SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

domingo, 26 de abril de 2015

REFORMA AGRÁRIA - REFLEXÕES

Artigo extraído do livro "QUER AGRADE, QUER DESAGRADE", de autoria do então Reverendíssimo Padre Fernando Arêas Rifan (1999).

   A Igreja como guardiã da Lei Natural e da Lei Positiva de Deus, defende o direito de propriedade, como aliás e defende também a nossa Carta Magna. O 7º Mandamento da Lei de Deus "Não furtar", supõe evidentemente que cada um tenha o direito de possuir o que é seu. Verdade reafirmada no 10º Mandamento "Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, nem o seu campo... nem o seu boi... nem coisa alguma que lhe pertença" (Dt. 5, 21).

   Ademais, a Bíblia narra que os Patriarcas possuíam grandes propriedades com a bênção de Deus; por exemplo, Abraão, Lot e Jó.

   Assim, a Reforma Agrária compulsória, de estilo socialista e confiscatório, não encontra respaldo na doutrina cristã e na Lei de Deus.

   Além disso, apresentar a Reforma Agrária como solução para os problemas sociais é mera ilusão. O meio universal de prover às necessidades da vida é o trabalho, quer se exerça em terreno próprio quer no alheio. Por isso a Igreja advoga que haja trabalho remunerado com justiça. E o justo salário, que a doutrina católica ensina e com o qual onera a consciência dos patrões, é o salário que seja suficiente para o sustento do trabalhador e de sua família e lhe dê condições de formar um modesto pecúlio que lhe ofereça tranquilidade no futuro. 

   Mas o trabalho não é só trabalho manual. Também o trabalho intelectual, técnico, administrativo, do proprietário por exemplo, é trabalho e deve ser defendido e bem remunerado. 

   Outrossim a Reforma Agrária confiscatória e fragmentadora até hoje não deu certo em parte alguma. Estão aí os exemplos de Cuba, El Salvador e do México, onde tiveram que vender os minifúndios distribuídos para aglutiná-los novamente porque a produção se transformara num fracasso. Ademais a insegurança e inquietação provocadas pelo espectro da Reforma Agrária conduz à queda de produção, cujo saldo é a fome, sem falar no recrudescimento da luta de classes, com mortos d feridos cujas notícias enchem nossos jornais.

   Ao invés da Reforma Agrária que só traria prejuízos, o que o Brasil precisa é de uma política agrária, uma verdadeira reforma agrícola, baseada na função subsidiária do Estado, com maior assistência ao homem do campo, técnica e financeiramente, revisão da legislação trabalhista tornando-a igualmente justa para patrões e empregados; maior segurança aos pequenos e médios proprietários, maior difusão da parceria e do colonato; maior fixação do trabalhador na terra, propiciando melhor atendimento sanitário, hospitalar e educacional dos proprietários aos seus colonos e suas famílias, resolvendo assim em grande parte o problema dos boias-frias, incentivo ao cooperativismo baseado na livre iniciativa e no direito de propriedade; tudo isso impregnado da verdadeira caridade e fraternidade cristãs. 

sábado, 4 de abril de 2015

O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA NO CALVÁRIO


   Nossa Senhora conhecia as Escrituras, instruída que fora por sua mãe Santa Ana. Sabia, pela profecia do Velho Simeão, que seu Coração seria transpassado por uma espada de dor. Imaginava que isto se realizaria plenamente na morte de seu Filho Jesus, suspenso da terra, pregado numa cruz.

  No plano divino de salvação dos homens, Nossa Senhora sabia que Deus assim o exigia. E aqui também ela dá o seu sim, "fiat!". Santa Isabel, repleta do Espírito Santo, chamou-a bem-aventurada porque "acreditou" na palavra de Deus. E Maria vai pô-la em prática com toda generosidade de seu Imaculado Coração. Quando uma mulher dentre a multidão a felicitou por ser Mãe de Jesus, Este não negou tal honra e bem-aventurança, mas elogiou algo ainda mais importante em sua Mãe, e em todos os que fizessem o mesmo: "Mais bem-aventurado aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". Jesus vai dizer em outra oportunidade que quem faz a sua vontade é sua "mãe". Portanto, Maria Santíssima é mais bem-aventurada que qualquer outra pessoa. Em outras palavras: É bendita entre todas as mulheres! 

