SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O CAMINHO DA CRUZ - ( 1 )


 "Devemos estar bem convencidos de que, se o Espírito Santo trabalha nas nossas almas, para nos assemelhar a Cristo, não pode fazê-lo senão levando-nos a seguir o caminho da cruz. Jesus é Jesus crucificado; não pode haver, portanto, conformidade com Ele senão mediante a cruz; e jamais se entrará na profundidade da vida espiritual a não ser entrando no mistério da cruz. Santa Teresa de Jesus ensina que até as mais altas graças contemplativas são dadas às almas, exatamente para as tornar mais capazes de levar a cruz. 'Assim como Sua Majestade não nos pode fazer maior mercê do que dar-nos um a vida conforme à que viveu o Seu Filho tão amado, assim tenho por certo serem estas mercês para fortalecer a nossa fraqueza e para O poder imitar no muito padecer'. Sim, a conformidade com Jesus crucificado, vale e importa mais do que todas as graças místicas! Toda a vida espiritual é dominada pela cruz, e como a cruz está no centro da história do mundo, assim está no centro da história de cada alma. A cruz deu-nos a vida e a cruz imprimirá em nós os traços da mais perfeita semelhança com Jesus: quanto mais participarmos da Sua cruz, tanto mais seremos semelhantes a Ele e cooperaremos na obra da Redenção. 

   A necessidade da cruz para alcançar o céu e a santidade é evidente: não se pode abraçar a vontade de Deus, sempre e em todas as circunstâncias, sem negar a vontade própria; não é possível conformar-se em tudo com Jesus 'que não teve nesta vida outro gosto nem quis ter senão o de fazer a vontade de Seu Pai (S. João da Cruz), sem renunciar às próprias satisfações egoístas. E tudo isto significa: desapego, cruz, sacrifício, negação de si mesmo. Significa metermo-nos no caminho que nos foi indicado pelo próprio Jesus: 'Se alguém quer vir após de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me' (Mt. 16, 24). Ora é para este caminho que o Espírito Santo nos impele e convida. Quando nos surpreendermos à busca das coisas mais fáceis, mais cômodas, mais honrosas, quando nos apercebermos de que estamos a satisfazer o nosso amor próprio, a nossa vanglória, ou quando nos virmos apegados à nossa vontade, digamos então a nós mesmos que tudo isto está muito longe de ser inspirado pelo Espírito Santo e que, pelo contrário, impede a Sua ação em nós". (P. Gabriel de Sta. M. Madalena, INTIMIDADE DIVINA). 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 12ª página

   "Um bom número de bispos religiosos, bem como certos superiores gerais, tinham preparado intervenções a favor da inclusão, no esquema sobre a Igreja, de um capítulo especial consagrado à vida religiosa; e tinham notificado, em tempo hábil, seu desejo de tomar a palavra. Mas, dia após dia, prosseguiu o debate e os Cardeais Moderadores não lhes concediam a palavra. 

   Em 30 de outubro, a assembleia votou o encerramento dos debates, mas muitos daqueles que se tinham inscrito invocaram a regra que permitia a qualquer um falar depois do encerramento, contanto que cinco Padres Conciliares apoiassem seu pedido.

   Por ocasião da 59ª Congregação Geral em 31 de outubro, o Moderador era o Cardeal Döpfner. Antes de deixar qualquer um vir ao microfone, ele anunciou que grande número de Padres Conciliares se queixava de que o Concílio estava andando muito lentamente. A fim de que fosse salvaguardado o direito à palavra daqueles que tinham obtido cinco assinaturas, e que fosse ao mesmo tempo satisfeito o desejo geral da assembleia de encerrar o debate e de avançar os trabalhos, ele pedia aos oradores "que limitassem suas observações ao assunto estudado, evitassem repetições, se restringissem a oito minutos em lugar dos dez habituais e não esquecessem que as declarações não feitas na aula conciliar mas submetidas por escrito, tinham igual peso perante as comissões."

