SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 4 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 10ª página

   Continua a Padre Ralph Wiltgen  S. V. D. no seu livro "O RENO SE LANÇA NO TIBRE": 


   "Durante uma entrevista exclusiva que aceitou me conceder, Mons. Marcel Lefebvre disse não acreditar que as poderosas Conferências Episcopais pudessem constituir ameaça ao papado, mas que via nelas uma ameaça ao magistério e à responsabilidade pastoral dos bispos tomados individualmente. Falava com conhecimento de causa, visto que fundou, ao longo dos onze anos em que foi legado Apostólico para a África de Língua Francesa (1948-1959), as Conferências Episcopais Nacionais de Madagascar; de Brazaville, no Congo; de Camarões e da África Ocidental Francesa. Era fácil perceber, dizia, que "em uma Conferência Episcopal Nacional, três, quatro ou cinco bispos teriam mais influência do que os outros e assumiriam o controle das manobras". Ele via nisto "um perigo para a autoridade magisterial e pastoral de cada bispo, que é por instituição divina o doutor e pastor de seu rebanho". Referindo-se expressamente à Assembleia de Cardeais e Arcebispos da França, ele chamou atenção para o fato de que acontecia a esta assembleia publicar uma declaração comum sobre questões sociais ou pastorais: "Fica então muito difícil a um bispo se dissociar da posição que foi tomada publicamente, e ele termina simplesmente reduzido ao silêncio". Eis, aí, para Mons. Lefebvre, "um poder novo e indesejável colocando-se acima do bispo diocesano".
   E foi mesmo mais longe, dizendo-me que havia aí "uma nova forma de coletivismo invadindo a Igreja". A tendência que então prevalecia na aula conciliar era, segundo ele, conceder às Conferências Episcopais tanta autoridade que "cada bispo veria tão reduzida sua possibilidade de governar a própria diocese que ele perderia toda iniciativa". É certo que um bispo tinha o direito de contradizer a uma Conferência Episcopal Nacional, "mas em um caso assim, seu clero e os leigos acabariam divididos, não sabendo se deveriam seguir o bispo ou a Conferência Episcopal".
   Mons. Lefebvre me garantiu que estava em ação uma influência limitadora: "Os grupos minoritários das diversas nações não se fazem escutar como deveriam, contentam-se em calar e seguir as próprias Conferências Episcopais Nacionais". Segundo ele, o que era necessário para "este Concílio Católico", não era um agrupamento de Padres Conciliares em bases nacionais ou linguísticas como estava acontecendo até agora, "mas um agrupamento internacional (...) por escolas de pensamento e tendências particulares". Então seria possível conhecer o pensamento dos bispos, em vez de ver o que as nações pensam. "Pois são os bispos, e não as nações, que formam o Concílio".

   O Padre Congar, O. P., ilustre teólogo francês, admitiu que as Conferências Episcopais suscitavam um problema difícil, que afetava a Igreja em pontos vitais. Tais conferências, declarou, não deviam enfraquecer a responsabilidade pessoal dos bispos, impondo as normas de uma organização paralela para não acabarem chegando onde não deviam, a ponto de pôr em perigo a unidade católica. 

   Mais uma vez, o Concílio encontrava-se ante um conflito. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 9ª página

   "Na 44ª Congregação Geral, realizada em 9 de outubro, Mons. Proença Sigaud, Arcebispo de Diamantina (Brasil) que se qualificava a si mesmo como tradicionalista, pediu um cuidado todo especial com a exposição sobre a colegialidade episcopal. Disse que um estudo comparado dos artigos 12, 13 e 16 do esquema dava a impressão de que se ensinava uma "nova doutrina" - a saber, que os Doze, com Pedro à sua frente, constituíam, no sentido estrito, um colégio verdadeiro e permanente, e isto "por instituição divina". Ele temia graves consequências. "Se os bispos e o Papa constituem, por instituição divina, um colégio verdadeiro e permanente, seque-se que a Igreja deve ser habitual e ordinariamente (e não extraordinariamente) regida pelo Papa com o Colégio de Bispos. Em outros termos, o governo da Igreja, por instituição divina, não seria monárquico ou pessoal, mas colegiado". Ora, na história da Igreja, o exercício pelos bispos de sua autoridade colegial como nos Concílios Ecumênicos, constitui um acontecimento pouco frequente e deve, em consequência, ser olhado como um governo não ordinário, mas extraordinário, da Igreja Universal.

