SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS NA SANTA MISSA

IMPORTÂNCIA DO CULTO INTERNO

   Já que é o ato central do culto divino, a Santa Missa deve ocupar o centro da existência de um cristão.
   O elemento essencial da participação do fiel consiste em UNIR  os próprios sentimentos de adoração, ação de graças, expiação e impetração aos que teve JESUS CRISTO ao morrer por nós, e que devem animar o sacerdote que oferece o Sacrifício da Missa. Esta união do culto interno, que se exterioriza nos atos externos, é que torna proveitosa a participação do fiel na Santa Missa. Limitar a participação do fiel a seguir os gestos e a repetir as palavras que se dizem no altar, considera Pio XII, "rito vão e formalismo sem sentido". (Mediator Dei).

   Já no Antigo Testamento, Deus rejeita os sacrifícios meramente exteriores: não só aqueles em que as vítimas, por manchadas, eram indignas do altar do Senhor, mas também aqueles em que se imolavam animais puros e luzidios. E no Novo Testamento, de modo geral, reprova o Divino Mestre aqueles que honram ao Senhor com os lábios e mantêm o coração longe d'Ele. (Cf. S. Mc. 7, 6; Isaías, 29, 13).
   Comentando as palavras de Nosso Senhor, diz Pio XII: "O Divino Mestre julga que são indignos do templo sagrado, e dele devem ser expulsos, os que presumem dar honra a Deus somente com palavras afetadas e atitudes teatrais, persuadindo-se que podem muito bem prover a sua eterna salvação, sem de seus espíritos arrancarem pela raiz os vícios inveterados".

   Os fiéis devem considerar suma honra participar no Sacrifício Eucarístico de maneira que a "união com o
Sumo Sacerdote não possa ser mais íntima, conforme a palavra do Apóstolo: Tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. (Fil. 2, 5). Isto exige de todo cristão que reproduza em si, quanto está nas possibilidades humanas, o mesmo estado de alma que tinha o divino Redentor quando realizava o Sacrifício de Si mesmo: a humilde submissão do espírito e a adoração, honra, louvor e ação de graças à Suprema Majestade de Deus; mais, reproduza em si mesmo a condição de vítima, a abnegação segundo os preceitos do Evangelho, o voluntário e espontâneo exercício da penitência, a dor e a expiação dos próprios pecados; numa palavra: QUE TODOS ESPIRITUALMENTE MORRAMOS COM CRISTO NA CRUZ,  de modo a podermos dizer com São Paulo: "Estou pregado na Cruz com Cristo." (Gal. 2, 19).
   Sendo, pois, os sentimentos internos o elemento essencial de nossa participação ativa no Sacrifício da Missa, é lógico que toda a participação externa só é boa quando nos leva àquela participação íntima, essencial.
   Já que a finalidade do Sacrifício é externar os sentimentos internos de adoração, ação de graças, expiação e impetração de favores, qualquer maneira de participar da Santa Missa que vise a excitar estes sentimentos é boa. Eis a razão porque Pio XII não quer que sejamos exclusivistas em determinar o modo como deverão os fiéis participar do Sacrifício Eucarístico.
   "Nem todos, diz o Papa Pio XII, estão aptos a compreender como convém os ritos e cerimônias litúrgicas. O talento, a índole e a mentalidade dos homens são tão vários e dessemelhantes, que nem todos podem igualmente ser impressionados e orientados pelas orações, cânticos e funções litúrgicas feitas em comum. Além disso, as necessidades e inclinações das almas não são iguais em todos, nem se conservam as mesmas em cada qual."

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

COMUNHÃO - PARTE INTEGRANTE DO SACRIFÍCIO DA MISSA

   Pelo que já estudamos até aqui sobre o Santo Sacrifício da Missa, podemos concluir que ERRAM  e caem em heresia:
   1º) os que consideram a Missa uma mera assembléia dos fiéis para o culto divino, no qual se faz uma simples comemoração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, ou seja do sacrifício outrora efetuado no Calvário;
   2º) os que aceitam a Missa como sacrifício de louvor e de ação de graças, mas lhe negam o caráter propiciatório em favor dos homens;
   3º) os que fingem ignorar a relação essencial que tem a Missa com respeito a Cruz, e pretendem que aquelea venha a ser uma ofensa a esta;
   4º) os que consideram a Missa principalmente uma Ceia, um banquete do Corpo de Cristo.

