SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quarta-feira, 18 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


18 de março

A MORTE DE SÃO JOSÉ


 1º - QUANDO E ONDE MORREU?  Realmente, nada se encontra na Escritura e em nenhum dos escritos dos Doutores que nos fale da morte de São José e das circunstâncias que a acompanharam. Daí serem muitas as opiniões. Vou expor apenas a mais provável admitida pela maioria dos autores, como São Jerônimo, São Bernadino de Sena, São Boaventura, Gerson, Suares e outros: É que o Santo Esposo de Maria morreu depois do batismo de Jesus e antes das bodas de Caná, nos primeiros dias da vida pública do Salvador. 

   Se Maria, Jesus com os discípulos estavam presentes nas bodas de Caná, por que o Esposo da Virgem não havia de ser convidado. Provavelmente São José já havia morrido. Em Nazaré, na casa bendita onde sofreu e trabalhou para sustentar o Verbo feito Carne e a Mãe de Deus, durante trinta anos teve sob o seu governo Aquele Senhor que governa os céus e a terra. Alguns escritores afirmam ter morrido o Santo Patriarca em Jerusalém, onde foi para celebrar a Festa da Páscoa. e lá fora sepultado.  Outros dizem que morreu em sua casa em Nazaré. São conjecturas, mas esta última é a mais provável como veremos a seguir. 

 
 2º - COMO FOI A MORTE DE SÃO JOSÉ? Nas igrejas do Oriente no dia 19 de março, nos primeiros séculos, cada ano, se costumava ler com toda a solenidade, ao povo, uma piedosa narração da morte de São José. O bispo dava a bênção, sentava-se em meio da assembleia e ordenava ao leitor fizesse, em voz alta, a leitura da piedosa narração seguinte:
   "Eis chegado para São José o momento de deixar esta vida. O Anjo do Senhor lhe apareceu e anunciou ter chegado a hora de abandonar o mundo e ir repousar com seus Pais. Sabendo estar próximo o seu último dia, quis visitar pela última vez o Templo de Jerusalém, e lá pediu ao Senhor que o ajudasse na hora derradeira. Voltou a Nazaré e, sentindo-se mal, recolheu-se ao leito. E dentro em breve o seu estado se agravou. Entre Jesus e Maria, que o assistiam carinhosamente, expirou suavemente, abrasado no Divino Amor. Oh! morte bem-aventurada! Como não havia de ser doce e abrasada no Divino Amor, a morte daquele que expirou nos braços de um Deus e da Mãe de Deus?

   Jesus e Maria choravam ao fecharem os olhos de José. E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? Vede como Ele o amava" disseram os judeus. José não era tão só um amigo, mas um Pai querido e santíssimo para Jesus"

   A Igreja canta no Ofício litúrgico de 19 de março, confirmando a tradição: Ó, mil vezes feliz e bem-aventurado aquele que na hora extrema teve junto de si Cristo e a Virgem!


EXEMPLO

   A graça de uma boa morte

   Um pároco de Munster (Westphalen) ia se deitar, quando batem à porta do presbitério. Era um desconhecido que lhe pedia fosse com urgência a uma determinada casa indicando nome, número e circunstâncias da enferma a que deveria com urgência administrar os últimos sacramentos.
   Imediatamente o zeloso sacerdote foi à matriz, tomou o Santo Viático, a maleta dos enfermos e, em poucos instantes, batia à porta da casa indicada. A família se surpreende.
   - Que significa, sr. padre, a visita de V. Reverendíssima?
   - Sim, chamaram-me nestes poucos minutos indicando-me exatamente o nome da enferma, rua e número da casa. Veja esta notazinha aqui. E mostrou as anotações.
   - É verdade, respondeu um moço, é o nome de minha mãe. Ela porém está boa de saúde, nada sente. Acaba de subir para se deitar. Estivemos conversando até agora.
   Alguém opinou:
   - Há um mistério nisto e me sinto impressionado.
O moço imediatamente sobe a escada, a fim de participar à mãe o fato.
   - Meu filho! meu filho! gemem de dentro do quarto. Empurra depressa a porta, meu filho!
   Aflito o moço entra e vê a mãe estendida no chão. Um mal súbito a acometeu e sentia-se gravemente enferma.
   - Meu filho, sinto que vou morrer. Antes de mais nada, chama-me um sacerdote e que me traga o Viático. Eu morro...
   O padre sobe, confessa, administra a Extrema-Unção e o Viático à enferma. Admirado por tamanha coincidência e o misterioso chamado, pergunta:
   - Senhora, não sei como explicar minha presença aqui, neste instante. Tem alguma devoção. ou pedia sempre a Nosso Senhor esta graça?
   - Sim, meu padre, replica logo com ardor a enferma, sim; durante longos anos sempre pedi a São José que me alcançasse esta graça de uma boa morte. E alcancei-a! Ó, meu São José, eu vos agradeço!
   E, chorando de gratidão, a velhinha expirou logo depois. 

