SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

sábado, 12 de setembro de 2015

O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

DEFINIÇÃO E EXPLICAÇÃO DOS TERMOS

   I - DEFINIÇÃO: É um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos.

   II - EXPLICAÇÃO DOS TERMOS DESTA DEFINIÇÃO:
   
   1º - Um sacramento... Deus instituiu o matrimônio já no Paraíso Terrestre, quando apresentou Eva como esposa a Adão. Jesus Cristo elevou-o à dignidade de sacramento. Para os cristãos não há matrimônio que não seja sacramento; e se não for sacramento, não é tampouco verdadeiro matrimônio.

   2º - Que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher: é uma união santa porque foi feita pelo próprio Deus: "Não separe o homem o que Deus uniu". E a união do matrimônio é indissolúvel, isto é, é tal que ninguém a pode dissolver: marido e mulher estão reciprocamente unidos para toda a vida. Os casados sê-lo-ão sempre perante Deus, embora, por desgraça, se separem; por isso nenhum deles, enquanto o outro vive, pode passar a segundas núpcias. A união do matrimônio perfeito é tão indissolúvel que nem o Papa, que tem poder amplíssimo, a pode desfazer. Daqui se compreende como o divórcio entre os cristãos é coisa que nenhuma autoridade pode permitir e, portanto, os divorciados que se casam com outros não serão e nunca poderão ser verdadeiros esposos. Só a morte de um cônjuge dissolve a união do matrimônio.
   Deus quis esta união indissolúvel, porque os males que traz o divórcio, são imensamente mais numerosos e graves do que aqueles que pretende remediar, e porque a união dos esposos no matrimônio significa a de Jesus Cristo com a Igreja, sua esposa e nossa mãe, unida a Ele indissoluvelmente. 

   3º - E lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente: o sacramento do Matrimônio confere esta graça especial: conviver santamente e se amarem santamente, e, portanto, de se amarem sempre, assistirem-se mutuamente nas necessidades, sofrerem com paciência os defeitos um do outro. 

   4º - E de educarem cristãmente seus filhos: é esta uma outra graça especial deste sacramento. É a mãe especialmente quem primeiro, com o pai, deve encaminhar retamente uma criança, cultivando-lhe no espírito as boas qualidades e corrigindo-lhe as más. É esta uma missão muito grave e delicada; de a levar a cabo bem, está dependente o futuro da criança. Para este fim dá o sacramento aos pais as graças necessárias; mas quantos deixam, infelizmente, desaproveitada tal graça, e por isso não educam bem os próprios filhos!  

   O sacramento do Matrimônio dá também um aumento da graça santificante.   

EXEMPLO

   Henrique VIII, rei da Inglaterra, depois de ter publicado uma obra em defesa da doutrina católica contra Lutero e merecido do Papa o título de Defensor da Fé, concebeu uma paixão criminosa por Ana Bolena e, querendo desposá-la, pretendia que o Papa  declarasse nulo o matrimônio por ele contraído com Catarina de Aragão. O Papa, tendo verificado acuradamente e reconhecido válido o primeiro matrimônio, não pôde aderir ao desejo do rei, que ameaçou separar a Inglaterra da Igreja romana. Não obstante, o Papa, como era seu dever, foi inabalável, não concedeu o que não estava em seu poder conceder. O rei, obcecado pela paixão, repudiou a sua verdadeira esposa e intimou a separação de toda a nação da Igreja católica, perseguiu os que quiseram permanecer fiéis à Igreja romana, e matou muitos deles. A heresia anglicana e a separação da Inglaterra da Igreja tiveram origem na fidelidade do Papa ao seu dever: isto é, na recusa de dissolver um matrimônio verdadeiro e perfeito.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A LIBERDADE RELIGIOSA

Artigo extraído do capítulo XI da "CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS, escrita por D. Lefebvre em 1984. 

