SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE AS VIRTUDES CARDEAIS

   ...A prudência faz-nos discernir o que será mais agradável a Deus e mais útil à salvação de nossa alma. Apresentam-se duas boas obras por fazer, uma em favor de uma pessoa a quem amamos, outra em favor de alguém que nos fez mal; pois bem! é a esta última que se deve dar preferência. Pois não há grande mérito em fazer bem a alguém que no-lo leva a bem, que nos agradece, que se mostra penhorado. Há pessoas que acham que nunca as tratam bastante bem; parece que tudo lhes é devido. Não agradecem o que se faz por elas; pagam a todos com ingratidão...Pois bem! é a essa que se deve fazer bem de preferência. Há que usar de prudência em todas as nossas ações, procurar não o nosso gosto, mas o que mais agrada a Deus. Suponho que tenhais certa quantia que destinais a mandar dizer uma missa; vedes uma pobre família que está na miséria, a que falta pão; mais vale dar o vosso dinheiro a esses infelizes, porque o santo sacrifício se celebrará sempre; o padre não deixará de dizer a santa missa; ao passo que aquela pobre gente pode morrer de fome... Tendes vontade de rezar a Deus, de passar o vosso dia na igreja; pensais, porém, que seria bem útil trabalhar para alguns pobres que conheceis que estão em grande necessidade; isto é muito mais agradável a Deus do que o vosso dia passado ao pé dos santos tabernáculos.
   Outra virtude cardeal é a temperança: é temperar a própria imaginação, não deixar galopar tão depressa quanto quereria... temperar os olhos, temperar a boca; há uns que têm constantemente na boca algo de doce, de agradável... temperar os ouvidos: não se lhes permite ouvirem cantigas e discursos inúteis... temperar o olfato: há pessoas que se perfumam a ponto de enjoar os que lhe estão em redor... temperar as mãos: há outras que estão sempre a se lavar quando faz calor, que procuram manejar coisas macias ao tato... Enfim, temperar todo o corpo, esta pobre máquina! não o deixar ir como um cavalo fugido, sem bridão nem freio, mas retê-lo e domá-lo. Há uns que estão perdidos lá no seu leito... que estão contentes de não dormir para melhor sentirem o bem-estar. Os santos não eram assim. Não sei como nos vamos achar ao lado deles... mais eis aqui!... Se nos salvarmos , iremos ficar um tempo infinito no purgatório, ao passo que eles voarão imediatamente para o céu para verem a Deus. São Carlos Borromeu, esse grande santo, tinha no seu aposento um belo leito de cardeal que todos viam; mas, ao lado, havia um que não se via, que era feito de gravetos de pau: era o de que ele se servia. Ele nunca se aquecia; quando vinham visitá-lo, notavam que ele se conservava de modo que não sentisse o fogo. Eis como eram os santos. Viviam para o céu e não para a terra; eram todos celestes; e nós, nós somos todos terrestres.
   Oh! como gosto dessas pequenas mortificações que não são vistas por ninguém, como levantar-se um quarto de hora mais cedo, levantar-se um momentinho para rezar durante a noite; mas há muitos que só pensam em dormir.
   Havia uma vez um solitário que construíra para si um palácio real num tronco de carvalho: colocara espinhos dentro; amarrara três pedras por cima da cabeça, a fim de que, quando se encostasse ou se virasse, sentisse os espinhos ou as pedras. E nós, nós só pensamos em achar boas camas para dormir nelas á nossa vontade.
   Podemos privar-nos de nos aquecermos; se estamos mal sentados, não procurar colocarmo-nos melhor; se passeamos no jardim, privarmo-nos de alguns frutos que fariam prazer; cuidando da casa, podemos não comer algumas coisinhas que se apresentam, privar-nos de ver alguma coisa que atrai o olhar e que é bonito, nas ruas das grandes cidades principalmente. Há um senhor que vem às vezes aqui. Vem com dois pares de óculos, para não ver nada... Mas há dessas cabeças sempre em movimento, desses olhos que estão sempre no ar... Quando formos pelas ruas, fixemos os nossos olhares em Nosso Senhor carregando a cruz na nossa frente, na Santíssima Virgem que nos olha, no nosso anjo da guarda que está ao nosso lado. Como é bela esta vida interior! Dá-nos a união com Deus. Por isto, quando o demônio vê que uma alma procura chegar a ela, trata de desviá-la enchendo-lhe a imaginação de mil quimeras. Um bom cristão não escuta isso; vai sempre avante na perfeição, como um peixe que mergulha no fundo dos mares... Nós, ai! arrastamo-nos como uma sanguessuga.
   Havia duas santas no deserto que se tinham cosido todas de espinhos: e nós que só procuramos o bem-estar! Entretanto queremos ir para o céu, mas com todas as nossas comodidades, sem nos molestarmos em nada: não é assim que fazem os santos. Eles buscavam todos os meios de se mortificarem, e no meio de todas as privações provavam um sabor infinito. Como os que amam a Deus são felizes! não perdem uma só ocasião de fazer o bem. Os avarentos empregam todos os meios para aumentar o seu tesouro; eles, os que amam a Deus, fazem assim para as riquezas do céu: juntam-nas sempre... Ficaremos surpresos, no dia do juízo, de ver almas tão ricas!