   "A Igreja tinha tradicionalmente ensinado, continuou Mons. Proença Sigaud, que todo bispo, logo que era designado pelo Papa, "recebia o cargo - e com ele a autoridade necessária - de exercer o ofício episcopal sobre os fiéis a ele confiados, nos limites do território que lhe era designado pela autoridade competente". Enfatizou que era importante distinguir entre os atos realizados coletivamente pelos bispos e os atos realizados colegialmente. Como exemplo de ato coletivo, citou as decisões tomadas por uma reunião de bispos da mesma província ou da mesma região; não era o caso de se dizer que aí eles recebiam sua eficácia da instituição divina, nem que era um ato colegial. Tais decisões tinham apenas "uma eficácia jurídica", isto é, só seriam obrigatórias em uma diocese se aprovadas pelo Romano Pontífice, que lhes conferia força de lei em virtude de seu poder pleno e universal, ou quando o bispo da diocese em questão, em virtude de sua própria jurisdição o aprovasse dando-lhe força de lei na sua diocese. 

   Segundo Mons. Proença Sigaud, convinha evitar dois "perigosos precipícios": em primeiro lugar "devemos evitar estabelecer uma espécie de instituição mundial, uma espécie de concílio ecumênico permanente, para o qual alguns bispos seriam eleitos ou delegados por outros, e que se desincumbiriam das funções do colégio episcopal inteiro. Deste modo, eles realizariam de modo habitual e ordinário, com o Romano Pontífice, atos verdadeiramente colegiados (?), cuja eficácia se estenderia, por instituição divina, à Igreja Universal". Um organismo assim seria uma espécie de "parlamento mundial" no seio da Igreja. Ora, Cristo não estabeleceu, com certeza, nada de semelhante, pois, durante vinte séculos, nem os Romanos Pontífices nem os bispos tiveram disto o menor conhecimento. "Ao contrário", acrescentou ele, "é evidente a todos que Cristo Nosso Senhor conferiu o supremo governo da Igreja à pessoa de Pedro, para que o exercesse no início e, depois, seus sucessores, o fizessem". 
   Outro perigo a evitar: a criação de "uma espécie de concílio nacional ou regional permanente, no qual certo número de bispos de uma nação ou de uma região tomaria decisões jurídicas ou doutrinárias. Na prática, o Romano Pontífice não teria condições de recusar seu consentimento a esses julgamentos e, consequentemente, todos os bispos da mesma nação e da mesma região se veriam ligados a elas". Era evidente que "tais órgãos acarretariam inconvenientes muito sérios para o exercício do poder ordinário supremo do Santo Padre, bem como para o exercício do poder ordinário de cada bispo". 

   Mal Mons. Proença Sigaud voltara a seu lugar, recebeu um bilhete de Mons. Carli, Bispo de Segni, cumprimentando-o por sua intervenção. Isto foi o começo de uma sólida amizade entre os dois prelados. A seguir, Mons. Proença Sigaud apresentou Mons. Carli a Mons. Marcel Lefebvre, Arcebispo Titular de Sinnada, na Frígia, e Superior Geral dos Padres do Espírito Santo. Os dois Arcebispos tinham se encontrado desde a primeira semana da primeira sessão, e tinham formado um piccolo comitato (pequeno comitê) visando fazer oposição a certas ideias que consideraram extremas e que, segundo eles, eram impostas a muitos Padres Conciliares por poderosas Conferências Episcopais, sobretudo as da Aliança Europeia. Então convidaram Mons. Carli a fazer parte da sua "micro-aliança", e ele aceitou. O Cardeal Döpfner admitiu, mais tarde, que não havia no Concílio um bispo a quem ele mais temesse do que Mons. Carli". 

