SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Páginas Históricas do Concílio Vaticano II - ( 19ª )

ESQUEMA SOBRE A LITURGIA

   "Mons. Zauner, Bispo de Linz, era o liturgista mais conhecido entre todos os Padres Conciliares. Membro da Comissão de Liturgia, era lógico que fosse escolhido para fazer o relatório sobre o trabalho desta comissão, em agosto de 1963, na Conferência de Fulda. (...)

   Em uma entrevista que me concedeu, [diz o Padre Ralph Wiltgen] após a votação, Mons. Zauner disse que a Constituição sobre a Sagrada Liturgia enunciava quatro grandes princípios. 'O primeiro, disse, é que o culto divino deve ser uma ação comunitária; em outras palavras, o padre deve fazer tudo o que faz com a participação ativa do povo e nunca só'. Segundo ele, o uso da língua vulgar era condição necessária para esta participação. 
   Segundo princípio: os fiéis deveriam ser enriquecidos diretamente pela Sagrada Escritura e não apenas pelos sermões. 'Toda função litúrgica, inclusive, o rito do matrimônio, comportará, de agora em diante, leituras da Sagrada Escritura'. 
   Terceiro princípio: o culto litúrgico não devia somente ajudar os fiéis  a rezar, mas também ensiná-los. Mons. Zauner disse que isto tinha uma importância particular nos territórios de missão, onde o padre não pode visitar suas paróquias senão raramente. Era igualmente necessário nos países onde é rigorosa a perseguição, sendo a instrução religiosa frequentemente proibida fora da Missa. Nas sociedades livres, percebia-se a mesma necessidade: o ritmo de vida é tão rápido que, se os fiéis não receberem instrução na Missa, muitas vezes acabam não tendo tempo para recebê-la.
   Quarto princípio valia especialmente para os países de missão. 'Nos lugares onde os costumes tribais não contêm elementos supersticiosos', disse Mons. Zauner, 'eles podem, de agora em diante, ser introduzidos na liturgia'. Este processo, chamado de adaptação, 'só pode ser feito por uma Conferência Episcopal assistida por especialistas das regiões linguísticas interessadas. É necessário a aprovação da Santa Sé antes que tal medida seja posta em prática'. 

   Mons. Zauner acrescentou que estava 'extremamente satisfeito' com a Constituição sobre a Liturgia, e que ele nunca tinha ousado esperar 'que pudesse ir tão longe'. 

   N. B. Uma árvore má, enquanto não for cortada, continuará a dar maus frutos, e adubada como está, que será da verdadeiramente SAGRADA Liturgia?!!!

   Contra fatos não há argumentos. Eis um exemplo!

   Há alguns anos, visitou-me um padre missionário da Colômbia, o Revmo. Padre José Luis Pivel. Contou-me o seguinte: Em um lugar (não me lembro mais) ele passou algum tempo pregando e celebrando entre os índios. Celebrava a Missa Nova. Pois bem! No final das Missões o cacique ao agradecer-lhe, teve a sinceridade de dizer o que realmente sentiu: Sr. padre, desculpe-me, mas não gostei de sua missa. Por aqui, faz já alguns anos, passaram outros missionários e a missa deles era diferente. Gostava delas!!! É que aquela Missa dos outros missionários tinha mistério, e a sua missa, padre, não tem mistérios. E o Padre José Luis Pivel, me disse que, a partir de então, não celebrou mais a Missa Nova. E eu disse pra ele sorrindo: Quer dizer então, que o sr. foi converter os indígenas, e deu-se o contrário! Ele disse-me: "É verdade! Por isso é que estou aqui para ver se consigo entrar na Administração Apostólica para continuar a celebrar a Missa Tradicional mas com a aprovação da Santa Sé". Infelizmente não foi recebido.  

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Páginas Históricas do Concílio Vaticano II - ( 18ª )

   "Cartas dirigidas ao Papa por bispos e por Conferências Episcopais inteiras propuseram que fossem feitas novas eleições para presidentes, secretários e membros de todas as comissões. O objetivo visado era aumentar o número de liberais dentro de cada comissão; a Aliança Europeia já tinha o controle da maioria do Concílio, e só se sentia segura se somente ela tivesse então a oportunidade de ganhar nas comissões todas as cadeiras ocupadas por conservadores, bastando que para isso tivesse oportunidade. (...) Foi também proposto o aumento do número de componentes de cada comissão, o que permitiria reforçar bastante cada subcomissão e acelerar os trabalhos das comissões.