   "No concílio, foi o esquema sobre a liberdade religiosa que suscitou as mais acirradas discussões. Isto se explica facilmente pela influência que exerciam os liberais e pelo interesse que tinham nesta questão os inimigos hereditários da Igreja. Passaram-se vinte anos [hoje= 50]  e é possível ver agora que nossos receios não eram exagerados quando este texto foi promulgado, sob a forma duma declaração que reunia noções opostas à Tradição e ao ensinamento de todos os últimos papas. Tanto isto é verdadeiro que princípios falsos ou expressos dum modo ambíguo têm infalivelmente aplicações práticas reveladoras do erro cometido em adotá-los. Vou mostrar, por exemplo, como os ataques dirigidos contra o ensino católico na França pelo governo socialista são a consequência lógica da nova definição dada à liberdade religiosa pelo Vaticano II.

   Façamos um pouco de teologia para compreender bem com que espírito esta declaração foi redigida. A argumentação inicial - e nova - fazia repousar a liberdade, para cada homem, de praticar interior e exteriormente a religião de sua escolha, sobre a "dignidade da pessoa humana". Era portanto esta dignidade que fundamentava  a liberdade, que lhe dava sua razão de ser. O homem podia aderir a qualquer erro em nome de sua dignidade. 

   Isto era pôr o carro à frente dos bois, apresentar as coisas pelo avesso. Pois aquele que adere ao erro decai de sua dignidade e nada se pode mais estabelecer sobre o erro. De outra parte, o que fundamenta a liberdade não é a dignidade, mas a verdade: "A Verdade vos tornará livres", disse Nosso Senhor. 


   "Que se entende por dignidade? O homem a tira, segundo a doutrina católica, de sua perfeição, isto é, do conhecimento da verdade e da aquisição do bem. O homem é digno de respeito segundo sua intenção de obedecer a Deus e não segundo seus erros. Estes geram indefectivelmente o pecado. Quando Eva, a primeira pecadora, sucumbiu, disse: "A serpente me enganou".  O seu pecado e o de Adão acarretaram a degradação da dignidade humana da qual sofremos deste então. 

   Daí resulta que não se pode ligar a liberdade à degradação como à sua causa. Ao contrário, a adesão à verdade e o amor de Deus são os princípios da autêntica liberdade religiosa. Pode-se definir esta como a liberdade de render a Deus o culto que lhe é devido e de viver segundo seus mandamentos.

   Se tendes seguido bem este raciocínio, a liberdade religiosa não se pode aplicar às religiões falsas, ela não sofre a partilha. Na sociedade civil, a Igreja proclama que o erro não tem direitos; o Estado somente deve reconhecer para os cidadãos o direito de praticarem a religião de Cristo.

   Certamente, isto deve parecer como uma pretensão exorbitante àquele que não tem fé. O católico não contaminado pelo espírito do tempo julga-o normal e legítimo. Mas ai! muitos, entre os cristãos, perderam de vista estas realidades. Repetiu-se tanto que era preciso respeitar as ideias dos outros, colocar-se em seu lugar, aceitar seus pontos de vista, divulgou-se tanto este contra-senso: "A cada um a sua verdade"; tanto se tomou o diálogo pela virtude cardeal por excelência, diálogo que leva obrigatoriamente a concessões: o cristão, por uma caridade mal entendida, acreditou que devia fazê-las (=concessões) mais que seus interlocutores, é frequentemente o único a fazê-las. Não se imola mais, como os mártires, pela verdade; é a verdade que é por ele (=cristão) imolada.



   De outra parte, a multiplicação dos estados leigos na Europa cristã habituou os espíritos ao laicismo e os conduziu a adaptações contrárias à doutrina da Igreja. A doutrina não se adapta, ela é fixa, definida uma vez por todas.

   A comissão central preparatória do concílio, dois esquemas tinham sido apresentados, um pelo cardeal Bea sob o título "Da liberdade religiosa", o outro pelo cardal Ottaviani, sob o título "Da tolerância religiosa".

   O primeiro se estendia por catorze páginas sem nenhuma referência ao magistério que o precedeu. O segundo compreendia sete páginas de texto e dezesseis páginas de referências, indo de Pio VI (1790) a João XXIII (1959). 

   O esquema do cardeal Bea continha, nos meu parecer e no de um número não negligenciável de Padres, afirmações em desacordo com a verdade da Igreja eterna. Lia-se nele, por exemplo: "É por isso que se deve louvar o fato de que, em nossos dias, a liberdade e a igualdade religiosas são proclamadas por numerosas nações e pela Organização Internacional dos Direitos do Homem".

