SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS FIÉIS - ( V ) - Fim.


   11- Da Penitência e do Corpo de Cristo


 Mas todos aqueles que não vivem em espírito de penitência, nem recebem o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que praticam vícios e cometem pecados, e que vivem segundo suas más concupiscências e desejos perversos, e que não cumprem o que prometeram e com o seu corpo servem ao mundo, porque se deixaram ludibriar por suas concupiscências carnais, pelos cuidados e solicitudes deste mundo, pelo demônio, cujos filhos são e cujas obras praticam: cegos são eles, porque não são capazes de enxergar a verdadeira luz, Nosso Senhor Jesus Cristo. A sabedoria espiritual não na possuem porque não trazem dentro de si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. E é deles que se diz: "Sua sabedoria foi devorada" (Sl 106, 27). Só enxergam, conhecem, sabem e praticam o mal e perdem deliberadamente suas almas. 
   Reparai, ó cegos, iludidos por nossos inimigos, isto é, pela carne, pelo mundo e pelo demônio - que é agradável ao corpo praticar o pecado, e amargo servir a Deus, porque todos os vícios e pecados procedem do coração do homem, como diz o Evangelho (Mt 15, 19). E nada tendes de bom, nem neste mundo nem no futuro. Julgais gozar por longo tempo as vaidades deste mundo, mas estais logrados, porque virá o dia e a hora na qual não pensais, e que de todo desconheces.

   12. Do Enfermo que não Gosta de Fazer Penitência

   Adoece o corpo, a morte avança, chegam os parentes e amigos e dizem: "Põe tuas coisas em ordem". Vede como sua mulher, seus filhos, os parentes, os amigos andam fingindo que choram. Levantando os olhos e vendo-os chorar, ele move-se de falsa compaixão, reflete no seu íntimo e diz: "Vede, minha alma e meu corpo e tudo oque é meu deposito nas vossas mãos". É verdadeiramente maldito tal homem que deposita e entrega em mãos assim sua alma e seu corpo e tudo o que possui. Daí falar o Senhor pelo Profeta: "Maldito o homem que confia noutro homem" (Jer 17, 5).

   E logo mandam vir o padre. O padre diz-lhe: "Você quer fazer penitência por seus pecados?" Responde: "Quero". "Você está disposto, na medida do possível, a pagar, com seus bens, as dívidas que tem e reparar os logros e enganos que cometeu contra outros?" Retruca ele: "Não". Diz o padre: "Por que não?" E ele responde: "Porque entreguei tudo às mãos dos parentes e amigos". E começa a perder a fala e assim morre o infeliz.

   Saibam todos: Onde e como quer que um homem venha a morrer em pecado mortal sem a devida reparação - e ele pôde fazer penitência mas a não fez - o diabo lhe arranca a alma do corpo sob tal angústia e medo que ninguém é capaz de conhecer senão quem no experimenta em sua própria pele. E todos os talentos e poderes e ciências e sabedorias que "julgava possuir ser-lhes-ão tirados" (Lc 8, 18). E tem de deixar os seus bens para os parentes e amigos e estes se apoderam deles e os distribuem entre si, e dirão mais tarde: "Maldita seja a sua alma, porque ele poderia ter dado e ganho para nós muito mais e não o fez". O corpo comem-no os vermes. E assim ele perde a alma e o corpo neste mundo passageiro, e irá para o inferno, onde será atormentado para sempre.

   Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém, A vós [todos quantos receberdes esta carta] rogo e conjuro eu, Frei Francisco, vosso mínimo servo, pelo amor que é Deus (1 Jo 4, 16), e desejando beijar-vos os pés, que recebais estas e outras palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo com humildade e amor e as pratiqueis de boa vontade e com perfeição. [ E os que não souberem ler, façam-nas ler seguidamente por outros e guardem-nas na memória por santa operação até o fim, pois "elas são espírito e vida" (Jo 6, 63). E os que o não fizerem, terão de um dia justificar-se diante do tribunal de Cristo] (*). E todos aqueles homens e mulheres que as receberem de boa mente e as entenderem e mandarem uma cópia a outros -, se perseverarem até o fim (Mt 10, 22), que os abençoe o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém.

