SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O RECURSO A MARIA NA TRADIÇÃO CRISTÃ

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 10 de outubro

"15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão. Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima. Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria; antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.

16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa: "Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido por nós, quis ser teu Filho" (Da sagrada liturgia).


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII). 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

MARIA MEDIADORA DE TODAS AS GRAÇAS

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 09 de outubro

"11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova.

12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: " Por meio da Anunciação  aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana" (S. Tomás, 3, q. 30, a, 1). Por consequência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo  -  sabe-se que "a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo" (Jo 1, 17),  -  senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.

13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-Lo no seu caráter de Juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.

Mãe de Deus e Mãe dos homens

14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém  -  o que é mais consolador - é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigênito, infundiu-lhe, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, que quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o gênero humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela mesma quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe."


(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).




terça-feira, 8 de outubro de 2019

NECESSIDADE DA ORAÇÃO


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 08 de outubro

"6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1 Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (1 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.

7. Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, levada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranquila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias.

8. Este grande ensinamento do Cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus.

9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: "Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele" (At 12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro.


10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá - no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante o curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e longamente à oração. Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém "orava mais intensamente" (Lc 22, 43). E isto Ele fez não para si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça."

(Encíclica "OCTOBRI MENSE" de Leão XIII).  

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 07 de outubro

A cidade de Constantinopla era a capital da Turquia.  Desde sua fundação (a. 657 a. C.) chamava-se Bizâncio. Depois recebeu o nome de Istambul e, atualmente chama-se Ancara. No ano de 1571 (como até hoje) a Turquia é na sua maioria muçulmana, ou seja, religiosamente falando, segue o Islamismo, seita fundada por Maomé. Por isso são chamados também maometanos. Para eles toda guerra para eliminar os infiéis ( chamam de infiéis todos os que não seguem o Islamismo e, sobretudo os católicos) é guerra santa. Por isso, sempre constituíram para a Igreja Católica uma grande ameaça.
   Assim, no ano de 1571 Constantinopla quis a todo transe impor na Europa católica o Islamismo. Os turcos muçulmanos armaram um terrível exército neste intuito. Ocupava a cadeira pontifícia S. Pio V, este grande Papa providencial. Diante da grande ameaça islâmica, Pio V constituiu uma Confederação ou Liga Santa. Formavam-na a Santa Sé, a República de Veneza e a grande Espanha.
   Reúnem-se em Roma. Pio V convocou os Cardeais Granvela e Pacheco e Dom João Zueñiga, embaixador do Rei Católico na Corte Romana e Miguel Soriano, por parte da República de Veneza; daquela Liga Santa, surgiu a semente para a epopeia de Lepanto. O Papa nomeou Marco Antônio Colomba, seu general; Felipe II nomeou como Generalíssimo de Mar e Terra a Dom João de Áustria, que tinha, então, apenas vinte cinco anos de idade.
   O tempo urgia, pois, os turcos já faziam arremetidas e assaltos. Eles fizeram simultaneamente três assaltos: atacaram a Albânia com 60 mil homens; atacaram a ilha de Chio com 40 galeras; as tropas do terrível Mustaphá  arremessaram-se   sobre a ilha de Chipre. Em pouco tempo tomaram de assalto as praças mais fortes; mataram vinte mil habitantes, e fizeram quinze mil escravos só na cidade de Nicósia. Renovaram as mesmas atrocidades em Famagusta, cujo comandante teve o nariz e as orelhas cortadas, e depois foi esfolado vivo por ordem de Mustaphá. Malta e Sicília já perigam. A estas notícias o Papa S. Pio V usou de seu poder. O nome glorioso de Espanha, que domina terras e mares, ameaça eclipsar-se. O Oriente muçulmano ameaça o Ocidente católico, e a salvação, está nas mãos da Espanha. Alí Pachá e Selim têm naquela hora um poderio que é necessário exterminar a todo custo. O cenário da conflagração há de ser Lepanto, a cidade marítima da Grécia. Lepanto é um Golfo que antigamente chamava-se Golfo de Corinto.
   Tratava-se de uma legítima defesa, e antes de tudo, defesa da Fé. O Papa benzeu o estandarte e o bastão do generalato que Dom João levaria nesta guerra;  em Nápoles, no Convento de São Francisco, os recebe Dom João das mãos do Cardeal Granvela, em solene cerimônia: "Tomai, ditoso Príncipe, disse o cardeal, as insígnias do verdadeiro Verbo Humano. Tomai o vivo sinal da Santa Fé de que nesta empresa sois defensor. Ele vos dê vitória gloriosa sobre o inimigo ímpio e que por vossa mão seja abatida sua soberba". E o povo respondeu em coro: AMEN. São Pio V ordenou que em toda cristandade se rezasse publicamente o santo Rosário.
   As naves católicas haviam saído de Messina, e estando nas Ilhas Curzolari, tiveram notícia de que a frota turca saía do porto de Lepanto, composta de 224 galeras ao mando de Alí Pachá. Dom João de Áustria ordenou à sua frota que se colocasse no lugar mais alto as imagens de Cristo Crucificado, e estando todos ajoelhados diante delas aumentou de tal modo o ânimo de lutar e o valor nos soldados cristãos, que, em um momento e quase que por um milagre, foi erguido em toda a armada um grito geral de alegria, que, repetindo em voz mais alta - "Vitória!... Vitória!..." - podia ser ouvido até pelos próprios inimigos. 
   Vai começar a histórica Batalha de Lepanto! E realmente! Momentos depois, juntavam-se as duas esquadras e com estrondo pavoroso as duas galeras capitânias, tendo antes artilharia e os arcabuzes feito sua matança entre as fileiras do General  turco Alí Pachá. Generalizou-se o combate, envolvendo-se entre si as galeras inimigas com um ardor sem igual. Depois do fogo de arcabuz e canhão, chegava a abordagem e se brigava com machadinhas e espadas, e danificadas estas, prosseguiam a luta corpo a corpo. O aspecto era terrível ! Naquela atmosfera de morte transcorreram várias horas,até que um alarido de vitória cruzou o cenário trágico com a rapidez de um relâmpago: As forças cristãs que haviam abordado a nave capitânia do muçulmano Alí Pachá, lograram matá-lo e ao mesmo tempo que arriavam daquela e outras naus o estandarte turco, chamado o Sanjac, substituindo-o pelo de Cristo Crucificado. Sem embargo, a batalha prolongou-se até que a noite viesse cobrir a enseada de Lepanto, à cuja hora a derrota muçulmana havia sido completa e categórica. Morreram das forças cristãs 7.500 homens. Entre os turcos, porém, morreram 32.000 homens. O exército católico fez ainda 3.500 prisioneiros e libertou   5.000 escravos cristãos. Os turcos perderam 224 embarcações.