  Meditamo-lo nestes dias. Maria Santíssima subiu ao Calvário com seu Jesus e às gotas de sangue d'Ele mistura as lágrimas de sua dilacerante dor. Vimo-la ao pé da cruz com o Coração transpassado. Está de pé, nesta atitude solene do Sacerdote que imola a Vítima. Se ela oferece o seu Coração para ser transpassado por aquela espada predita pelo Velho Simeão é porque traz em si dois amores: o de seu filho, que é o Filho de Deus; e o amor a todos nós, que Ela reconhece também como filhos, irmãos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus se fizera nosso irmão ao se encarnar no Seu puríssimo seio, e justamente aqui no Calvário a Humanidade de Jesus sofre e Ele morre numa cruz. Na Encarnação Maria dá o seu "fiat"; aqui também o dá.  Para Jesus entrar no mundo, Maria Santíssima deu o seu "Sim" - fiat - agora no Calvário, para Jesus sair do mundo, também o dá por amor a nós. Como não confiar em Maria Santíssima, se ela sacrifica seu Filho por nosso amor, porque aceita a vontade do Pai, que assim quis que Seu Filho morresse para que nós homens tivéssemos a vida e a tivéssemos em abundância?

   Não esqueçamos. outrossim, caríssimos irmãos, o que Jesus disse na Cruz: "Senhora, eis o teu filho" indicando João e nele toda a humanidade. É uma palavra sublime que irradia, como brilhante luz, consolo e esperança para nós. 

   Deus quis que tivéssemos Jesus através de Maria. Não precisava. Mas, em sua Sabedoria Infinita, assim o quis. Quem somos nós para discordar do plano de Deus!? Temos é que agradecer!  Poderia ter mandado Jesus já homem feito como aliás agira com relação ao primeiro homem. Adão não saiu de uma uma mulher; ela é que vai sair da costela do primeiro homem. Com relação a Jesus, o Filho do Homem, Deus quis, por uma ação milagrosa, que nascesse  de uma Virgem. No Calvário, de alguma maneira, podemos dizer que foi da vontade de Deus que tivéssemos Jesus, nossa Vida, nascidos quais filhos do Coração aberto de Maria pela espada predita pelo Velho Simeão. Assim são revelados os verdadeiros corações filiais de muitos. Somos redimidos unicamente por Jesus mas somos também filhos de Maria Santíssima. Deus é que quis assim. Se os Protestantes não o querem, é problema deles.  

   

sexta-feira, 27 de março de 2015

CRIAÇÃO DO MUNDO - QUADRO CATEQUÉTICO




Este quadro catequético representa a obra da Criação do mundo em seis faixas circulares. Cada uma representa um dos seis dias da criação e o gesto de Deus operando sua obra.
   De cima para baixo:
   A primeira faixa representa a obra do primeiro dia, isto é, Deus criando a luz.
  A segunda faixa representa a obra do segundo dia, isto é, Deus criando o firmamento e separando-o da terra e das águas.
   A terceira faixa representa a obra do terceiro dia, isto é, Deus separando a terra das águas e ordenando a terra que produza toda espécie de plantas.
   A quarta faixa representa a obra do quarto dia, isto é, Deus criando o sol, a lua e as estrelas.
   A quinta faixa representa a obra do quinto dia, isto é, Deus criando as aves no ar e os peixes nas águas.
   A sexta faixa representa a obra do sexto dia, isto é, Deus criando os animais terrestres e fazendo o homem à sua imagem e semelhança.
   No alto do quadro, Deus descansa no sétimo dia e consagra este dia ao Seu serviço. Este repouso é representado pelo sol velado e os astros que presidem à noite: a lua e as estrelas. O triângulo formado por uma nuvem na qual Deus se repousa, significa que as três Pessoas divinas cooperaram juntas na obra da criação. Por isso disse Deus no plural: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança".

