SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

MEIOS DE ADQUIRIR A COMPUNÇÃO

   Vimos o grande bem que é a compunção. Como adquiri-la? 

   1º  - A ORAÇÃO: Devemos pedir este dom a Deus, Nosso Senhor. Este dom das lágrima é precioso, é uma graça tão grande, que só a alcançaremos pedindo-a ao "Pai das luzes, de quem procede todo dom perfeito". 
   No Missal vem uma oração "Pro petitione lacrymarum". Ei-la em português: DEUS TODO-PODEROSO E CHEIO DE BONDADE, QUE PARA MATAR A SEDE DE VOSSO POVO SEQUIOSO, FIZESTES BROTAR DO ROCHEDO UMA FONTE DE ÁGUA VIVA, FAZEI SAIR DA DUREZA DOS NOSSOS CORAÇÕES, LÁGRIMAS DE COMPUNÇÃO, PARA PODERMOS CHORAR OS NOSSOS PECADO S E MERECER , PELA VOSSA MISERICÓRDIA, OBTER A SUA REMISSÃO. POR CRISTO NOSSO SENHOR. AMÉM. 
   Os antigos monges rezavam muitas vezes esta oração. Caríssimos leitores, rezemo-la também muitas vezes, tanto mais que é uma oração da Liturgia da Santa Madre Igreja!

  2º - A MEDITAÇÃO ASSÍDUA DA PAIXÃO DE NOSSO DIVINO SALVADOR: Esta meditação deve ser, na verdade, o pão de cada dia do pensamento cristão. São Boaventura chama as chagas de Jesus Cristo, chagas que ferem os corações mais duros e que abrasam as almas mais frias. Santo Agostinho dissera que vale mais uma lágrima derramada pela consideração da Paixão de Jesus Cristo, do que o jejum a pão e água durante uma semana inteira. São Francisco de Assis por este meio veio a ser um serafim. Um dia foi encontrado por um gentil-homem a derramar lágrimas e a gritar em altas vozes; perguntado por que soltava tais prantos, respondeu: - Choro as dores e as ignomínias do meu Senhor, e o que mais me faz chorar, é que os homens, por cujos pecados Ele sofreu tanto, vivem esquecidos d'Ele.

   3º OUTROS MEIOS indicados pelo Padre Faber: Cultivarmos grande devoção pela conversão dos pecadores, sermos muito simples ao acusar-nos no confessionário e evitarmos a leviandade.  

sexta-feira, 18 de julho de 2014

COMPUNÇÃO E ESTABILIDADE NA VIDA ESPIRITUAL

   A compunção de coração torna a alma firme no horror ao mal e no amor de Deus. Diz o Beato D. Columba Marmion que entre os antigos a vida espiritual apresentava um caráter singular de estabilidade. Parece, de modo geral, diz ele, que os autores modernos são bastante sóbrios a este respeito. 
   Vemos os maiores santos que não se cansam de cultivar e recomendar a compunção.

   "Sabeis, dizia São Paulo aos Efésios, que, desde o dia em que entrei na Ásia, não cessei de servir a Deus, no meio de vós, na humildade e nas lágrimas (Atos XX, 18-19). É que se lembrava do tempo em que fora perseguidor da Igreja (Fil. III, 6). Não receia recordar ao seu discípulo Timóteo que tinha sido "blasfemador, perseguidor, insultador"; declara-se o maior dos pecadores que alcançou misericórdia precisamente para que Jesus Cristo pudesse manifestar, nele em primeiro lugar, a Sua inesgotável longanimidade, apresentando-o como exemplo aos que no futuro acreditassem em Cristo". E é assim que, ao pensar na infinita misericórdia de que fora objeto, o Apóstolo solta este grito de reconhecimento: "Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, único Deus, honra e glória pelos séculos dos séculos". 

   Outro convertido, objeto igualmente de idêntica misericórdia, Agostinho, escreve: ... "a oração consiste antes nos gemidos e nas lágrimas do que nos longos discursos e muitas palavras. Deus põe as nossas lágrimas em sua presença; os nossos gemidos não são desconhecidos d'Aquele que tudo criou com Sua palavra, e não precisa das nossas palavras humanas".