terça-feira, 17 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ

Dia 17

SÃO JOSÉ PATRONO E MODELO DOS OPERÁRIOS

É a parte superior do quadro catequético que ilustra o tema de hoje.
   São José foi pobre e humilde carpinteiro. Viveu na oficina. Teve as mãos calejadas no rude labor. Sustentou a Sagrada Família com o suor da sua fronte. Viveu na luta e no sacrifício do operário pobre, desprotegido e sofredor. Nenhum operário, no entanto, teve como José uma honra: trabalhar, para sustentar como o suor de sua fronte, Aquele que de ninguém tem necessidade e no entanto quis ter fome, quis sofrer como pobre para ser alimentado e vestido e sustentado por São José, seu Pai nutrício. Lá, na santa casa de Nazaré, se realizava à letra o que disse Nosso Senhor: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber". O Homem-Deus teve fome, teve sede, e quem o socorreu e sustentou foi São José! Eis porque o trabalho do Santo Patriarca já teve o mais nobre fim, o mais elevado, o mais santo que já houve na terra. 

   Com toda razão São José é o modelo e o patrono dos operários. Ouçamos alguns Papas: Leão XIII: ... Os que nasceram em berços da pobreza e sentiram os golpes rudes da adversidades da fortuna, vejam em São José a imagem da grandeza de alma com que devem ficar... Porém os proletários os operários, quantos vivem deserdados, devem, de modo singular e com direito próprio, recorrer a José e tomar dele o que hão de imitar". 
   Outro Papa, Bento XV, assim fala: "Para que os operários, e todos quantos ganham o seu sustento no trabalho, se conservem imunes do contágio do socialismo, a todos propomos encarecidamente a São José como modelo a quem devem imitar, e como Patrono a quem devem venerar". 

   "Para assegurar a paz de Cristo no reino de Cristo, disse o Papa Pio XI, colocamos a grande ação da Igreja Católica contra o comunismo ateu mundial sob a proteção do poderoso Protetor da Igreja, São José. Pertenceu ele à classe operária e sentiu o peso da pobreza em si e na Família Sagrada, da qual era o Chefe solícito e abnegado. A São José foi confiado o Deus-Menino, quando Herodes enviou sicários para o matar. Com uma vida de fidelíssimo cumprimento do dever quotidiano, deixou um exemplo de vida a todos. Deixou um exemplo de vida a todos que ganham o pão com o trabalho de suas mãos".


EXEMPLO

O velho José

   As Irmãzinhas dos Pobres fundaram, em Barcelona, a sua primeira casa na Espanha. Num casarão pobre estabeleceram um Asilo de Velhos. A princípio recebiam só mulheres. Um dia, lhes aparece um velho em andrajos, trêmulo, em estado de extrema miséria. Pedia um abrigo. De há muito vagava pelas ruas, sem teto e sem pão. Com cerca de oitenta anos, o infeliz só esperava a morte num recanto onde pudesse se abrigar.

   - Não há lugar aqui, diz-lhe a Madre Superiora; só recebemos mulheres. Como se chama?
   - Meu nome é José.
   - José! José! murmura a boa Madre, e toma logo uma resolução: pois receberei o velho, custe-nos os maiores sacrifícios. Seja tudo por amor de São José. Como hei de abandonar um miserável que traz o nome de nosso Santo Patrono? E dá ordem a uma das Irmãs:
   - Minha Irmã, saia já e compre roupa e o necessário para este velhinho.

   Imediatamente soa a campainha da portaria. Entregam um pacote enorme. Abem-no. É um terno de roupa nova para homem e muitas outras peças necessárias de vestuário, coma, etc.. O Bem velhinho sorria, feliz. E nunca mais São José deixou faltar coisa alguma no Asilo. Dentro em breve levantam o pavilhão dos homens e a Instituição se torna uma das maiores e mais famosas. 

   Nasceu e se desenvolveu sob a proteção de São José. 
SÃO JOSÉ PATRONO E MODELO DOS OPERÁRIOS
17 DE MARÇO

MODELO DOS OPERÁRIOS.