   Contra este último erro, a Doutrina Católica nos ensina que a Comunhão é parte INTEGRANTE,  e não essencial, do sacrifício. Integra-o, isto é, completa-o.
   Como todo sacrifício, assim no Eucarístico, a Hóstia ordena-se a ser consumida por parte do sacerdote e dos fiéis, ato que simboliza a amizade entre Deus e os homens, amizade e união que no Sacrifício do Altar não é apenas um símbolo, mas uma realidade. De fato, mediante a Comunhão, há uma união real entre Deus e o homem, pois que na Comunhão Jesus, a Hóstia de nossos altares, se torna alimento de nossas almas.


Escola de Fra Angelico (sec. XV) Florença -
Convento de São Marcos.

   Para a integridade do sacrifício, porém, basta a comunhão do celebrante, não se exige a dos fiéis, embora seja esta muito de recomendar-se. Pio XII, na Encíclica "Mediator Dei", é bem explícito: "Afastam-se da verdade aqueles que, capciosamente, afirmam,  que no Sacrifício da Missa se trata não só um sacrifício, mas de um sacrifício e de um banquete de confraternização". E ainda: "O Sacrifício Eucarístico, de sua natureza, é a imolação da vítima divina, imolação que é misticamente manifestada pela separação das sagradas espécies, e sua oblação feita ao Pai Celeste. A SAGRADA COMUNHÃO PERTENCE À INTEGRIDADE DO SACRIFÍCIO E À PARTICIPAÇÃO NELE;  e, enquanto é absolutamente necessária por parte do MINISTRO SAGRADO, por parte dos fiéis é somente muito RECOMENDÁVEL"

   Portanto: as Missas celebradas privadamente, sem a participação dos fiéis, não perdem o caráter de culto público e social, pois que nelas o sacerdote age como representante de Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico que se oferece ao Pai Eterno em nome de toda a Igreja.

A SANTA MISSA, SACRIFÍCIO SOCIAL

   Tanto na Ceia, como na Cruz, Jesus ofereceu-Se ao Pai Celeste, como vítima expiatória, sozinho. Ele ainda não havia fundado a sua Igreja. Antes, foi precisamente o sacrifício do Calvário, uma vez consumado, que deu origem à Igreja. A Igreja una, imaculada, virgem e santa esposa de Cristo nasceu do Sagrado Lado de Jesus morto na Cruz. Só então se formou o Corpo Místico de Cristo, a Igreja, ralidade sobrenatural e sociedade visível, cuja estrutura, no entanto, dada pelo seu Fundador, iria fixar-se nos primeiros tempos do Cristianismo.
   Formado seu Corpo Místico, Jesus jamais o abandona. Ele é sempre a Cabeça da Igreja. De maneira que, na Missa, já não é Ele sozinho que se oferece ao Pai Celeste, mas é a Igreja toda, a Cabeça - Jesus Cristo - e o Corpo, a Sagrada Hierarquia e o povo fiel. A Missa é o Sacrifício de Jesus, como Cabeça da Igreja. É assim o sacrifício de toda a Igreja. A Igreja, direta e propriamente, não CONSAGRA. São os SACERDOTES que imolam, agindo na pessoa de Cristo; mas eles OFERECEM também, em nome da Igreja. Neles, pois, o Sacrifício da Cabeça e o do Corpo Místico se unem e compenetram. Os fiéis não CELEBRAM, participam a seu modo, unindo seus sentimentos aos do sacerdote que celebra e aos do próprio Jesus Cristo que é imolado.