   O Cardeal Ottaviani, por seu turno, expunha muito corretamente a questão: "Da mesma forma que o poder civil se julga com o direito de proteger os cidadãos contra as seduções do erro... ele pode mesmo regular e moderar as manifestações públicas dos outros cultos e defender os seus cidadãos contra a difusão das falsas doutrinas que, a juízo da Igreja, põem em perigo sua salvação eterna".

   Leão XIII dizia (Rerum Novarum) que o bem comum temporal, fim do sociedade civil, não é puramente de ordem material, mas "principalmente um bem moral". Os homens se organizaram em sociedade em vista do bem de todos; como se poderia excluir o bem supremo, que é a bem-aventurança celeste? 

sábado, 8 de agosto de 2015

CATECISMO DO SANTO CURA D'ARS SOBRE A ORAÇÃO

   Vede, meus filhos: o tesouro dum cristão não está na terra, está no céu. Pois bem! o nosso pensamento deve estar onde está o nosso tesouro.
   O homem tem uma bela função, a de rezar e de amar... Vós rezais, vós amais: eis a felicidade do homem na terra!
   A oração não é outra coisa senão uma união com Deus. Quando se tem o coração puro e unido a Deus, sente-se um bálsamo, uma doçura que inebria, uma luz que deslumbra. Nessa união íntima, Deus e a alma são como dois pedaços de cera fundidos juntos; não se pode mais separá-los. É uma coisa muita bela essa união de Deus com a sua criaturinha. É uma felicidade que não se pode compreender.
   Nós havíamos merecido não rezar; mas Deus, na sua bondade, permitiu-nos falar-Lhe. A nossa oração é um incenso que Ele recebe com extremo prazer.
   Meus filhos, vós tendes um coração pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus... A oração é um antegozo do céu, um derramamento  do paraíso. Nunca nos deixa sem doçura. É um mel que desce à alma e adoça tudo. As penas derretem-se ante uma oração bem feita, como a neve diante do sol.
   A oração faz passar o tempo com grande rapidez, e tão agradavelmente, que a gente não lhe percebe a duração. Reparai, quando eu percorria a Bresse, no tempo em que os pobres curas estavam quase todos doentes, rezava a Deus ao longo do caminho. Asseguro-vos que o tempo não me durava.
   Vêem-se alguns que se perdem na oração como o peixe n'água, porque são todos de Deus. No seu coração não há intermédio. Oh! como gosto dessas almas generosas!... São Francisco de Assis e Santa Clara  viam Nosso Senhor e lhes falavam como nós nos falamos. Ao passo que nós, quantas vezes vimos à igreja sem saber o que  vimos fazer e o que queremos pedir! E entretanto quando vamos a casa de alguém, sabemos bem porque vamos... Há uns que parecem dizer a Deus: "Vou dizer-Vos duas palavras para me ver livre de Vós..." Eu penso com freqüência que quando nós vimos adorar Nosso Senhor, alcançaríamos tudo o que quiséssemos se Lhe pedíssemos com uma fé bem viva e um coração bem puro. Mas sucede justamente que estamos sem fé, sem esperança, sem desejo e sem amor...
  Há dois gritos no homem: o grito do anjo e o grito da besta. O grito do anjo é a oração; o grito da besta é o pecado. Os que não rezam, curvam-se para a terra como uma toupeira que procura fazer um buraco para se esconder. São todos terrenos, todos embrutecidos, e só pensam nas coisas do tempo... como aquele avarento a quem administravam um dia os sacramentos; quando lhe apresentaram a beijar um crucifixo de prata, disse ele: "Aí está uma cruz que pesa bem dez onças".
   O céu, se houvesse nele um dia sem adoração, não seria mais céu; e se os pobres condenados, apesar dos seus sofrimentos, pudessem adorar, não haveria mais inferno. Ai! eles tinham um coração para amar a Deus, uma língua para bendizê-Lo: era o seu destino... E agora, condenaram-se a maldizê-Lo durante toda a eternidade. Se eles pudessem esperar vir a rezar uma vez ao menos durante um minuto. esperariam por esse minuto com tal impaciência que isso lhes amenizaria os tormentos.
   Pai Nosso, que estais no céu... Oh! como é belo, meus filhos, ter um pai no céu!... - Venha a nós o vosso reino!... Se eu fizer reinar Deus no meu coração, Ele me fará reinar consigo na sua glória. - Seja feita a vossa vontade!... Não há nada tão doce quanto fazer a vontade de Deus, e nada tão perfeito... Para fazer bem as coisas, é preciso fazê-las como Deus quer, em toda conformidade com os seus desígnios.- O pão nosso de cada dia nos dai hoje... Nós temos duas partes, a alma e o corpo. Pedimos a Deus que alimente o nosso pobre cadáver, e Ele nos responde fazendo a terra produzir tudo quanto é necessário à nossa subsistência... Mas Lhe pedimos que alimente a nossa alma, que é a mais bela parte de nós mesmos; e a terra é pequena demais para fornecer à nossa alma com que saciá-la; ela tem fome de Deus, e só Deus pode satisfazê-la. Por isto o bom Deus não julgou fazer demais ficando na terra e tomando um corpo a fim de que esse corpo se tornasse o alimento das nossas almas. "Minha carne, disse Nosso Senhor, é verdadeiramente comida... O pão que eu vos vou dar é a minha carne para a vida eterna".
   O pão das almas está no tabernáculo. O tabernáculo ou sacrário é o guarda-comida dos cristãos... Oh! como é belo, meus filhos! Quando o sacerdote apresenta a hóstia e vo-la mostra, a vossa alma pode dizer: Eis a minha comida!... Ó meus filhos, nós temos felicidade demais!... Só no céu o compreenderemos. Como é pena!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Meios concedidos ao homem para alcançar o seu fim