   A última recomendação, à qual o próprio Cardeal não se submeteu, foi continuamente observada por Mons. Felici, Secretário Geral, que, em razão de seu cargo, havia renunciado a exercer o direito de intervenção na aula conciliar.

   O Cardeal Döpfner interveio constantemente no curso das declarações pronunciadas pela manhã, para lembrar aos Padres Conciliares os pontos que ele havia mencionado. Pelo menos três oradores foram interrompidos duas vezes. Três outros o foram uma vez, ou ouviram dizer ao terminar, que o que acabavam de dizer não tinha relação com o assunto tratado. Inúmeros Padres Conciliares não conseguiam compreender a pressa com que o Cardeal estava procedendo e o modo aparentemente arbitrário pelo qual ele limitava o tempo concedido aos oradores. 

   (...) Bispos religiosos que aguardavam para tomar a palavra não foram chamados ao microfone. Em vez deles, outros Padres Conciliares que só se tinham inscrito naquela manhã, foram chamados. Os Padres reduzidos assim ao silêncio ficaram tão indignados que decidiram enviar ao Cardeal Döpfner uma advertência privada, esclarecendo que não deixariam a coisa passar em branco e, se não houvesse uma modificação, requereriam a abertura de um inquérito oficial. Mas logo que procuraram entrar em contato, souberam que ele tinha viajado a Capri para um longo fim de semana, e que só voltaria na tarde de 4 de novembro. 

   Ao voltar, o Cardeal Döpfner encontrou uma mensagem dos Padres Conciliares ofendidos. Ele os chamou todos ao mesmo tempo, desculpou-se do que tinha acontecido, prometeu que tal coisa não se repetiria mais, e lhes pediu para renunciar a seu direito de falar. Os Padres recusaram. Ele então aceitou ler um resumo de suas declarações na aula conciliar, pedindo-lhes indicarem os pontos que consideravam essenciais. Na 62ª Congregação Geral, em 7 de novembro, fez um texto extremamente breve, obscuro e inexato em vários tópicos.

   O resultado imediato foi que sete bispos, pertencentes a outras tantas ordens religiosas, se reuniram para estabelecer uma tática destinada a neutralizar o elemento alemão e belga, que eles consideravam estar exercendo uma "ditadura" sobre o Concílio". 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 10ª página

   O ESQUEMA SOBRE A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA.

   "Segundo o Padre Rahner, cujos comentários escritos foram distribuídos a todos os participantes da conferência, o esquema, tal como estava redigido, era uma "fonte de vivas preocupações" para ele e para os padres Grillmeier e Semmelroth, bem como para o Padre Ratzinger, que também o haviam examinado sob o especto teológico. Afirmava ele que, sob o ponto de vista ecumênico, se aquele texto fosse aprovado "causaria um mal incalculável, em relação tanto aos Orientais como aos Protestantes".  

     Em 27 de outubro, Mons. Grotti, servita, Bispo Titular de Tunigaba, prelado do Acre e Purus, no Brasil, distribuiu uma refutação a todos os argumentos apresentados em favor de uma fusão dos dois esquemas. Quanto ao argumento segundo o qual um esquema separado sobre a Santíssima Virgem seria considerado como definidor de coisas novas, ele fazia observar aos Padres Conciliares que eles tinham diante de si muitos outros esquemas, no entanto ninguém imaginava ver aí algo que fosse novo. Objetava-se também que seria honrar mais a Maria que a Cristo; ora, claramente saltava do texto que Maria não estava "nem acima de Cristo, nem contra Ele". Os excessos de piedade marial não constituíam argumento válido contra um esquema separado, mas, ao contrário, pelejavam em favor dele, uma vez que é mais fácil apresentar com clareza a verdade em um esquema separado. "O ecumenismo consiste em confessar ou em esconder a verdade?  - perguntou ele. O Concílio deve explicar a doutrina católica ou a de nossos irmãos separados? (...) Esconder a verdade nos agride e agride os que estão separados de nós. Agride-nos porque fazemos papel de hipócritas. Agride os que estão separados de nós, porque assim eles parecem fracos e susceptíveis de serem ofendidos pela verdade". Mons. Grotti concluiu sua refutação com um apelo: "Façamos a distinção entre os dois esquemas. Professemos abertamente a nossa Fé. Sejamos doutores dos que estão na Igreja, ensinando-lhes com clareza, e não escondendo a verdade". 