   É este o sentimento que encontramos em todas as almas santas. Por exemplo: Santa Gertrudes, esse lírio de pureza, dizia ao Senhor, com um sentimento de profunda humildade: "Para mim, Senhor, o maior milagre é a terra poder aguentar uma pecadora tão indigna como eu". 
   Santa Tereza d'Ávila, formada na perfeição pelo próprio Nosso Senhor, tinha posto no oratório, diante dos olhos, para servir como estribilho para sua oração, este texto do Salmista: "Non intres, Domine, in judicium, cum servo tuo" (Salmo 142, 8). Não é uma exclamação de amor nem um ato sublime de louvor que deixa ouvir esta alma de serafim de quem afirmam os historiadores não ter jamais cometido um pecado mortal, mas sim um grito de compunção: "Não entreis, Senhor, em juízo com vossa serva".
   Santa Catarina de Sena não cessava de implorar a misericórdia divina, terminando sempre as suas orações com esta invocação: "Peccavi, Domine, miserere mei". 

   Santa Teresa, falando das almas que chegaram à sexta morada do Castelo interior, previne-as contra o esquecimento das suas faltas: "Quanto mais pródigo o Nosso Deus se mostra, escreve, mais aumenta a dor dos pecados cometidos; e estou convencida que esta dor só desaparece naquela morada onde nada nos pode causar tristeza... A alma não vê mais que a ingratidão de que se tornou culpada para com Aqueles que a cumulou de benefícios e merece tanto ser servido. A munificência de que usou para com ela levou-a a conhecer melhor a Sua grandeza. Por isso, fica espantada ao ver a audácia de que se tornou culpada; chora as suas irreverências, e não sabe como deplorar a loucura de ter desprezado, por objetos tão vis, tão augusta Majestade. Tudo isto está mais presente à sua memória do que as graças que recebe"

   A própria Igreja, Esposa de Cristo, na sua liturgia, inclusive na ação mais sublime e mais sagrada que pode realizar neste mundo - a Santa Missa - leva o sacerdote a ter, o tempo todo, sentimentos de compunção: Confiteor..., Aufer a nobis quaesumus, Domine iniquitates nostras..., Qui tollis peccata mundi, miserere nobis..., Ab aeterna damnatione nos eripi... Nobis quoque peccatoribus..., Non aestimator meriti sed veniae quaesumus largitor admitte..., Agnus Dei qui tollis peccata mundi... miserere nobis..., Pro innumerabilibus peccatis meis..., Domine non sum dignus..., In spiritu humilitatis et in animo contrito suscipiamur a te, Domine. Tradução: Eu pecador me confesso..., Afastai de nós, Senhor, nós Vos pedimos, as nossas iniquidades..., Que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós..., Que ordeneis sejamos preservados da condenação eterna..., Também nós pecadores..., Vos pedimos que Vos digneis receber-nos, não considerando os nossos méritos, mas a vossa misericórdia..., Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós..., Pelos meus inumeráveis pecados..., Senhor, eu não sou digno..., Com espírito de humildade e de coração contrito sejamos por Vós recebidos, Senhor".

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A COMPUNÇÃO

   Compunção é o sentimento habitual de contrição, ou seja, a dor constante pelos pecados passados. 
   
   Diz o Beato D. Columba Marmion  que o "regresso a Deus" só é possível afastando primeiro os obstáculos que a ele se opõem. E a compunção é o meio eficacíssimo de afastar o pecado, que é o grande obstáculo. Temos obrigação de tendermos à perfeição, quer dizer, à união com Deus e com a Sua vontade, pelo amor. O principal obstáculo à esta união é o pecado mortal; e o principal obstáculo a todo progresso é o pecado venial deliberado. É mais que evidente que nem um nem outro se podem de maneira alguma conciliar com a perfeição. 

   Pois bem! O meio mais seguro de tornar a vida espiritual firme e estável, diz o Beato D. Marmion, é impregná-la do espírito de compunção. A causa comum de todos os maus êxitos no caminho da perfeição, diz o Padre Faber, é devida à falta de uma dor constante pelos pecados passados. O princípio do progresso não é só o amor, mas o amor que se originou do perdão.