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Maomé e sua religião

Extraído do "COMPÊNDIO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA" escrito por São João Bosco.


   Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai pagão e mãe judia. Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele. Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como Filho de Deus, mas como seu profeta. Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. Ditou suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau. Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele soube fazê-la voltar a seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua [toda mesquita tem na cimo da cúpula (=minarete) uma meia lua voltada para Meca]. Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. Esta fuga de Maomé se chamou Hégira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era. O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio. Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pôde com suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente, Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

UTILIDADES DA PENITÊNCIA


   Vamos fazer neste post um resumo das considerações do Padre Faber sobre as dez utilidades da mortificação ou penitência.
  1. Domar o corpo, a fim de submeter as paixões revoltosas ao poder da graça e à parte superior da nossa vontade. Não encontraremos em pessoa alguma a força de vontade ou a seriedade de espírito, se ela não se esforçar deveras por subjugar o corpo.
  2. Estender nosso horizonte espiritual: Criar a sensibilidade de consciência (consciência delicada - um dos maiores dons de Deus na vida espiritual). Se não é o único meio, pelo menos é um dos principais.
  3. Obter crédito diante de Deus. O sofrimento torna-se facilmente uma força perante as coisas de Deus. Quando nós queixamos de ficarem as nossas orações sem resposta, da falta de êxito dos nossos esforços para desarraigar algum pecado habitual, de cedermos às tentações, às surpresas do gênio ou da loquacidade, podemos atribuir tudo isto a nossa vida imortificada.
  4. Avivar o nosso amor a Deus. Manifestam e aumentam o nosso amor. E quando o objeto que amamos e contemplamos é, como Jesus, um objeto de dor e de sofrimentos, o amor nos excita com mais ou menos veemência a imitá-lo. 
  5. Desapegar-nos das vaidades do mundo e inundar-nos com a alegria espiritual. Nada em si é tão oposto às vaidades do mundo como a mortificação, que destrói tudo o que elas mais prezam e mais amam. A alegria espiritual, esta é como a enchente da maré, que entra por onde encontra lugar vazio. A proporção, portanto, que os nossos corações se desapegam das amizades terrenas, isto é, das afeições que não constituem para nós um dever, eles se tornam capazes de gozar da doçura de Deus. As pessoas mortificadas são sempre alegres.( Não existe santo triste, seria um triste santo). O coração se alivia por lhe ser retirado o fardo do corpo. 
  6. Impedir que cometamos um erro grave, abandonando cedo demais a Via Purgativa: Grande perigo na vida espiritual. Muitos se apressam tanto no começo, que ficam sem respiração e abandonam por completo a corrida. Assemelham-se aos insensatos que correm loucamente para fugir de sua sombra. A natureza deseja sair do seu noviciado. A alma ligeiramente fatigada de vigiar a si mesma, quer agora converter o mundo. Peca por indiscrição e zelo imprudente. A água transborda a força de ferver, apagando assim o fogo, isto é, destrói a ação do Espírito Santo, pela indiscrição. Oh! quantos santos malogrados, heróis vencidos, vocações frustradas!!! Nenhum mal resultaria em demorarmo-nos por muito tempo nas regiões inferiores da vida espiritual. Pelo contrário, elevar-nos com demasiada rapidez, expõe-nos a muitos perigos. Um mal que foi mortificado, parece estar morto à primeira vista: finge-se morto assim como os lobos. Mas, então qual será a duração da Via Purgativa? Quem o poderá dizer? Depende do fervor, do grau de humildade; mas, em todo caso, devemos contá-la por anos e não por meses.
  7. Conceder-nos o dom da oração mental. O célebre autor espiritual Da Ponte, no 3º Tratado do seu "Guia Espiritual" conta minuciosamente uma visão que se manifestou, diz ele, a uma pessoa do seu conhecimento. Deus fez ver a esta pessoa o estado de uma alma tíbia e preguiçosa, dada à oração sem a mortificação. Eis a visão: Ela viu entre uma larga planície um alicerce profundo e muito firme, branco como o marfim, e ao lado passeava um jovem de resplandecente beleza. Este chamou-a e disse-lhe: Eu sou filho de um rei poderoso, e deitei este alicerce a fim  de construir um palácio onde pudésseis morar e receber-me quando vier vos visitar, o que farei frequentemente, com a condição de terdes um quarto pronto para me receber e de abrirdes logo que eu bater. Mais tarde, porém, virei morar sempre convosco, e vos alegrareis de me ter por vosso hóspede constante. Podeis julgar pela grandeza destes alicerces do que será o edifício. Entrementes