   Meios naturais e meios sobrenaturais.

   1- Meios naturais: 

   a) Como podem as criaturas conduzir-nos ao nosso fim. 


   Como já vimos, este fim não é outro senão conhecer, amar e servir a Deus na vida presente, para O possuir por toda a eternidade. As criaturas são como degraus de uma escada que nos leva até Deus. Devemos usar das criaturas tanto quanto elas nos fazem subir até o Nosso Pai do Céu. Assim elas fazem-nos conhecer a Deus, revelando-nos alguma coisa das suas infinitas perfeições. Levam-nos a amá-Lo, descobrindo-nos os prodígios da sua bondade, que nos presta todos os serviços que recebemos das criaturas. Ensinam-nos a servi-Lo, com o exemplo que nos dão. Conduzem-nos à felicidade de possui-Lo, ajudando-nos a praticar as virtudes de que Ele será a recompensa. 

   b) Que uso devemos fazer das criaturas, para que elas nos ajudem a alcançar o nosso fim. 

   Tratando-se das criaturas de que não podemos prescindir, limitemo-nos ao necessário, e recebamo-lo com agradecimento. Estas são, por exemplo: comida, vestuário, habitação, descanso. Devemos por amor a Deus sacrificar tudo o que for supérfluo. Tratando-se daquelas, cujo uso se deixa ao nosso livre arbítrio, ponhamo-nos em completa indiferença. Minha vontade é a vontade de meu Pai do Céu. Ele sabe o que é melhor para mim. Por exemplo, saúde ou doença, pobreza ou riqueza, vida longa ou vida breve etc. Deus vai me dar o que for mais apropriado para me levar para o céu. É claro que temos que trabalhar, é claro que temos que cuidar da saúde. Mas, se apesar disto Deus dispuser o contrário, seja feita sua santíssima vontade. Não penso mais numa coisa que na outra, fico indiferente, porque quero o que meu Pai do Céu mandar. Portanto, buscar Deus em tudo, e não me prender senão somente a Deus. O mundo de hoje não compreende estas coisas, mas os primeiros cristãos viviam exatamente assim como Jesus ensinou. 

   2- Meios sobrenaturais. 

   a) Deus concede-nos as suas graças. 

