SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

DOUTRINA SOBRE O SANTÍSSIMO SACRIFÍCIO DA MISSA SEGUNDO O CONCÍLIO DE TRENTO - C. 7; 8 e 9

CAPÍTULO SÉTIMO

   "Admoesta mais o santo Concílio ser preceito da Igreja que os sacerdotes ajuntem água ao vinho ao oferecerem o cálice, tanto porque se presume que assim o fez Cristo Senhor Nosso, como também porque do seu lado saiu juntamente sangue e água (Jo 19, 34), mistério que é comemorado por este rito. E como no Apocalipse  de São João os povos se comparam à água (Apoc 17, 1-150, representa-se por este rito a união do mesmo povo fiel à sua cabeça, Cristo".

CAPÍTULO OITAVO

   "Se bem que a Missa encerre grandes ensinamentos para o povo fiel, contudo pareceu aos Padres não ser conveniente se celebrasse ordinariamente na língua vulgar. Por isso, conservando o rito aprovado em toda parte de cada uma das Igrejas e da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas, e para que as ovelhas de Cristo não sintam fome e não suceda que os pequeninos peçam pão e não haja quem lho reparta (Lam. Jer. 4, 4), manda o santo Concílio aos pastores e a cada um dos que têm cura de almas, que durante a celebração da Missa expliquem frequentes vezes por si ou por outros algo sobre o que se lê na Missa, e falem sobre algum mistério deste santíssimo sacrifício, principalmente nos domingos e festas".

CAPÍTULO NONO

   "Como neste tempo se têm semeado muitos erros, muitas coisas se ensinam e disputam contra esta fé, fundado no santo Evangelho, nas Tradições dos Apóstolos e na doutrina dos Santos Padres, determina o santo Concílio, depois de muitas e maduras reflexões sobre estas matérias, com o consentimento unânime de todos os Padres, condenar com os seguintes cânones e expulsar da santa Igreja os que se opõem a esta fé puríssima e sagrada doutrina". 

   No próximo post, se Deus quiser, daremos os nove cânones do Santo Concílio de Trento sobre o santíssimo Sacrifício da Missa. 


domingo, 9 de fevereiro de 2014

HOMILIA DOMINICAL - 5º Domingo depois da Epifania com explicação da Epístola

   Extraído do livro "INTIMIDADE DIVINA" do Padre Gabriel de Sta Maria Madalena, O C D.

   "A Epístola de hoje (Colossenses III, 12-27) chama a nossa atenção para o dever fundamental do cristão: a caridade. Pouco valem todos os programas e propósitos de vida espiritual, se não estão animados pelo amor e não conduzem à perfeição do amor. Pouco valem o desprendimento, a mortificação, a humildade e todas as outras virtudes se não dispõem o coração para uma caridade mais profunda, mais plena, mais expansiva. "Sobretudo - recomenda São Paulo - tende caridade que é o vínculo da perfeição".

   Não somente amor para com Deus, mas também amor para com o próximo; mais ainda, é propriamente sob este aspecto que o Apóstolo, na Epístola do dia, fala da caridade, mostrando com grande subtileza como todas as nossas relações com o próximo devem ser inspiradas pelo amor. "Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos de misericórdia, de benignidade, de humildade, de modéstia, de paciência; sofrendo uns aos outros e perdoando-vos mutuamente se algum tem razão de queixa contra o outro". A característica dos eleitos de Deus, dos Seus amados e santos, é exatamente o amor fraterno; sem este distintivo Jesus não nos reconhece por seus discípulos, o Pai celeste não nos ama como a Seus filhos, nem nos introduzirá no Seu reino. A vida espiritual requer o uso de muitos meios, comporta o exercício de muitas virtudes, mas é preciso estarmos atentos para não nos perdermos e não pararmos em particularidades, esquecendo o mais pelo menos, isto é, esquecendo o amor que deve ser o fundamento e o fim de tudo. Para que serviria a vida espiritual e a própria consagração a Deus, para que serviriam os votos religiosos se não ajudassem as almas a tender ao amor perfeito?