Foi pobre e humilde carpinteiro. Viveu José na oficina. Teve as mãos calejadas no rude labor. Sustentou a Família Sagrada com o suor da sua fronte. Viveu na luta e no sacrifício do operário pobre, desprotegido e sofredor. Nenhum operário, no entanto, teve como José uma honra: trabalhar, para sustentar com o suor de sua fronte, Aquele que de ninguém tem necessidade e no entanto quis ter fome, quis sofrer como pobre para ser alimentado e vestido e sustentado por São José, seu Pai nutrício. Lá, na santa casa de Nazaré, se realizava à letra o que disse Nosso Senhor: Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber. O trabalho era desprezado e humilhante. A oficina pobre de José, o carpinteiro santíssimo, e do operário divino, Jesus Cristo, aquela oficina trouxe uma renovação do mundo pela dignificação do trabalho e do operário cristão.

Daí, compreendemos perfeitamente porque vários Papas, como Leão XIII, Bento XV, Pio XI, apresentaram como modelo dos operários, e a Santa Igreja com toda justiça, colocou São José como Patrono dos operários.

EXEMPLO

O velho José

   As irmãzinhas dos Pobres fundaram, em Barcelona, a sua primeira casa na Espanha. Num casarão pobre estabeleceram um Asilo de Velhos. A princípio recebiam só mulheres. Um dia, lhes aparece um velho em andrajos, trêmulo, em estado de extrema miséria. Pedia um abrigo. De há muito vagava pelas ruas, sem teto e sem pão. Com cerca de oitenta anos, o infeliz só esperava a morte num recanto onde pudesse se abrigar.
   -  Não há lugar aqui, diz-lhe a Madre Superiora; só recebemos mulheres. Como se chama?
   -  Meu nome é José.
   -  José! José! murmura a boa Madre, e toma logo uma resolução: pois receberei o velho, custe-me os maiores sacrifícios. Seja tudo por amor de São José. Como hei de abandonar um miserável que traz o nome de nosso Santo Patrono? E dá ordem a uma das Irmãs:
   -  Minha Irmã, saia já e compre roupa e o necessário para este velhinho.
   Imediatamente soa a campainha da portaria. Entregam um pacote enorme. Abrem-no. É um terno de roupa nova para homem e muitas outras peças necessárias de vestuário, cama, etc.. O bom velhinho sorria, feliz. E nunca mais São José deixou faltar coisa alguma no Asilo. Dentro em breve levantam o pavilhão dos homens e a Instituição se torna uma das maiores e mais famosas.

   Nasceu e se desenvolveu sob a proteção de São José. 

segunda-feira, 16 de março de 2020

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


16 de março

SÃO JOSÉ E A FAMÍLIA

    O Verbo Encarnado quis viver no seio de uma família para dar exemplo e regenerar a família humana. Um Pai, São José; Mãe, a Virgem Maria, e um Filho - o próprio Filho do Eterno Pai, Deus Humanado - Jesus Cristo!

    E Jesus, que pregou durante três anos apenas, quis permanecer oculto, obediente na vida de família trinta anos completos! Deus quis dar ao gênero humano um só tronco, uma só origem comum para a propagação da espécie humana. Quis também um tronco único para a propagação da graça restauradora. A família do paraíso pecou e trouxe a ruína do gênero humano. A família santa de Nazaré trouxe a salvação e a graça ao mundo. Que glória a do Santo Patriarca! Chefe da Sagrada Família! No seio desta família a mais singular, inefável e santa da terra, foi O Santo Patriarca o Chefe obedecido e amado. E o céu lhe reconhece o direito sagrado de Chefe. Pois, a ele se dirige o anjo para revelar o segredo do mistério da Encarnação e que não teme receber Maria como esposa; à ele fala o anjo da perseguição de Herodes e ordena a fuga para o Egito. Assim o próprio Deus trata a José sempre como Chefe da Família Sagrada. Jesus lhe foi sempre obediente, embora São José fosse Pai Adotivo.


EXEMPLO

A imagem de São José 

   Dois pedreiros se entregavam ao duro trabalho de abrir os alicerces de uma nova casa entre as ruínas de velho edifício, cujos entulhos afastavam.

   De repente um deles encontra, em meio de um entulho de pedras e madeiras, uma bela imagem de São José.

   - Então você achou aí um santo? Vai ficar devoto e carola, companheiro? diz o amigo, a zombar. 

   E propôs se quebrasse a imagem e a enterrassem ali mesmo.