terça-feira, 30 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - ( 8 )

   "Com uma política precisa, definida em Munique e em Fulda, que podia ser revista nas reuniões semanais realizadas no Collegio dell'Anima; com 480 páginas de comentários e esquemas de substituição; com um Padre Conciliar de língua alemã em cada comissão; com o Cardeal Frings na Presidência do Concílio e o Cardeal Döpfner fazendo parte ao mesmo tempo da Comissão de Coordenação e dos Moderadores - nenhuma outra Conferência Episcopal estava tão bem armada para assumir e conservar a direção da segunda sessão.
   Neste ponto, era clara a feição que as discussões tomariam. Uma forte influência alemã se faria sentir em quase todas as discussões de declarações de alguma importância. Em cada comissão conciliar os membros especialistas alemães e austríacos articulariam perfeitamente a apresentação das conclusões a que tinham chegado nas Conferências de Munique e de Fulda. Graças a estas duas conferências, graças às mudanças radicais introduzidas pelo Papa no Regimento Interno, graças à sua escolha dos cardeais Döpfner, Suenens e Lercaro para Moderadores, estava garantido o controle por parte da Aliança Europeia. 
   Em sua alocução inaugural de 29 de setembro de 1963, Paulo VI enumerou os quatro objetivos básicos do II Concílio do Vaticano: 
  • maior tomada de consciência, por parte da Igreja, de sua natureza específica. 
  • renovação interna da Igreja;
  • promoção da unidade dos cristãos;
  • promoção do diálogo com o homem moderno.
A seguir, o Sumo Pontífice dirigiu-se aos observadores: "É com toda reverência que nos dirigimos agora aos delegados das comunidades cristãs separadas da Igreja Católica, por elas enviados para assistir, como observadores, a estas solenes sessões. É para nós um consolo saudá-los de todo coração. Nós lhes agradecemos por terem vindo. Por meio deles queremos dirigir uma mensagem de amor paterno e fraterno às veneráveis comunidades cristãs que aqui representam".
   "Nossa voz treme, nosso coração se comove ante o duplo pensamento de indizível consolação e dulcíssima esperança que nos causa a presença deles, e de amargura e tristeza que nos causa tão longa separação". (...) "Deste Concílio, de onde ela contempla a universalidade do mundo, a Igreja dirige o olhar para além das terras cristãs, para outras religiões que conservam o senso e a noção de Deus uno, criador, providente, supremo e transcendente à natureza das coisas, que Lhe rendem culto por atos de sincera piedade e que desses usos e opiniões fazem derivar regras morais e sociais. Por certo, a Igreja Católica, não sem dor, vê, nestas religiões, lacunas, defeitos e erros, mas não pode impedir-se de voltar para elas seu pensamento, para fazê-las saber quanta estima sente por tudo quanto vê nelas de verdadeiro, de bom, de humano". 
  
   A preocupação principal da segunda sessão, explicou o Papa, devia ser "examinar a natureza íntima da Igreja e propor, na medida do possível, em linguagem humana, uma definição que seja a mais apropriada para revelar-lhe a constituição verdadeiramente fundamental e para explicar sua multiforme missão de salvação". Disse não haver razão para se espantar de que, depois de vinte séculos, a Igreja Católica ainda precisasse elaborar uma definição mais precisa de sua verdadeira natureza, profunda e complexa. Sendo um "mistério", uma realidade toda impregnada da Divina Presença", ela é "sempre suscetível de uma nova e mais penetrante inquirição". 

domingo, 28 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 7ª página

   "Na tarde de segunda-feira, 3 de junho, às 19:49 h., João XXIII exalou o último suspiro. (...) 