farei a construção e vós deveis trazer-me todo o material. A dama começou a tornar-se muito admirada e aflita, por achar impossível trazer ela mesma todo o material necessário. O jovem porém disse: Não temais, podereis fazê-lo facilmente. Começai por trazer já alguma coisa e eu vos ajudarei. Então ela começou a procurar em redor para ver se encontrava qualquer coisa, mas parou logo e fitou o jovem, cuja beleza a encantava e deleitava; mas não se esforçou em lhe agradar, mesmo receou muito ao ver que a vigiava. Não obstante não corou com a sua desobediência, e, enquanto ficava ociosa, viu os alicerces cobrirem-se gradualmente com pó e com palha trazidos pelo vento e por vezes tais furacões de pó se levantavam que as escondiam por completo. Ou, então, chuvas torrenciais cobriam tudo com lama, lama esta que se estendia gradualmente e era a causa de uma vegetação fértil e má. Em breve, nada restava dos alicerces, e por fim um furacão encobriu também o jovem, e tudo desapareceu da sua vista sob um montão de imundícies. A dama muito se afligiu ao ver-se só, tanto mais que em breve foi cercada por detestáveis montes de cal, de areia e de pedra. Lastimou sua tibieza e sua ociosidade, mas crendo estar o jovem ainda escondido em alguma cavidade dos alicerces, clamou em alta voz: Senhor, eis que venho! Trago comigo o material; por favor aproximai-vos da construção; arrependo-me profundamente da minha lentidão e da minha indolência. Enquanto se mantinha nestas disposições a visão lhe foi explicada pelo seguinte modo: Os alicerces significam a fé e os hábitos das outras virtudes que Jesus Cristo infunde na alma no batismo, desejando construir nela um belo edifício de alta perfeição, com a condição de a alma cooperar com Ele, trazendo o material necessário, isto é, a observância dos preceitos divinos e dos conselhos, o que poderá fazer com o auxílio de Nosso Senhor. Mas a alma tantas vezes se deleita em meditar nos mistérios de Cristo, que se torna tíbia e ociosa, não se esforçando por lhe obedecer, e por esta falta de atenção e indolência, os pecados veniais obscurecem aos poucos os hábitos das virtudes, e os olhos da alma se tornam tão turvos que não podem mais ver a Nosso Senhor. Para castigar esta apatia, Ele permite, por vezes, que a alma caia em pecado mortal, que tudo mancha e tudo destrói. Em seguida, devido à misericórdia de Deus, a alma se arrepende, e encontra as pedras da contrição, a cal da confissão, e as areias da satisfação, e em alta voz implora a Jesus que perdoe os seus pecados e comece novamente a construção. 
  8. Dar à santidade profundeza e força, assim como os exercícios de ginástica desenvolvem os músculos e os robustecem. Isto refere-se ao que foi dito há pouco, de não abandonar cedo demais a Via Purgativa. Exemplo: Simeão Estilita quando primeiro começou a se sustentar sobre a coluna, ouviu no sono uma voz lhe dizer: Levanta-te, cava a terra. Pareceu-lhe ter cavado algum tempo e depois cessado, quando a voz lhe disse: cava mais fundo! Quatro vezes cavou, quatro vezes descansou, e quatro vezes a voz repetiu: cava mais fundo! Depois disse-lhe: Agora constrói tranquilamente. Este trabalho humilhante de cavar é a mortificação. Existe infelizmente uma piedade mesquinha e pobre, uma sentimentalidade religiosa que não se eleva além da beleza da devoção ou de um cerimonial comovente, devoção boa para o dia de sol, não para a tempestade; e o erro na construção desse edifício fraco e caduco está na falta da mortificação em sua base. (Falo com experiência material e espiritual: o escultor escolhe para matéria do seu trabalho, uma madeira ao mesmo tempo, fácil de cortar e firme, que é o cedro. Assim também ao esculpir Jesus Crucificado nas almas, é mister o escultor espiritual encontrar a docilidade da humildade e a firmeza da mortificação. Não há como trabalhar em matéria mole). 
  9. Utilidade que se refere às austeridades corporais. Estas levam a alma a atingir a graça mais alta da mortificação interior. É a maior das ilusões supor ser possível mortificar o juízo e a vontade, sem mortificar também o corpo. A mortificação interior é certamente mais excelente, todavia a exterior é mais eficaz. 
  10. A mortificação é uma escola excelente onde será adquirida a régia virtude da discrição. A discrição é o hábito de dar exatamente no alvo, e, para acertá-lo, é preciso ter no olhar uma exatidão e na mão uma firmeza sobrenaturais. É sobretudo no uso da mortificação que se exerce e se prova a discrição; esta virtude se manifesta na obediência, na humildade, na falta de confiança em si, na perseverança e no desapego das próprias penitências. Exemplo: Foi esta a prova imposta pelos bispos a Simeão Estilita. Enviaram um mensageiro ordenando-lhe que descesse da coluna. Se hesitasse, eles saberiam por este sinal que sua extraordinária vocação não provinha de Deus. Mas, apenas dada a ordem começou Simeão a executá-la. Na sua docilidade os bispos reconheceram a vontade de Deus e mandaram que permanecesse onde estava.