   - Não, isso não faço! Vou guardá-la. Eu não sou devoto. De há muito nem piso mesmo na igreja. Entretanto, respeito as coisas de Deus. Quebrar esta imagem me parece que há de atrair muita desgraça sobre nós. Não acha?

   - Pode ser... então você levará o santo!

   Passaram-se alguns anos. O velho pedreiro caiu gravemente enfermo. Lá estava em sua casa de pobre, em uma mesinha tosca, a imagem de São José, sempre com flores. Uma netinha de treze anos, menina piedosa e aluna do catecismo paroquial, ao ver o estado gravíssimo do avô, ousou falar-lhe:

   - Vovô, não quer o senhor, a visita do nosso padre da paróquia?
   - Não, minha filhinha, eu não estou para morrer...
   Diversas vezes o mesmo pedido da netinha e a mesma resposta: - Não estou para morrer... Não quero o padre...

  A menina se pôs a rezar a São José com fervor. Desejava tanto a conversão do avô! Numa das noites de insônia e de terríveis sofrimentos, o velho pedreiro recordou a cena do encontro da velha imagem de São José. E passou a noite a pensar naquilo. Pela manhã chamou a netinha:
   - Maria, eu quero... a minha imagem de São José... Quero falar com meu São José. 
   
   A menina chorou: Coitadinho do vovô! Já está delirando!...
   Trouxe-lhe a estátua. O velho a contemplou durante algum tempo em silêncio. Examinou-a e São José lhe parecia tão belo, radiante, e o comovia profundamente. Chorou muito. Sentia-se abalado nas profundezas da alma.

   - Minha netinha, eu quero um padre...
   - Quer falar ao nosso padre, não é, vovô?
   - Falar só?! Não, minha filhinha, quero confessar-me. 

   A pequena saiu como flecha rumo à casa paroquial. Dentro em breve lá estava o bom pároco, e o velho pedreiro se confessou, banhado em lágrimas. Recebeu a Extrema Unção e o Viático. Depois mandou chamar os filhos e netos e os antigos companheiros, e lhes disse comovido, ofegante e entre lágrimas:
   - Não façam vocês como eu! Vão à missa cada domingo e cumpram os deveres religiosos; sejam fiéis à religião. E se vocês algum dia encontrarem alguma imagem de São José, não a quebrem! Guardem bem a imagem de São José. Ela lhes há de trazer felicidade. Desde que encontrei meu São José, fui sempre feliz!
    E pouco tempo depois expirou abraçado à imagem de São José. 

domingo, 15 de março de 2020

TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA



O DEMÔNIO MUDO

S. Lucas XI, 14-28

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Muitos são os pontos de meditação que nos oferece o Evangelho deste domingo; mas, como a consideração de todos eles nos levaria muito longe, excedendo demasiadamente os limites de um artigo, limitar-me-ei em falar sobre o "demônio mudo".

Caríssimos, sabemos que os anjos são  puros espíritos criados por Deus para sua glória e seu serviço. Mas muitos deles, levados pelo mau exemplo de Lúcifer, se rebelaram contra Deus e se tornaram ESPÍRITOS MAUS. Tornaram-se demônios e todos são maus. Podemos concluir, no entanto, por palavras do próprio Jesus Cristo (... volta com sete espíritos PIORES que o primeiro; ... há uma espécie de demônio que só se expulsa com jejum e oração), que há uns piores. E certamente este "demônio mudo" é um destes piores.

"Expulsou Jesus um demônio, e ele era mudo". É chamado MUDO  porque ele é que causa a mudez espiritual, que é um mal terrível. O que tornava mudo aquele infeliz homem, era a presença e a ação deste demônio que o possuía. Tanto assim, que, expulso que foi este demônio, o homem recobrou o uso da palavra. Os Judeus não contestaram o milagre: mas atribuíram-no à Beelzebub, príncipe dos demônios. Mas, Jesus tritura tão indigna interpretação, interpretação esta que só podia nascer da má-fé.

Caríssimos, o que, no entanto, queremos ressaltar aqui é o sentido moral escondido neste prodígio. A finalidade direta que Jesus tinha em vista ao fazer milagres era confirmar sua missão de Messias e manifestar sua bondade. Mas, é óbvio que o divino Mestre visava, outrossim, um ensinamento moral e alegórico. Assim, este homem que o demônio tornava mudo, nos mostra um dos efeitos que o pecado produz em nossas almas. O pecado nos torna mudos, prendendo nossa língua naqueles usos para os quais Deus no-la deu como meios de ganharmos o Céu: orar, dar testemunho da verdade e confessar nossos faltas no Sacramento da Penitência. Quão terrível é este demônio mudo! pois nos pode tirar os grandes meios de salvação: pois, quem não reza se condena, sem confissão não há salvação (mesmo no arrependimento perfeito deve haver o desejo da Confissão) e quem não confessa a verdade e não dá testemunho de Jesus Cristo, no dia do Juízo será igualmente rejeitado pelo Supremo Juiz.   