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE A ESPERANÇA

   Meus filhos, vamos agora falar sobre a esperança; é ela que faz toda felicidade do homem na terra. Há uns neste mundo que esperam demais, e outros que não esperam bastante. Há uns que dizem: "Vou ainda cometer este pecado. Não me custará mais confessar quatro do que confessar três". É como se um menino dissesse ao pai: "Vou dar no sr. quatro bofetadas; não me custará mais do que dar uma; ficarei quite com o sr. pedindo-lhe perdão".
   Aí está como se age para com Deus. Diz-se: "Vou ainda me divertir este ano, ir à dança, ao cabaré, e no ano próximo me converterei. Quando eu quiser voltar a ele, o bom Deus por certo me receberá. Ele não é tão mau quanto os padres dizem". Não, o bom Deus não é mau, porém é justo. Julgais que Ele se acomodará a todas as vossas vontades? Acreditais que, depois de o desprezares toda a vossa vida, Ele se vos vá lançar ao pescoço? Oh! não!... Há uma medida de graça e de pecado no fim da qual Deus se retira. Que diríeis de um pai que tratasse do mesmo modo um filho bem procedido e outro que não fosse tanto? Haveríeis de dizer: "Esse pai não é justo". Pois bem! Deus não seria justo se não fizesse diferença entre os que o servem e os que o ofendem.
   Meus filhos, presentemente há tão pouca fé no mundo, que ou se espera demais ou se desespera. Há uns que dizem: "Tenho feito demasiado mal; Deus não me pode perdoar". Meus filhos, é uma grossa blasfêmia; é pôr limite à misericórdia de Deus, e ela não tem limites; é infinita. Ainda quando tivésseis feito tanto mal quanto preciso para perder uma paróquia, se vos confessardes, se estiverdes pesarosos de haver feito esse mal e não quiserdes tornar a fazer, o bom Deus vo-lo perdoará.
   Havia um padre que pregava sobre a esperança e sobre a misericórdia de Deus. Tranqüilizava os outros, mas ele próprio se desesperava. Depois do sermão apresentou-se um moço que lhe disse: "Meu padre, venho confessar-me". O padre lhe disse: "Estou pronto para confessá-lo". O outro fez-lhe a confissão das culpas, depois do que acrescentou: "Meu padre, eu cometi muito mal, estou perdido!...- Que está dizendo, meu amigo? nunca se deve desesperar..." O jovem levanta-se: "Meu padre, o sr. não quer que eu desespere; e o sr.? ..." Foi um raio de luz; o padre, todo admirado, enxotou aquele pensamento de desespero, fez-se religioso e foi um grande santo... O bom Deus lhe enviara um anjo sob a forma de um jovem, para lhe fazer ver que não se deve desesperar.
   O bom Deus é tão pronto em nos conceder o perdão, quando nós lho pedimos, como uma mãe é pronta em retirar o filho do fogo.
   Reparai, meus filhos, Nosso Senhor é na terra como uma mãe que carrega o filho nos braços. Esse filho é mau, dá pontapés na mãe, morde-a, arranha-a, porém, a mãe nem sequer presta atenção; sabe que, se o largar, ele cairá, não poderá andar só... Aí tendes como é Nosso Senhor... atura todos os nossos maus tratos; suporta todas as nossas arrogâncias; perdoa-nos todas as tolices; tem pena de nós contra a nossa vontade.