   Assim sendo, a compunção não seria um assunto exclusivamente para os pecadores, máxime para os grandes pecadores: outros Davis, outros Saulos, outros Agostinhos, outros Pedros, outras Madalenas? etc Primeiramente, devemos ouvir São João em carta divinamente inspirada: "Aquele que se declara sem pecado, mente a si mesmo, e a verdade não está nele" (1 João I, 8). Para as almas grandes, afirma o Beato D. Marmion, para as almas santas esta afirmação é luminosa. É que, aproximando-se mais de Deus, Sol de justiça, a santidade imaculada, apercebem-se melhor das manchas que as desfeiam; o brilho, a intensidade da luz divina em que se movem, fazem aparecer melhor, pelo contraste, as mais pequeninas faltas e fraquezas, com um relevo muito mais marcado; o olhar interior purificado pela fé e pelo amor, penetra mais profundamente as perfeições divinas; tem uma visão mais clara do seu nada, medem melhor o abismo que as separa do infinito. Possuindo da vida da graça uma noção mais elevada, avaliam melhor tudo o que há de horrível na ofensa feita a Deus, no desprezo pela Paixão do Salvador, na injuriosa resistência ao Espírito de Amor. "Diante de Deus e das suas divinas perfeições, diz D. Festuguere, cada qual se reconhece a si mesmo e conhece suas próprias misérias; na irradiação da grande luz, dá-se conta das suas próprias sombras". 

   Compreendemos que o fato de ter ofendido a Deus, ainda que tivesse sido apenas uma vez na vida, comova intimamente estas almas e lhes cause profunda dor. Por exemplo São Luiz de Gonzaga se desmaiava no confessionário ao contar seus pecados veniais. E das almas santas esta habitual atitude de arrependimento e de horror ao pecado é uma prova constante de delicadeza sobrenatural que não pode deixar de agradar a Deus e inclinar para elas a infinita misericórdia do Senhor. 

   É claro, no entanto, que com exemplos de grandes pecadores compreendemos mais facilmente. É, aliás o método adotado pelo Beato D. Columba Marmion. Primeiramente nos mostra o exemplo do filho pródigo: "Vede, diz ele, o filho pródigo, ao regressar ao lar paterno. Imaginá-lo-emos, após este regresso, de ar despreocupado, maneiras desleixadas, como quem tivesse sido sempre fiel? De forma nenhuma. Dir-me-eis: Mas o pai não lhe perdoou tudo? - Com certeza; recebeu o filho de braços abertos; não lhe dirigiu uma repreensão; não lhe disse: "És um miserável"; nada disso, apertou-o contra seu coração. E é tamanha a alegria que o pai experimenta com o regresso do filho, que manda preparar um banquete. Tudo esquecido, tudo perdoado. Este comportamento do pai do filho pródigo é a imagem da misericórdia de nosso Pai do Céu. - Mas ele, filho perdoado, quais os seus sentimentos, qual a sua atitude? Não há que duvidar: são os mesmos sentimentos, a mesma atitude de quando se veio lançar aos pés do pai: "Pai, pequei contra ti, já não sou digno de ser considerado teu filho, trata-me como o último de teus servos". Tenhamos a certeza de que, no meio das alegrias com que era festejado o seu regresso, eram estas as disposições que dominavam em sua alma. E se, mais tarde, a contrição diminui de intensidade, jamais tal sentimento se apaga de todo, ainda mesmo depois de este filho ter tomado de novo e para sempre o seu lugar de outrora. Quantas vezes não terá ele dito ao pai: "Bem sei que me perdoaste tudo, mas o meu coração não se cansará nunca de repetir com gratidão o grande desgosto que sente de te ter ofendido e quanto desejo resgatar, por uma fidelidade maior, as horas perdidas e o esquecimento a que te votou". 

   Tal é o sentimento de que deve estar possuída uma alma que ofendeu a Deus, desprezou suas perfeições, contribuiu para os sofrimentos de Jesus Cristo. 
   