O primeiro e principal uso que Deus quer que façamos da palavra em relação a Ele, é a ORAÇÃO. Quer que por ela primeiramente O glorifiquemos e O adoremos. Deus quer que nos sirvamos da palavra para falarmos com Ele mesmo, Criador de todas as coisas, Mestre soberano do universo, o Ser eterno, a própria Sabedoria, a própria Bondade, o Onipotente. Deus quer que nos dirijamos a Ele como Pai: "Pater Noster". E além do culto de latria só devido a Deus, a língua é- nos dada também para, na oração, agradecermos as graças recebidas, pedir novas graças e pedir perdão dos nossos pecados. Caríssimos, devemos nos sentir singularmente honrados em poder entrar em conversação com Deus, com o Ser tão grande, sendo nós tão pequenos! Este era o pensamento de Abraão quando dizia do fundo de sua pequenez: "Falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó e cinza" (Gen. XVIII, 27).

Pois bem, o demônio mudo, quando reina numa alma pelo pecado, fecha-lhe a boca, torna-a muda em relação a Deus. A oração, que faz as delícias dos justos, torna-se uma como carga pesada para tais pecadores dominados pelo demônio mudo. Para eles a oração é causa de desgosto e enjoo; e, a medida que se afundam na iniquidade, eles negligenciam mais e mais a oração e terminam mesmo abandonando-a completamente. Mais do que ninguém precisavam usar a língua para implorar misericórdia, mas o demônio mudo, à exemplo do lobo, lança-se na garganta destes infelizes impedindo-os de pedir o socorro divino. 

Outro uso para o qual a palavra nos foi dada por Deus, é a de DAR TESTEMUNHO DA VERDADE. Fazer conhecer Deus a nossos semelhantes, de o louvarmos nas reuniões dos fiéis, sustentar e defender a religião quando ela é atacada, confessar, então,  nossa fé por nossos discursos bem como o devemos fazer por nossos atos. Tudo isto é um dever para todos nós, e, caríssimos, poderíamos melhor testemunhar a Deus nosso reconhecimento por este dom magnífico da palavra do que empregando-o para a glória de Deus?

Quero, no entanto, salientar a obrigação dos Eclesiásticos. Na verdade, é o respeito e os interesses humanos que impedem que os superiores eclesiásticos se declarem publicamente por Deus, por Jesus realmente presente na Hóstia Consagrada. Lamentam talvez internamente os sacrilégios, mas não falam contra eles. Mantêm a verdade cativa, e não ousam confessar publicamente a sua fé, ainda mesmo quando o silêncio é uma espécie de apostasia. Os estragos do demônio mudo nunca são tão deploráveis como quando exerce a sua tirania sobre os mesmos Pastores. O maior triunfo deste demônio terrível é encadear a palavra sacerdotal. Ou fecha a boca aos ministros do Senhor, ou não lhes permite que falem senão com timidez, quando deviam falar com energia. Pastores, "cães mudos", quando não corrigis, com prudência é verdade, mas também com a santa liberdade que vos convém, os pecadores escandalosos que pervertem o povo, os libertinos, os blasfemos, os profanadores do Santíssimo Sacramento; quando, na administração dos sacramentos, não ousais advertir quanto seria necessário, para que os recebam com respeito e fruto; quando no sagrado tribunal poupais a delicadeza dos culpados, à custa da sua salvação, deixando-os na ignorância das graves obrigações que só vós podeis ensinar-lhes, então concedeis ao demônio mudo um funesto triunfo; e mereceis esta censura de São Cipriano: "Que cruel misericórdia é essa, que consiste, não em curar o ferido, mas em esconder a sua ferida, para nela, encerrar a morte? O Pastor de almas deve ser prudente e circunspecto, mas ao mesmo tempo deve ser firme e animoso. "Deus dissipará os ossos daqueles que procuram agradar aos homens" (Sl. LII, 6). "Deus castigará os tímidos tanto como os mais criminosos" ( Apoc. XXI, 8).