domingo, 28 de agosto de 2011

CATECISMO E CATECISMO

Padre Ascânio Brandão
   Nunca me canço de bater a tecla e tocar o meu realejo: - Catecismo! Catecismo! Precisamos de Catecismo!
   Nossa boa gente brasileira infelizmente é muito ignorante das mais elementares noções do catecismo, do be-á-bá da doutrina Cristã.
   É o nosso mal. Aliás não é só nosso. Em países hipercivilizados, e que se orgulham das luzes de uma grande cultura e das suas tradições milenares de fé reina tanta ignorância como entre nós.
  - Mons. Olgiatti no seu admirável livro: - "O Silabário do Cristianismo" agora traduzido, divide em três categorias os católicos. Primeira a dos que nada sabem do catecismo nem frequentam a Igreja ou recebem os sacramentos.
    A segunda é dos que se julgam bons cristãos e se gabam do seu catolicismo tradicional de família.
    E a terceira, finalmente, a dos que pertencem às inumeráveis Irmandades, Confrarias, Congregações e Associações paroquiais.
            Sabem todos eles o catecismo?
            Infelizmente... nem sempre.
    Os analfabetos do catecismo
   O analfabetismo religioso, domina hoje homens cultos e eruditos em muitos ramos da ciência e das artes. Não só o caboclo, o roceiro analfabeto, dizem disparates em matéria religiosa. Muito doutor aí bonito, elegante, sabido, quando abre a boca e fala em religião é uma calamidade!
    Um deles pergunta si não seria mais higiênico batizarem-se as crianças na Pia ... com alcool?!
    Um político de nomeada perguntou a um Vigário: - Sr. Vigário, o Santíssimo Sacramento daqui veio de Roma?
    Um Prefeito municipal desejava comemorar uma data solene com a Missa Campal às... oito horas da noite!
    - À noite com a iluminação, a Missa é mais bonita, não acha Seu Vigário?, perguntava o homenzinho. (É bom saber que isto foi escrito em 1942, quando nem de longe se imaginava poder haver um dia luz elétrica nas roças).
        Uma senhora elegante e culta da alta sociedade recebeu um têrço oferecido gentilmente pelo seu Prelado.
        - Está já com as indulgências -, diz-lhe o Bispo.
        Madame toma nas mãozinhas o Têrço de madrepérolas e o contempla toda curiosa. - Sr. Bispo, pergunta ela -, as indulgências são estas três continhas aqui antes da cruz? Que três indulgenciazinhas engraçadinhas! Agradeço muito à V. Excia. o Têrço principalmente por causa destas gracinhas de indulgências!
              Segunda categoria
    Esta é formada dos que se gabam de católicos mas não admitem o que denominam - fanatismo... exagero.
    Sou católico, mas não sou beato, carola, devoto... diz lá cada um deles - todo cheio de si.
    Quando meninos, estes católicos fizeram a Primeira Comunhão. Ouvem Missa, às vezes. Casam-se na Igreja. Nasce-lhes um filhinho? Levam-no à pia batismal.
    Morre alguém em casa? Funerais católicos, Missa de 7º - de 30º dia.
    E que mais é preciso? Para que mais exigências religiosas e católicas e fanatismos?
    Não querem em matéria de religião que se passem os limites ... deles.
    Não lhes falem em apostolado, em dedicação à Igreja, em comunhão dos Santos...
    É linguagem que não entendem. Deixai-os! São católicos da vida pacata, pertencem àquela célebre Confraria de que falava Montalembert: a Confraria dos braços cruzados. E com braços cruzados naturalmente não tomam entre as mãos o catecismo.
     E cada vez mais pedantes, cada vez mais ignorantes das coisas da Fé.
     Terceira categoria
    - Finalmente a terceira classe é dos muitos católicos de Irmandades, Congregações e Associações e Confrarias, etc.
      Alguns e algumas têm fitas de todas as cores do Arco-iris (no bom sentido).
      Mas... sabem o catecismo? Já leram um bom compêndio de doutrina cristã?
      Também não.
      Pouco se lhes dá, escreve Mons. Olgiatti que as Pessoas da Trindade Santíssima sejam três ou cinco.
      Ficam olimpicamente indiferentes diante dos mistérios mais adoráveis da nossa Fé.
      Como hão de amar o que não conhecem ou conhecem tão mal.
        CONCLUSÃO: - Chega-se à conclusão pois de que as três categorias de católicos apontados por Mons. Olgiatti no seu Silabário do Cristianismo tem isso de comum - a ignorância religiosa, a pura ignorância religiosa...
     E para esta só há um remédio - CATECISMO.