  O Papa Pio V afirmou que esta importante vitória era devida à intercessão da Mãe de Deus; e parece que teve, a este respeito, esclarecimentos sobrenaturais. No momento mesmo do combate, o santo Papa, que se achava no meio dos cardeais reunidos, deixou-os de repente, abriu a janela, e esteve por algum tempo com os olhos erguidos para o céu. Voltou depois e disse: "Não tratemos mais de negócios agora; pensemos somente em dar graças a Deus pela vitória, que acaba de conceder ao exército cristão". Realmente, àquela hora exata, Dom João de Áustria vencia os muçulmanos em águas do mar Jônico. Em reconhecimento o santo Pontífice mandou acrescentar à Ladainha da Santíssima Virgem a invocação Auxílio dos cristãos! rogai por nós! e instituiu a festa solene com o título de Nossa Senhora da Vitória. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII mudou este título no de Nossa Senhora do Rosário.
   São Pio V morreu no mesmo ano da  vitória de Lepanto. - Os turcos olhavam este pontífice como o seu mais terrível inimigo, e o mais forte baluarte da Europa e da cristandade. Por isso o Sultão Selim, sabendo da sua morte, ordenou que houvesse festejos públicos durante três dias na cidade de Constantinopla.

domingo, 6 de outubro de 2019

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 17º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Mateus XXII, 34-46

"Amar o próximo como a nós mesmos"

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!