Um terceiro uso que devemos fazer da palavra é  CONFESSAR NOSSAS FALTAS no Sacramento da Penitência. Na verdade Deus não se recusa a nos dar o perdão de nossos pecados. Mas como condição deste perdão Ele exige expressamente que o homem reconheça sua falta; e, pela confissão o homem reconhece seu pecado, e reconhece-o pelo meio mais solene, mais autêntico que está em seu poder, pela palavra que lhe foi dada para manifestar seu pensamento, isto é, pela palavra que não é, ou pelo menos, não deve ser senão a expressão, a manifestação, a veste do pensamento e assim podemos dizer que a alma mesma se torna de alguma maneira visível.
 Mas, caríssimos e amados irmãos, em se tratando do mutismo em relação a confissão, podemos dizer que é aqui que o demônio mudo triunfa. Vejam: uma pessoa desejava aliviar-se do peso que a oprimia; sentia-se vivamente incitada  a ser sincera; tinha começado bem; uma palavra mais, e tem o Céu seguro, e na vida presente uma paz que sobrepuja todo o entendimento; uma palavra menos, e merece o inferno, e desde já o remorso que a dilacera. Que poder oculto fez morrer em seus lábios essa palavra indispensável? - O demônio mudo - .Ah! quantas almas o demônio mudo conserva encadeada pelo mutismo! Um grande número de almas, por tentação do demônio, por falta de humildade, ocultam os seus pecados em confissão ou porque se envergonham deles ou porque não querem corrigir-se.

 O Sacerdote que ouve os pecados faz as vezes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele tem para os penitentes um coração de pai; não se admira porque sabe as misérias em que o homem pode cair; não os envergonha nem despreza, mas ama-os, ajuda-os, consola-os e cura-os. Sente uma alegria celestial, mas que levará para o túmulo. Oh! almas remidas com o Sangue de Jesus Cristo, por amor de Deus, não consintais por mais tempo sobre vós o jugo deste demônio mudo, se é que tendes feito confissões sacrílegas. Mas também não vos lanceis no desespero como Judas. Vinde, antes como Pedro e Madalena lançar-vos aos pés de Jesus Cristo, vosso doce Salvador, que vos chama, vos espera e vos receberá como ao filho pródigo.

   Caríssimos, pedi a Deus luz e força para que, livres da escravidão do demônio, sejais fiéis a Deus em tudo, servindo-O e amando-O como filhos queridos e esperando a eterna recompensa na Pátria do repouso eterno. Amém!

HOMILIA DOMINICAL - 3º Domingo da Quaresma



  Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios, V, 1-9.
                    Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, XI, 14-28: 




 "Naquele tempo, expulsou Jesus a um demônio, e ele era mudo. E tendo lançado fora o demônio, o mudo falou e as multidões se admiraram. Alguns deles, porém, disseram: É por Belzebu , príncipe dos demônios, que ele expulso os demônios. E outros para tentá-Lo, pediam um sinal do céu. Conhecendo, porém, os seus pensamentos, Jesus disse-lhes: Todo reino dividido em si mesmo será destruído e uma casa cairá sobre outra. Se, pois, satanás está em desacordo em si mesmo, como subsistirá seu reino? Dizeis que é por Belzebu que expulso os demônios. Ora, se é por Belzebu que expulso os demônios, vossos filhos por quem os expulsam? Por isso eles próprios serão os vossos juízes. Se, entretanto, é pelo dedo de Deus que expulso os demônios, é evidente que chegou para vós o Reino de Deus. Quando um poderoso guarda armado a entrada de sua casa, em paz está tudo o que possui. Se sobrevier, porém, outro mais forte do que ele e o vencer, tirar-lhe-á todas as suas armas, em que confiava, e repartirá os seus despojos. Quem não está comigo é contra mim; e quem não recolhe comigo, dispersa. Quando o espírito imundo sai de um homem, anda por lugares secos, buscando repouso, e não encontrando diz: Voltarei para minha casa de onde saí. E quando vem, e encontra-a varrida e ornada, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, aí fazem habitação. E o último estado desse homem torna-se pior do que o primeiro. Quando Ele assim falava, uma mulher, levantando a voz, do meio do povo, disse-Lhe: Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram. Ele, porém, respondeu: Bem-aventurados, antes, aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Este demônio mudo, ou seja, aquele que provoca nas almas o mutismo espiritual, é terrível! Nosso Senhor Jesus Cristo diz, no Santo Evangelho de hoje, que, quando o demônio é expulso de uma alma, ele procura voltar, e, se o consegue, já não volta só, mas com sete espíritos piores do que ele. Na explicação da primeira imagem postada na explanação  do Evangelho do domingo passado, também vimos que Jesus disse para seus Apóstolos que há certa espécie de demônio que só se expulsa com jejum e oração. Donde concluímos que, embora, todos sejam espíritos malignos, invejosos e perversos, há uns piores do que outros. E este demônio mudo talvez seja do número dos piores, porque, constatamos que ele perde muitas e muitas almas. Na verdade o mutismo espiritual é muito perigoso.