 
 O mundo não teve muito que esperar. Aos 22 de junho de 1963, dia seguinte ao de sua eleição, Paulo VI dirigia, pelo rádio, à cidade de Roma e ao mundo, sua primeira mensagem, em que dizia: "A parte mais importante de nosso Pontificado será ocupada pela continuação do II Concílio Ecumênico do Vaticano, para o qual está voltado o olhar de todos os homens de boa vontade. Esta será nossa tarefa principal e temos a intenção de lhe consagrar todas as energias que Nosso Senhor nos concedeu..." O Concílio seria o primeiro cuidado de seu ministério apostólico, e ele se dedicaria a fazer tudo quanto estivesse a seu alcance "para prosseguir a obra de promoção da unidade dos cristãos empreendida, com tanta felicidade e com tão elevadas esperanças, pelo Papa João XXIII". (...).

   (...) Em 12 de setembro o papa Paulo VI anunciava que "um secretariado seria criado a seu tempo para aqueles que pertencem a religiões não-cristãs.

   Depois que Paulo VI anunciou que a segunda sessão se abriria em 29 de setembro de 1963, os Padres Conciliares do mundo inteiro se entregaram ao estudo dos diversos esquemas. Em certos países esse estudo foi feito conjuntamente pela Conferência Episcopal. (...)

   Como a posição dos bispos de língua alemã era regularmente adotada pela Aliança Europeia, e como a posição da Aliança era por sua vez muito frequentemente adotada pelo Concílio, bastaria que um só teólogo conseguisse que seus pontos de vista fossem adotados pelos bispos de língua alemã para que o Concílio os fizesse seus. Ora, existia esse teólogo: era o Padre Karl Rahner, S.J.
   Em princípio, o Padre Rahner era apenas o teólogo do Cardeal König. De fato, inúmeros membros da hierarquia alemã e austríaca tinham recorrido às suas luzes e se pode afirmar que ele foi a cabeça pensante da Conferência de Fulda. Durante uma conversa privada, o Cardeal Frings declarou que o Padre Rahner era 'o maior teólogo do século". (...).

   "Por conselho de alguns de seus Veneráveis Irmãos", dizia Paulo VI, "ele promovia uma revisão no Regimento Interno aprovado há treze meses por João XXIII. A Presidência contava maior número de membros, mas seus poderes eram diminuídos: com efeito, o número de cardeais passava de dez para doze, mas sua tarefa se limitava a velar pela boa ordem do Concílio, fazer cumprir o Regimento e "resolver dúvidas e dificuldades"; eles não mais seriam autoridade para dirigir os debates do Concílio.
   O novo Regimento encarregava quatro Cardeais Moderadores de "dirigir as atividades do Concílio e de fixar a ordem em que os assuntos seriam discutidos durante as reuniões". Eram membros da Comissão de Coordenação, cujo número já havia sido ampliado, pelo Papa, de seis para nove. Os quatro Moderadores escolhidos eram os Cardeais Döpfner, Suenens, Lercaro e Agagianian. (...) Ficava então evidente que Paulo VI, escolhendo estes quatro homens [todos liberais e amigos dele] dava seu apoio ao partido liberal do Concílio, como fizera seu predecessor. 
   Tais nomeações papais deram à Aliança Europeia um renascimento de poder e de influência: ela já controlava 30% da Presidência do Concílio e 50% da Comissão de Coordenação, e agora controlava 75% do grupo de Cardeais Moderadores."

sábado, 27 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 6ª página

   A SEGUNDA SESSÃO  -> 29 de setembro a 4 de dezembro de 1963.
   
  OS PREPARATIVOS DA SEGUNDA SESSÃO

   "Se as palavras do Pe. Küng eram verdadeiras - "nenhum daqueles que assistiram ao Concílio voltará para casa como era antes" - eram-no mais do que para qualquer outro, para os bispos de língua alemã e seus teólogos. Vindos à primeira sessão do Concílio com a esperança de obter algumas concessões, eles voltavam conscientes de ter alcançado uma vitória total, e confiantes de que inúmeras outras vitórias ainda os esperavam.