   Eis o amor perfeito que o Apóstolo nos pede que tenhamos para com o próximo: misericórdia, compaixão; perdão recíproco, cordial, que não dá lugar a divisões ou atritos, que supera os contrastes e esquece as ofensas; caridade longânime que suporta qualquer sacrifício e vence qualquer dificuldade para estar em paz com todos, porque todos formamos em Cristo "um só corpo" porque todos somos filhos do mesmo Pai celeste.

   Uma semelhante caridade fraterna é a garantia mais certa duma vida espiritual a caminho da santidade". 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DOUTRINA SOBRE O SANTÍSSIMO SACRIFÍCIO DA MISSA SEGUNDO O CONCÍLIO DE TRENTO - CAPÍTULOS 2º e 3º

CAPÍTULO SEGUNDO

   "E como neste divino sacrifício, que se realiza na Missa, se encerra e é sacrificado incruentamente aquele mesmo Cristo que uma só vez cruentamente no altar da cruz se ofereceu a si mesmo (Heb 9, 27), ensina o santo Concílio que este sacrifício é verdadeiramente propiciatório, e que, se com coração sincero e fé verdadeira, com temor e reverência, contritos e penitentes nos achegarmos a Deus, conseguiremos misericórdia e acharemos graça no auxílio oportuno (Heb 14, 16). Porquanto, aplacado o Senhor com a oblação dele e concedendo o dom da graça e da penitência, perdoa os maiores delitos e pecados. Pois uma e mesma é a vítima: e aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que, outrora, se ofereceu na Cruz, divergindo, apenas, o modo de oferecer. Os frutos da oblação cruenta se recebem abundantemente por meio desta oblação incruenta, nem tão pouco esta derroga aquela. Por isso, com razão se oferece, consoante a Tradição apostólica, este sacrifício incruento, não só pelos pecados, pelas penas, pelas satisfações e por outras necessidades dos fiéis vivos, mas também pelos que morreram em Cristo, e que não estão plenamente purificados". 

   CAPÍTULO TERCEIRO

   "Ainda que a Igreja costume celebrar às vezes algumas missas em honra e memória dos Santos, contudo não diz que se lhes oferecem sacrifícios, mas unicamente a Deus, que os coroou. É "por isso que o sacerdote não costuma dizer: ofereço-vos este sacrifício, São Pedro ou São Paulo". mas, dando graças a Deus pelas vitórias dos Santos, implora o patrocínio deles para que se dignem interceder por nós nos céus aqueles, cuja memória celebramos na terra". 


   

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

DOUTRINA SOBRE O SANTÍSSIMO SACRIFÍCIO DA MISSA SEGUNDO O CONCÍLIO DE TRENTO

   "Para que se mantenha íntegra na Igreja Católica a antiga fé e doutrina do grande mistério eucarístico, e, debelados os erros e heresias, se conserve em sua pureza, o sacrossanto Concílio Ecumênico e Geral de Trento, instruído pela ilustração do Espírito Santo..., ensina, declara e determina no que segue o que deve ser pregado aos povos fiéis a respeito [da Eucaristia] enquanto é um verdadeiro e singular sacrifício.