domingo, 20 de novembro de 2011

A CRISMA PELA EXPLICAÇÃO DO QUADRO CATEQUÉTICO

QUADRO CATEQUÉTICO Nº 21 SOBRE O SACRAMENTO DA CRISMA
   Este quadro catequético nº 21 represnta o Sacramento da Confirmação ou Crisma.
   No alto deste quadro, à esquerda, vemos um soldado que combate contra um dragão de sete cabeças. Quer mostrar com isto que nós recebemos na Confirmação, a fortaleza necessária para vencermos os sete vícios capitais.
   À direita, vemos representada uma criança, fiel às lições de sua mãe, se declarar cristã na presença de um juiz pagão que a queria fazer renunciar à fé em Jesus Cristo. Com isto a representação do quadro quer mostrar que a Confirmação nos dá a força de permanecermos fiéis a Jesus Cristo no meio das perseguições.
   No centro, vemos o objeto principal deste quadro: representa São Pedro e São João dando a Confirmação aos fiéis de Samaria. Eles lhes impõem as mãos e rogam por eles a fim de que recebam o Espírito Santo. À direita de São Pedro vemos um homem que traz na mão uma sacola: é Simão Mago, que vem pedir ao Apóstolo para lhe vender o poder de dar o Espírito Santo. São Pedro o repreende severamente por ele querer comprar o dom de Deus com dinheiro. Por isto este tipo de pecado chama-se simonia.
   O Espírito Santo é representado neste quadro pairando em forma de pomba sobre aqueles que são confirmados, e lhes distribuindo os seus sete dons.
   Em baixo do quadro, vê-se um bispo que administra a Confirmação às crianças da primeira comunhão. É precedido do pároco que lhe diz os nomes daqueles que devem ser crismados a medida que vão se apresentando; é seguido de um outro padre que segura uma bandeja sobre a qual se encontra o depósito do santo óleo do crisma. Um terceiro padre, com sobrepeliz e estola, limpa com um pouco de algodão a testa daqueles que acabam de ser crismados.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CRISMA (continuação)

   I - SUJEITO E DISPOSIÇÕES.
   Qualquer pessoa BATIZADA, e ainda NÃO CRISMADA,  seja qual for sua idade, com uso da razão ou sem ele, pode receber o Sacramento da Confirmação. (O adulto precisa ter intenção).
   De acordo com a legislação atual da Igreja, a Crisma deve ser conferida na idade de 7 anos mais ou menos, de preferência antes da Primeira Comunhão, após uma instrução catequética conveniente (pelo menos: o conhecimento dos principais mistérios da nossa fé.)
   Além disso, para que o Sacramento produza frutos abundantes, é preciso: ACHAR-SE EM ESTADO DE GRAÇA ( por isso, se exige a confissão para os crismandos de mais de 7 anos) e APRESENTAR-SE ao BISPO com RESPEITO E DEVOÇÃO.
   NOTA: No Brasil, dada a extensão territorial, a Igreja permite a administração da Crisma às crianças antes de chegarem ao uso da razão.

   II - PADRINHOS. Na Crisma exige-se um padrinho ou madrinha que, com a palavra e com o exemplo, dirija o afilhado ou afilhada pelo caminho da salvação e o ajude nas lutas espirituais.
   O padrinho deve:
                    a) ter 14 anos de idade.
                    b) ser do mesmo sexo que o afilhado;
                    c) não ser o mesmo do Batismo;
                    d) ser crismado, católico, de bons costumes e instruído nas coisas mais necessárias da religião.
                    e) tocar no afilhado na hora da Crisma.