   (*) Os trechos entre colchetes não constam no manuscrito mais antigo que é o Codex 338 da Biblioteca da cidade de Assis. 

CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS FIÉIS - ( IV )

   9. Que não Devemos ser Sábios segundo a Carne


 Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne (cf. 1 Cor 1, 26), mas antes sejamos simples, humildes e puros. E mantenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, pois somos por nossa própria culpa míseros e cheios de podridão, asquerosos, vermes, segundo diz o Senhor pelo Profeta: "Eu sou um verme, já não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe" (Sl 21, 7).
   Nunca devemos aspirar a sobrepor-nos aos outros, mas antes sejamos por amor de Deus os servos e "súditos de toda criatura humana" (1 Ped 2, 13).
   E todos os homens e mulheres que assim agirem e perseverarem até o fim verão "repousar sobre si o Espírito do Senhor" (Is.11, 2), e Ele fará neles sua morada permanente (Jo 14, 23), e eles serão filhos do Pai celestial (Mt 5, 45), cujas obras fazem, e serão desposados, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 12, 48-50). Somos desposados, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus (Mt 12,  50). Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros (cf. Mt 5, 16).
   Como é honroso e santo ter no céu um Pai! Como é santo, consolador e deleitável ter no céu um esposo! Como é santo, e como é querido, agradável, aprazível, humilde, tranquilizador, doce, amorável e sobre todas as coisas desejável ter um tal irmão que entregou sua vida por suas ovelhas (Jo 10, 15) e por nós orou ao Pai, dizendo: "Pai santo, guarda em teu nome os que me deste. Pai, todos quantos no mundo me deste, eram seus, mas tu mos deste. E as palavras que me deste eu lhas dei a eles e receberam-nas e ficaram sabendo que em verdade saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. Rogo por eles, não pelo mundo. Abençoa-os e santifica-os. Também eu por causa deles me santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados para a união, como nós somos unos. E quero, Pai, que, onde eu estiver, estejam eles comigo, para que veja a minha glória no teu Reino" (Jo 17, 11-22).

   10. Que Devemos Tributar Louvores a Deus

   A Ele, pois, que tanto sofreu por nós e tanto bem nos fez e ainda fará no futuro - todas as criaturas que há no céu e sobre a terra e no mar e nos abismos, rendam a Deus louvor, glória, honra e bênção (Apoc 5, 13), porque Ele é nossa força e nosso vigor, e que só Ele é bom (Lc 18, 19), só Ele o Altíssimo, só Ele onipotente,  admirável, glorioso, só Ele digno de louvor e glorificação por toda a eternidade sem fim. Amém.

Termina no próximo post.

domingo, 31 de março de 2013

CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS FIÉIS - ( III )

   6. Do Jejum dos Vícios e Alimentos


 Devemos também jejuar e abster-nos dos vícios e pecados (Ecle 3,32) bem como do excesso no comer e no beber e devemos ser católicos. Visitemos também frequentemente as igrejas e honremos e respeitemos os clérigos, não tanto por sua pessoa   - se forem pecadores - mas sobretudo por causa do seu ministério em que nos administram o santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que sacrificam sobre o altar, recebem e repartem aos outros. E estejamos todos firmemente convencidos de que ninguém pode salvar-se a não ser pelas santas palavras e pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os clérigos pronunciam e anunciam essas palavras e ministram o sacramento. E só eles estão autorizados a exercer esse ministério e mais ninguém.
   Especialmente porém os religiosos, tendo renunciado ao mundo, estão obrigados a fazer mais e coisas maiores, sem entretanto omitir as outras (Lc 11, 42). Devemos odiar nossos corpos com os seus vícios e pecados, porque diz o Senhor no Evangelho: "Todos os vícios e pecados procedem do coração" (Mt 15, 18-19). 