Sabemos que os mandamentos de Deus são dez. E todos os problemas das sociedades estariam resolvidos se as leis de Deus fossem cumpridas. Os três primeiros, que se referem a Deus, encerram-se nesta fórmula: Amar a Deus sobre todas as coisas. Isto significa a vontade de amar a Deus, não em grau infinito, mas sobre todas as coisas, de preferência a tudo o que Lhe seja contrário. Os outros sete mandamentos se reduzem ao amor do próximo, mas a um amor sincero e eficaz. Nosso Senhor Jesus Cristo diz que o amor do próximo é semelhante ao amor de Deus, no sentido que a caridade é uma virtude única que tem dois aspectos: Deus e o próximo por amor de Deus. Devemos notar que a Lei  manda amar o próximo por amor de Deus.  

Na explicação do evangelho do 12º domingo depois de Pentecostes já tivemos ensejo de fazer algumas reflexões sobre o amor de Deus e do próximo (S. Luc. X, 23-34). Vamos nos deter mais um pouco sobre o amor do próximo considerando este detalhe: COMO A NÓS MESMOS.

Nosso amor tem três objetos: Deus, o próximo e nós mesmos. Jesus Cristo manda-nos amar a Deus e ao próximo. É óbvio que Jesus supõe que naturalmente e sem sermos para isto compelidos, nos portemos de tal modo que cumpramos este dever para conosco. Com efeito, o amor de si é essencial ao homem; ele faz parte de sua natureza e é inseparável de seu ser. A Providência divina colocou em nós este sentimento precioso para nos fazer tender à felicidade a que Deus nos destinou. Não podemos nem deturpar nem destruir este sentimento.

Santo Agostinho observa que, embora Jesus não fale da obrigação do amor a nós mesmos, Ele, no entanto, não o omite; supõe-no, porque ordena que amemos o próximo como a nós mesmos. Mas este sentimento do amor a nós mesmos tem necessidade de ser dirigido, e, às vezes, até reprimido, raramente tem necessidade de ser estimulado. Temos a tendência de nos amarmos além dos limites em detrimento do amor que devemos aos outros. É justamente este amor fora dos limites que S. Paulo condena: "A caridade não busca [somente] os seus próprios interesses" (1 Cor. XIII, 5). Não nos é mandado que sintamos pela totalidade de nossos irmãos, o que nós sentimos por nos mesmos. Amar o próximo como a nós mesmos, é tratá-lo como nós desejamos que os outros nos tratem; fazer ao próximo o que desejamos que nos façam, e não fazer o que não desejamos que nos façam. Por exemplo: desejamos ser felizes, e assim a linguagem humana estigmatiza com o nome de EGOÍSMO.  É evidente, porém, que Jesus prescreve uma igualdade não de sentimentos, mas de deveres. Eis  o conselho que o velho Tobias deu ao seu filho Tobias: "Acautela-te, não faças nunca a outro o que não quererias que outro te fizesse". O mesmo ensinou o Divino Mestre: "Assim, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; esta é a lei e os profetas" (S. Mateus VII, 12).

Devemos observar, outrossim, que esta igualdade de dever não é de tal modo absoluta que não sofra modificação. Não há circunstâncias em que o amor a nós mesmos deva ser exclusivo; mas pode haver casos em que ele seja preponderante. Na impossibilidade de procurar o bem próprio e o do próximo, deve o amor de si prevalecer. Em se tratando de bens temporais, podemos dar a nós mesmos a preferência; e, em se tratando de bens espirituais, temos o dever. Por mais sagrado que seja o dever de fazer bem a nossos irmãos, o de nossa salvação eterna é-lhe superior, porque é para nos salvar que devemos fazer bem ao próximo. A mesma lei que nos ordena trabalhar em sua salvação, nos proíbe  trabalhar em prejuízo da nossa.