   Quando, nos começos da primeira sessão, os Padres elegeram 17 dos 21 candidatos propostos para as comissões conciliares pelos duzentos e tantos bispos dos Estados Unidos, tinha-se a impressão de que o Concílio os considerava como líderes. Mas, à medida que as semanas passaram, os bispos americanos pareceram por demais apagados e por demais desunidos para desempenharem esse papel; seria porque seus especialistas não lhes tinham preparado programa algum? Por outro lado, os bispos dos países renanos não estavam nem apagados nem desunidos; eles tinham mostrado na primeira sessão quanto era importante dispor de um texto pelo qual lutar; o esquema sobre a Liturgia lhes dera tal oportunidade ; e a Aliança estava em condições de agir com eficácia porque sabia o que queria e o que não queria. 

   O prazo para a entrega de emendas ao esquema sobre a Igreja estava marcado para expirar em 28 de janeiro de 1963, e os bispos de língua alemã e seus teólogos puseram logo mãos à obra. Decidiram reunir-se todos em Munique, em 5 e 6 de fevereiro, para elaborar uma análise detalhada do esquema e esboçar sugestões práticas com vistas à sua revisão. Foram convidados representantes de outros países da Aliança Europeia para participar dessa reunião, entre os quais Mons. Dodewaard, Bispo de Haarlem, Mons. Elchinger, coadjutor do Bispo de Estrasburgo, e o padre Schütte, Superior Geral dos Missionários do Verbo Divino, que estaria em perfeitas condições para transmitir à Conferência dos Superiores Gerais, em Roma. os pontos de vista da Aliança. Toda essa atividade de organização centralizava-se no Cardeal Döpfner, membro da Comissão em sua primeira sessão, havida no Vaticano de 21 a 27 de janeiro. Dentre tais decisões duas eram particularmente importantes: uma era que o esquema sobre a Santíssima Virgem Maria seria tratado independentemente do esquema sobre a Igreja; a outra, que este último seria reduzido a quatro capítulos.

   A reunião de Munique elaborou uma crítica detalhada do esquema sobre a Igreja e, para substituí-lo, um esquema composto de 46 artigos, agrupados, por sugestão do Cardeal Suenens, em cinco capítulos e não em quatro, como decretara a Comissão de Coordenação. A análise e o esquema de substituição foram enviados a João XXIII e ao Cardeal Ottaviani, com uma introdução onde se esclarecia, de um lado, que  a análise enumerava os motivos "pelos quais o atual esquema devia ser completamente revisto"; e, por outro lado, que, redigindo o esquema de substituição, os padres de língua alemã tinham sempre conservado em mente as normas fixadas pelo Papa em 5 de dezembro de 1962, no fim da primeira sessão, normas que tinham insistido "muito particularmente no aspecto pastoral" dos decretos do Concílio. (...) O papel e o primado do Sumo Pontífice deviam ser recordados, mas apresentados sob seu aspecto ecumênico, e que o sentido da colegialidade episcopal e do próprio episcopado deviam ser postos em plena luz". (...) [o esquema de substituição] esforçava-se por ser de estilo mais pastoral e por corresponder ao espírito ecumênico. (...) Mais tarde, novas disposições seriam tomadas, por ocasião de uma segunda conferência que se realizaria em Fulda, em agosto do mesmo ano.

   Convém observar que as primeiras palavras do esquema de substituição, Lumen Gentium, tomadas da alocução de João XXII de 11 de setembro de 1962, foram depois adotadas como palavras iniciais e como título da Constituição Dogmática do Concílio sobre a Igreja". 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 5ª página

   "O teólogo alemão Ratzinger declarou que a inexistência de qualquer texto conciliar aprovado no fim da primeira sessão constituía "o grande, o espantoso resultado verdadeiramente positivo da primeira sessão". O fato de nenhum texto ter conseguido a aprovação dos Padres Conciliares era, para ele, a prova de uma "forte reação contra o espírito que estava subjacente no trabalho preparatório". Ele via nisto "a nota verdadeiramente característica e que faria lembrar a primeira sessão do Concílio".