   III - CERIMÔNIAS.  Para administrar o Sacramento da Crisma, o Bispo: 1º - estende as mãos sobre os que se vão crismar, indicando assim que o Espírito Santo quer tomar posse deles e arrebatá-los do poder do demônio. Ao mesmo tempo, faz uma oração em que pede para eles os sete dons do Espírito Santo. 2º- Em seguida, com o Santo Crisma, o Bispo faz uma unção em forma de cruz, na testa de cada um, para significar que o católico jamais se deve envergonhar da Cruz de N. S, Jesus Cristo. É, então, que o Bispo pronuncia as palavras do rito sacramental.
   No Antigo Testamento, eram ungidos: a) os sacerdotes; assim como Moisés ungiu Aarão; b) os reis; assim como Samuel ungiu Saul; c) e os profetas, assim como Elias ungiu Eliseu. CRISTO é a tradução grega da palavra hebraica MESSIAS, e significa UNGIDO, designando antes de tudo a junção sacerdotal, real e profética do Senhor. A unção, nos Sacramentos, exprime também a dignidade do cristão.
   O crisma, como já dissemos, é uma mistura de azeite e bálsamo. O azeite significa a abundância da graça que se difunde na alma do cristão, fortificando-o e confirmando-o na fé; o bálsamo, pela sua fragrância e virtude de preservar os corpos da corrupção, significa que o cristão, fortalecido por essa graça, se torna capaz de espalhar o odor e a fragrância das virtudes cristãs e de se preservar da corrupção dos vícios. 3º - Logo após a unção, o Bispo bate de leve na face do crismado, enquanto diz: "A paz esteja contigo!" Significa que ele deve estar preparado para sofrer qualquer afronta e trabalho pela fé cristã. A recompensa desta sua coragem será a paz. 4º - Por fim, o Bispo dá a bênção a todos os crismandos e a cerimônia termina com a recitação do CREDO, do PAI-NOSSO e da AVE-MARIA.
   A cerimônia se realiza com as portas da igreja trancadas - não só para que ninguém se retire antes da bênção final, mas para recordar o Primeiro PENTECOSTES, no Cenáculo de Jerusalém. Assim como o Mistério da Paixão é revivido no Batismo da cada cristão, assim o mistério de Pentecostes é revivido no dia em que recebemos o sacramento da CONFIRMAÇÃO.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O LIMBO DAS CRIANÇAS

   Introdução: Como recebi algumas dúvidas a respeito da sorte eterna das crianças que morrem sem o batismo, achei por bem, antes de passar a falar sobre o Sacramento da Confirmação, dizer alguma coisa sobre o Limbo das crianças que, antes do uso da razão, morrem sem o Batismo.
   Primeiramente, é necessário lembrar duas coisas: 1) A existência do Limbo das crianças, embora até ao presente, não tenha sido definido como dogma, também não foi definido que não exista. A Santa Madre Igreja inclusive continua a exortar aos pais que batizem seus filhos e o façam quanto antes. 2) O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA apresentado em 1992 pela CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA "FIDEI DEPOSITUM" do Papa João Paulo II, parece inclinar-se mais para uma direção inversa daquela que até então, durante séculos a Santa Igreja defendeu.
   Vejamos, então, o que a Santa Igreja ensinou (sem definir como dogma) a este respeito, até 1992: O Papa Inocêncio III (+ 1216): "A pena devida ao pecado original é a privação da visão beatífica; a que se deve ao pecado atual (mortal) é o tormento da geena perpétua". (Cf. Denz. 410). O Papa Pio VI em 1794, condenando os jansenistas de Pistóia, disse o seguinte: "É falsa, temerária e injuriosa às escolas católicas a doutrina que rejeita, como se fosse fábula pelagiana, o lugar inferior (pelos fiéis geralmente chamado Limbo das crianças), onde as almas dos que morrem apenas com o pecado original são punidas pela pena do detrimento sem algum tormento do fogo". (Constituição "Auctorem fidei"; Denz. 1526). "Pena do detrimento" é a privação da visão beatífica de Deus. Todos os catecismos até o de 1992 sempre falam da existência do Limbo das crianças.
   Mas, o que diz o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA? No nº 1261 assim se expressa: "Quanto às crianças mortas sem Batismo, a Igreja só pode confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito das exéquias por elas. Com efeito, a grande misericórdia de Deus, "que quer que todos os homens se salvem" (1Tim, 2,4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que O levou a dizer: "Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais" (Mc 10,14), nos permitem esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo". No nº 1257 diz: "Deus vinculou a salvação ao sacramento do Batismo, mas ele mesmo não está vinculado a seus sacramentos". No nº 1250, no entanto, diz: "A Igreja e os pais privariam então a criança da graça inestimável de tornar-se filho de Deus se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do nascimento".
    A conclusão que tiramos é: A Igreja até ao presente não definiu como dogma nem a existência nem a não existência do Limbo. Portanto devemos aguardar a definição da Igreja. A outra conclusão é que, enquanto não houver a definição infalível da Igreja, os teólogos têm a liberdade de expor suas opiniões, não porém o direito de impô-las. Cabe somente à Igreja dar a última palavra.
   Assim sendo vejamos as várias opiniões pró ou contra a existência do Limbo das crianças.