   Em 21 de novembro, na 72ª Congregação Geral, o Secretário Geral anunciou que o Papa decidira autorizar que o número de membros de cada comissão fosse aumentado de 25 para 30... (...)

   A expressão de sentido mais rigoroso do comunicado feito pelo Secretário Geral, era esta: "É muito desejável que várias conferências se reúnam e apresentem uma lista em conjunto". (...)

   A Aliança Europeia se pôs em ação para estabelecer uma lista internacional imbatível. Esta tarefa estava grandemente facilitada pelo fato de, nesse ínterim, a Aliança Europeia se ter tornado uma Aliança Mundial. De fato, as origens da Aliança Mundial remontam do começo da primeira sessão, e desde então ela não cessara de estar sob a influência da Aliança Europeia.

   Durante a primeira sessão, a Aliança Mundial fora constituída por um grupo quase clandestino de seis arcebispos e bispos, representando Conferências Episcopais Nacionais, Regionais ou Continentais, que se reuniam periodicamente . A partir do começo da segunda sessão, eles se julgaram bastante fortes para agir de modo mais aberto; toda sexta-feira à tarde reuniam-se na Domus Mariae, e seu número passou de 24 arcebispos e bispos, representando cerca de 65 Conferências Episcopais. Mons. Veuillot, coadjutor do Arcebispo de Paris, presidia as reuniões cada vez que se encontrava em Roma.

   (...) Ninguém tinha dúvida a respeito da orientação que o Concílio iria tomar. Curiosamente, Paulo VI demorou seis semanas para tornar conhecidos os nomes que ele tinha escolhido para participar de cada comissão. 

   N.B.: Nosso Senhor Jesus Cristo disse que uma árvore má não pode dar frutos bons. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Páginas Históricas do Concilio Vaticano II - ( 13ª )

N.B. Continuaremos a extrair do Livro "O RENO SE LANÇA NO TIBRE" (Autor: Ralph Wiltgen S.V.D.) "As Páginas Históricas do Concílio Vaticano II". Tínhamos parado na 12ª. 

   "O Cardeal Alfrink, Arcebispo de Utrecht, falando em nome dos bispos holandeses, observou que, se a colegialidade era um direito divino, seguia-se que o Colégio Episcopal tinha precedência sobre a Cúria, e que esta não tinha o direito de se interpor entre o Papa e os bispos...
   "O Cardeal Spellman, Arcebispo de Nova Iorque, chamou a atenção para as interpretações dos debates conciliares. frequentemente falaciosas e nefastas ao bem das almas, que artigos de jornais ou de periódicos forneciam. 'A autoridade do Papa é plena e suprema', disse. 'Não é nem necessário nem essencial que ele a partilhe com os bispos, mas ele poderia fazê-lo se lhe agradasse'. Sendo a Cúria Romana, de fato, instrumento executivo do Papa, só ele é competente para julgá-la e reformá-la. Segundo o Cardeal, 'ele já mostrou intenção de fazer isto'. ...

   "Sua Beatitude Ignace Pierre XVI, Patriarca Armênio de Cilícia, residente em Beirute, exortou os Padres Conciliares 'a serem objetivos e calmos na apresentação das observações que tinham a fazer, sobre a forma atual da administração da Igreja, a não perder de vista os méritos dos colaboradores do Sumo Pontífice e a tomar cuidado para evitar todo escândalo'...

   "O público teve certa dificuldade para compreender como podia acontecer que os bispos criticassem de modo tão acerbo a Cúria Romana, que durante tantos decênios, gerações e séculos, tinha prestado tantos serviços a esses mesmos bispos, ao Papa e à Igreja". 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A LIBERDADE HUMANA - ( 4 )

   Continuação dos excertos da Encíclica "Libertas Praestantissimum":

  17. Liberalismo radical.

   "E, com efeito, o que são os partidários do Naturalismo e do Racionalismo em filosofia, os fautores do Liberalismo o são na ordem moral e civil, pois que introduzem nos costumes e na prática da vida os princípios postos pelos partidários do Naturalismo. - Ora, o princípio de todo o racionalismo é a supremacia da razão humana, que recusando a obediência devida à razão divina e eterna e pretendendo não depender senão de si mesma, se arvora em princípio supremo, fonte e juiz da verdade. Tal é a pretensão dos sectários do Liberalismo: não há, na vida prática, nenhum poder divino ao qual se tenha de obedecer, mas cada um é para si sua própria lei. Daí procede essa moral que se chama independente, e que, sob a aparência da liberdade, afastando a vontade da observância dos preceitos divinos, conduz o homem a uma licença ilimitada.