   Alguns dias antes do encerramento, o padre Hans Küng, teólogo suíço da Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Tubingen, foi convidado a falar para o U. S. Bishops' Press Panel. durante sua exposição, ele contou que uma vez João XXIII, interrogado privadamente porque convocara o Concílio, foi à janela, abriu-a e disse: "Façamos entrar um pouco de ar puro na Igreja". Não escondendo a alegria que sentia, o padre Küng declarou que aquilo que tinha sido, até recentemente, o sonho de um grupo de vanguarda na Igreja, "se tinha espalhado e, graças ao Concílio, havia penetrado em toda a atmosfera da Igreja". Se, por qualquer motivo, o Concílio fosse encerrado, o movimento lançado na Igreja não pararia mais, e logo outro Concílio haveria de ser convocado.

   Solicitado a enumerar alguns resultados positivos da primeira sessão, padre Küng respondeu que "muitos dentre eles" tinham temido que o Concílio publicasse oficialmente "inconvenientes declarações em matéria de dogma e ecumenismo. Até agora toda tentativa desta natureza tinha sido rejeitada". Este espírito do Concílio tinha produzido uma mudança de atmosfera em toda a Igreja. "Nenhum dos que vieram para o Concílio voltará para casa como antes. Pessoalmente, eu nunca imaginaria que bispos falassem de modo tão audacioso e tão explícito na aula conciliar".

   O padre Küng via na rejeição do esquema sobre as fontes da Revelação "um grande passo na direção certa. É exatamente isto que na Alemanha todos nós vínhamos esperando, mas, sendo apenas uma fraca minoria, nem imaginávamos que fosse possível". E concluiu: "Talvez o resultado mais decisivo da primeira sessão seja o fato de os bispos terem tomado consciência de que são eles, e não unicamente a Cúria Romana, que constituem a Igreja". 

   "Este Concílio foi um grande sucesso", disse Mons. Méndez Arceo, Bispo de Cuernavaca. no México, observando que certos Padres Conciliares se lamentavam de haver discursos demais e repetições demais durante as reuniões. "Mas eu creio que isto era necessário para que todos conhecessem o que os outros pensavam. A Basílica de São Pedro, onde se realizaram nossas assembleias, era como uma gigantesca panela de pressão, que transformou rápida e profundamente o horizonte dos bispos do mundo inteiro". 

   A rejeição dos esquemas e a rápida evolução dos pontos de vista constituíram as marcas distintivas da primeira sessão do II Concílio do Vaticano". 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ALGUMAS PÁGINAS HISTÓRICAS DO CONCÍLIO VATICANO II - 4ª página

   Os Padres que tomavam parte ativa no movimento ecumênico discordavam inteiramente do capítulo sobre o ecumenismo, preparado pela Comissão Pré-Conciliar de Teologia do Cardeal Ottaviani. Para eles, a melhor oportunidade de modificá-lo estava em conseguir que fosse tratado juntamente com os dois outros esquemas sobre a unidade dos cristãos. Sua estratégia era levá-los à discussão um após o outro e fundi-los depois. Se um grupo composto do presidente da Comissão de Teologia (Cardeal Ottaviani), do presidente do Secretariado para a União dos Cristãos (Cardeal Bea) e do presidente da Comissão das Igrejas Orientais (Cardeal Cicognani) se entendesse sobre um texto comum revisto, a influência dos conservadores na redação final seria grandemente diminuída. 

   O esquema sobre a Igreja constituía para os liberais um alvo ainda mais importante. Se pudessem colocá-lo em discussão logo após o esquema da unidade da Igreja, a onda de críticas a ser enfrentada facilitaria devolvê-lo para revisão, por parte da nova Comissão de Teologia. E embora esta Comissão tivesse o Cardeal Ottaviani na presidência, ela contava, entre seus componentes, oito representantes da Aliança Europeia, cuidadosamente escolhidos, cujo peso seria considerável.

   O partido liberal estava então mais confiante do que nunca. Não só estava bem representado dentro da Comissão de Teologia como estava seguro do apoio dos bispos da África e da América Latina, estes últimos tendo à frente o Cardeal Silva Henríquez, Arcebispo de Santiago do Chile. (...).

