SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

Mostrando postagens com marcador domingo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador domingo. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de fevereiro de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 5º Domingo depois da Epifania


Leituras: Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses 3, 12-17.
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 24-30:



  "Naquele tempo, disse Jesus às turbas esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Enquanto, porém, os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio entre o trigo, e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Então os criados do pai de família foram ter com ele e lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente em teu campo? Donde vem, pois o joio? Respondeu-lhes ele: O homem inimigo fez isto. Perguntaram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que tirando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa; e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiro o joio e atai em feixes para o queimar, o trigo, porém, recolhei-o em meu celeiro". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Alguns versículos mais adiante, refere São Mateus que, depois de a multidão ter partido, os discípulos se aproximaram de Jesus, pedindo-Lhe: Explica-nos a parábola da cizânia no campo. Jesus Cristo atende o pedido e, em poucas palavras, explica a parábola assim: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem, que desceu a trazer à terra a verdade e a virtude. - E o campo é o mundo, que Ele veio iluminar, fecundar e salvar. - Ora, a boa semente são os filhos do reino, isto é, os justos, os eleitos, aqueles em quem a doutrina e os exemplos de Jesus frutificaram (se bem que a virtude e o estado de graça desses seja amissível neste mundo - o que não acontece na ordem natural: o trigo nunca vira joio). -  E a cizânia são os filhos do espírito maligno, isto é, os maus, os ímpios, os hereges, que, pelas suas ações, são verdadeiros filhos de Satanás, (se bem que a sua malícia e corrupção possam ser lavadas e apagadas neste mundo, pela penitência - o que não acontece na ordem natural: o joio nunca vira trigo). - E o inimigo que a semeou é o demônio, que, por ódio a Deus e aos homens, faz o contrário do Salvador e semeia o erro e a mentira para nos perder. - A ceifa é a consumação dos séculos, isto é, o fim do mundo, o juízo universal. - E os ceifeiros são os Anjos, que terão o encargo de separar os bons dos maus. 
  Do mesmo modo, pois, acrescenta o Salvador, que a cizânia é arrancada e queimada no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus Anjos; eles tirarão do seu reino todos os escândalos e aqueles que operam a iniquidade; e lança-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça!
A parte ocidental do Lago de Genesaré.
"Retirou-se Jesus com seus discípulos
 em direção ao lago, e uma grande turba,
vinda da Galileia, O seguiu. 
  Caríssimos, esta parábola tem sobretudo por fim: 1º precaver-nos contra a malícia e embustes do demônio. 2º recomendar-nos a paciência com os pecadores, esperando a sua conversão; - 3º enfim, inspirar aos maus, salutar temor do juízo e do inferno, e aos bons, a desconfiança de si mesmos e a esperança da glória eterna. 
    Gostaria de insistir numa última observação: O joio é poupado não porque é bom, mas em atenção ao trigo; assim Deus poupa os maus e não os tira do meio de nós para o bem dos Seus escolhidos. Ao pedir-nos que suportemos com paciência determinadas situações, tão inevitáveis quão deploráveis, Deus pede-nos certamente um dos maiores atos de caridade, de compaixão, de misericórdia. Deus não diz que pactuemos com o mal (como os progressistas querem entender), com a cizânia, mas que a suportemos com a paciência como que Ele mesmo a suporta. Porventura não houve um traidor no colégio apostólico? E, contudo, Jesus qui-lo entre os Seus íntimos e com que amor o tratou! Além disso devemos considerar que, se é impossível o joio tornar-se trigo, é sempre possível que os maus se convertam em bons. Agostinho era joio, de maus costumes e herege; a bondade de Santo Ambrósio fê-lo trigo, trigo este tão excelente que dará bons frutos até o fim do mundo!. 
    Ó bom Jesus, que haveis semeado em nossas almas a boa semente da vossa palavra e da vossa graça, ajudai-nos a conservá-las e a fazê-las frutificar sem mistura de cizânia, a fim de que sejamos sempre trigo puro, digno de ser recolhido nos celeiros do Vosso Pai celeste. Amém!

domingo, 13 de janeiro de 2019

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA


 SAGRADA FAMÍLIA

S. Lucas II, 42-52  (Para não me alongar demais, não transcrevo aqui o Evangelho).

"Tendo Jesus completado doze anos, subiu com seus pais a Jerusalém etc.: Todos os homens deviam apresentar-se no Templo, três vezes por ano, isto é, por ocasião da Páscoa, de Pentecostes e da festa dos Tabernáculos. As mulheres, ainda que não fossem obrigadas pela Lei, costumavam ir ao Templo por devoção, ao menos pela festa da Páscoa. Os filhos começavam a ser obrigados na idade dos doze anos, época em que se tornavam "filhos da Lei".