A) OPINIÕES QUE DEFENDEM A EXISTÊNCIA DO LIMBO DAS CRIANÇAS

   Os teólogos que defendem a existência do Limbo das crianças se baseiam não só no ensinamento comum da Igreja, principalmente nas declarações de Inocêncio III e Pio VI; mas também nos catecismos.No século XX são muitos os teólogos que tentam provar a existência do Limbo. São teólogos célebres e abalizados como Journet, Diekamp, La Branc, Amann, Bellamy e outros. Todos se baseiam nas palavras do próprio Divino Mestre: "Se alguém não renascer da água e do Espirito Santo, não pode entrar no reino de Deus". (S. Jo. III, 5). A tradição cristã, baseando-se principalmente no conceito da justiça perfeitíssima de Deus, chegou aos poucos a formular a noção do Limbo. Na verdade não há nenhuma passagem na Bíblia que fale do Limbo das crianças. Jesus Cristo em S. Lucas, XVI, 22 fala do seio de Abraão. Trata-se do lugar onde as almas justas do Antigo Testamento esperaram a vinda do Redentor. É chamado também Limbo, mas para se distinguir do Limbo das crianças, é denominado "Limbo dos Pais". Este, a partir da Ascensão de Jesus, deixou de existir.

B) OPINIÃO DOS QUE NÃO ADMITEM A EXISTÊNCIA DO LIMBO

   No século passado e mesmo antes, são muitos os teólogos que não admitem a existência do Limbo. É claro que até a publicação do novo CATECISMO DA DOUTRINA CATÓLICA, procuravam falar com prudência, e expondo suas teses como simples hipóteses e submetendo-se sempre ao que a Igreja definir. Entre estes o mais famoso é o Cardeal Caetano que morreu em 1534. Na verdade o Cardeal Caetano evitava afirmar categoricamente que não existia Limbo das crianças; mas sua tese diminuia consideravelmente o número de seus habitantes. Propunha uma tese que sempre encontrou fautores, e hoje em dia, sobretudo. Eis o que dizia: "Em caso de necessidade, para assegurar a salvação das crianças, parece suficiente o Batismo expresso pelo desejo dos progenitores apenas, principalmente se a este desejo se acrescenta algum sinal exterior".
   A argumentação deste grande teólogo realmente impressiona. Senão vejamos: A razão principal que ele alegava: "No Antigo Testamento os pequeninos recebiam a remissão do pecado original primariamente mediante a fé de seus pais, que ofereciam os filhinnhos a Deus. Para a prole masculina era, sim, necessário que, oito dias depois de nascida, se lhe administrasse o rito da circuncisão; mas, na opinião mais provável, mesmo os meninos que morressem antes do oitavo dia, salvavam-se mediante a fé de seus pais. Ora, não se pode admitir que, após a vinda do Redentor, os meios de salvação se tenham tornado mais exíguos e menos acessíveis aos homens. Logo, a Fé continua a desempenhar um papel primordial na recepção dos sacramentos de Cristo, meios de salvação do Novo Testamento. No caso do Batismo das crianças é mesmo a fé da Igreja e (quando esta existe) a dos pais cristãos (não, porém, a fé do sujeito batizado) que possibilita o efeito do sacramento. Pergunta-se, então: será que a fé cristã na revelação consumada, messiânica, tem menos valor salvífico do que a fé nos tipos e nas figuras do Antigo Testamento? Parece conveniente que a Misericórdia Divina, em nossos tempos, lhe atribua ao menos a mesma eficácia que antigamente. Ora, se sob a Lei Mosaica a fé dos pais de uma criancinha podia salvar por si só, na impossibilidade de se administrar o rito exterior da circuncisão, será que hoje não pode salvar a uma criancinha a fé de pais cristãos que a ofereçam a Deus, impossibilitados de lhe proporcionar o sacramento? O Batismo de desejo concebido pelos pais não poderia suprir o desejo inconcebível por parte da criancinha?
   Como já foi dito, vários grandes teólogos seguiram esta opinião do Cardeal Caetano. E alguns deles até ampliaram cada vez mais as possibilidades de salvação das crianças que morrem sem o batismo. Dentre eles avulta o teólogo Gumpel, professor de Teologia em Roma. E ele enumera nada menos do que 48 teólogos ou institutos de Teologia que não só defendem a tese de Caetano mas a ampliam sempre mais. A Santa Igreja não só não se pronunciou contra esta tendência mas no Catecismo de 1992, fomenta-a, embora  não haja nada ainda definido como dogma. O Santo Padre, gloriosamente reinante Bento XVI declarou que não se pode ainda resolver esta questão às pressas. É preciso ainda muito estudo.