CAPÍTULO PRIMEIRO

   "Já que no Antigo Testamento, segundo testifica o Apóstolo São Paulo, por causa da fraqueza do sacerdócio levítico não havia perfeição, convinha, por disposição de Deus, Pai da misericórdia, se levantasse outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedec (Gn 14, 18; Sl 109, 4; Heb 7, 11), Nosso Senhor Jesus Cristo, que pudesse consumar (Heb. 10, 14) e levar a perfeição todos os que se houvessem de santificar (Heb. 10, 14). Assim este Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo, embora por sua morte se houvesse de oferecer uma só vez ao Eterno Pai no Altar da cruz, para nele obrar a redenção eterna, contudo, já que pela morte não se devia extinguir o seu sacerdócio (Heb. 24, 27), na última ceia, na noite em que ia ser entregue, querendo deixar à Igreja, sua amada Esposa, como pede a natureza humana, um sacrifício visível que representasse o sacrifício cruento a realizar uma só vez na Cruz, e para que a sua memória durasse até a consumação dos séculos e a sua salutar virtude fosse aplicada para remissão dos nossos pecados cotidianos, declarando-se sacerdote perpétuo segundo a ordem de Melquisedec (Sl 100, 4), ofereceu a Deus Pai o seu corpo e sangue sob as espécies do pão e do vinho e, sob as mesmas espécies, entregou Corpo e Sangue aos Apóstolos que então constituiu sacerdotes do Novo Testamento para que o recebessem, mandando-lhes, e aos sucessores deles no sacerdócio, que fizessem a mesma oblação: Fazei isto em memória de mim (Luc 22, 19; 1 Cor 11, 24), como a Igreja Católica sempre entendeu e ensinou. E assim, celebrada a antiga Páscoa, que a multidão dos filhos de Israel imolava em memória da saída do Egito (Ex 12, 1 ss), instituiu a nova Páscoa, imolando-se a si mesmo pela Igreja por mão dos sacerdotes, debaixo de sinais visíveis, em memória do seu trânsito deste mundo para o Pai, quando nos remiu pela efusão do seu sangue e nos tirou do poder das trevas, transferindo-nos ao seu reino (Col 1, 13). 

   "Esta é a oblação pura que se não pode manchar com indignidade ou malícia alguma dos que a oferecem, que o Senhor predisse por Malaquias se haveria de oferecer, em todo lugar, pura ao seu nome (Mal 1, 11), que havia de ser grande entre as gentes. A esta oblação alude claramente São Paulo escrevendo aos Coríntios que não podem aqueles que estão manchados com a participação da mesa dos demônios fazer-se participante da mesa do Senhor (1 Cor 10, 21), entendendo por mesa o altar, em um e outro lugar. Finalmente, este é aquele sacrifício figurado por várias semelhanças de sacrifícios na lei natural e na escrita (Gn 4, 4; 8, 20; 8, 22), pois encerra todos os bens significados por aqueles sacrifícios como consumação e perfeição que é de todos eles". 

   Veremos os outros capítulos nos posts próximos seguintes. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Páginas Históricas do Concílio Vaticano II - ( 26ª )

O ESQUEMA SOBRE A IGREJA NO MUNDO MODERNO

   No Concílio, nenhum esquema foi assunto de tantas conversações como o esquema sobre a Igreja no mundo moderno. (...)

   (...) O novo esquema estava inteiramente nas mãos dos que determinavam a política da Aliança Europeia. 

   Eles tinham escolhido para secretário um liberal, o Padre Häring C.SS.R., professor de teologia moral. (...).

   (...) Mons. Heenan, Arcebispo de Westminster, que na época já tinha fundado o grupo de oposição conhecido pelo nome de "Conferências de São Paulo", declarou que o esquema era "indigno de um Concílio Ecumênico da Igreja". Ele propôs que o esquema fosse retirado da Comissão que se ocupara dele e confiado a outra comissão a ser constituída imediatamente. "Posteriormente", disse, "após três ou quatro anos, a quarta e última sessão do Concílio poderia ser convocada para a discussão de todos os problemas sociais". Predisse que o Concílio, que tinha passado tanto tempo a discutir "subtilezas teológicas", se tornaria "objeto de chacota do mundo se se atirasse agora, de olhos fechados, a um debate sobre a fome no mundo, a guerra nuclear e a vida de família". Também chamou a atenção para o fato de que, conforme as instruções, enquanto se deveria discutir o esquema, o suplemento não deveria sê-lo. "Mas" disse, "se não examinarmos cuidadosamente os dois documentos, a intenção do Concílio deverá ser interpretada perante o mundo pelos peritos que ajudaram os padres da comissão a redigir os documentos. Deus nos livre que isto aconteça! Tenho muito medo dos peritos, quando se deixa que eles expliquem o que os bispos querem dizer (...) Não adianta nada falar de um Colégio de Bispos se peritos, em artigos, livros e conferências, contradizem e ridicularizam o que grupo de bispos ensina (...) As teorias de um ou dois teólogos não devem ser confundidas com o consenso geral dos teólogos (...) Somente um "consenso geral", disse, tinha uma autoridade particular. (...)