   Em 29 de outubro foi submetida à votação a seguinte questão: "É do agrado dos Padres Conciliares que o esquema sobre a Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja revisto de modo a se tornar o capítulo VI do esquema sobre a Igreja?" A apuração dos escrutínio apresentou 1.114 votos a favor da fusão dos dois esquemas; a maioria requerida era de 1.097. O Padre Rahner e a Aliança Europeia o tinham arrebatado por 17 votos. 

sábado, 4 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 10ª página

   Continua a Padre Ralph Wiltgen  S. V. D. no seu livro "O RENO SE LANÇA NO TIBRE": 


   "Durante uma entrevista exclusiva que aceitou me conceder, Mons. Marcel Lefebvre disse não acreditar que as poderosas Conferências Episcopais pudessem constituir ameaça ao papado, mas que via nelas uma ameaça ao magistério e à responsabilidade pastoral dos bispos tomados individualmente. Falava com conhecimento de causa, visto que fundou, ao longo dos onze anos em que foi legado Apostólico para a África de Língua Francesa (1948-1959), as Conferências Episcopais Nacionais de Madagascar; de Brazaville, no Congo; de Camarões e da África Ocidental Francesa. Era fácil perceber, dizia, que "em uma Conferência Episcopal Nacional, três, quatro ou cinco bispos teriam mais influência do que os outros e assumiriam o controle das manobras". Ele via nisto "um perigo para a autoridade magisterial e pastoral de cada bispo, que é por instituição divina o doutor e pastor de seu rebanho". Referindo-se expressamente à Assembleia de Cardeais e Arcebispos da França, ele chamou atenção para o fato de que acontecia a esta assembleia publicar uma declaração comum sobre questões sociais ou pastorais: "Fica então muito difícil a um bispo se dissociar da posição que foi tomada publicamente, e ele termina simplesmente reduzido ao silêncio". Eis, aí, para Mons. Lefebvre, "um poder novo e indesejável colocando-se acima do bispo diocesano".
   E foi mesmo mais longe, dizendo-me que havia aí "uma nova forma de coletivismo invadindo a Igreja". A tendência que então prevalecia na aula conciliar era, segundo ele, conceder às Conferências Episcopais tanta autoridade que "cada bispo veria tão reduzida sua possibilidade de governar a própria diocese que ele perderia toda iniciativa". É certo que um bispo tinha o direito de contradizer a uma Conferência Episcopal Nacional, "mas em um caso assim, seu clero e os leigos acabariam divididos, não sabendo se deveriam seguir o bispo ou a Conferência Episcopal".
   Mons. Lefebvre me garantiu que estava em ação uma influência limitadora: "Os grupos minoritários das diversas nações não se fazem escutar como deveriam, contentam-se em calar e seguir as próprias Conferências Episcopais Nacionais". Segundo ele, o que era necessário para "este Concílio Católico", não era um agrupamento de Padres Conciliares em bases nacionais ou linguísticas como estava acontecendo até agora, "mas um agrupamento internacional (...) por escolas de pensamento e tendências particulares". Então seria possível conhecer o pensamento dos bispos, em vez de ver o que as nações pensam. "Pois são os bispos, e não as nações, que formam o Concílio".

   O Padre Congar, O. P., ilustre teólogo francês, admitiu que as Conferências Episcopais suscitavam um problema difícil, que afetava a Igreja em pontos vitais. Tais conferências, declarou, não deviam enfraquecer a responsabilidade pessoal dos bispos, impondo as normas de uma organização paralela para não acabarem chegando onde não deviam, a ponto de pôr em perigo a unidade católica. 