   7. Como Devemos Amar os Nossos Inimigos e Fazer-lhes Bem

   Devemos amar os nossos inimigos e fazer bem aos que nos odeiam (Lc 6, 27). Devemos observar os preceitos e conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos também renunciar a nós mesmos e submeter os nossos corpos ao jugo da servidão e da santa obediência, como cada um prometeu ao Senhor. 

   8. Que Aquele em Cujas Mãos foi Depositada a Obediência, seja como o Menor

   E ninguém seja obrigado sob obediência a obedecer num assunto que implique culpa ou pecado. Aquele em cujas mãos foi depositada a obediência e quem vale como o maior, seja como o menor (Lc 22, 26) e o servo dos outros irmãos. E manifeste e pratique para com os seus irmãos tal misericórdia como gostaria que lhe fosse feita se ele próprio estivesse em idêntica situação. Nem se irrite contra qualquer irmão se este tiver cometido um erro, mas antes admoeste-o e o suporte com toda paciência e humildade. 

   

CARTA DA S. FRANCISCO DE ASSIS AOS FIÉIS - ( II )

    2. Daqueles que não Querem Observar os Mandamentos de Deus. 

   Os que não querem provar "como é doce o Senhor" (Sl 33, 9) e "amam mais as trevas do que a luz" (Jo 3,19) porque não querem cumprir os mandamentos de Deus, esses são malditos. É deles que foi dito pelo profeta: "Malditos os que se afastam dos vossos mandamentos" (Sl 118,21). E quão ditosos e benditos são ao contrário os que amam o Senhor e procedem como o Senhor mesmo diz no Evangelho: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda tua alma, e amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 37.39). 

  3. Do Amor de Deus e de como Adorar a Deus

   Amemos, pois, a Deus e adoremo-Lo com o coração purgado e o espírito puro, porque Ele mesmo exigiu isto acima de tudo, dizendo: "Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade; pois todo aquele que o adorar deve adorá-lo em espírito e verdade" (Jo 4, 23-24). E queremos oferecer-lhe os nossos louvores e preces de dia e de noite, dizendo: "Pai nosso que estais nos céus", pois "é preciso orar em todo o tempo e não desfalecer" (Lc 18, 1).

   4. Que Devemos Confessar os Nossos Pecados aos Sacerdotes

   Todos devemos confessar os nossos pecados ao sacerdote e é dele que recebemos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois quem não comer a sua carne e não beber o seu sangue não pode entrar no reino de Deus (cf. Jo 6, 54). É preciso, no entanto, que se coma e beba dignamente, porquanto, quem receber indignamente, "come e bebe a sua própria condenação porque não discerne o corpo do Senhor" (1 Cor 11, 29).
   Façamos além disso "dignos frutos de penitência" (Lc 3, 8). E amemos o nosso próximo como a nós mesmos. E se alguém não quiser ou não puder amá-lo como a si mesmo, ao menos não lhe faça algum mal, mas o bem. 

   5. Como Aqueles que Receberam o Poder para isso Devem Julgar os Outros

   Os que estão investidos do poder de julgar os outros exerçam o cargo de juiz com piedade assim como eles mesmos esperam obter do Senhor a misericórdia. "Porque sem misericórdia será julgado quem não fez misericórdia" (Tiago 2, 13).
   Sejamos pois caridosos e humildes e façamos esmola porque esta lava a alma das manchas do pecado (Tob. 4, 11). Os homens enfim perdem tudo o que deixam neste mundo. Mas levam consigo o fruto da caridade e as esmolas que tiverem feito e o Senhor lhes dará por elas o prêmio e recompensa condigna. 

CARTA DE S. FRANCISCO DE ASSIS AOS FIÉIS ( I )

Observação: Mais do que uma Carta, podemos dizer que é um Opúsculo de Admoestação. Ele manifesta muitos aspectos da figura espiritual de S. Francisco. Tudo indica que este Opúsculo se destina a cristãos da época, pessoas de acentuada motivação religiosa, "clérigos e leigos, homens e mulheres" que de qualquer forma sentem-se ligados a São Francisco e por quem o Santo se considera excepcionalmente responsável. 