Assim, tendo atingido os doze anos, Jesus, para nos dar exemplo de submissão às prescrições divinas, foi a Jerusalém com seus pais. Enquanto Deus, Jesus não estava obrigado, mas submete-se com humildade, para edificação nossa, à observância da lei. Seguindo a vontade de Deus Pai, Jesus ia tornar célebre para sempre esta primeira Páscoa histórica da sua vida. Ia erguer uma ponta do véu que nos ocultava a sua sabedoria infinita e a sua divindade; ia, outrossim, santificar sua Mãe e S. José por uma provação de três dias; e finalmente, com sua obediência inefável e a sua vida de trabalho, ia pôr os fundamentos da sociedade e das famílias cristãs.

Eis o que disse o Papa Leão XIII ao instituir a festa da Sagrada Família neste domingo (1º depois da Epifania): "Os pais de família têm em S. José um modelo admirável de vigilância e solicitude paterna; as mães podem admirar na Virgem Santíssima um exemplo insigne de amor, de respeito e de submissão; os filhos têm em Jesus, submisso a seus pais, um exemplo divino de obediência; os nobres aprenderão, olhando para esta família de sangue real, a moderação na prosperidade e a dignidade nas aflições; os ricos aprenderão a ter mais em conta as virtudes do que as riquezas; os operários e todos os que sofrem, devido à sua condição pobre, terão motivo e ocasião de alegrar-se pela sua sorte em vez de entristecer-se, porque têm de comum com a Sagrada Família as fadigas e os cuidados da vida cotidiana".

Acabados os dias da festa, quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem etc. Geralmente os habitantes de um mesmo lugar iam em caravana composta de dois grupos: um de homens e outro de mulheres e quando saíam do Templo, faziam-no por duas portas diferentes.  Os meninos podiam ir em um ou em outro. Por isto pôde acontecer que, ao saírem de Jerusalém, não notassem que Jesus não estava no meio da caravana de Nazaré.  Mas, fazemos a mesma pergunta que sua Mãe Santíssima Lhe fez: Por que é que Jesus agiu desta maneira? É óbvio, Jesus procede assim, não por desobediência, mas para cumprir a vontade de seu Pai e cuidar dos seus interesses. Deus resolvera manifestar desde então seu Filho aos sacerdotes e doutores da lei.  Queria, outrossim, ensinar-nos a renunciar à carne e ao sangue, a pôr de lado a afeição dos pais, apesar das dores do sacrifício recíproco, desde que se trate de obedecer a Deus e de consagrar-se ao seu serviço.
Podemos também indagar o porquê da aflição de Maria Santíssima: afinal ela sabia que seu Filho era Deus, infinitamente sábio e todo poderoso. Todavia, esta ausência súbita e inesperada era para ela um mistério, cujo verdadeiro motivo não podia penetrar. Caríssimos, admiremos este secreto e maravilhoso proceder de Deus com Maria e José. Aflige-os, não para os punir, porque não são culpados de qualquer falta, mas porque os ama. Era como se lhes dissesse ainda com mais verdade do que o Arcanjo Rafael disse a Tobias: "Porque eras aceito a Deus, por isso foi necessário que a tribulação te provasse".

Quantas vezes, miseráveis pecadores como somos, perdemos a Jesus por nossa culpa, pelo pecado; ou então, por vezes, em castigo de alguma negligência ou infidelidade às graças, Jesus retira-se ou esconde-se. E quantos não sentem dor por isso e não procuram a Jesus. E por que não nos humilhamos profundamente, e não redobramos de devoção e de fervor para procurar a Jesus? Ó Maria Santíssima aumentai em mim a amor ao vosso divino Filho!