   Mais uma vez, o Concílio encontrava-se ante um conflito. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 9ª página

   "Na 44ª Congregação Geral, realizada em 9 de outubro, Mons. Proença Sigaud, Arcebispo de Diamantina (Brasil) que se qualificava a si mesmo como tradicionalista, pediu um cuidado todo especial com a exposição sobre a colegialidade episcopal. Disse que um estudo comparado dos artigos 12, 13 e 16 do esquema dava a impressão de que se ensinava uma "nova doutrina" - a saber, que os Doze, com Pedro à sua frente, constituíam, no sentido estrito, um colégio verdadeiro e permanente, e isto "por instituição divina". Ele temia graves consequências. "Se os bispos e o Papa constituem, por instituição divina, um colégio verdadeiro e permanente, seque-se que a Igreja deve ser habitual e ordinariamente (e não extraordinariamente) regida pelo Papa com o Colégio de Bispos. Em outros termos, o governo da Igreja, por instituição divina, não seria monárquico ou pessoal, mas colegiado". Ora, na história da Igreja, o exercício pelos bispos de sua autoridade colegial como nos Concílios Ecumênicos, constitui um acontecimento pouco frequente e deve, em consequência, ser olhado como um governo não ordinário, mas extraordinário, da Igreja Universal.

   "A Igreja tinha tradicionalmente ensinado, continuou Mons. Proença Sigaud, que todo bispo, logo que era designado pelo Papa, "recebia o cargo - e com ele a autoridade necessária - de exercer o ofício episcopal sobre os fiéis a ele confiados, nos limites do território que lhe era designado pela autoridade competente". Enfatizou que era importante distinguir entre os atos realizados coletivamente pelos bispos e os atos realizados colegialmente. Como exemplo de ato coletivo, citou as decisões tomadas por uma reunião de bispos da mesma província ou da mesma região; não era o caso de se dizer que aí eles recebiam sua eficácia da instituição divina, nem que era um ato colegial. Tais decisões tinham apenas "uma eficácia jurídica", isto é, só seriam obrigatórias em uma diocese se aprovadas pelo Romano Pontífice, que lhes conferia força de lei em virtude de seu poder pleno e universal, ou quando o bispo da diocese em questão, em virtude de sua própria jurisdição o aprovasse dando-lhe força de lei na sua diocese. 

   Segundo Mons. Proença Sigaud, convinha evitar dois "perigosos precipícios": em primeiro lugar "devemos evitar estabelecer uma espécie de instituição mundial, uma espécie de concílio ecumênico permanente, para o qual alguns bispos seriam eleitos ou delegados por outros, e que se desincumbiriam das funções do colégio episcopal inteiro. Deste modo, eles realizariam de modo habitual e ordinário, com o Romano Pontífice, atos verdadeiramente colegiados (?), cuja eficácia se estenderia, por instituição divina, à Igreja Universal". Um organismo assim seria uma espécie de "parlamento mundial" no seio da Igreja. Ora, Cristo não estabeleceu, com certeza, nada de semelhante, pois, durante vinte séculos, nem os Romanos Pontífices nem os bispos tiveram disto o menor conhecimento. "Ao contrário", acrescentou ele, "é evidente a todos que Cristo Nosso Senhor conferiu o supremo governo da Igreja à pessoa de Pedro, para que o exercesse no início e, depois, seus sucessores, o fizessem". 
   Outro perigo a evitar: a criação de "uma espécie de concílio nacional ou regional permanente, no qual certo número de bispos de uma nação ou de uma região tomaria decisões jurídicas ou doutrinárias. Na prática, o Romano Pontífice não teria condições de recusar seu consentimento a esses julgamentos e, consequentemente, todos os bispos da mesma nação e da mesma região se veriam ligados a elas". Era evidente que "tais órgãos acarretariam inconvenientes muito sérios para o exercício do poder ordinário supremo do Santo Padre, bem como para o exercício do poder ordinário de cada bispo". 