   Suponhamos agora, nesta alma, não apenas um ato isolado de arrependimento, mas sim um estado habitual de contrição: é quase impossível esta alma tornar a cair num pecado deliberado. Por que? Porque se mantém numa disposição tal que, por essência, a obriga a repelir o pecado. O espírito de compunção é precisamente o sentimento de contrição que se apoderou da alma de modo estável. Constitui a alma num estado habitual de ódio ao pecado; pelos movimentos interiores que nela excita, é de soberana eficácia para preservar a alma da tentação. Entre o espírito de compunção e o pecado há incompatibilidade irredutível; a compunção de coração torna firme a alma no horror ao mal e no amor a Deus. 

terça-feira, 15 de julho de 2014

O DESPRENDIMENTO TOTAL NECESSÁRIO PARA CORRESPONDER AO ESPÍRITO SANTO

2.    "Muitas vezes, infelizmente, a nossa vontade é dura, indócil, rebelde, porque está ainda muito apegada às criaturas, especialmente àquela criatura que é o nosso eu e que nós amamos sempre em demasia. Portanto, para correspondermos à ação do Espírito Santo, a primeira coisa requerida é trabalhar assiduamente para nos desprendermos de tudo, inclusive de nós mesmos. O desprendimento libertar-nos-á de tantos laços que, como cordas, nos prendem às criaturas, tornando-nos impossível a docilidade e a maleabilidade necessárias para recebermos facilmente as moções do Espírito Santo. E recordemos que para prender a alma às criaturas, basta um tênue fio, isto é, bastam pequenos apegos: 'tanto se me dá que uma ave esteja presa por um fio delgado ou grosso, pois mesmo que seja delgado, tão presa estará a ele como ao grosso enquanto o não quebrar para voar' (São João da Cruz). O desprendimento quebra o fio que nos prende à terra e a nossa alma, uma vez liberta, pode secundar o mínimo impulso do Espírito Santo e Ele pode invadi-la e dirigi-la à Sua vontade.

   Dissemos já que o Espírito Santo não se contenta em nos convidar para o bem, mas quer tomar em nós as Suas iniciativas para nos impelir mais eficazmente para Deus. Contudo respeita a nossa liberdade e por isso não Se apoderará da nossa vontade se não estivermos dispostos a dar-lha livremente. E assim podemos pôr um outro obstáculo à Sua ação: o Espírito Santo quereria levar-nos para o alto, para Deus, mas nós não aderimos plenamente à Sua iniciativa porque nos falta generosidade e com a nossa mesquinhez retardamos a obra divina. Talvez correspondamos em parte à Sua moção, Lhe demos qualquer coisa daquilo que nos pede, mas não chegamos a dar-Lhe 'tudo'. Por isso é muito necessário cultivar o espírito de 'totalidade' que não põe limites à nossa doação: precisamos de ter um coração grande, generoso, para não retardarmos a obra do Espírito Santo, que deseja levar-nos não só a praticar ações boas, mas ações generosas, heroicas  santas". (P. Gabriel de Sta M. Madalena, O. C. D.). 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

NORMAS PARA CARREGAR A CRUZ

Excerto da Carta-Circular aos Amigos da Cruz, escrita por São Luiz Maria Grignon de Montfort.

NUNCA SE QUEIXAR DAS CRIATURAS

   "Nunca vos queixeis voluntariamente e entre murmurações, das criaturas de que Deus se verve para vos afligir. Distingui, para tanto, três espécies de queixas nos sofrimentos. - A primeira é involuntária e natural: é a do corpo que geme, suspira, se queixa, chora e se lamenta. Quando a alma está resignada com a vontade de Deus, em sua parte superior, não há nenhum pecado. -  A segunda é razoável; é quando alguém se queixa e descobre seu mal aos que podem e devem tratá-lo, como um superior ou o médico. Esta queixa pode ser imperfeita, quando for muito insistente; mas não é pecado.
   A terceira é criminosa: é quando alguém se queixa do próximo para se isentar do mal que ele nos faz sofrer, ou para se vingar; ou quando alguém se queixa da dor que sofre, consentindo nessa queixa e juntando a ela a impaciência e a murmuração. 