 Para terminar apresento as teorias de mais dois teólogos: E. Boudes e H. Schell. Em resumo Boudes diz o seguinte: as criancinhas sem o Batismo se salvam pela lei da solidariedade. Baseia-se em Rom. V, 12, 21: por nossa união com o primeiro Adão, prevaricador, fomos todos constituídos pecadores e réus de morte; e por nossa comunhão com Cristo fomos dotados de nova santidade e vida. Note-se, porém, que "onde abundou o delito, aí superabundou a graça" (v. 20); o primeiro Adão e nossa solidariedade com ele não eram senão tipo do segundo Adão e da nossa comunhão com Ele (cf. Rom. V, 18). O que quer dizer que a solidariedade com Cristo é muito mais benéfica para todos os homens do que maléfica foi a solidariedade com Adão. Ora, este princípio deve influir também na maneira de se apreciar a sorte eterna das criancinhas que morram sem batismo. Se as julgarmos relegadas para o Limbo, não deveremos confessar que a sua solidariedade com o primeiro Adão foi muito mais íntima do que a sua comunhão com Cristo? E assim o teólogo Boudes propõe a seguinte opinião: a solidariedade de tais almas com Cristo implica que o poder intercessor da Igreja, Corpo Místico, em que Cristo continua a obra da Redenção, valha a essas criancinhas a purificação e a entrada no céu. De fato, a Igreja, na sua liturgia, principalmente na celebração da Santa Missa, apresenta a Deus preces pela salvação de todos os homens, pela redenção do mundo inteiro (cf. as orações do ofertório da Missa, as do Ofício dos Pré-santificados na sexta-feira santa). Ora, uma tal universalidade de intenções não pode deixar de beneficiar também os pequeninos que faleçam sem Batismo. Por consequinte, conclui Boudes, é plausível admitir que a intercessão jamais interrompida da Igreja supra, em favor dessas criancinhas, os efeitos do Batismo, merecendo-lhes a visão beatífica. Esta teoria, ainda observa Boudes, não implica que a Redenção seja automaticamente aplicada às ditas almas, pois ela requer a intercessão da Igreja, a qual, consciente e livremente, estende os frutos da Cruz aos indivíduos.
   A teoria de H. Schell: Da nossa solidariedade com Cristo, Schell deduzia que o sofrimento e a morte das criancinhas não batizadas são, em virtude da paixão voluntária de Jesus, um "quase-sacramento" de reconciliação, um certo Batismo de penitência, que supre o Batismo de água. Ora, sendo este quase-sacramento a sorte comum dos mortais, segue-se que todas as crianças, mesmo impossibilitadas de receber o Batismo, são purificadas a admitidas à visão beatífica.
   Estes teólogos interpretam as palavras de Jesus em São João III, 5 como se referindo só aos adultos. E as palvras de Jesus: "Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o reino dos céus" se referem, segundo eles, não só às crianças batizadas mas também às não batizadas.
   Uma coisa é certa: A Santa Madre Igreja sempre exorta os pais a batizar os filhos ainda crianças e o quanto antes. Isto porque, mesma na hípotese de as criancinhas mortas sem o Batismo poderem se salvar, é certo que neste caso, teriam eternamente menos glória do que aquela criança que tenha recebido o Santo Batismo.  
  