     Grandes são, portanto, as utilidades da penitência; mas, por outro lado, devemos ter muito cuidado em evitar os perigos e ilusões na prática da mortificação: Como já me alongo e não quero cansar meus caríssimos leitores, deles falarei, se Deus quiser, no próximo post. 

PERIGOS E ILUSÕES NA PRÁTICA DA PENITÊNCIA

   Vamos seguir o Padre Faber:

   "Muitas mortificações se fazem preceder pela vanglória que toca a trombeta em frente delas. A outras, ela acompanha. A algumas fornece mesmo toda a sua vida, toda a sua animação, toda a sua perseverança. É como se este espírito maligno recebesse do seu mestre esta ordem de permanecer alerta: "Cada vez que uma alma está prestes a praticar uma mortificação, esteja perto!" O remédio para isto é praticarmos todas as nossas mortificações por OBEDIÊNCIA. Então torna-se difícil à vanglória, à ostentação, à singularidade, à afetação, à obstinação, à indiscrição, de se agarrarem às nossas penitências para corroerem a amêndoa preciosa da sua vida interior. E estes são os seis principais perigos da mortificação. Também não devemos nos esquecer de tomar precauções contra uma ideia supersticiosa que por vezes acompanha nossas austeridades e que diz respeito ao valor do sofrimento. Muita mortificação permanece mortificação quando não causa sofrimento, e o seu valor intrínseco não depende da soma de dor física e de desconforto corporal, mas da veemência da intenção sobrenatural. Mortificar é dar a morte a alguma coisa, e por esta razão a paixão já morta está mais mortificada do que a moribunda, embora esta última seja ainda susceptível de dor, enquanto que a primeira já está de todo insensível. É curioso quantos são levados inconscientemente por esta noção supersticiosa dada ao valor do mero sofrimento. Não quero dizer que este não tenha valor, mas não é a pedra preciosa; é o metal que a encaixa. Foi este erro que fora da Igreja, e por vezes também em certas pessoas em seu seio, fez nascer a ilusão de que a perfeição consiste em contrariar sempre os nossos gostos. De acordo com esta teoria, as nossas afeições e as nossas paixões nunca conseguiriam amar as coisas de Deus, ou se harmonizar com a graça. Há quem tenha escrúpulos a respeito da caridade com o próximo, porque acha nisso um grande prazer sensível, como também em visitar os pobres ou enfim em seguir uma inclinação particular na devoção. Há até diretores que impõem esta regra errônea às almas que dirigem, o que é na maior parte das vezes tão absurdo quanto indiscreto. O misticismo ortodoxo só poderia permitir semelhante máxima no caso de uma vocação clara e particular, vocação esta tão rara quanto o chamado de Santa Teresa e de Santo André Avelino, que fizeram voto de praticar sempre o que fosse mais perfeito. No entanto a Igreja hesitou ante estes votos quando foi chamada a canonizar os santos e recusou-se a continuar antes de ter a prova evidente de uma operação especial do Espírito Santo. Ninguém jamais se tornou santo, nem mesmo se aproximou da santidade, por deixar de cultivar a doçura de caráter ou as suas virtudes naturais, pelo escrúpulo do grande prazer que achavam nisso. O Jansenismo fez consistir nesta subtileza todo o segredo da perfeição. Esta ideia do ascetismo, além de odiosa, é totalmente contrária aos princípios católicos. 
   