   São todos os auxílios que nos são dados pelos merecimentos de Jesus Cristo, para nos facilitar a santificação e a salvação: graças exteriores, graças interiores. Se fôssemos dóceis a todas as graças de Deus com certeza seríamos santos. Assim devemos ter grande arrependimento. Pode alguém ser infiel à graça e não tremer, vendo este precioso dom passar de Heli a Samuel, de Saul a Davi, de Judas a São Matias? Meu Pai não sou digno de ser recebido novamente como vosso filho por causa de minhas infidelidades, mas recebei-me ainda pois vós mesmo dissestes que "lembrais da vossa misericórdia, ainda quando estais irado (Habac. III, 9). Agora, Senhor, quero ouvir-Vos sempre com o coração dócil. 

   b) Deus dá-se a Si mesmo.

    Deus, que é nosso Pai, nosso fim, quis ser, também, o nosso meio. Oh! inefável misericórdia! O Eterno Pai diz-me: Toma o meu Filho, dou-to; oferece-mo em teu lugar. Para isto ele morreu na Cruz e todos os dias renova sua imolação na Santa Missa. Assim o Filho diz-me: Toma-me, e oferece-me por ti a meu Pai; satisfarás, assim, pelo que lhe deves". Ó meu Jesus, agora compreendo porque São Paulo diz que quem não Vos amar, seja anátema!"

   Com a graça de Deus, quero fazer um propósito firme de ouvir, com atenção, e de seguir fielmente, as inspirações da graça; quero me unir, muitas vezes, a Jesus Cristo, à sua intenção, à sua ação. 

   Resumiremos tudo comentando brevemente as palavras de São Paulo na sua Primeira Epístola aos Coríntios III, 22 e 23: "Porque todas as coisas são vossas: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo criado, a vida, a morte, as coisas presentes, as futuras; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo de Deus."

   a) Tudo é meu.

   A Igreja, os seus ministros, os seus sacramentos, todos os meios de santificação de que dispõe, não me pertencem menos, na qualidade de cristão, do que a luz e o orvalho do céu, na qualidade de homem. - Se a Igreja é minha, e o mundo criado é da Igreja, o mundo e todas as criaturas pertencem-me; e quantos auxílios elas me oferecem! - A vida e a morte são minhas. Que ditosa realeza! A morte é tão minha, que, vivendo na graça de Deus, ela abrir-me-á o Céu. 

   b) Sou de Jesus Cristo.

   Pertenço-Lhe, como preço da sua paixão e morte. Jesus, pagando o meu resgate, quis ter mais uma inteligência para contemplar a seu Eterno Pai, mais uma vontade para Lhe submeter, mais um coração para O amar. Senhor meu Jesus Cristo, que consolador pensamento saber que sou vosso! Jesus, perdoai-me por tantas vezes ter agido como se tudo fosse para mim, para meu gozo. Agora, quero não gozar, mas usar de tudo segundo vossa santíssima vontade, porque eu mesmo sou vosso!


EXEMPLO

      Era o IV século. Em Roma, vivia uma senhora muito santa. Já era viúva e só tinha um filho, então, com 12 anos. Amava-o com toda seu coração. Na verdade, quão bondoso, quão amável e obediente era aquele menino! Sobretudo, muito piedoso! 

   Pois bem! Era uma tarde, já quase noite. Aquela santa senhora estava rezando no seu quarto. Pedia a Deus por seu filho... para que fosse sempre bom, para que não se extraviasse, como tantos outros meninos que até aos doze anos são anjos e depois aos quinze já começam a ser maus. 

  Eis que de repente alguém abriu violentamente a porta da casa e a mãe ouve a voz angustiosa e ofegante do menino que grita: -Mamãe, mamãe!

   A mãe saltou de seu genuflexório e correu ao encontro de seu filho e, abraçando-o perguntou-lhe tremendo de emoção: Que aconteceu, meu filho, querido de minha alma? - Mamãe, respondeu o menino com a voz intercortada pelo cansaço porque veio correndo: mamãe, agora mesmo, quando saía do colégio, o filho do governador, que é pagão e muito bruto, perguntou-me se eu era cristão.

   - E tu, meu filho, que lhe respondeste?

   - Mamãe, eu respondi que sim, pela graça de Deus; como a senhora me ensinou.

   - Muito bem, meu filho; assim deves responder sempre. Mas, então, que fez ele?

   - Mamãe, como ele é pagão, me deu um forte soco no rosto. 