 

domingo, 2 de outubro de 2011

QUESTÕES GERAIS SOBRE OS SACRAMENTOS

   Sete são os sacramentos. SUJEITOS: são os que os recebem (os homens). MINISTROS: os que os conferem. ELEMENTOS que os constituem: matéria e forma.
   POR QUE SÃO SETE? 1º - Porque Deus assim o quis. Soberano Senhor e dispensador de seus dons, só a Ele cabe regular sua distribuição e fixar a medida que convém a seus desígnios. 2º - Porque este número de sete sacramentos corresponde maravilhosamente às diversas necessidades da alma diversificadas com a idade, a situação e as circunstâncias. Podemos mostrar isto, fazendo uma comparação entre a vida natural e a sobrenatural. Para viver, conservar-se, levar vida útil a si mesmo e a sociedade, precisa o homem de sete coisas:
VIDA NATURAL                                                   VIDA SOBRENATURAL  
   Nascer................................................................................  Batismo
   Crescer...............................................................................  Crisma
   Nutrir-se.............................................................................  Eucaristia
   Curar-se quando adoece.....................................................  Confissão
   Recuperar as forças perdidas...............................................  Extrema-Unção
   Ser guiado na vida pública por chefes revestidos
    de poder e autoridade.........................................................  Ordem
   Conservar-se a si mesmo e ao gênero humano pela
   legítima propagação da espécie............................................   Matrimônio

   Os sacramentos MAIS NECESSÁRIOS  para a salvação: para todos - é o BATISMO; para os que cometeram pecado mortal após o Batismo: a CONFISSÃO.
   O MAIOR, MAIS EXCELENTE E MAIS PRECIOSO dos sacramentos é a EUCARISTIA, porque não só contém a graça, mas também o autor da graça e dos Sacramentos que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

   Há  TRÊS (3) Sacramentos que se recebem UMA SÓ VEZ: o BATISMO, a CRISMA e a ORDEM, porque estes Sacramentos imprimem caráter.
   O CARÁTER, nestes sacramentos, é um sinal espiritual que nunca mais se apaga. Fica eternamente gravado na alma: para sua alegria, se se salvar; para sua vergonha e tormento, se se condenar.
   Este caráter indelével consiste numa união especial com Jesus Cristo e numa consagração aos atos do culto cristão. O caráter do Batismo nos marca como filhos de Deus e membros de Jesus Cristo; o da Crisma, como seus soldados; o da Ordem, como seus ministros.

   DIFERENÇA ENTRE GRAÇA E CARÁTER. Ambos são efeitos dos sacramentos, mas não se identificam. a) O caráter é inamissível, isto é, não se pode perder. A graça, como vimos, perde-se com o pecado mortal.
   b) O caráter, por si só, não santifica. Só a graça torna agradável a Deus. O caráter é sempre produzido; a graça é conferida na medida das disposições de quem recebe os Sacramentos.
   c) A graça é efeito comum a todos os sacramentos; o caráter é privativo de três sacramentos: Batismo; Crsima e Ordem, como vimos acima.

   Ainda que o MINISTRO do Sacramento seja INDIGNO, as graças do Espírito Santo são produzidas pelo Sacramento, pois este tira sua eficácia dos merecimentos de JESUS CRISTO, e não dos do ministro. O ministro não é mais que o instrumento de Jesus Cristo.

   DISPOSIÇÕES: Os adultos, para alcançarem a graça dos Sacramentos, devem preparar-se convenientemente para os receber: preparar-se para o Batismo e para a Confissão por séria emenda de vida, e para os outros Sacramentos purificando-se de todo o pecado mortal. QUEM RECEBE UMA SACRAMENTO INDIGNAMENTE COMETE UM SACRILÉGIO.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE A PALAVRA DE DEUS