   E o que, finalmente, resulta disto, principalmente nas sociedades humanas, é fácil de ver; porque uma vez fixada essa convicção no espírito de que ninguém tem autoridade sobre o homem, a consequência é que a causa eficiente da comunidade civil e da sociedade deve ser procurada, não num princípio exterior ou superior ao homem, mas na livre vontade de cada um, e que o poder público dimana da multidão como sendo a sua primeira fonte; além disso, tal como a razão individual é para o indivíduo a única lei que regula a vida particular, a razão coletiva deve sê-lo para a coletividade na ordem dos negócios públicos; daí o poder pertence ao número, e as maiorias criam o direito e o dever. 

   18. Mas a oposição de tudo isto com a razão ressalta suficientemente do que dissemos. Efetivamente, pretender que não há nenhum laço entre o homem ou a sociedade civil e Deus criador e, por conseguinte, supremo legislador de todas as coisas, repugna absolutamente à natureza, e não somente à natureza do homem, mas à de todo o ser criado; pois, todo o efeito está necessariamente unido por algum laço à causa de que procede; e convém a toda a natureza e pertence à perfeição de cada uma que permaneça no lugar e no plano que lhe é marcado pela ordem natural, isto é, que o ser inferior se submeta e obedeça àquele que lhe é superior. 

   19. Mas, ainda, tal doutrina traz o maior dano tanto ao indivíduo como à sociedade. Realmente, se o home faz depender só e unicamente do juízo da razão humana o bem e o mal; o honesto e o desonesto já não diferem na realidade, mas somente na opinião e no juízo de cada um; o que agrada será permitido. Desde que se admita semelhante doutrina moral, que não basta para reprimir ou pacificar os movimentos desordenados da alma, dá-se acesso a todas as corrupções da vida. Nos negócios públicos, o poder de governar separa-se do princípio verdadeiro e natural que lhe dá toda a sua força para procurar o bem comum; a lei que determina o que se deve fazer e o que é necessário evitar é abandonada aos caprichos da maioria, que é o mesmo que preparar o caminho à dominação tirânica. Quando se repudia o poder de Deus sobre o homem e sobre a sociedade humana, é natural que a sociedade deixe de ter religião, e tudo o que toca à religião torna-se desde então objeto da mais completa indiferença. Armada, pois, da ideia da soberania, a multidão facilmente entrará no caminho da sedição e das desordens, e, não existindo já o freio do dever e da consciência, nada mais resta do que a força, que é bem fraca, por si só, para conter as paixões populares. Temos a prova disto nessas lutas quase diárias empenhadas contra os Socialistas e outras seitas sediciosas que trabalham há tempo para arrastar o Estado até aos seus alicerces. Julguem, pois, e digam os que possuem a justa inteligência das coisas, se tais doutrinas aproveitam à liberdade e dignidade do homem, ou se não são antes dela a destruição completa. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A LIBERDADE HUMANA - ( 3)

   Continuação dos excertos da Encíclica "Libertas Praestantissimum": 
   
   12. A lei eterna, norma e regra da liberdade.

   "Numa sociedade de homens a liberdade digna deste nome não consiste em fazer tudo o que nos apraz: isso seria uma confusão extrema no Estado, uma perturbação que conduziria à opressão. A liberdade consiste em que, com o auxílio das leis civis, possamos mais facilmente viver segundo as prescrições da lei eterna. E para aqueles que governam, a liberdade não é o poder de mandarem ao acaso e segundo seu bel-prazer: isso seria uma desordem não menos grave e extremamente perigosa para o estado; mas a força das leis humanas consiste em que elas sejam olhadas como uma derivação de lei eterna e que não há nenhuma das suas prescrições que não seja contida nela como no princípio de todo direito. Santo Agostinho disse com muita sabedoria (De lib. Arb., lib I, c. 4, n.. 15): "Eu penso, e vós bem vedes também, que, nesta lei temporal, nada há de justo e de legítimo que os homens não tenham ido haurir da lei eterna". Suponhamos, pois, uma prescrição dum poder qualquer que esteja em desacordo com os princípios da reta razão e com os interesses do bem público: não teria força alguma de lei, porque não seria uma regra de justiça e afastaria os homens do bem, para o qual a sociedade foi formada.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
   13. Por sua natureza, pois, e sob qualquer aspecto em que seja considerada, quer nos indivíduos, quer nas sociedades, e entre os superiores não menos que entre os subordinados, a liberdade humana supõe a necessidade de obedecer a uma regra suprema e eterna; e esta regra não é outra senão a autoridade de Deus impondo-nos as sua ordenações ou as suas proibições, autoridade soberanamente justa que, longe de destruir ou de diminuir, de qualquer modo, a liberdade dos homens, a protege e a leva à perfeição, porque a verdeira perfeição de todo o ser é tender e atingir o seu fim: ora, o fim supremo, para o qual deve tender a liberdade humana, é Deus. 