   O Patriarca maronita Meouchi considerou que a estrutura do esquema carecia de lógica, que seu estilo era incerto e continha repetições. Segundo ele, o esquema dava impressão de que a Igreja havia sido instituída para se ocupar de boas obras e assuntos sociais, econômicos e políticos, e, de mais a mais, parecia pressupor uma concepção da História onde não havia lugar para a Providência. Ele insistia por uma revisão radical do texto.

   (...) Em 30 de dezembro a Comissão de Coordenação decidiu que o suplemento, ao menos no essencial, seria incluído no esquema. (...)

   A batalha tinha sido longa e dura, porém, mais uma vez os liberais, com a assistência dos Moderadores, tinham conseguido obter o que queriam. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Páginas Históricas do Concílio Vaticano II - ( 25ª )

O ESQUEMA SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA

   (...) Mons. Compagnone, Bispo de Anagni, disse que era preciso não se afastar da doutrina do Concílio de Trento e do primeiro Concílio do Vaticano, que esclareciam ser a Tradição mais "extensiva" que a Sagrada Escritura, e que a Revelação estava contida não somente na Sagrada Escritura mas também na Tradição. (...)

   O Coetus Internationalis Patrum dirigiu a seus componentes uma crítica de dez páginas ao esquema, como uma carta de esclarecimento, declarando que, em consciência, se poderia votar em favor do esquema na quarta sessão, contanto que fossem feitas as correções indicadas. O Grupo insistia para que as correções fossem apresentadas antes de 31 de janeiro, prazo máximo, pois a experiência demonstrava que "as sugestões e correções enviadas às Comissões conciliares não tinham quase peso algum quando não eram apoiadas pelo maior número possível de assinaturas".

   Mas este esforço foi vão, pois, apesar do anúncio ter sido feito na aula conciliar, a Comissão de Teologia não procedeu a revisão alguma. 

   (...) As restrições diziam respeito sobretudo às relações entre Escritura e Tradição(art. 9), à inerrância da Escritura (art. 11) e à historicidade dos Evangelhos (art. 19). Desde o começo, estes três pontos tinham se revelado particularmente espinhosos, por causa da diversidade das escolas de pensamento teológico, da variedade de posições indicadas pelos estudos bíblicos modernos e das ocorrências ecumênicas. (...)

   (...) Uma emenda preparada pelo Coetus Internationalis Patrum tinha sido apresentada por 158 Padres Conciliares, visando substituir as palavras em litígio por "a história verídica e sincera", ou "uma narração histórica verdadeira". Os autores desta emenda sustentavam que um escritor pode ser sincero mesmo escrevendo um conto ou romance, e que o esquema limitava a verdade dos Evangelhos ao que se dizia de "Jesus", ao passo que deveria estar dito claramente que o que os Evangelhos traziam de outras pessoas era igualmente, sob o aspecto histórico, verídico e sincero. Oitenta e cinco outros Padres Conciliares haviam sugerido substituir as palavras "sobre Jesus, fatos verdadeiros e sinceros", por "verdades objetivas quanto à exatidão histórica dos fatos".

   No entanto, mais uma vez a Comissão de Teologia decidiu nada mudar no texto. (...)

   Como era de se esperar, tais decisões suscitaram grande decepção nos grupos minoritários interessados, tanto dentro quanto fora da Comissão. Protestos não demoraram a chegar ao Sumo Pontífice por diversas vias. Alguns especialistas sustentavam que o esquema continha graves erros doutrinários. Bispos reclamavam com insistência uma intervenção por parte da autoridade do Papa.(...)