RECEBER SEMPRE A CRUZ COM RECONHECIMENTO

   "Nunca recebais nenhum cruz sem beijá-la humildemente e com reconhecimento; e quando Deus, todo bondade, vos houver favorecido com alguma cruz um pouco considerável, agradecei-Lhe de maneira especial e fazei-o agradecer por outros, a exemplo daquela pobre mulher, que, tendo perdido todos os seus bens em virtude de um processo injusto que lhe moveram, fez celebrar imediatamente uma Missa, com o dinheiro que lhe restava, a fim de agradecer a Deus a ventura que lhe era concedida.

CARREGAR CRUZES VOLUNTÁRIAS

   "Se quereis tornar-vos dignos de receber as cruzes que vos hão de vir sem vossa participação e que são as melhores, carregar outras voluntárias, seguindo os conselhos de um bom diretor. 
    Por exemplo: Tendes em casa algum móvel inútil pelo qual tendes afeição? Dai-o aos pobres, dizendo: quererias o supérfluo quando Jesus é tão pobre?

   Tendes horror a algum alimento? A algum ato de virtude? A algum mau odor? Provai-o, praticai-o, aspirai-o. Vencei-vos. 
    
   Amais alguém ou algum objeto um pouco terna e insistentemente demais? Ausentai-vos, privai-vos, afastai-vos do que vos lisonjeia.

   Tendes uma natureza muito inclinada a ver? A agir? A aparecer? A ir a algum lugar? Parai, calai, escondei-vos, desviai os olhos. 

    Odiais naturalmente algum objeto? Alguma pessoa? Procurai-a frequentemente. Dominai-vos. 

    Se sois verdadeiramente Amigos da Cruz, o amor, que é sempre industrioso, vos fará assim encontrar mil pequenas cruzes, com que vos enriquecereis insensivelmente, sem temor da vaidade, que se mistura tão frequentemente à paciência com que suportamos as cruzes muito visíveis; e porque fostes assim fiéis em pouca coisa, o Senhor vos estabelecerá em muito, como o prometeu (Mt. XXI, 21 e 23); isto é, em muitas graças que vos dará, me muitas cruzes que vos enviará, em muita glória que vos preparará". 


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TU QUE DESCANSO BUSCAS COM CUIDADO,
NESTE MAR DO MUNDO TEMPESTUOSO
NÃO ESPERES DE ACHAR NENHUM REPOUSO,
SENÃO EM CRISTO JESUS CRUCIFICADO.
                      Camões
    

    


quinta-feira, 19 de junho de 2014

NOMES, FIGURAS E FINS DA EUCARISTIA

   EUCARISTIA - este termo vem do grego e significa: ação de graças. Este Sacramento é assim chamado: a) porque Nosso Senhor deu graças a Deus seu Pai, antes da instituição. b) porque os primeiros cristãos costumavam dar graças a Deus, por uma prece pública, depois da comunhão. c) porque a Eucaristia é o melhor meio de agradecer a Deus os seus benefícios.

   SACRAMENTO DO ALTAR:  porque é no altar que Nosso Senhor está presente e tem residência permanente.

   SANTÍSSIMO SACRAMENTO: por causa de sus excelência; é o mais Santo de todos os Sacramentos.

  HÓSTIA: vem do latim e quer dizer "vítima": Jesus Cristo, debaixo das espécies onde se oculta, renova na Missa o sacrifício da Cruz e se oferece como vítima a Deus, seu Pai.

   COMUNHÃO: é o termo mais comum para designar a Eucaristia como sacramento, porque, embora, fora da comunhão, a Eucaristia permaneça como sacramento, contudo é destinada a unir-nos a Jesus Cristo. fazer-nos participar de Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e congregar-nos a todos num só Corpo.

   VIÁTICO: que quer dizer "alimento de viagem". Dá-se este nome à Eucaristia quando levada aos moribundos, para os auxiliar na viagem deste mundo ao outro. É alimento espiritual que nos sustenta na peregrinação desta vida e nos abre o caminho para a eterna felicidade.