   A mãe sentiu em sua face o bofetão que sofreu seu filho querido. Mas conteve sua emoção e suas lágrimas, e, querendo saber até onde chegava a virtude daquele filho tão bom, perguntou-lhe: 

   - E então, meu filho que fizeste? 

   - Mamãe, fiz como Jesus fez, como a senhora me ensinou, perdoei do fundo do coração por amor de Deus. Mamãe, eles não sabem o que estão fazendo!

   - A mãe chorava de felicidade. Sentia-se feliz de ser mãe de um filho como aquele, que não só aprendeu o catecismo, mas também o pôs em prática. 

   Era uma família nobre e naqueles tempos, os filhos de nobres levavam ao pescoço até a idade viril, pendente de uma corrente de ouro, uma bolinha também de ouro (Como vemos na imagem de Nossa Senhora de Fátima). Aquele menino, sendo rico e de família nobre, trazia-os ao pescoço. Sua mãe tirou-lha e lhe disse: 

   - Meu filho, já não és menino. Pois agiste como homem. Por isso, meu filho, levarás agora ao pescoço um outro adorno que vale mais que todo ouro do mundo.

   A mãe, então, tirou do próprio pescoço uma corrente na qual pendia uma bolinha de cristal. E dentro se via uma esponja. A mãe disse-lhe:

   - Meu filho, estás vendo esta esponja, que está dentro desta bolinha de cristal? Está está vermelha, um pouco escura, quase marrom... isto porque está impregnada de sangue coagulado e seco. Meu filho, é sangue de teu pai! Por ser cristão, por confessar a Jesus Cristo, foi condenado a ser arrojado às feras. E no anfiteatro foi despedaçado por um leão. Quando a fera foi recolhida pelos domadores e gladiadores, corri até ao local e ainda pude embeber esta esponja em alguma poça de sangue. Olha bem, meu filho, é sangue de teu pai!  Eu o trouxe até ao presente sobre o coração. Meu filho. agora, você vai levar esta relíquia sobre teu coração. Mas antes responderás a três perguntas: Saberás viver como cristão? Saberás sofrer como cristão? Saberás morrer como cristão?

   E o menino contemplava a sua mãe sereno e imóvel como um mártir, e disse-lhe:

   - Mamãe, pela graça de Deus, e não por minhas forças, farei como o papai fez: viverei como cristão. sofrerei como cristão e morrerei como cristão, e, se for da vontade de Deus morrerei como meu pai, por amor de Jesus Cristo que deu sua vida por mim. 

   A mãe beijou aquela esponja, beijou o filho querido e chorando de emoção colocou a relíquia no pescoço do filho que tinha então doze anos. 

   E aquele angélico menino cumpriu sua palavra: viveu como cristão, sofreu como cristão e, por fim, morreu como cristão, morreu pela sua fé, e por amor de Jesus Cristo. Também foi lançado às feras  e devorado. Tinha 14 anos de idade e é o grande Santo que hoje veneramos nos altares: São Pancrácio. Quando estive em Roma pude ver deste santo, um pedaço de osso poupado pelas feras e recolhido como preciosa relíquia pelos cristãos.  

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FESTA DE SÃO PEDRO

 
 O Santo Evangelho da Missa em honra de São Pedro (Mateus XVI, 13-19) lembra-nos a grande jornada de Cesareia em que Jesus, pela primeira vez, proclamou Pedro fundamento da Igreja: "Eu digo-te que tu és Pedro  e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Estas palavras tiveram uma repercussão grandiosa através dos séculos e que ainda hoje testemunham o primado de Pedro e de todos os seus sucessores sobre a cristandade inteira. Não sobre Igrejas várias, mas sobre uma única: a Igreja Católica, Apostólica e Romana. Uma única Igreja cujo único fundador é Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus quis ter em São Pedro o Seu representante. "Onde está Pedro aí está a Igreja" (Santo Ambrósio). Isto significa que: onde está o Papa, aí está a Igreja. O Papa é o sucessor de São Pedro. Por isso, a festa de São Pedro deve ser considerada a festa da Igreja e também a festa do Papa. Esta festa, portanto, deve despertar em nós, cristãos pela graça de Deus,  o sentimento profundo da nossa pertença à Igreja e da nossa devoção ao Sumo Pontífice. "Sou filha da Igreja, repetia Santa Teresa d'Ávila no momento da morte. Depois de ter trabalhado tanto por Deus e pela almas, era este o único título que lhe dava a garantia da misericórdia divina. Sermos filhos da Igreja, eis o nosso titulo de salvação, eis a nossa glória. Nossa maior glória, é claro, é a de sermos filhos de Deus. Estas duas glórias, aliás, se fundem, porque "não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe" (São Cipriano). Não é verdadeiro católico quem não vibra pela Igreja e pelo Papa, quem não está pronto a sentir com a Santa Madre Igreja. 