   É um perigo não só para a oração, como também para o cumprimento dos deveres de caridade e do nosso estado e para a acusação dos pecados na confissão.

   Assim como o lobo ao apanhar uma ovelha a pega pelo pescoço, assim o demônio mudo torna as almas mudas para que não orem, isto é, para que não gritem pelo socorro divino. Sem oração não pode haver virtude sólida, santidade, nem salvação. Aquele, pois, que não ora está desarmado, torna-se inevitavelmente presa do demônio. Caríssimos, infeliz da alma que assim está muda para Deus e não sabe nem quer orar. No entanto, infelizmente, quantos cristãos, que nunca oram, nem a sós, nem em família; e se alguma vez se dão à oração fazem-na tão mal, com tantas distrações voluntárias, com tanto tédio que nem Deus é louvado, e o demônio consegue seu intento.

   O mutismo espiritual é também um perigo para os deveres de caridade e para os do nosso estado. Isto diz respeito principalmente aos deveres de instrução e correção fraterna que pertencem aos bispos, aos párocos, pais, patrões e outros superiores encarregados de corrigir e educar os que lhes estão confiados. Se os superiores só se preocupam em salvaguardar os seus direitos pessoais e se tornam cúmplices do demônio e das paixões, contraem perante Deus uma culpabilidade, segundo as circunstâncias, e tornam-se responsáveis pela perda das almas. Assim diz o profeta Isaías: Ai de vós, cães mudos!... De vossas mãos, pedirei contas de seu sangue!

   Não é a verdadeira humildade que prende a língua, mas o demônio que fecha a boca. Quantos pecados não podíamos evitar, quantas almas não podíamos conduzir à salvação ou tornar mais perfeitas!

  Embora este dever obrigue primeiramente os superiores, no entanto, devemos dizer que todos, sem exceção têm o dever de avisar caridosamente o seu próximo, e, podendo, com toda prudência, deve livrar o seu próximo do pecado.

   Caríssimos, quero, no entanto, salientar a obrigação dos eclesiásticos. Na verdade, é o respeito e os interesses humanos que impedem que os superiores eclesiásticos se declarem publicamente por Deus, por Jesus realmente presente na Hóstia Consagrada. Lamentam talvez internamente os sacrilégios, mas não falam contra eles. Mantêm a verdade cativa, e não ousam confessar publicamente a sua fé, ainda mesmo quando o silêncio é uma espécie de apostasia. Os estragos do demônio mudo nunca são tão deploráveis como quando exerce a sua tirania sobre os mesmos Pastores. O maior triunfo deste demônio terrível é encadear a palavra sacerdotal. Ou fecha a boca aos ministros do Senhor, ou não lhes permite que falem senão com timidez, quando deviam falar com energia. Pastores, "cães mudos", quando não corrigis, com prudência é verdade, mas também com a santa liberdade que vos convém, os pecadores escandalosos que pervertem o povo, os libertinos, os blasfemos, os profanadores do Santíssimo Sacramentos; quando, na administração dos sacramentos, não ousais advertir quanto seria necessário, para que os recebam com respeito e fruto; quando no sagrado tribunal poupais a delicadeza dos culpados, à custa da sua salvação, deixando-os na ignorância das graves obrigações que só vós podeis ensinar-lhes, então concedeis ao demônio mudo um funesto triunfo; e mereceis esta censura de São Cipriano: "Que cruel misericórdia é essa, que consiste, não em curar o ferido, mas em esconder a sua ferida, para nela, encerrar a morte? 

   O Pastor de almas deve ser prudente e circunspecto, mas ao mesmo tempo deve ser firme e animoso. "Deus dissipará os ossos daqueles que procuram agradar aos homens" (Sl. LII, 6). "Deus castigará os tímidos tanto como os mais criminosos" ( Apoc. XXI, 8).