Quando se trata de bens temporais, em caso de conflito dos nossos  interesses com os de outrem, se, de ordinário, podemos preferir os nossos, há, no entanto, casos em que por dever de estado e em virtude dum contrato tácito ou formal entre nós e a sociedade, nós somos obrigados a nos sacrificarmos em prol dos nossos irmãos e a procurarmos seu bem temporal às expensas do nosso. Estes casos não são raros, por exemplo, na vida do militar, do médico, do magistrado e do padre. E esta obrigação é bem mais grave ainda quando se trata de lhes procurar a salvação eterna, como é o caso do padre. Quantas vezes, nós padres nos expomos a contrair uma doença contagiosa na administração dos últimos sacramentos?!

É mister também no exercício da caridade fraterna distinguir duas espécies de deveres, uns interiores, outros exteriores. Podem haver motivos legítimos que dispensem destes últimos, mas jamais haverá razão que impeça de cumprir os primeiros. Exemplifiquemos: você é pobre e, por conseguinte, não podes dar esmola. Você está enfermo, por isso mesmo estás dispensado de prestar serviços mais pesados. Mas os deveres interiores são sempre praticáveis. Se alguém não pode fazer bem a seus irmãos, pode e deve ao menos desejar-lhes o bem. Se alguém não pode prestar ajuda material aos seus irmãos, pode, ao menos, ajudá-los com suas orações.

Amar o próximo efetivamente e em verdade e não só de boca, mas na medida de nossas possibilidades e enquanto o permitem nossos recursos. "Meus filhinhos não amemos de palavra e com a língua, mas por obra e em verdade"  (1 João III, 18). Aqui está o lado positivo da máxima do Divino Mestre: "Assim, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles". Dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, visitar e consolar os doentes e aflitos, dar vestes boas aos maltrapilhos, cobertas aos que estão passando frio etc.

Vejamos agora o lado negativo: "Não fazer a outrem o que não gostaríamos que os outros nos fizessem". Daí, ficam aqui proibidas todas as maldades: a inveja, a ira, a discórdia, a dissensão,  as querelas, as inimizades etc. São enfim as obras da carne enumeradas por S. Paulo  na sua Epístola aos Gálatas V, 19-21. E o Apóstolo após a enumeração destas obras que vêm da carne, termina com esta terrível advertência: "Os que as praticam, não possuirão o reino de Deus".

Meditemos, outrossim, nestas outras palavras do Apóstolo dos gentios: "Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de um modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também vós fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, e atua por todas as coisas e reside em todos nós" (Efésios IV, 1-6). Somo todos irmãos, por natureza, de Adão e por adoção, de Deus. Assim, como os primeiros cristãos, todos deveriam viver realmente como irmãos, como se em todos batesse um só coração e os animasse uma só alma. Nosso divino Salvador deseja que todos nós cumpramos o seu mandamento novo: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei". Amém!

MALES QUE AFLIGEM A IGREJA


LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 06 de outubro

Caríssimos e amados irmãos, com a graça de Deus, passamos a transcrever tópicos de outra encíclica do Papa Leão XIII sobre o Rosário de Nossa Senhora, ou seja, Encíclica "OCTOBRI MENSE", de 22 de setembro de 1891.

"3. A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.

4. Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.

5. Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar-nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé. E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influência. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d'Ele".


Agora, apenas um comentário breve: Os erros que Leão XIII acaba de denunciar e lamentar, já faziam parte da obra nefasta dos Modernistas, que serão condenados pelo seu sucessor o imortal São Pio X. Os modernistas eram contra toda autoridade eclesiástica, autoridades estas, que, cumprindo fielmente a missão divina dada por Nosso Senhor Jesus Cristo, defendiam as verdades da fé. Hoje, a Igreja nunca esteve tão bem para os modernistas: pois, a verdade é relativizada, os dogmas devem evoluir, mesmo o que o próprio Divino Mestre ensinou, como a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio, tem que ser revisto e adaptado aos novos tempos, às expensas de uma malsinada misericórdia. 