   Até aqui o artigo do Padre Ascânio Brandão. Agora, antes de fechar o post gostaria de acrescentar algo.
Primeiramente, com toda certeza, alguém deverá perguntar: Por que colocar na Internet uma situação da década de 40 para os dias de hoje, já na segunda década do século XXI? Em plena era do Computador e da Internet. Bom! primeiro, devemos reconhecer que graças justamente ao progresso da Internet o nosso povo é muito mais instruído. Mas permitam-me uma pergunta: será que o nosso povo católico está assim tão bem instruído na doutrina cristã como nas coisas profanas? Creio que não. E se a ignorância do catecismo há 70 anos atrás certamente era maior, não menos certo é afirmar que era muito menos culpada  esta ignorância. Até digo mais: se a ignorância religiosa daquela época nos faz rir, a de hoje nos faz chorar. Hoje, talvez justamente em virtude do progresso o povo está mais infeccionado por idéias errôneas atinentes à Religião. O modernismo, o liberalismo, o naturalismo, o relativismo, o materialismo são miasmas que infeccionam as mentes na sua maioria. Mais do que nunca se faz mister o ensino religioso e este lidimamente tradicional.

sábado, 27 de agosto de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE A IMPUREZA

   Para compreender o quanto é horrível e detestável este pecado que os demônios fazem cometer mas não cometem eles próprios, haveria que saber o que é um cristão. Um cristão criado à imagem de Deus, remido pelo sangue de um Deus! Um cristão filho de um Deus, irmão de um Deus, herdeiro de um Deus! Um cristão, objeto da complacência das três pessoas divinas! Um cristão, cujo corpo é o templo do Espírito Santo: eis aí o que o pecado desonra!...
   Nós somos criados para irmos um dia reinar no céu, e se temos a desdita de cometer esse pecado, tornamo-nos o alvo dos demônios. Nosso Senhor disse que nada de impuro entrará no seu reino. Com efeito, como quereis que uma alma que se rolou nessas sujeiras vá comparecer perante um Deus tão puro e tão santo?
   Nós somos todos como pequenos espelhos em que Deus se contempla. Como quereis que Deus se reconheça numa alma impura?
   Há almas que estão tão mortas, tão apodrecidas, que marasmam na sua infecção sem o perceber e não podem mais desvencilhar-se dela. Tudo as leva ao mal, tudo lhes lembra o mal, mesmo as coisas mais santas; elas têm sempre essas abominações diante dos olhos: semelhante ao animal imundo que se habitua à porcaria, que se agrada nela, que se rola nela, que nela dorme, que ronca na sujice... essas pessoas são um objeto de horror aos olhos de Deus e dos santos anjos.
   Vede, meus filhos, Nosso Senhor foi coroado de espinhos para expiar os nossos pecados de orgulho; mas por esse maldito pecado Ele foi flagelado e posto em pedaços, visto como Ele próprio diz que depois da flagelação podiam-se-Lhe contar os ossos.
   Ó meus filhos, se não houvesse algumas almas puras para indenizar a Deus e lhe desarmar a juntiça, haveríeis de ver como seríamos punidos... Porque agora esse crime é tão comum no mundo que faz tremer. Pode-se dizer, meus filhos, que o inferno vomita suas abominações sobre a terra, como os canos de vapor vomitam a fumaça.
   O demônio faz tudo quanto pode para sujar a nossa alma, e no entanto nossa alma é tudo... o nosso corpo não é mais que um monte de podridão: ide ver ao cemitério o que é que se ama quando se ama o próprio corpo.
   Como vos hei dito muitas vezes, não há nada de tão ruim como a alma impura. Houve uma vez um santo que pediu a Deus lhe mostrasse uma: viu essa pobre alma como um animal rebentado de podre que arrastaram durante oito dias, em pleno sol pelas ruas.
   Só em ver uma pessoa reconhece-se se ela é pura. Há nos seus olhos um ar de candura e de modéstia que leva a Deus. Vêem-se outras, ao contrário, que têm um ar todo inflamado... Satanás pôe-se-lhes nos olhos para fazer cair os outros e arrastá-los ao mal.
   Os que perderam a pureza são como uma peça de pano molhada em azeite: lavai-a, fazei-a secar, a mancha volta sempre; assim, também, é preciso um milagre para lavar a alma impura.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O PECADO ( II )