sábado, 26 de outubro de 2013

A LIBERDADE HUMANA - ( 2 )

   Continuação da Encíclica "Libertas Praestantissimum".

   "Se, pois, a lei é necessária ao homem, é no seu mesmo livre arbítrio, isto é, na necessidade que tem de não se pôr em desacordo com a reta razão, que é preciso procurar, como na sua raiz, a causa primeira. E nada se pode dizer ou imaginar de mais absurdo e mais contrário ao bom senso do que esta asserção: o homem, sendo livre por natureza, deve estar isento de toda a lei. Se assim fosse, resultaria que é necessário, para a liberdade não estar de acordo com a razão, quando a verdade é inteiramente o contrário, isto é, o homem deve estar sujeito à lei precisamente porque é livre por natureza. Assim, pois, é a lei que guia o homem nas suas ações e é ela também que, pela sanção das recompensas e das penas, o leva a praticar o bem e o afasta do pecado. 

   Tal é, acima de todas, a lei natural que está escrita e gravada no coração de cada homem, porque é a razão mesma do homem que lhe ordena a prática do bem e lhe interdiz o pecado. Mas esta prescrição da razão humana não poderia ter força de lei, se ela não fosse órgão e intérprete duma razão mais alta, à qual nosso espírito e a nossa liberdade devem obediência. Sendo, na verdade, a missão da lei impor deveres e atribuir direitos, a lei assenta completamente sobre a autoridade, isto é, sobre um poder verdadeiramente capaz de estabelecer esses deveres e de definir esses direitos, capaz também de sancionar as suas ordens por castigos e recompensas; coisas todas que não poderiam evidentemente existir no homem, se ele desse a si próprio, como legislador supremo, a regra dos seus próprios atos. Disto se conclui, pois, que a lei natural outra coisa não é senão a LEI ETERNA gravada nos seres dotados de razão, inclinando-os para o ato e o fim que lhes convenha; e este não é senão a razão eterna de Deus, Criador e Governador do mundo.

   A esta regra de nossos atos, a estes freios ao pecado, a bondade de Deus quis ajuntar certos auxílios, singularmente próprios para defender e guiar a vontade do homem. Sobressai, no primeiro lugar destes auxílios, o poder da graça divina, a qual esclarecendo a inteligência e inclinando incessantemente para o bem moral a vontade salutarmente reforçada e fortificada, torna ao mesmo tempo mais fácil e mais seguro o exercício da nossa liberdade natural. E seria afastar-se completamente da verdade imaginar que, por meio desta intervenção de Deus, os movimentos da vontade perdem a sua liberdade; porque a influência da graça divina alcança o íntimo do homem e se harmoniza com a sua propensão natural, pois que tem a sua fonte n'Aquele que é o autor da nossa alma e da nossa vontade e move todos os seres duma maneira conforme à natureza deles. Pode mesmo dizer-se que a graça divina, como observa o Doutor Angélico, por isso mesmo que dimana do autor da natureza é maravilhosa e naturalmente apta para proteger todas as naturezas individuais e para conservar a cada uma o seu caráter, a sua ação, a sua energia".  

A LIBERDADE HUMANA - ( 1 )

  Postaremos alguns excertos da Encíclica "Libertas Praestantissimum" de Leão XIII.