   (...) Em 8 de outubro o Sumo Pontífice tinha recebido do Coetus Internationalis Patrum um memorando sobre o artigo 11. Diziam os autores que as palavras "a verdade relativa à salvação" tinham sido deliberadamente introduzidas para limitar a inerrância da Escritura às questões sobrenaturais concernentes à fé e à moral, o que estava em aberta oposição ao ensino constante da Igreja e estimulava os exegetas a se tornarem cada vez mais audaciosos. Outras reações provocadas por este artigo, representando os mais variados matizes de opinião, chegaram ao Papa tanto espontaneamente quanto por solicitação dele próprio. (...)

   (...) Em 18 de outubro, em carta dirigida ao Cardeal Ottaviani, presidente da Comissão de Teologia, o Cardeal Cicognani, Secretário de Estado, incluía outras observações do Sumo Pontífice sobre os três artigos em litígio, e informava ao Cardeal da intenção que tinha o Papa de reunir novamente a Comissão . Explicava ele que essas observações não tinham por objeto "alterar substancialmente o próprio esquema ou o trabalho da Comissão, mas antes melhorá-lo em certos pontos de grande importância doutrinal". 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Páginas Históricas do Concílio Vaticano II - ( 24ª )

   "Nenhum texto foi submetido a tantas revisões pelo Concílio como o esquema sobre a liberdade religiosa. Antes de sua promulgação (sob forma de declaração) em 7 de dezembro de 1965, véspera do encerramento do Concílio, seis diferentes projetos tinham sido propostos, e um dos bispos americanos disse que sem seu apoio 'este documento nunca teria chegado à aula'. (...)

   O Cardeal Silva Henríquez, Arcebispo de Santiago do Chile, falando em nome de 58 bispos da América Latina, disse que o grande valor da declaração 'vinha de que ela era apresentada não como capitulo de um esquema, mas como uma declaração independente destinada a toda a humanidade'.'Eis aí,' disse, 'uma das razões particulares para que eles aprovassem o texto'. Não seria possível existir verdadeiro movimento ecumênico na América Latina, acrescentou, enquanto os cristãos não católicos não tomassem consciência do fato de que 'nós reconhecemos e defendemos sinceramente esta liberdade fundamental'.

   O orador seguinte foi o Cardeal Ottaviani. Ele disse que a declaração enunciava um princípio que sempre fora reconhecido, isto é, que ninguém pode ser constrangido em matéria de religião. Mas tinham exagerado em dizer que quem obedecia à consciência 'era digno de honra'. Melhor seria dizer que era digno de tolerância ou de respeito e caridade. Afirmou que 'o princípio segundo o qual todo indivíduo tem o direito de seguir a própria consciência deve pressupor que esta consciência não seja contrária ao direito divino'. Faltava no texto 'uma afirmação explícita e solene do primeiro e autêntico direito à liberdade religiosa, que pertence objetivamente aos que aderem à verdadeira religião revelada'. Seu direito, disse, é ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, ao passo que aqueles que estão no erro possuem apenas um direito subjetivo. O Cardeal acrescentou que era 'extremamente grave' declarar que toda espécie de religião era livre de se propagar. 'Disto resultaria um evidente perigo para as nações onde a religião católica é aquela à qual o conjunto da população adere'. Disse, igualmente, que um Concílio Ecumênico não podia ignorar o fato 'de que os direitos da verdadeira religião estão fundamentados não somente em direitos puramente naturais, mas também, em um grau bem mais alto, nos direitos decorrentes da Revelação'.

   O Cardeal Ruffini, Arcebispo de Palermo, observou que, embora existisse uma só verdadeira religião, o mundo estava mergulhado nas trevas e no erro e, como consequência, era preciso praticar a tolerância e a paciência. Era importante estabelecer adequadamente a distinção no texto, para não haver o perigo de o Concílio parecer homologar o indiferentismo religioso e nada dizer além do que disseram as Nações Unidas em sua Declaração Universal dos Direitos do Homem em 1948. Acrescentou que certas frases do texto deixavam entender que o Estado não tinha o direito de favorecer determinada religião; se era assim, as concordatas assinadas entre a Santa Sé e a Itália, Portugal, Espanha e República Dominicana deveriam ser revistas. 

