tornar-se católicos. As autoridades disseram-lhes então: "Não, esperai! Depois do concílio, vós sereis a ponte entre os católicos e os protestantes".

   Os que deram esta resposta assumiram uma grave responsabilidade diante de Deus, pois a graça vem num momento, talvez não venha sempre. Atualmente os caros padres de Taizé, que têm sem dúvida boas intenções, estão ainda fora da Igreja e semeiam a confusão no espírito dos jovens que os vão ver.

   Falei das conversões que cessaram brutalmente em países como os Estados Unidos, onde se contavam cerca de 170. 000 por ano, a Grã Bretanha, a Holanda... O espírito missionário se extingue porque se deu uma falsa definição da Igreja e por causa da declaração conciliar sobre a liberdade religiosa..." 


   

sexta-feira, 29 de julho de 2016

VALOR DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

   A Santa Missa como ação de Cristo, considerando-se o Sacerdote principal e a Vítima, tem valor INFINITO.
   Considerando, porém, a aplicação aos homens (pois a Missa distribui e aplica os merecimentos da Cruz), os frutos são proporcionados às disposições das pessoas por quem se oferece. Quanto melhores as disposições, maiores os frutos. Frutos são a nossa participação de fato aos efeitos propiciatório e impetratório da Santo Sacrifício.
   Estes frutos são de três categorias:
   Frutos gerais - são os que aproveitam a todos os fiéis cristãos, vivos e defuntos, a toda a Igreja. Daí vemos, sem dificuldade, que "todas as Missas são comunitárias (mesmo as celebradas privadamente), porquanto dizem respeito ao bem e à salvação comum de todos os homens". (Cat. Romano).
   Frutos especiais - os que são atribuídos às pessoas, vivas ou defuntas, pelas quais o Sacrifício é aplicado pelo sacerdote celebrante.
   Frutos especialíssimos - são os que competem ao celebrante, aos ajudantes e aos que assistem à Santa Missa.

   A QUEM E POR QUEM SE CELEBRA O SANTO SACRIFÍCIO?

   I - A Santa Missa, por ser verdadeiro sacrifício incluindo, portanto, a adoração, só pode ser oferecida a DEUS.
   Por que então se celebram tantas Missas em honra de Maria Santíssima e dos Santos? Quando se celebra a Missa em honra de Maria Santíssima e dos Santos, não se lhes oferece o sacrifício, mas sim a DEUS, para agradecer-Lhe as graças que lhes fez ou para obter, por intercessão deles, as graças de que necessitamos.
   Esta é a razão por que o sacerdote nunca costuma dizer: "Ofereço-te este Sacrifício, ó Pedro, ou, ó Paulo. "Mas oferecendo o sacrifício só a DEUS, rende-Lhe graças pela insigne vitória dos Santos, aos quais implora proteção, de maneira que "no céu se dignem interceder por nós, aqueles cuja memória celebramos na terra".

   II - POR QUEM SE CELEBRA?

   Ensina o Concílio de Trento que o Santo Sacrifício da Missa pode ser oferecido pelos vivos e pelos defuntos.
   A. Pelos vivos: a) Pode-se oferecer a Santa Missa na intenção dos fiéis, justos ou pecadores; b) pelos infiéis, hereges, cismáticos e excomungados: privadamente, evitando possíveis escândalos, assim mesmo para obter que se convertam a fé católica.

   B. Pelos defuntos: a) Não pode ser oferecido o sacrifício da Missa por quem não for capaz de recolher os frutos: os condenados do inferno, as crianças que morrem sem o batismo e os santos do céu. b) É proibido, por leis eclesiásticas, celebrar a Missa pelos que morreram fora da comunhão da Igreja: infiéis, hereges, excomungados - sem terem dado sinais positivos de arrependimento. Estes não têm direito aos sufrágios públicos. A Igreja, porém, permite a celebração de Missas por eles privadamente. c) Pelas almas do Purgatório para livrá-las mais depressa do purgatório.
   Se os sacrifícios da Antiga Lei já tinham virtude PROPICIATÓRIA, como se deduz do procedimento de Judas Macabeu (I Mac. XII, 44), que oferecia sacrifícios pelos seus soldados mortos na guerra, quanto maior eficácia não terá a Santa Missa, para obter a remissão das penas devidas ao pecado!

   "QUANDO O SACERDOTE CELEBRA A SANTA MISSA, HONRA A DEUS, ALEGRA OS ANJOS, EDIFICA A IGREJA, AJUDA OS VIVOS, PROPORCIONA DESCANSO AOS DEFUNTOS E FAZ-SE PARTICIPANTE DE TODOS OS BENS". (Imitação de Cristo IV, 5).

quinta-feira, 28 de julho de 2016

COMO ASSISTIR À MISSA SEGUNDO S. PEDRO JULIÃO EYMARD

   Extraído do Livro "A SANTÍSSIMA EUCARISTIA". 


   Sabemos que a Santa Missa é o Sacrifício perfeito, pelo qual oferecemos a Deus os deveres de adoração, de ação de graças, de propiciação e de impetração que Lhe são devidos, e para os quais existiam, no Antigo Testamento, distintos sacrifícios. 

   Para acompanhar a Santa Missa com mais fruto, convém pois assistir a ela no espírito do santo Sacrifício.

   Antes de iniciar a Missa, o Sacerdote, ao pé do altar, ora e se humilha por seus pecados. A seu exemplo, confessai os vossos, a fim de assistir mais dignamente ao santo Sacrifício.

   A Missa propriamente dita abrange três partes: a primeira vai desde o Introito até o Ofertório; era outrora chamada Missa dos catecúmenos.

   A segunda principia no Ofertório, terminando na Comunhão.