Aqui começa a carta de admoestação e exortação de nosso venerável Pai São Francisco.

"Em nome do Senhor: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 
  A todos os cristãos que vivem religiosamente, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam no mundo universo, Frei Francisco, de todos servo e vassalo, saúda com reverente dedicação e deseja a verdadeira paz do céu e sincera caridade no Senhor.
  
   Sendo servo de todos, a todos devo servir as odoríferas palavras de meu Senhor. Por isso, considerando que não posso visitar a cada um em particular, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, fiz o propósito de comunicar-vos por meio das presentes letras e de mensageiros as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, bem como as palavras do Espírito Santo, que são "espírito e vida" (Jo 6, 63).

1. Da Palavra do Pai

   Esta palavra do Pai, tão digna, tão santa e tão gloriosa, o altíssimo Pai a enviou do céu, por seu arcanjo São Gabriel, ao seio da Santa Virgem Maria, de cujo seio recebeu a verdadeira carne da nossa humanidade e fragilidade. E, "sendo rico" (2Cor 8,9) acima de toda medida, preferiu todavia escolher, com sua bem-aventurada Mãe, a vida de pobreza.

   Na véspera de sua paixão celebrou a Páscoa com os seus discípulos e, "tomando o pão, deu graças e benzeu-o, dizendo: "Tomai e comei: este é o meu corpo". E tomando o cálice, disse: "Este é o meu sangue do Novo Testamento, que por vós e por muitos será derramado para remissão dos pecados" (cf. Mt 26, 26; Lc 22, 19). Em seguida orou ao Pai e disse: "Pai, se for possível passe de mim este cálice" (Mt 26, 39). E seu suor se tornou como gotas de sangue que corre para a terra (Lc 22, 44). Abandonou porém sua vontade na vontade do Pai e disse: "Pai, faça-se a tua vontade, e não se faça como eu quero senão como tu queres (Mt 26, 42. 39).
   Ora a vontade do Pai era que o seu bendito Filho glorioso que nos havia dado e o qual por nós nascera, se oferecesse a si mesmo por seu próprio sangue como oferenda de sacrifício sobre o altar da cruz, não para si mesmo, "por quem foram feitas todas as coisas" (Jo 1, 3), mas em expiação de nossos pecados, legando-nos um exemplo para que seguíssemos as suas pegadas (cf. 1Ped 2, 21). E Ele quer que todos sejamos salvos por Ele e o recebamos de coração puro e corpo casto. Mas infelizmente são poucos os que o recebem e por Ele querem ser salvos, embora seja suave o seu jugo e leve o seu fardo (Mt 11, 30).
  

domingo, 24 de março de 2013

PIO II - (1458-1464)

   Com a morte de Calixto III a Cátedra de Pedro voltou a ser ocupada por um dos homens mais sábios do seu século: Eneas Silvio Piccolomini. Como papa tomou o nome de Pio II. Era um grande humanista, brilhante orador e escritor. Escreveu em um latim elegantíssimo que fazia lembrar o de Cícero. É o único papa a escrever a história do próprio pontificado numa autobiografia: "COMMENTARII RERUM MEMORABILIUM". Dele temos ainda outras obras: Memórias sobre o concílio de Basileia, História dos Bhemios, dois livros de Cosmografia, a História da Europa (durante o reinado do imperador Frederico III), um Tratado da educação da infância, um Poema sobre a Paixão, uma coleção de 432 cartas etc. No ano 1460, publicou uma bula, que declara nulas e errôneas as apelações do Papa para o concílio. Aí afirma que "é um abuso inaudito nos séculos precedentes, manifestamente contrário aos santos cânones e extremamente prejudicial a todas as ordens da república cristã". 