   O que vive no pecado toma os hábitos e a forma dos animais. O animal, que não tem razão, só conhece os seus apetites; do mesmo modo, o homem que se torna semelhante aos animais perde a razão e deixa-se guiar pelos movimentos do seu cadáver. Põe o seu prazer em beber bem, em comer bem e gozar das vaidades do mundo, que passam como o vento. Eu lastimo os pobres infelizes que correm atrás desse vento... Ganham bem pouco; dão muito por um proveito bem pequeno; dão a sua eternidade pela mísera fumaça do mundo.
   Meus filhos, como é triste quando uma alma está em estado de pecado! Pode morrer neste estado, e então tudo o que fez já não tem mérito diante de Deus. É por isso que o demônio fica tão contente quando uma alma está no pecado e persevera nele; porque ele pensa que ela trabalha para ele e que, se ela viesse a morrer, ele a teria... No pecado a nossa alma é toda sarnenta, toda pobre; faz pena... O pensamento de que o bom Deus a olha deveria fazê-la entrar em si mesma... E depois, que prazer temos nós no pecado? Nenhm. Temos sonhos medonhos... de que o demônio nos carrega... de que caímos em precipícios... Ponde-vos bem com Deus, recorrei ao sacramento da penitência: dormireis tranqüilos como um anjo. Ficamos contentes de acordar à noite para falar ao bom Deus... só temos na boca ações de graças; elevamo-nos com grande facilidade para o céu, como uma águia que fende os ares.
   Vede, meus filhos, como o pecado degrada o homem! De um anjo criado para amar a Deus ele fez um demônio que o amaldiçoará por toda a eternidade... Ah! se Adão, nosso primeiro pai, não tivesse pecado, e se nós não pecássemos todos os dias, como seríamos felizes! Seríamos tão felizes como os santos no céu. Não haveria mais infelizes na terra. Oh! como seria belo!...
   Efetivamente, meus filhos, é o pecado que atrai sobre  nós todas as calamidades, todos os flagelos: a guerra, a peste, a fome, os terremotos, os incêndios, a geada, a saraiva, as tempestades, tudo quanto nos desola, tudo o que nos infelicita.
   Vede, meus filhos, uma pessoa que está em estado de pecado é sempre triste. Por mais que faça, está aborrecida, entediada de tudo, ao passo que a que está em paz com Deus, está sempre contente, sempre alegre... Ó bela vida!... e bela morte!...
   Meus filhos, nós temos medo da morte... bem creio! É o pecado que nos faz ter medo da morte; é o pecado que torna a morte horrorosa, pavorosa; é o pecado que assusta o mau na hora do terrível trânsito. Ai! meu Deus! há bem que ficar assustado... Pensar que se está amaldiçoado! e amaldiçoado por Deus!... isto faz tremer... Amaldiçoado por Deus! e por que? por que é que os homens se expõem a ser amaldiçoados por Deus? ... Por uma blasfêmia, por um mau pensamento, por uma garrafa de vinho, por dois minutos de prazer!... Por dois minutos de prazer perder a Deus, a própria alma, o céu, para sempre!... Ver-se-á subir ao céu, em corpo e alma, esse pai, essa mãe, essa irmã, esse vizinho, que estava junto de nós, com quem havemos vivido, mas que não imitamos; ao passo que nós desceremos em corpo e alma ao inferno para arder nele. Os demônios rolar-se-ão sobre nós. Todos os demônios cujos conselhos houvermos seguido virão atormentar-nos...
   Meus filhos, se vísseis um homem levantar uma grande fogueira, empilhar gravetos uns sobre os outros, e, perguntando-lhe o que estava fazendo, ele vos repondesse: "Estou preparando o fogo que me deverá queimar", que pensaríeis? E se vísseis esse mesmo homem aproximar a chama da fogueira, e, quando está acesa, atirar-se dentro... que diríeis? Cometendo o pecado, é assim que nós fazemos. Não é Deus que nos lança ao inferno, somos nós que nos lançamos nele pelos nossos pecados. O condenado dirá: "Perdi a Deus, minha alma e o céu: foi por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa!... Elevar-se-á do braseiro para tornar a cair nele... Sentirá sempre a necessidade de se elevar, porque era criado para Deus, o maior, o mais alto dos seres, o Altíssimo... como uma ave num aposento voa até o teto e torna a cair... a justiça de Deus é o teto que detém os condenados.
   Não há necessidade de provar a existência do inferno. O próprio Nosso Senhor fala dele quando conta a história do mau rico que clamava: "Lázaro! Lázaro!"Bem se sabe que há um inferno, mas vive-se como se não houvesse; vende-se a própria alma por algumas moedas.
   Adiamos a nossa conversão  para a morte; mas quem nos assegura que teremos o tempo e a força nesse momento temível que todos os santos recearam, em que o inferno se congrega para desferir-nos um último assalto, vendo que é o instante dicisivo?
   Muitos há que perdem a fé, e só vêem o inferno, entrando nele.
   Não, verdadeiramente, se os pecadores pensassem na eternidade, nesse terrível sempre!... haveriam de se converter imediatamente... Há perto de seis mil anos que Caim está no inferno, e mal acabou de entrar nele.

O CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE O PECADO ( I )

   O pecado é o verdugo de Deus e o assassino da alma. É ele que nos arranca do céu para nos precipitar no inferno. E nós gostamos dele!... que loucura! Se pensássemos bem nisto, teríamos tão vivo horror do pecado, que não poderíamos cometê-lo.
   Ó meus filhos, como somos ingratos! Deus quer fazer-nos felizes, bem certo! só nos deu sua lei para isto. A lei de Deus é grande, é larga. O rei Davi dizia que achava nela as suas delícias e que era um tesouro mais precioso para ele do que as maiores riquezas. Dizia ainda que andava num caminho espaçoso porque tinha procurado os mandamentos do Senhor (Salmo XVIII, 14 15). O bom Deus quer, pois, fazer-nos felizes, e nós não o queremos! Desviámo-nos d'Ele e damo-nos ao demônio! Fugimos do nosso amigo e buscamos o nosso carrasco!...Cometemos o pecado, afundamo-nos na lama. Uma vez metidos neste lodaçal, não sabemos mais sair dele. Se isso tivesse que ver com a nossa fortuna, nós bem saberíamos safar-nos deste mau passo; mas como só tem que ver com a nossa alma, ficamos nele...
   Nós nos vamos confessar todos preocupados com a vergonha que vamos sentir. Acusamo-nos a vapor. Dizem que há muitos que se confessam e poucos que se convertem. Bem o creio, meus filhos; é que poucos há que se confessam com as lágrimas do arrependimento.
   Vede: a desgraça é que não se reflete. Se se dissesse a esses que trabalham no domingo, a uma jovem que acaba de dançar, duas ou três horas, a um homem que sai bêbado do "cabaret": "Que é que acabais de fazer? acabais de crucificar a Nosso Senhor". Eles ficariam muito admirados: é que não pensam nisso. Meus filhos, se pensássemos nisso, ficaríamos horrorizados; ser-nos-ia impossível fazer o mal. Porquanto, que fez Deus para o magoarmos assim, para o fazermos morrer de novo, a ele que nos remiu do inferno? Seria mister que todos os pecadores, quando vão aos seus prazeres culpados, encontrassem no caminho, como São Pedro, Nosso Senhor que lhes dissesse: "Eu vou a este lugar onde tu vais também, para ser nele crucificado de novo". Talvez que isso os fizesse refletir.
   Os santos compreendiam a grandeza do ultraje que o pecado faz a Deus. Há alguns que passaram a vida a chorar seus pecados. São Pedro chorou toda a vida; chorava ainda na morte. São Bernardo dizia: "Senhor, Senhor! fui eu quem vos pregou na cruz!"
   Pelo pecado nós desprezamos a Deus, crucificamos a Deus! Que pena perderem-se almas que custaram tantos sofrimentos a Nosso Senhor!... Que mal nos fez Nosso Senhor para o tratarmos desse modo?... Se os pobres condenados pudessem voltar à terra!... se estivessem em nosso lugar!...
   Ó como somos insenatos! O bom Deus nos chama a si, e nós lhe fugimos! Ele quer fazer-nos felizes, e nós não queremos saber da sua felicidade! Ele nos manda amá-Lo, e nós damos o nosso coração ao demônio! Empregamos em perder-nos um tempo que Ele nos propiciou para nos salvarmos. Fazemos-Lhe guerra com os meios que Ele nos deu para servi-Lo!...
   Quando ofendemos a Deus, se olhássemos para o nosso crucifixo, ouviríamos Nosso Senhor dizer-nos no fundo da alma: "Quereis, então, pôr-te também ao lado de meus inimigos? Queres então crucificar-Me de novo?" Lançai os olhos sobre Nosso Senhor pregado na cruz, e dizei-vos: "Eis o que custou a meu Salvador para reparar a injúria que os meus pecados fizeram a Deus!..." Um Deus que desce à terra para ser vítima dos meus pecados, um Deus que sofre, um Deus que morre, um Deus que atura todos os tormentos porque quis carregar o peso dos nossos crimes!... À vista da cruz, compreendemos a malícia do pecado e o ódio que lhe devemos ter. Reetremos em nós mesmos; vejamos o que temos a fazer para reparar a nossa pobre vida!...
   Deus nos dirá na  morte: "Por que foi que me ofendeste, a mim que te amava tanto?"...  Como é pena! ofender o bom Deus, que nunca nos fez senão bem! contentar o demônio, que só mal nos pode fazer!... que loucura!
   Não é verdadeira loucura podermos gozar desde esta vida as alegrias do céu, unindo-nos a Deus pelo amor, e querermos tornar-nos dignos do inferno, ligando-nos com o demônio?... Não se pode compreender bastante esta loucura; não se pode chorá-la bastante!... Parecem que os pobres pecadores não querem esperar pela sentença que os condenará à sociedade dos demônios; condenam-se eles próprios.
   O paraíso, o inferno e o purgatório têm uma espécie de antegosto desde esta vida. O purgatório está nas almas que não estão mortas em si mesmas; o inferno está no coração dos ímpios; o paraíso no coração dos perfeitos, que estão bem unidos a Nosso Senhor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PREGAÇÃO