   Meus filhos, não é pouca coisa a palavra de Deus! As primeiras palavras de Nosso Senhor aos seus Apóstolos foram estas: "Ide e instruí..." para fazer-nos ver que a instrução passa à frente de tudo.
   Meus filhos, que é que nos faz conhecer a nossa religião? São as instruções que ouvimos. Que é que nos dá o horror ao pecado?... nos faz enxergar a beleza da virtude?... nos inspira o desejo do céu? As instruções. Que é que faz conhecer aos pais e às mães os deveres que têm a cumprir para com seus filhos, aos filhos os deveres que têm para com seus pais? As instruções.
   Meus filhos, por que se costuma ser tão cego e tão ignorante? Porque não se faz caso da palavra de Deus. Há alguns que não dizem sequer um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para pedir a Deus a graça de bem ouvi-la e aproveitá-la.
   Eu creio, meus filhos, que uma pessoa que não ouve a palavra de Deus como é preciso, não se salvará; não saberá o que é preciso fazer para isso. Mas com uma pessoa instruída há sempre recurso. Por mais que se extravie por toda sorte de maus caminhos, pode-se sempre esperar que ela torne ao bom Deus cedo ou tarde, ainda quando só fosse na hora da morte. Ao passo que uma pessoa que não é instruída é como uma pessoa que definha, como um doente em agonia que não tem mais conhecimento: não conhece nem a grandeza do pecado, nem a beleza da alma, nem o preço da virtude, arrasta-se de pecado em pecado como um trapo que arrastam na lama.
   Vede, meus filhos, a estima que Nosso Senhor tem da palavra de Deus; àquela mulher que grita: "Bem-aventurados os peitos que vos criaram e o ventre que vos trouxe!" Ele responde: "Quão mais felizes aqueles que escutam a palavra de Deus e a põem em prática!"
   ... Meus filhos, sai-se durante as instruções, passa-se a instrução a rir, não se escuta, acredita-se ser sábio demais para vir ao catecismo...acreditais, meus filhos, que isso passará assim? Oh! não, por certo! Deus disporá as coisas bem diversamente.
   Reparai, como é triste! pais e mães ficaram fora durante as instruções; entretanto, eles são obrigados a instruir os filhos, mas que quereis que eles lhes ensinem? Eles próprios não são instruídos. Tudo isso corre risco de levar para o inferno... É pena!
   Meus filhos, tenho notado que não há momento em que se tenha mais vontade de dormir do que durante as instruções... Dir-me-eis: "Tenho sono demais..."Se eu tomasse um violino, ninguém pensaria em dormir, tudo se mexeria, tudo ficaria alerta...
   Há uns que se vão embora repetindo em todos os tons: "Os padres dizem bem o que querem". Não, meus filhos, os padres não dizem o que querem; dizem o que há no Evangelho. Os padres que vieram antes de nós disseram o que nós dizemos; os que vierem depois de nós deverão dizer a mesma coisa. Nós só devemos dizer o que Nosso Senhor ensinou.
   Meus filhos, vou citar-vos um exemplo que mostra o que é  não crer no que os padres dizem. Havia dois soldados que passavam por um local onde se fazia uma missão. Um deles propôs ao camarada irem ao sermão; e foram. O missionário pregava sobre o inferno: "Acreditais tudo o que diz esse cura? perguntou o menos mau dos dois. - Oh! não, respondeu o outro, acredito que são besteiras  para fazer medo ao mundo.- Pois bem! eu acredito; e para te provar que acredito vou deixar o estado militar e vou entrar num convento. - Vai para onde quiseres! eu, eu continuo o meu caminho". E eis que, continuando o seu caminho, cai doente e morre. O outro, que estava no convento, sabe da morte dele e se põe em orações, para que Deus lhe faça conhecer em que estado morrera o companheiro. Um dia, estando a rezar, aparece-lhe o companheiro; ele reconhece e pergunta-lhe: "Onde estás tu?" - No inferno, estou condenado! - Infeliz! crês agora no que disse o missionário? - Sim, creio. Os missionários só têm uma falta, é dizerem só uma centésima parte das penas que se sofrem aqui".
   Meus filhos, penso muitas vezes que o maior número dos cristãos que se condenam, condenam-se por falta de instrução... Entende-se mal a religião... Tinham condição de saber e não sabem.
   ...Uma pessoa instruída tem sempre dois guias que marcham na sua frente: o conselho e a obediência.