   Às dificuldades e aos perigos da mortificação ajuntaremos uma palavra a respeito de suas ilusões. É uma matéria vasta. Guilloré, que tratou deste assunto longamente e com sua severidade habitual, resume tudo, descrevendo as quatro classes de pessoas que são sobretudo sujeitas a elas.
  1. A primeira classe dos que se iludem, abrange os que sempre levaram vida inocente, e que por esta razão se dispensam com facilidade da prática das austeridades; como nada os atrai a seguir este caminho, não tentam também atrair os outros. Não compreendem por que razão hão de maltratar um corpo tão pouco rebelde, ou lhe infligir sofrimentos tão constantes, quando raras vezes os importuna.
  2. A segunda classe compõe-se dos que, apesar de não terem levado vida inocente, acham-se, não obstante, por causa do seu temperamento apático, indispostos às austeridades. Custam a crer que uma coisa tão acima de sua cobardia, como é esta perseguição de si mesmos, possa ser necessária e indispensável. Concordam quanto a sua utilidade, mas não quanto a sua necessidade; pois neste caso onde estaríamos nós? As suas teorias sobre a perfeição ou suas aspirações sentimentais para obtê-la desaparecerão como fumaça. 
  3. A terceira classe dos iludidos é a dos que ofenderam gravemente a Deus, e julgam por isso que não devem pôr termo às suas austeridades. Deste modo saem dos limites da sã razão, de um lado, e das inspirações da graça, do outro. 
  4. A quarta classe compreende os homens de zelo ardente e de temperamento entusiasta, que encontram a paz na guerra, o repouso na luta, e que satisfazem a natureza, castigando os seus corpos. 
    Ao terminar, gostaria de acrescentar ao que acabamos de ler da pena do Padre Faber, o seguinte: Nunca devemos esquecer que o valor intrínseco da mortificação não depende, na verdade, da soma de dor física e de incômodo corporal mas da veemência do amor de Deus com que a fazemos. Assim, uma grande penitência feita com pouco amor a Deus teria menos valor que uma pequena mas feita com grande amor de Deus. Mas também é óbvio que as extraordinárias penitências em alguns santos, eram sinal e efeito do seu extraordinário amor a Deus. Não esqueçamos, outrossim, que os santos em tudo e especialmente na prática das penitências eram profundamente humildes, totalmente discretos ou prudentes e docilmente obedientes aos seus diretores espirituais. E aí não há lugar para ilusões nem perigos. 

ESPÉCIES DE PENITÊNCIA

   Ouçamos o Padre Alexandrino Monteiro, S.J.:

   "A penitência é a virtude pela qual destruímos em nós o pecado e satisfazemos por ele a Deus. Ora, o pecado apresenta um duplo caráter: um interior, enquanto nos afasta de Deus; e outro exterior, enquanto nos inclina à criatura. Portanto, a penitência apresenta um duplo efeito: converter-nos a Deus, e afastar-nos da criatura. A conversão a Deus constitui a penitência interna. Por outras palavras: a penitência interior consiste nos atos de contrição e propósito; a penitência exterior consiste na punição dos abusos das nossas faculdades exteriores e das criaturas, e caracteriza-se pelo sofrimento que exerce nos sentidos do corpo. 
   