E aconteceu que, depois de três dias, encontraram-No no Templo, sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os etc. Comumente os discípulos ficavam sentados em esteiras aos pés dos doutores que ficavam orgulhosamente em seus tronos. Mas, provavelmente, estupefatos e maravilhados da sabedoria e das respostas daquele menino, os doutores deram-Lhe a honra de se assentar no meio deles. Jesus, que é a fonte de toda a ciência, de toda a luz, assim nos ensina a humildade e a modéstia como diz S. Gregório: "O Menino Jesus é encontrado entre os doutores não ensinando". Interrogava também aos doutores, parecendo querer instruir-se a si mesmo, e também para nos ensinar a consultar a Igreja. S. Lucas não diz qual foi o assunto ali tratado. Mas declarará a sua Mãe que deve empregar-se nos negócios de seu Pai. Certamente falava do Messias, da época da sua vinda já que os doutores não aproveitaram das consultas bíblicas e da solução transmitida  por eles mesmos aos Reis Magos. Mostraram o verdadeiro caminho, mas eles mesmos não o seguiram. Agora Jesus mesmo antes de sua vida pública já quer mostrar-lhes que Ele é o Messias. Evidentemente, Jesus queria dispor os corações dos sacerdotes e dos doutores a desejarem e a receberem esse Messias cujo nascimento já sabiam e cuja sabedoria divina perceberam naquele Menino muito acima dos comuns dos homens. Caríssimos, tenhamos cuidado em utilizar melhor as graças de Deus.

Disse-Lhe sua Mãe: Filho, por que nos fizeste isto? Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição". José e Maria ficaram admirados porque Jesus ainda não havia manifestado assim em público sua sabedoria. Mas José não fala. Maria, porém, com a autoridade e ternura de mãe é que fala. Admiramos o respeito e a deferência de Maria para com seu santo Esposo, nomeando-o em primeiro lugar e dando-lhe o título de pai de Jesus e de chefe da família. Na verdade, José, externa e legalmente era considerado como pai de Jesus Cristo.  A palavra da santíssima Mãe de Jesus não é de censura; é um grito do coração, todo cheio de confiança e de abandono, de humildade e de ternura; é uma espécie de queixa afetuosa sobre a longa ausência de Jesus, para exprimir a sua pena e a de José.
Respondeu-lhes Ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?  É evidente que a resposta de Jesus não inclui censura, mas apenas admiração. Se Maria e José sabiam que Ele era o Messias, Filho de Deus, que veio ao mundo cumprir a vontade de seu Pai, era natural que O encontrassem no Templo, ocupado nas coisas referentes a Deus. Estas são as primeiras palavras de Jesus, conservadas nos evangelhos. Nelas manifesta diretamente sua divindade. Por elas dá a conhecer àqueles que O cercam no Templo, e a nós todos, o fim da sua missão sobre a terra, e ensina-nos que os interesses de Deus e o seu agrado devem estar acima de qualquer consideração humana. Algumas vezes Deus fala à alma dos filhos e os chama para si. Nesse caso os pais não devem opor-se à vocação celeste, nem têm o direito de fazê-lo.

E eles (Maria e José) não entenderam o que lhes disse: Porque, na verdade, ainda não sabiam que Jesus devia abandonar tudo, para cuidar unicamente da glória de seu Pai.

Desceu com eles e veio para Nazaré, e lhes era submisso. Sua Mãe conservava todas estas coisas em seu coração. Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens: Sendo Deus, Jesus obedecia a seus pais. Que exemplo para os filhos! Por sua vez, Sua Mãe conservava todas estas coisas no coração, para meditá-las, e pautar por elas todos os atos da sua vida. Jesus crescia em sabedoria ... e em graça: Como Deus, possuía todos os conhecimentos e a plenitude da graça. Crescendo, ia aos poucos manifestando estes dons, o que causava aos homens a impressão de desenvolvimento progressivo. Enquanto homem, Jesus Cristo foi adquirindo conhecimentos experimentais do mundo que o cercava e neste sentido houve verdadeiro crescimento.


JESUS, MARIA E JOSÉ, SALVAI AS FAMÍLIAS! Amém!

domingo, 18 de novembro de 2018

HOMILIA DOMINICAL - 26º Domingo depois de Pentecostes (6º depois da Epifania transferido)

   Estamos no 26º Domingo depois de Pentecostes; transfere-se para hoje o 6º Domingo depois da Epifania. (Este ano litúrgico tem 27 domingos depois de Pentecostes). 