   O Concílio abordou a discussão do mais importante esquema sobre a Igreja em sua 33ª Congregação Geral, no dia 1º de dezembro, exatamente uma semana antes do encerramento da primeira sessão. O primeiro orador foi o Cardeal Ottaviani que, na qualidade de presidente da Comissão de Teologia, deveria fazer algumas obervações preliminares.

   Três dias antes, ele havia chamado a atenção para o fato de ser impossível realizar em uma semana a discussão sobre um esquema de trinta e seis páginas; e exortava os Padres Conciliares a discutirem, de acordo com a ordem anunciada no começo, o esquema muito mais breve sobre a Santíssima Virgem Maria, que só constava de seis páginas. Poder-se-ia, sem dificuldade, dizia, dar conta da discussão deste esquema e disso se colheria o feliz resultado de que os Padres Conciliares, "com a assistência de Nossa Senhora" viessem a concluir a primeira sessão" na união e na harmonia". Mas seu apelo foi ignorado.

   O Cardeal insistiu sobre o valor dos membros da Comissão Pré-Conciliar de Teologia, que preparara o esquema sobre a Igreja. Eles tinham sido em número de 31, mais 36 consultores pertencentes a 15 nações, a maioria professores de universidades ou lentes de grandes instituições eclesiásticas de todo o mundo. Cada um deles tinha a seu crédito várias publicações de grande valor, algumas das quais eram usadas como manuais em seminários e universidades. Portanto a Comissão Pré-Conciliar de Teologia se considerava como bem equipada sob o ponto de vista intelectual, para se desincumbir da dura tarefa que representava elaborar um esquema sobre a Igreja. Além disso, ela se havia lembrado do aspecto pastoral do Concílio. 

   Naquela manhã, 14 Padres Conciliares foram ao microfone. Seis deles pediram revisões tão completas que equivaliam a uma absoluta rejeição do texto tal com se apresentava. Acusava-se o esquema de ser teórico demais, legalista demais, de identificar pura e simplesmente o Corpo Místico com a Igreja Católica, de não falar do laicato senão por condescendência, de insistir exageradamente sobre os direitos e sobre a autoridade da hierarquia, de faltar com o espírito de caridade, com o espírito missionário e com o espírito ecumênico. 
   Mons. De Smedt resumiu em três palavras suas críticas: o esquema era acusado de triunfalismo, clericalismo e legalismo.

    (...) O Cardeal Bacci, da Cúria, disse estar convencido de que os Padres Conciliares estavam de acordo quanto à substância doutrinal do documento, e que o esquema se revelaria satisfatório depois que alguma correções fossem feitas na redação. Mons. Barbetta, membro da Cúria Romana, criticou a intervenção de Mons. Smedt: o tom não era nem triunfalista, nem clerical, nem legalista. (...).

   No primeiro dia do debate, o Cardeal Alfrink pedira uma cuidadosa coordenação dos textos, para que toda repetição inútil fosse evitada na ordem do dia do Concílio. Tal proposta, cuja adoção deveria alterar profundamente a estrutura do Concílio, bem como a forma e o conteúdo dos esquemas, recebeu no curso das três reuniões seguintes o apoio dos cardeais Léger, Suenens e Montini. (...).

   No mesmo dia 5 de dezembro, o Sumo Pontífice, instigado por quatro cardeais, instituiu uma nova Comissão de Coordenação "encarregada de coordenar e dirigir os trabalhos do Concílio". Seria composta exclusivamente de cardeais - os Cardeais Liénart, Döpfner, Suenens, Confalonieri, Spellman e Urbani, mais o Cardeal Cicognani como presidente. A Aliança Europeia estava representada por três membros e detinha, portanto, cinquenta por cento dos votos. Deste modo sua influência e seu prestígio não cessavam de crescer: no começo do Concílio, ela só obtivera 30% das cadeiras da Presidência do Concílio. 
   Além da criação da Comissão de Coordenação, João XXIII aprovou, na mesma data, as normas que deviam reger o Concílio no intervalo entre as duas primeiras sessões. (...) Todas as normas foram lidas aos Padres Conciliares na reunião matinal de 6 de dezembro, e os liberais viram aí nova vitória sobre a Cúria.