   Terminemos com uma oração de Santa Catarina de Sena: "Ó Trindade eterna e infinita, não tardeis mais, pelos merecimentos de São Pedro, socorrei a Vossa Esposa, a Santa Igreja... Elevo hoje o meu clamor até Vós, Amor meu e Deus eterno, para que tenhais misericórdia deste mundo e deis luz ao Vosso Vigário, a fim de que todo o mundo o siga. Iluminai ainda os adversários da Igreja que resistem ao Espírito Santo, para que se convertam a Vós, Deus meu. Convidai, excitai os seus corações, ó Amor inestimável, e que a Vossa caridade Vos constranja a vencer a sua dureza. Que se convertam a Vós a fim de que não pereçam. E já que Vos ofenderam, Deus de suma clemência, castigai em mim os seus pecados. Eis o meu corpo que de Vós recebi: eu Vo-lo ofereço; que se torne uma bigorna para eles, para que sejam destruídas as suas culpas". 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

REFLEXÕES SOBRE A MORTE

   O Divino Espírito Santo garante nas Sagradas Escrituras que, a pessoa pensando sempre na sua morte,  não peca.

   Imagino que o meu Anjo da Guarda se aproxime de mim e, como outrora o profeta ao Rei Ezequias, diga-me: "O teu tempo acabou; põe em ordem os teus negócios: vais morrer". 


E começo a refletir: QUE É MORRER?  A morte é uma passagem desta vida para a felicidade ou para a desgraça eterna. É o fim do tempo e de todas as coisas temporais: é a entrada na eternidade feliz ou desgraçada.
   Morrerei, isto é, deixarei tudo, sem exceção: parentes, amigos, família... Direi um eterno adeus a todas as coisas da terra. Deixarei a minha casa, os meus móveis, meu carro, tudo o que me pertence. Deixarei absolutamente tudo. Há alguns objetos que eu mais aprecie? Deixá-los-ei como tudo o mais. Que loucura, apegar-me ao que tão depressa passa! Quantos cuidados para afinal se prepararem tão grandes pesares. 

   Morrerei, isto é, o meu corpo será separado da minha alma, e então a sua presença tornar-se-á importuna e penosa, até aos que mais me tiverem amado. Enterrá-lo-ão, para que seja pasto dos vermos. Em lugar de lisonjear tanto a minha carne, que não tardará a ser podridão, quão prudente seria empregar a minha saúde, consumir as minhas forças, trabalhando pela glória de Deus e salvação de minha alma!... - Quando estiver na sepultura, pensarão muito em mim? Oh! que depressa são esquecidos os mortos! Ah! que insignificante é a estima das criaturas. Os grandes da terra são mais lembrados. Mas, para os que não salvaram a alma, que aproveita, serem elogiados onde não estão e atormentados onde estão!

   Morrerei, isto é, irei para a casa da minha eternidade, na expressão da Bíblia (Ecles. XII, 5). O tempo, o mundo, todas as coisas do tempo e do mundo terão desaparecido como um fantasma, e só a eternidade subsistirá! Ó terrível momento! Aparecer no tribunal de Deus, só, na sua presença, ser interrogado sobre toda a minha vida por Juiz infinitamente sábio, justo, e inimigo do pecado, e então sem misericórdia! 

   QUANDO E COMO MORREREI?  Quanto tempo tenho ainda de vida? Não sei: morre-se em toda a idade. Terei tempo de me preparar para a morte? Não sei; sei somente que muitas pessoas, até depois de uma longa doença, morrem quando menos esperam. Receberei os últimos sacramentos, ou morrerei sem confissão? Não sei; posso perder a fala de repente. Além disto, quando uma pessoa está doente, de que é capaz? Que loucura contar com estes últimos momentos, quando se trata da eternidade!