  Leituras: Primeira Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses, 1, 2-10.
                  Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus, 13, 31-35:


Dizem os Santos Evangelhos : "Naquele mesmo dia
saiu Jesus de casa e sentou-se à beira do mar.
Reuniu-se tanta gente perto dele, que subiu à uma
barca, onde se sentou, ficando todo o povo
na praia. E falou-lhes muitas coisas em parábolas".
As duas parábolas do Evangelho deste Domingo
foram feitas neste sermão.
Faz alguns anos que houve uma grande seca
na Galileia; o nível das águas do Lago de
Genesaré ficou muito baixo. Foi então encontrada
uma barca afundada na argila, que segundo os
cientistas dataria entre os anos 100 AC e 100 DC.
Seria a barca na qual Jesus pregou? Este detalhe
não é possível ser verificado pelas ciências.
Tive oportunidade de ver esta barca (foto) no
Museu construído ao norte da antiga
Magdala.
  Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta? Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

  Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. 
   Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda: 
   1º - PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: "Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim". E São Paulo diz: "Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu. 
  2º - SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.
  O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra. 
  3º - TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra... Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja. 
  4º - QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra... Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

 Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.
  Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus. Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.
  Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!
  

domingo, 11 de novembro de 2018

EVANGELHO DO 25º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



(Transferido o 5º domingo depois da Epifania)
S. Mateus XIII, 24-30

"Enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio entre o trigo".
 "Naquele tempo, disse Jesus às turbas esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Enquanto, porém, os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio entre o trigo, e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Então os criados do pai de família foram ter com ele e lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente em teu campo? Donde vem, pois o joio? Respondeu-lhes ele: O homem inimigo fez isto. Perguntaram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que tirando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa; e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiro o joio e atai em feixes para o queimar, o trigo, porém, recolhei-o em meu celeiro". 

  Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
  
  Alguns versículos mais adiante, refere São Mateus que, depois de a multidão ter partido, os discípulos se aproximaram de Jesus, pedindo-Lhe: Explica-nos a parábola da cizânia no campo. Jesus Cristo atende o pedido e, em poucas palavras, explica a parábola assim: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem, que desceu a trazer à terra a verdade e a virtude. - E o campo é o mundo, que Ele veio iluminar, fecundar e salvar. - Ora, a boa semente são os filhos do reino, isto é, os justos, os eleitos, aqueles em quem a doutrina e os exemplos de Jesus frutificaram (se bem que a virtude e o estado de graça desses sejam amissíveis neste mundo - o que não acontece na ordem natural: o trigo nunca vira joio). -  E a cizânia são os filhos do espírito maligno, isto é, os maus, os ímpios, os hereges, que, pelas suas ações, são verdadeiros filhos de Satanás, (se bem que a sua malícia e corrupção possam ser lavadas e apagadas neste mundo, pela penitência - o que não acontece na ordem natural: o joio nunca vira trigo). - E o inimigo que a semeou é o demônio, que, por ódio a Deus e aos homens, faz o contrário do Salvador e semeia o erro e a mentira para nos perder. - A ceifa é a consumação dos séculos, isto é, o fim do mundo, o juízo universal. - E os ceifeiros são os Anjos, que terão o encargo de separar os bons dos maus. 

  Do mesmo modo, pois, acrescenta o Salvador, que a cizânia é arrancada e queimada no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus Anjos; eles tirarão do seu reino todos os escândalos e aqueles que operam a iniquidade; e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça!

 Caríssimos, esta parábola tem sobretudo por fim: 1º precaver-nos contra a malícia e embustes do demônio. 2º recomendar-nos a paciência com os pecadores, esperando a sua conversão; - 3º enfim, inspirar aos maus, salutar temor do juízo e do inferno, e aos bons, a desconfiança de si mesmos e a esperança da glória eterna. 