   O Cardeal Quiroga y Palacios, Arcebispo de Santiago de Compostela, pediu que o texto fosse inteiramente revisado. A julgar pelo estilo e linguagem adotados, a preocupação dominante parecia ser a de favorecer a união com os irmãos separados, sem que fossem levados suficientemente em conta os gravíssimos perigos a que, com isto, estariam expostos os fiéis católicos. Afirmou que o texto estava repleto de ambiguidades, que nele se pregava uma nova doutrina em prejuízo da doutrina tradicional, e o Concílio se via convidado a dar sua aprovação àqueles liberalismo que a Igreja tinha tantas vezes condenado.

   O Cardeal Bueno y Monreal, Arcebispo de Sevilha, disse que todo o texto estava penetrado de dupla ambiguidade. Somente a Igreja Católica recebera de Cristo o mandado de pregar a todas as nações. Objetivamente falando, nenhuma outra doutrina religiosa tinha o direito de se propagar. No domínio social, toda liberdade está sujeita a limitações decorrentes dos direitos e liberdades dos outros, bem como das exigências da lei e da ordem. Sustentou que o direito de pregar sua própria religião era válido só na medida em que dizia respeito aos que livremente tinham optado por escutar, mas não para os que não queriam escutar. Aqueles que não estavam dispostos a aceitar a propagação de falsas religiões ou ensinamentos morais nefastos, sem dúvida alguma tinham o direito de requerer que esta propagação pública não fosse autorizada. (...)

   À medida que terminava o primeiro dia de discussão sobre a liberdade religiosa, ficava claro que este não era um assunto de que o Concílio pudesse tratar apressadamente.

   O Cardeal Browne, da Cúria, disse, que a declaração não podia ser aprovada como estava. Ele foi apoiado por Mons. Parente, Arcebispo-membro da Cúria, que se baseou no fato de que no texto os direitos de Deus estavam subordinados aos direitos e à liberdade do homem; seria uma lástima, disse, que a Igreja fizesse uso de seu magistério extraordinário para proclamar a absoluta liberdade religiosa.

   O Padre Fernández, Superior Geral dos Dominicanos, sustentou que o texto devia ser inteiramente corrigido, pois estava contaminado de naturalismo.

   Mons. Carlo Colombo, decano da Faculdade de Teologia do grande Seminário de Milão, disse que a declaração sobre a liberdade religiosa era 'da mais alta importância', não somente em razão de suas consequências práticas, mas também, e talvez sobretudo, em razão do juízo que dela fariam os homens cultos. Eles veriam aí uma chave para abrir a possibilidade de um diálogo entre a doutrina católica e a mentalidade moderna. Pediu que o conteúdo doutrinal do texto fosse mais desenvolvido e mais bem estruturado, principalmente no que dizia respeito às referências feitas aos principais fundamentos do doutrina católica em matéria de liberdade religiosa. Disse ele que, em essência, o texto apresentava 'uma aplicação nova de princípios imutáveis'. O que Mons. Colombo dizia era considerado de grande importância, pois era o teólogo pessoal do Papa. 

  Logo após sua intervenção, votou-se o encerramento do debate. Contudo, na Congregação Geral seguinte, quatro novos oradores tomaram a palavra em nome de setenta e tantos Padres Conciliares. Todos eles falaram de modo enérgico em favor do texto, alegando que uma simples declaração sobre a liberdade religiosa não era suficiente, e que os fundamentos doutrinários deviam ser expostos. 

   Assim terminou a discussão sobre a liberdade religiosa. Mais uma vez o Secretariado para a União dos Cristãos pôs-se a preparar nova revisão. Era o terceiro projeto; seria preciso um quarto, um quinto, depois um sexto, para que o documento estivesse pronto para ser promulgado."