   A terceira compreende as orações seguintes à Comunhão.

   Primeira parte.  -  Durante o Introito e o Kyrie eleison, recordai os desejos dos Patriarcas e dos Profetas, suspirando pelo advento do Messias; a seu exemplo, desejai a vinda e o reino de Jesus Cristo em vós.

   Ao Gloria in excelsis, uni-vos em espírito aos Anjos, para louvar a Deus e agradecer-Lhe o mistério da Encarnação. 

   Às orações, uni vossas intenções e pedidos aos da Igreja.

   Escutai a Epístola como se ouvísseis a pregação de um Apóstolo ou de um Profeta, e o Evangelho como se Jesus Cristo mesmo vos falasse.

   Recitai o Credo com sentimento de viva fé, disposto a morrer para confessar cada um dos artigos da doutrina revelada. 

   Segunda parte.  -  Uni vossas intenções às do sacerdote, e oferecei a Deus o santo Sacrifício segundo os quatro deveres:
  1. Como latrêutico, isto é, de soberana adoração, oferecendo ao Pai eterno as adorações de Seu Filho encarnado, e unindo às Suas as vossas, em união com as da Santa Igreja.
  2. Como eucarístico, isto é, de ação de graças pela glória e méritos de Seu Filho muito amado, da Santíssima Virgem Mãe, e de todos os Santos; em reconhecimento por todos os benefícios que d'Ele recebestes e recebeis pelos méritos de Seu Filho. 
  3. Como impetratório, apresentando-o ao Pai eterno como penhor que nos deu de Seu amor, a fim de fazer com que d'Ele esperemos todos os bens espirituais e corporais de que necessitamos. - Exponde-Lhe as vossas necessidades e rogai-Lhe especialmente que Vos auxilie na correção do defeito dominante. 
  4. Como satisfatório, oferecendo-o em expiação de todos os vossos pecados e em reparação de tantos crimes que se cometem no mundo.

   Lembrai ao Pai eteno que tudo vos deve dar, pois que vos deu o Seu Filho, e que este divino Filho ainda Se coloca diante d'Ele, nesse estado de sacrifício, a fim de ser vítima de propiciação por vossos pecados e pelos de todos os homens.

   Terceira parte.  -  À Comunhão do sacerdote, aproximai-vos da sagrada Mesa. Se não vos for possível, fazei ao menos a Comunhão espiritual: 
  1. Concebendo um verdadeiro desejo de estar unido a Jesus Cristo e reconhecendo a necessidade de viver da Sua vida.
  2. Produzindo um ato de contrição de todos os pecados passados e presentes.
  3. Recebendo espiritualmente Nosso Senhor no íntimo de vossa alma, como Zaqueu em sua casa; - e pedindo-Lhe instantemente a graça de viver para Ele, pois que só por Ele viveis. 
  4. Imitai Zaqueu nas boas resoluções, e agradecei a Nosso Senhor que vos permitiu assistir à Santa Missa, fazendo então a Comunhão, ao menos espiritual; oferecei uma homenagem particular, um sacrifício, um ato de virtude.
   Pedi-Lhe a bênção para vós, assim como para os vossos parentes e amigos.    

quarta-feira, 27 de julho de 2016

SACRIFÍCIO DO ALTAR E SACRIFÍCIO DA CRUZ

   Sermão de São Pedro Julião Eymard.

  De todas as qualidades de Jesus Cristo, parece que nenhuma Lhe é mais honrosa que a de Sacerdote.

   Nos títulos de Salvador, de Rei, de Pastor, de Juiz, Ele considera mais imediatamente os homens, a sua Igreja; sob tais aspectos, de certo modo, aplica-Se apenas em arrancá-los da perdição eterna, em governá-los, alimentá-los, tratá-los segundo as obras.

   Na qualidade de Sacerdote, porém, eleva-Se diretamente ao Pai: adora-O por Si mesmo e presta-Lhe, em nome da humanidade, todos os deveres da religião. Por Seu sacerdócio, considera, antes de tudo, a glória do Pai celeste: é com este fim principal que Se imola em sacrifício. Se pensa também nos homens é porque, sendo Sacerdote, é Mediador: quer restabelecê-los na graça com Deus; desce até eles para elevá-los consigo até Deus.

  Portanto, a qualidade de Sacerdote é n'Ele a mais excelente.

  Ora, ensina-nos a Fé que Jesus Cristo operou a obra da nossa Redenção pelo Sacrifício cruento da Cruz. Sua morte expiou todos os pecados, satisfez rigorosamente a Justiça divina, reconciliando assim o céu com a terra, Deus com o homem.

   Entretanto, Seu amor não se limitou à imolação cruenta. Antes mesmo de morrer, Ele instituiu o sacrifício do Altar que renova o da Cruz, a fim de nos aplicar seus méritos e tonar-se o bem particular, a glória da Igreja católica.

   É meu desejo demonstrar-vos que, por esse motivo, o santo Sacrifício da Missa assume uma tríplice excelência que lhe é peculiar. Com efeito, pela Santa Missa:

   Deus é honrado sem ser simultaneamente ofendido, como o foi pelo deicídio dos judeus;  Jesus Cristo é imolado sem ser entregue à morte; os cristãos participam do Sacrifício, sem ser, como os judeus, cúmplices dos carrascos.

   De início, invoquemos Maria, Mãe de Deus, que deu à Vítima adorável a Carne e o Sangue para o divino sacrifício que, no altar, continua a ser diariamente oferecido por nós. Ave Maria.

(O sermão  continua em duas postagens: I - Excelência própria do Sacrifício da Missa; II - Máxima estima que devemos ter pelo Santo Sacrifício da Missa).