FIGURAS DA EUCARISTIA

   No Antigo Testamento, encontramos várias figuras da Eucaristia com Sacramento e como Sacrifício.
   Como Sacramento: 1) O fruto da árvore da vida (Gênesis, II): como a árvore da vida do Paraíso terrestre, a Eucaristia é penhor de imortalidade.
                                  2) O maná: durante a peregrinação dos hebreus no deserto, Deus os alimentou com o pão miraculoso que descia do céu, cada manhã. Jesus, na Eucaristia, é o "Pão que desceu do céu".
                                  3) Os pães da proposição (Êxodo, XXV): oferecidos todos os sábados, diante da arca da aliança.
                                  4) O pão de Elias: que Deus lhe mandou levar através do anjo e que o sustentou na caminhada, quando fugia às iras da rainha Jezabel.

Como Sacrifício: 1) O sacrifício de Melquisedeque (Gênesis, XIV): sacerdote e rei de Salém que oferecia o sacrifício de pão e vinho.
                          2) O sacrifício de Isac: Abraão, a mandado de Deus, consente em oferecer em sacrifício seu próprio filho.
                          3)  O sacrifício do Cordeiro Pascal: (Êxodo, XIII) Jesus Cristo resgatou-nos do poder e servidão do pecado pela virtude do seu Sangue, assim como o Cordeiro pascal libertou os hebreus da servidão do Egito.
                          4) Os sacrifícios pacíficos (Levítico, II) que eram celebrados com bolos de farinha.

FINS DA EUCARISTIA

   Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
   Por muitas razões: 1ª - Para ser o sacrifício da Nova Lei.
                               2ª - Para alimento espiritual de nossas almas.
                               3ª- Para perpétua comemoração de Sua Paixão e Morte, e penhor preciosíssimo de seu amor para com os homens, e de vida eterna.

domingo, 8 de junho de 2014

AS VIRTUDES E OS DONS - ( 2 )

   "Em geral, no primeiro período da vida espiritual, o influxo dos dons do Espírito Santo, embora nunca falte, é oculto e raro. Por isso, é natural que neste período prevaleça sobretudo a iniciativa da alma, isto é, o exercício ativo das virtudes e da oração. Mas, à medida que a vida espiritual se desenvolve, ou seja, à medida que a caridade cresce, aumenta também a influência dos dons; mais ainda, quando a alma é fiel, esta influência torna-se gradualmente mais forte e mais frequente, até prevalecer sobre as suas próprias iniciativas; e é assim que, sob a direção do Espírito Santo, a alma atinge a santidade. 

   Para poder aproveitar estes dons do Espírito Santo, requer-se que a alma, desde o início da sua vida espiritual, se habitue a ser, ao mesmo tempo, ativa e passiva, isto é, que embora tomando as suas iniciativas, procure manter-se ao mesmo tempo atenta e dócil às inspirações do Espírito Santo. De fato, há almas demasiado passivas, e também as há demasiado ativas as quais fazem consistir tudo nos seus planos de reforma espiritual, nos seus propósitos, nos seus exercícios, como se a santidade dependesse unicamente da sua habilidade. No fundo contam demasiado com as suas forças e pouco com o auxílio divino. Estas almas correm o risco de não saberem captar as inspirações do Espírito Santo, de sufocarem os Seus impulsos e por isso, de se afadigarem sem conseguirem alcançar a meta. É necessário mais maleabilidade, docilidade e abandono. Maleabilidade da mente para reconhecer as inspirações interiores do Espírito Santo, docilidade da vontade para as secundar, abandono para se deixar conduzir, mesmo por caminhos obscuros, desconhecidos e contrários aos próprios gostos. Ninguém pode ser o seu próprio mestre de santidade. Há um só mestre, o Espírito Santo; é preciso ir sempre à Sua escola, permanecer na Sua dependência, e por isso, embora trabalhando ativamente para a correção dos defeitos e para a aquisição das virtudes, é preciso manter o ouvido interior sempre atento aos impulsos do Espírito Santo; foi para nos tornar capazes disto que Ele nos deu os Seus dons. 'O Senhor - diz Isaías - pela manhã chama aos meus ouvidos para que o ouça como a um mestre. O Senhor Deus abriu-me o ouvido e eu não O contradigo; não me retirei para trás' (50, 4 e 5). Esta deve ser a atitude interior duma alma que deseja deixar-se guiar pelo Espírito Santo'. (P. Gabriel de Sta M. Madalena, O.C. D. - INTIMIDADE DIVINA).