   Mal Mons. Proença Sigaud voltara a seu lugar, recebeu um bilhete de Mons. Carli, Bispo de Segni, cumprimentando-o por sua intervenção. Isto foi o começo de uma sólida amizade entre os dois prelados. A seguir, Mons. Proença Sigaud apresentou Mons. Carli a Mons. Marcel Lefebvre, Arcebispo Titular de Sinnada, na Frígia, e Superior Geral dos Padres do Espírito Santo. Os dois Arcebispos tinham se encontrado desde a primeira semana da primeira sessão, e tinham formado um piccolo comitato (pequeno comitê) visando fazer oposição a certas ideias que consideraram extremas e que, segundo eles, eram impostas a muitos Padres Conciliares por poderosas Conferências Episcopais, sobretudo as da Aliança Europeia. Então convidaram Mons. Carli a fazer parte da sua "micro-aliança", e ele aceitou. O Cardeal Döpfner admitiu, mais tarde, que não havia no Concílio um bispo a quem ele mais temesse do que Mons. Carli". 

terça-feira, 30 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - ( 8 )

   "Com uma política precisa, definida em Munique e em Fulda, que podia ser revista nas reuniões semanais realizadas no Collegio dell'Anima; com 480 páginas de comentários e esquemas de substituição; com um Padre Conciliar de língua alemã em cada comissão; com o Cardeal Frings na Presidência do Concílio e o Cardeal Döpfner fazendo parte ao mesmo tempo da Comissão de Coordenação e dos Moderadores - nenhuma outra Conferência Episcopal estava tão bem armada para assumir e conservar a direção da segunda sessão.
   Neste ponto, era clara a feição que as discussões tomariam. Uma forte influência alemã se faria sentir em quase todas as discussões de declarações de alguma importância. Em cada comissão conciliar os membros especialistas alemães e austríacos articulariam perfeitamente a apresentação das conclusões a que tinham chegado nas Conferências de Munique e de Fulda. Graças a estas duas conferências, graças às mudanças radicais introduzidas pelo Papa no Regimento Interno, graças à sua escolha dos cardeais Döpfner, Suenens e Lercaro para Moderadores, estava garantido o controle por parte da Aliança Europeia. 
   Em sua alocução inaugural de 29 de setembro de 1963, Paulo VI enumerou os quatro objetivos básicos do II Concílio do Vaticano: 
  • maior tomada de consciência, por parte da Igreja, de sua natureza específica. 
  • renovação interna da Igreja;
  • promoção da unidade dos cristãos;
  • promoção do diálogo com o homem moderno.
A seguir, o Sumo Pontífice dirigiu-se aos observadores: "É com toda reverência que nos dirigimos agora aos delegados das comunidades cristãs separadas da Igreja Católica, por elas enviados para assistir, como observadores, a estas solenes sessões. É para nós um consolo saudá-los de todo coração. Nós lhes agradecemos por terem vindo. Por meio deles queremos dirigir uma mensagem de amor paterno e fraterno às veneráveis comunidades cristãs que aqui representam".
   "Nossa voz treme, nosso coração se comove ante o duplo pensamento de indizível consolação e dulcíssima esperança que nos causa a presença deles, e de amargura e tristeza que nos causa tão longa separação". (...) "Deste Concílio, de onde ela contempla a universalidade do mundo, a Igreja dirige o olhar para além das terras cristãs, para outras religiões que conservam o senso e a noção de Deus uno, criador, providente, supremo e transcendente à natureza das coisas, que Lhe rendem culto por atos de sincera piedade e que desses usos e opiniões fazem derivar regras morais e sociais. Por certo, a Igreja Católica, não sem dor, vê, nestas religiões, lacunas, defeitos e erros, mas não pode impedir-se de voltar para elas seu pensamento, para fazê-las saber quanta estima sente por tudo quanto vê nelas de verdadeiro, de bom, de humano". 
  