  "Liberdade, outra coisa não é senão a faculdade de escolher entre os meios que conduzem a um fim determinado. É neste sentido que aquele que tem a faculdade de escolher uma coisa entre algumas outras, é senhor de seus atos. Ora, toda a coisa aceita com o fim de obter por ela uma outra, pertence ao gênero do bem que se chama útil; e tendo o bem como característica operar propriamente sobre o apetite, é mister concluir daí que o livre arbítrio é a característica da vontade, ou antes é vontade mesma, enquanto nos seus atos ela tem a faculdade de escolher. Mas é impossível à vontade mover-se, se o conhecimento da inteligência, como uma luz, não a esclarece primeiramente: isto é, que o bem desejado pela vontade é necessariamente o bem quanto conhecido pela razão. E isto tanto mais que, em toda a volição, a escolha é sempre precedida dum juízo sobre a verdade dos bens e sobre a preferência que devemos conceder a um deles sobre os outros. Ora, julgar é da razão, não da vontade; não se pode razoavelmente duvidar disto. Admitido, pois, que a liberdade reside na vontade, que por sua natureza é um apetite obediente à razão, segue-se que ela, como a vontade, tem por objeto um bem conforme à razão.

   Todavia, não possuindo cada uma destas faculdades a perfeição absoluta, pode suceder, e sucede frequentemente, que a inteligência proponha à vontade um objeto que, em lugar duma bondade real, não tem senão a aparência, uma sombra de bem, e que a vontade contudo se aplique. Mas assim como o poder enganar-se, e enganar-se realmente, é uma falta que acusa a ausência da perfeição integral na inteligência, assim também aderir a um bem falso e enganador, ainda que seja um indício do livre arbítrio, constitui contudo um defeito da liberdade, como a doença o é da vida. Igualmente a vontade, só pelo fato de que depende da razão, desde que deseja um objeto que se afaste da reta razão, cai num vício radical que não é senão a corrupção e o abuso da liberdade. Eis porque Deus, a perfeição infinita, que, sendo soberanamente inteligente e a bondade por essência, é também soberanamente livre, não pode de nenhuma forma querer o mal moral. E o mesmo sucede com os bem-aventurados do céu, graças à intuição que têm do soberano bem. É esta a justíssima observação que Santo Agostinho e outros faziam contra os Pelagianos: "Se a possibilidade de enganar-se no bem fosse da essência da perfeição da liberdade, então Deus, Jesus Cristo, os Anjos, os Bem-aventurados, entre os quais este poder não existe, ou não seriam livres ou, pelo menos, o não seriam tão perfeitamente como o homem em seu estado de prova e de imperfeição". - O Doutor Angélico ocupou-se frequente e longamente desta questão; e da sua doutrina resulta que a faculdade de pecar não é uma liberdade, mas uma escravidão. Muito sutil é a sua argumentação sobre as palavras do Senhor Jesus: "Aquele que comete o pecado é escravo do pecado" (São João VIII, 34). "Todo ser é o que lhe convém segundo sua natureza. Logo, quando se move por um agente exterior, não age por si mesmo, mas pelo impulso de outrem, o que é próprio de escravo. Ora, segundo a natureza, o homem é racional. Por isso quando se move segundo a razão, é por um movimento próprio que ele se move, e opera por si mesmo, o que é essência da liberdade; mas, quando peca, procede contra a razão, e então é como se fosse posto em movimento por um outro e sujeito a uma dominação estranha. É por isto que aquele que comete o pecado é escravo do pecado". 

   Sendo tal a condição da liberdade humana, era necessário ministrar-lhe auxílios e socorros capazes de dirigir todos os seus movimentos para o bem e de desviá-los do mal. Sem isto, a liberdade teria sido para o homem uma coisa muito prejudicial. E primeiramente era-lhe necessária uma LEI, isto é, uma norma do que era preciso fazer e omitir. (...) Mas os seres que gozam de liberdade têm por si mesmos o poder de operar ou não, proceder de tal ou qual forma, visto que o objeto da sua vontade não o escolhem senão quando intervenha o juízo da razão. Este juízo diz-nos não somente o que é o bem em si ou o que é o mal, mas  também o que é bom e por conseguinte se deve realizar, ou o que é mau e por conseguinte se deve evitar. É, com efeito, a razão que prescreve à vontade o que ela deve procurar ou de que deve fugir para que o homem possa um dia atingir esse fim supremo, para o qual deve dirigir todos os seus atos, Ora, esta ordenação da razão é o que se chama lei". 

Continua no próximo post.