   No seu pontificado houve duas aspirações supremas: a unificação da Europa e a salvação da cristandade da invasão turca, isto é, dos muçulmanos. Pio II decidiu mesmo colocar-se pessoalmente à frente de uma expedição marítima contra os turcos, dirigindo-se propositadamente para tal fim até Ancona, onde, porém, morreu, fisicamente exausto, ainda antes de poder embarcar, a 4 de agosto de 1464. 

   Embora com a melhor boa vontade de sanar os abusos na Cúria e em outros lugares, Pio II não chegou a realizar uma reforma de grande alcance, justamente em virtude do desgaste proveniente destas guerras.

   Mas o que mais desejo ressaltar,  no estreito âmbito de um post, é a humildade deste homem tão sábio. Eneas Silvio Piccolomini teve um passado por demais conturbado e, não sem razão, muito criticado. Fôra, pois, fautor do concílio de Basileia e foi nada menos do que secretário do antipapa Félix V, e também secretário do imperador Frederico III. Havia sustentado princípios contraditórios aos que eram agora proclamados. E assim, inevitavelmente não faltaram comentários sarcásticos a essa sua mudança de opinião. Donde, em 1463 ele publicou a famosa bula de retratação "In minoribus agentes", na qual rejeitava as ideias de sua idade juvenil imatura e pedia confiança para suas diretrizes de governo na Igreja. Por isso, desta Bula, ficaram célebres na História estas palavras: "Aeneam reicite, Pium recipite".

   

domingo, 17 de março de 2013

Carta de S. Francisco a Todos os Custódios dos Frades Menores

Nota: Durante muito tempo o presente escrito só era conhecido por uma tradução feita do espanhol por Lucas Wadding, célebre cronista da Ordem e primeiro colecionador das obras de São Francisco. Só em época bem recente foi descoberto um manuscrito latino mais antigo. O estilo e a ordem de ideias comprovam além disso a autenticidade do opúsculo como obra de São Francisco de Assis.

   Eis a carta:
   "A todos os custódios dos frades menores que receberam esta carta, Frei Francisco, pequenino servo vosso em Deus nosso Senhor, deseja a salvação nos novos sinais do céu e da terra, (1) que, grandes e excelentíssimos aos olhos do Senhor, são contudo tidos em conta de vulgares por muitos religiosos e outros homens.
   Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos, todas as vezes que o julgueis oportuno e útil, que prestem a mais profunda reverência ao santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, as quais tornam presente o seu sagrado Corpo. Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa (2). E se em alguma parte o Corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição. Igualmente os nomes e palavras escritas do Senhor deverão ser recolhidas, se encontradas em algum lugar imundo, e colocadas em lugar decente. 
   E em todas as pregações que fizerdes, exortai o povo à penitência e dizei-lhe que ninguém poderá salvar-se se não receber o santíssimo Corpo e Sangue do Senhor. E quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, de modo que a toda hora, ao dobre dos sinos, o povo todo, no mundo inteiro, renda sempre graças e louvores ao Deus onipotente. 
   E todos os meus irmãos custódios que receberem esta carta e a copiarem e guardarem consigo e a fizerem copiar para os irmãos incumbidos da pregação e do cuidado pelos irmãos, e pregarem até o fim o que nela está escrito, saibam que terão a bênção do Senhor Deus e a minha. E isto lhes seja imposto em virtude da verdadeira e santo obediência. Amém. 

 Notas: (1) Refere-se Francisco no caso ao Santíssimo Sacramento do Altar. 
            (2) Donde podemos concluir que, se alguém disser que a Igreja deve ser pobre até em relação às coisas que se referem à Santíssima Eucaristia e portanto à Santa Missa, e afirmam-no querendo se basear em S. Francisco, devemos dizer que não é verdade. Pode ser outro Francisco, mas nunca São Francisco de Assis. Pode ser por exemplo o padre jesuíta Francisco Taborda que dizia: "O meu ideal é o que está no evangelho, a fraternidade e o amor, mas o evangelho não me dá o instrumental científico de análise da realidade.... A análise marxista da realidade é uma aquisição das ciências sociais".