sábado, 5 de outubro de 2019

PRESCRIÇÕES PARA O MÊS DE OUTUBRO

LEITURA ESPIRITUAL  -  Dia 05 de outubro

"13. Estabelecemos, pois, e ordenamos que, em todo o mundo católico, a solenidade de Nossa Senhora do Rosário seja este ano celebrada com particular devoção e com esplendor de culto. Ordenamos, além disso, que, no dia primeiro de outubro ao dia dois do seguinte mês de novembro, em todas as igrejas paroquiais e, se os Ordinários o julgarem vantajoso e conveniente, também nas outras igrejas e nas capelas dedicadas à Mãe de Deus, se recitem devotamente ao menos cinco dezenas do Rosário, com o acréscimo das Ladainhas Lauretanas. Depois, desejamos, que, quando o povo se reunir para tais orações, ou se ofereça o santo Sacrifício da Missa, ou se exponha solenemente o SS. Sacramento, e no fim se dê aos presentes a Bênção com a Hóstia sacrossanta."
(Encíclica "SUPREMI APOSTOLATUS" de Leão XIII escrita em 1883).

Passemos, agora, à outra encíclica que o mesmo Leão XIII escreveu no ano seguinte[1884]:

"1. O ano passado, como todos sabem, com uma Encíclica nossa dispusemos que durante todo o mês de outubro, em toda parte do orbe católico, se honrasse por meio do santo Rosário a grande Mãe de Deus, para obter dela um eficaz socorro nas angústias de que a Igreja estava oprimida. Com isso secundamos uma inspiração Nossa, e seguimos o exemplo dos Nossos Predecessores, os quais, nos tempos mais difíceis para a Igreja, tiveram o costume de, com aumentado ardor de piedade, recorrer à Virgem augusta, e de com fervorosa prece invocar-lhe o auxílio.

2. A solicitude e o consenso em secundar a Nossa vontade foram tais por toda parte, que se tornou evidente o quanto é intenso no povo cristão o espírito da religião e da piedade, e o quanto é viva a confiança de todos no celeste auxílio de Maria Santíssima. Este fervor em professar a própria piedade e a própria fé trouxe, certamente, um grande conforto ao Nosso coração, oprimido por tantas preocupações graves e por tantos males; antes, deu-nos força para suportar, se Deus assim quiser, males ainda piores. De fato, enquanto o espírito de oração se derramar sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém, nutrimos segura esperança de que, um dia, Deus se nos mostrará aplacado, e de que, movido a compaixão pela sorte da sua Igreja, atenderá às orações elevadas pelos fiéis por meio daquela que Ele quis administradora das graças celestes.

3. Portanto, visto ainda subsistirem as causas que, como já dissemos, nos impeliram, o ano passado, a estimular a piedade dos fiéis, julgamos nosso dever, Veneráveis Irmãos, exortar de novo, este ano, o povo cristão a perseverar na devoção do santo Rosário, para merecer a eficaz proteção da grande Mãe de Deus. Com efeito, se são tão obstinados os propósitos dos inimigos do cristianismo, necessário se torna que não menor seja a constância dos seus defensores; tanto mais quanto o auxílio celeste e os benefícios de Deus frequentemente são fruto da nossa perseverança. E aqui torna-se oportuno evocar o exemplo daquela ilustre heroína em quem era figurada a Virgem Maria: Judite, que conteve a impaciência dos Judeus, os quais, na sua estultícia, queriam a seu arbítrio fixar a Deus o tempo para socorrer a cidade. Assim também deve ter-se presente o exemplo dos Apóstolos, que esperaram o prometido dom supremo do Espírito Santo unidos em perseverante e unânime oração, com Maria Mãe de Jesus.

4. Efetivamente, agora também se trata de um negócio bastante árduo e importante: isto é, de abater o poder do antigo e astutíssimo inimigo, arrogante na sua força; de reivindicar a liberdade para a Igreja e para o seu Chefe; de conservar e defender os fundamentos sobre os quais deve apoiar-se a segurança e o bem-estar da sociedade. Grande deve, por isto, ser, nestes tempos tão lacrimosos para a Igreja, a solicitude de manter com piedosa diligência o santo costume do Rosário; sobretudo porque esta oração é composta de modo a evocar sucessivamente todos os mistérios da nossa salvação, e portanto particularmente adequada para fomentar a piedade."


(Encíclica "SUPERIORE ANNO",  de Leão XIII, em 30 de agosto de 1884).