   A preocupação principal da segunda sessão, explicou o Papa, devia ser "examinar a natureza íntima da Igreja e propor, na medida do possível, em linguagem humana, uma definição que seja a mais apropriada para revelar-lhe a constituição verdadeiramente fundamental e para explicar sua multiforme missão de salvação". Disse não haver razão para se espantar de que, depois de vinte séculos, a Igreja Católica ainda precisasse elaborar uma definição mais precisa de sua verdadeira natureza, profunda e complexa. Sendo um "mistério", uma realidade toda impregnada da Divina Presença", ela é "sempre suscetível de uma nova e mais penetrante inquirição". 

domingo, 28 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 7ª página

   "Na tarde de segunda-feira, 3 de junho, às 19:49 h., João XXIII exalou o último suspiro. (...) 

 
 O mundo não teve muito que esperar. Aos 22 de junho de 1963, dia seguinte ao de sua eleição, Paulo VI dirigia, pelo rádio, à cidade de Roma e ao mundo, sua primeira mensagem, em que dizia: "A parte mais importante de nosso Pontificado será ocupada pela continuação do II Concílio Ecumênico do Vaticano, para o qual está voltado o olhar de todos os homens de boa vontade. Esta será nossa tarefa principal e temos a intenção de lhe consagrar todas as energias que Nosso Senhor nos concedeu..." O Concílio seria o primeiro cuidado de seu ministério apostólico, e ele se dedicaria a fazer tudo quanto estivesse a seu alcance "para prosseguir a obra de promoção da unidade dos cristãos empreendida, com tanta felicidade e com tão elevadas esperanças, pelo Papa João XXIII". (...).

   (...) Em 12 de setembro o papa Paulo VI anunciava que "um secretariado seria criado a seu tempo para aqueles que pertencem a religiões não-cristãs.

   Depois que Paulo VI anunciou que a segunda sessão se abriria em 29 de setembro de 1963, os Padres Conciliares do mundo inteiro se entregaram ao estudo dos diversos esquemas. Em certos países esse estudo foi feito conjuntamente pela Conferência Episcopal. (...)

   Como a posição dos bispos de língua alemã era regularmente adotada pela Aliança Europeia, e como a posição da Aliança era por sua vez muito frequentemente adotada pelo Concílio, bastaria que um só teólogo conseguisse que seus pontos de vista fossem adotados pelos bispos de língua alemã para que o Concílio os fizesse seus. Ora, existia esse teólogo: era o Padre Karl Rahner, S.J.
   Em princípio, o Padre Rahner era apenas o teólogo do Cardeal König. De fato, inúmeros membros da hierarquia alemã e austríaca tinham recorrido às suas luzes e se pode afirmar que ele foi a cabeça pensante da Conferência de Fulda. Durante uma conversa privada, o Cardeal Frings declarou que o Padre Rahner era 'o maior teólogo do século". (...).

   "Por conselho de alguns de seus Veneráveis Irmãos", dizia Paulo VI, "ele promovia uma revisão no Regimento Interno aprovado há treze meses por João XXIII. A Presidência contava maior número de membros, mas seus poderes eram diminuídos: com efeito, o número de cardeais passava de dez para doze, mas sua tarefa se limitava a velar pela boa ordem do Concílio, fazer cumprir o Regimento e "resolver dúvidas e dificuldades"; eles não mais seriam autoridade para dirigir os debates do Concílio.
   O novo Regimento encarregava quatro Cardeais Moderadores de "dirigir as atividades do Concílio e de fixar a ordem em que os assuntos seriam discutidos durante as reuniões". Eram membros da Comissão de Coordenação, cujo número já havia sido ampliado, pelo Papa, de seis para nove. Os quatro Moderadores escolhidos eram os Cardeais Döpfner, Suenens, Lercaro e Agagianian. (...) Ficava então evidente que Paulo VI, escolhendo estes quatro homens [todos liberais e amigos dele] dava seu apoio ao partido liberal do Concílio, como fizera seu predecessor. 
   Tais nomeações papais deram à Aliança Europeia um renascimento de poder e de influência: ela já controlava 30% da Presidência do Concílio e 50% da Comissão de Coordenação, e agora controlava 75% do grupo de Cardeais Moderadores."