   Mas, caríssimos e amados irmãos, em se tratando do mutismo em relação a confissão, podemos dizer que é aqui que o demônio mudo triunfa. Vejam: uma pessoa desejava aliviar-se do peso que a oprimia; sentia-se vivamente incitada  a ser sincera; tinha começado bem; uma palavra mais, e tem o Céu seguro, e na vida presente uma paz que sobrepuja todo o entendimento; uma palavra menos, e merece o inferno, e desde já o remorso que a dilacera. Que poder oculto fez morrer em seus lábios essa palavra indispensável? - O demônio mudo - .Ah! quantas almas o demônio mudo conserva encadeada pelo mutismo! Um grande número de almas, por tentação do demônio, por falta de humildade, ocultam os seus pecados em confissão ou porque se envergonham deles ou porque não querem corrigir-se.

   Caríssimos e amados irmãos, o Sacerdote que ouve os pecados faz as vezes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele tem para os penitentes um coração de pai; não se admira porque sabe as misérias em que o homem pode cair; não os envergonha nem despreza, mas ama-os, ajuda-os, consola-os e cura-os. Sente uma alegria celestial mas que levará para o túmulo. Oh! almas remidas com o Sangue de Jesus Cristo, por amor de Deus, não consintais por mais tempo sobre vós o jugo deste demônio mudo, se é que tendes feito confissões sacrílegas. Mas também não vos lanceis no desespero como Judas. Vinde, antes como Pedro e Madalena lançar-vos aos pés de Jesus Cristo, vosso doce Salvador, que vos chama, vos espera e receberá como ao filho pródigo.

   Caríssimos, pedi a Deus luz e força para que, livres da escravidão do demônio, sejais fiéis a Deus em tudo, servindo-O e amando-O como filhos queridos e esperando a eterna recompensa na Pátria do repouso eterno. Amém!

   

GLÓRIA E PODER DE SÃO JOSÉ


15 de março

O PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ

   O senhor o fez dono da sua casa e príncipe de suas possessões: É assim que nos referimos a São José nas orações litúrgicas. José é verdadeiramente o senhor de tudo quanto pertence a Jesus e Maria. Tem, pois, o direito de posse sobre a Igreja, obra grandiosa e admirável do Redentor. Jesus é o Fundador e Cabeça da Igreja. São José não foi chamado Pai, não foi o protetor e o sustentáculo de Jesus na terra? Ao direito de posse segue o poder de São José. É incontestavelmente o poder do Santo Patriarca no céu e na terra. E a aclamação popular também confere a São José o direito de Protetor da Igreja Universal. Esta aclamação começou no século XII, foi crescendo de século em século até àquela súplica de todo o orbe católico a Roma pedindo fervorosamente a proclamação solene do Santo Patriarca como PADROEIRO DE TODA A IGREJA.  E o Papa Pio IX em 08 de dezembro de 1870 fez a solene Declaração. 

   Em todas as basílicas de Roma os sinos anunciaram a glória de São José naquele momento soleníssimo. E em todo orbe católico uma onda de alegria invadiu os corações dos devotos de São José. Desde então a Igreja nunca deixou de recorrer ao seu Pai e Protetor em todas as horas mais difíceis que atravessou e atravessa nestes tristes dias. 


EXEMPLO

São José e o fundador das Escolas Cristãs

   São João Batista de La Salle,  o fundador dos Irmãos das Escolas Cristãs, se distinguiu por uma grande devoção a São José. Recomendava encarecidamente aos seus filhos espirituais que nunca deixassem de homenagear a São José, cada dia em todas as casas do Instituto por ele fundado. Haviam de recitar quotidianamente, com fervor, as ladainhas de São José. Na última enfermidade o santo fundador, preso ao leito de dores, sentia uma grande tristeza por ver que se aproximava a festa do seu Santo Patrono e não poderia celebrar a santa missa. Desejava tanto esta graça, mas não ousava pedi-la, com receio de faltar à perfeita conformidade com a vontade de Deus na doença. Todavia no dia 18 de março, pelas dez horas da noite, sentiu de repente que lhe voltavam as forças. Imaginou ser uma ilusão, um sonho, e não o disse a ninguém. No dia seguinte, grande festa do Santo Patriarca, sentiu as mesmas boas disposições da véspera. Experimentou levantar-se, e o fez com facilidade e rapidez. No auge da alegria preparou-se com todo fervor para a santa missa e a celebrou com um recolhimento e uma piedade impressionantes. Julgaram todos os Irmãos que São José lhe havia restituído a completa saúde. Depois de haver celebrado o santo sacrifício como um homem robusto e sadio, e dado fervorosa ação de graças, sentiu-se desfalecer.

   Todos os sintomas da moléstia reapareceram. A graça estava alcançada. A última santa missa celebrada fora no dia 19 de março. Pouco dias depois o santo expirou, juntando piedosamente as mãos e lançando um olhar cheio de amor e de confiança à imagem de São José.