Padre Ascânio Brandão
   Contam que no tempo de Luiz XIV. Outros que no de Luiz XIII. E Vieira fala simplesmente que na côrte...
   Pregavam dois oradores sacros de renome, sucessivamente. Perguntaram depois ao rei: Majestade, qual deles pregou melhor? "Não o saberia dizer, meus amigos. Posso entretanto afirmar que, ouvindo o primeiro, saí da Igreja contente com o pregador. Que retórica! Que eloqüência! E saí contente comigo mesmo. Ouvindo, porém, o outro, saí contente com o pregador, mas descontente comigo mesmo e com a minha vida e resolvido a me converter".
      Qual deles foi o melhor pregador?
   O fim da pregação como o da retórica, é convencer. Melhor prega, portanto, quem melhor convence. E convencer é tocar o coração e mover a vontade para o bem e a verdade, na eloquência sagrada.
   Pregadores sem convicções não convenceriam a ninguém. Seriam o sino qe bate, o bronze que soa, no espressivo dizer de São Paulo.
   Conta Rousie, de um pregador, afamado, bom literato e bom sociólogo. Pregava numa igreja humilde e rural. Pôs-se a falar da crise da sociedade moderna. A um dado momento se inflamou levantando os braços para o alto a exclamar: - Ó anarquia das inteligências! Ó anarquia das inteligências! O povo se põe de joelhos e responde a toda força: Rogai por nós! Rogai por nós!
   Julgavam talvez que se tratava de alguma nova santa...
   Ai pregadores! Até aqui o Padre Ascânio Brandão. Aliás foi um padre santo e um grande escritor.
 Do espirituoso queria passar para algo mais sério: "Senhor, mandai -nos sacerdotes heróicos! A terra tem sede deles! O mundo lhes sorverá as palavras. Mandai-nos santos sacerdotes! (Pe. Eduardo Poppe).