   ESTOU PREPARADO PARA MORRER? Quais as minhas disposições presentes? Estou pronto para deixar tudo? Estou pronto principalmente para comparecer no tribunal de Deus, e dar-Lhe conta de todos os benefícios que tenho recebido da sua bondade, de todos os meus deveres de estado? Está a minha consciência tranquila? Não há nada que me inquiete nas minhas confissões e comunhões? Que imprudência viver num estado, em que não quereria morrer!




 Meu querido São José. ao fazer tais reflexões tomo a resolução de pedir todos os dias a vossa proteção:

ORAÇÃO

   Ó glorioso São José, guarda fiel de Jesus e de Maria, eu vos confio tudo o que possuo e tudo o que sou. Por vossa profunda humildade, mansidão inalterável, paciência invencível, e por aquela perfeita docilidade, que vos tornou tão fiel imitador de todas as virtudes de Jesus, fortificai-me nas minhas penas. sede meu conselho e minha fortaleza, alumiai-me nas minhas trevas, amparai-me nas minhas tentações, consolai-me nas tribulações da vida, e principalmente na minha última agonia. Defendei-me nesse terrível momento, e alcançai-me a graça de expirar em paz, como vós, sobre o Coração de Jesus e nos braços de Maria, cheio da mais terna confiança. Assim seja. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ATO DE RESIGNAÇÃO PARA A MORTE

   É bom incluir este ato, todos os dias, na ORAÇÃO DA NOITE. 



   Soberano senhor da vida e da morte; ó Deus, que, por um decreto imutável e para castigar o pecado, decretastes que todos os homens hão de morrer, aqui me tendes prostrado humildemente na vossa presença, resignado a sujeitar-me a esta lei e vossa justiça. Deploro na amargura da minha alma, todos os pecados que tenho cometido. Pecador rebelde, tenho merecido mil vezes a morte; aceito-a em expiação de tantos pecados: aceito-a por obediência à vossa adorável vontade; aceito-a em união com a morte de meu Salvador. Morra eu pois, ó meu Deus, quando, onde, e como vos aprouver ordená-lo. Quero aproveitar o tempo, que a vossa misericórdia se digna ainda conceder-me, para me desapegar deste mundo, onde não tenho já senão alguns instantes de vida, para romper todos os laços que me prendem a esta terra de exílio, e para preparar a minha alma para os vossos tremendos juízos. Entrego-me sem reserva nas mãos de vossa Providência sempre paternal. Seja feita a vossa vontade em tudo e sempre. Assim seja. 


ORAÇÃO PARA IMPLORAR A GRAÇA DE UMA BOA MORTE

   Prostrado diante do trono de vossa adorável Majestade, venho suplicar-vos, ó meu Deus, a última e a mais importante de todas as graças, a graça de uma boa morte! Por pior que seja o uso, que tenha feito da vida que me destes, concedei-me a graça de a acabar, morrendo no vosso amor.

   Que eu morra como os santos patriarcas, deixando sem repugnância este vale de lágrimas, para ir gozar do eterno descanso na minha verdadeira pátria!

   Que eu morra como o bem-aventurado São José, nos braços de Jesus e de Maria, repetindo estes doces nomes, que espero bendizer durante toda a eternidade!

   Que eu morra como a Santíssima Virgem, abrasado no amor mais puro, ardendo em desejos de me unir ao único objeto de todos os meus afetos!

   Que eu morra como Jesus na Cruz, cheio do mais vivo ódio ao pecado, de amor ao meu Pai do Céu, e de resignação no meio dos sofrimentos!

   Pai santo, entrego a minha alma nas vossas mãos; tende misericórdia de mim.

   Jesus, que morrestes por meu amor, concedei-me a graça de morrer no vosso amor.

   Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pecador, agora e na hora da minha morte. 

   Anjo do céu, fiel guarda da minha alma, e vós, Santos que Deus me deu por protetores, não me desampareis na hora da minha morte.

   São José, alcançai-me o maior, o mais precioso de todos os favores, o de morrer a morte dos justos. Assim seja.