   A penitência interior é a principal, e, por assim dizer, a alma da penitência, visto o pecado residir propriamente na vontade. Sem a penitência interior, a exterior de nada vale. A penitência exterior é o fruto da interior, porque é o castigo dos pecados cometidos. 

   Segue-se daqui que a penitência exterior é tão necessária, que, sem ela, se pode duvidar da interior, da qual a exterior é parte integrante e natural complemento. Pelos frutos se conhece a árvore. Assim como pelos frutos se conhece a boa qualidade da árvore, assim pelos atos da penitência exterior se conhece a boa qualidade da penitência interior, donde eles procedem. Uma alma revela-se verdadeiramente penitente pelas lágrimas, suspiros, golpes no peito (como Jesus mostra o publicano rezando no Templo), jejuns e disciplinas. Pelo contrário, um pecador que não manifesta em algum ato a sua compunção, dá, por isso mesmo, um indício de impenitência interior.

   Desta doutrina se deduz que a penitência exterior é uma virtude universal, de todas as pessoas e de todos os tempos, não só dos monges e anacoretas, mas também das rainhas e dos reis, dos servos e dos senhores; não só da idade média, mas também da moderna; porque em todas as classes e em todas as idades há pecadores.

   A penitência nunca passará da moda. As leis, os costumes, as praxes sociais mudam-se com os tempos; a penitência permanecerá sempre obrigatória para quem naufragou na inocência. O eco da pregação do Batista: - Fazei penitência! - continuará a ressoar desde as margens do Jordão até aos mais longínquos âmbitos da terra, e até à consumação dos séculos. 

PENITÊNCIA INTERIOR

   A penitência interna é uma virtude tão necessária, que a Sagrada Escritura se refere a ela com palavras inequívocas:
   "Se não fizerdes penitência, todos igualmente perecereis" (Lc 13,5).
   "Se não fizermos penitência, cairemos nas mãos do Senhor" (Ecli 2, 22).
   "Convertei-vos e fazei penitência" (Mt 3,2).
   "Se o pecador fizer penitência, esquecer-me-ei dos seus pecados" (Ez 18,21).

   A penitência interior é uma virtude fácil. É um ato livre da nossa vontade. Basta ter olhos para chorar, vontade para querer, coração para amar. O Senhor está pronto a nos dar o perdão ao menor ato de arrependimento. E se nos dá tudo para a vida natural, quanto mais para a sobrenatural?

   A penitência interior é uma virtude, que se pratica prontamente: é como um raio de luz que passa; um relâmpago que ilumina; um - ai, Jesus! - do coração; um sincero - pequei! - da alma; uma lágrima dos olhos e nas faces. 

   A penitência interior é uma virtude eficaz. Ainda que reneguemos de Cristo como Pedro; ainda que persigamos a Igreja, como Paulo; ainda que professemos a heresia como Agostinho; ainda que escandalizemos o próximo, como Madalena, se fizermos penitência, seremos como eles perdoados. 

   A penitência  é uma virtude interior, não só do corpo, senão da alma, ainda que muitas vezes se revele em lágrimas ardentes; sobrenatural, não humana, mas divina; excitada pelo temor do castigo, pela consideração dos novíssimos da alma, pela bondade de Deus, pela Paixão do Redentor; suma, enquanto à vergonha e contrição; universal, porque se estende a todos os pecados com firme propósito de evitar os cometidos e os que se possam vir a cometer.
   Esta contrição perfeita, informada pela caridade, que aformoseia a alma e a purifica de toda a mancha, e que a faz entrar no número dos filhos de Deus, devemos procurar gravá-la no íntimo do nosso coração, e não deixá-la mais, mas segurá-la com ambas as mãos, como o náufrago segura a tábua, com que se salvou do naufrágio. (Depois, faremos algumas postagens sobre a compunção). 

Nota: No próximo post falaremos da penitência exterior.