    Gostaria de insistir em uma observação final: Os superiores, sejam eclesiásticos, civis, militares e familiares, devem sempre vigiar porque o demônio, O INIMIGO, nunca dorme, e a ele não se pode dar lugar. Se os superiores, os governantes não estiverem sempre vigilantes, o diabo semeia a cizânia entre o trigo, isto é, introduz os maus, como por exemplo os comunistas, na Igreja, nos governos, nos exércitos; e quanto à família procuram introduzir o vírus da ideologia de gênero . Filhos que são do diabo, pai da mentira, os comunistas usam a falsidade, a astúcia, a duplicidade camaleônica, enfim a mentira. Foi sempre assim. Um padre missionário chamado George escreveu um livro com o título "God's Under Ground", livro este no qual narra seu apostolado clandestino em países comunistas. No capítulo V diz ter se encontrado num convento de monges com um general do Exército Vermelho. Era em território Polonês e o Padre George estava acompanhado de seus companheiros de resistência clandestina.  Os comunistas tinham expulsado do tal convento alguns monges e as suas celas foram tomadas por oficiais russos. Foi aí que o Padre George encontrou-se com este general que pensou estar conversando com camaradas e assim falou abertamente: "Quanto à religião, não se espantem em ver os monges ainda aqui. Meus amigos, sabemos o que estamos fazendo. Não esquecemos que existe um irreconciliável abismo entre a religião e o Estado Soviético. O materialismo dialético nunca poderá chegar a um acordo com o Cristianismo. Nunca existiu um comunista sincero, que não fosse também ateu. Não pensem que nos esquecemos disso. Mas, no momento, o problema é complexo. Estamos agora nos assenhoreando de grande número de países católicos, como a Polônia. Este povo retardado ainda tem grande apego à sua Religião; se a atacarmos abertamente, nunca atenderão à nossa propaganda. Isto é absurdo, mas é verdade. O melhor que temos que fazer  -  e isto foi decidido nos postos mais altos de Moscou  - é desarmar a oposição inicial desta gente, alterando um pouco a nossa tática. Queremos que eles acreditem que a política mudou e que a liberdade religiosa é o projeto da URSS. Os meus homens têm ordens severas para não destruir as Igrejas destes lugares e não importunar os monges que ficaram na parte do convento a eles destinada por mim, Ficarão aqui para mostrarmos à população polonesa que nós não somos anti-religiosos. Eu mesmo, de vez em quando, vou tomar um copo de vinho com o velho abade. Nas festas principais, apareço na Igreja. Somos muito mais espertos do que os nazistas; eles se tornaram detestáveis para as populações que conquistaram no oriente, porque atacaram de frente a religião. Os senhores vêem o resultado   -  são odiados em todos os lugares. Os senhores verão. Daqui em diante vão começar a acontecer coisas estranhas para a religião. Não permitam que a confusão se estabeleça entre os camaradas; expliquem bem este plano aos membros de nossas células, como expliquei aos senhores. Estamos projetando muitas novidades para esta zona. No dia da Páscoa, por exemplo, o embaixador soviético de Constantinopla deverá comparecer à procissão da tarde, levando uma vela a fim de manifestar o seu respeito ao Patriarca Ecumênico de lá".
Deu uma risada e comentou:
  - Imaginem só! Um homem que há trinta anos faz parte dos Militantes Ateus! Eu o conheço bem. Mas devemos fazer estas pequenas coisas sem importância para o bem do Partido. O embaixador não perderá praticando essa experiência sem maldade  -  e a imprensa mundial ficará emocionada. Deixemos essa velha gente daqui ter as suas Igrejas. O nosso trabalho é com os moços. Precisamos doutriná-los completamente. Precisamos chamá-los para nós. Devemos reforçar a nossa influência com os governos futuros destes países. Graças ao acordo de Yalta.[Não é supérfluo lembrar que foi por meio deste acordo que a Rússia Soviética pôde dominar os países da chamada "Cortina de Ferro].
Mas continuou: "E então, camaradas, poderemos acelerar a marcha. Arrasar todas as escolas religiosas. Abolir os seus crucifixos antiquados. Exterminar a imprensa católica e as organizações da juventude cristã. Então, anunciaremos à população que a tal organização religiosa ortodoxa que mantivemos em Moscou era falsa". E não há perigo. Muito em breve toda a Europa oriental será ateia. Mas agora, é mais prudente ganhar um pouco de tempo".

Caríssimos, creio que todos devem ter compreendido. Não podemos dormir, mesmo porque os esquerdistas dizem que o comunismo hodierno é diferente; levará a felicidade aos pobres porque será adequado à realidade de cada país; não é mais aquele comunismo do século passado. Não nos deixemos enganar, não durmamos nem um segundo! Fiquem sabendo que a infiltração nos governos democráticos, pela ocupação de cargos administrativos continua a constituir uma tática poderosa dos comunistas. Que S. Excelência, o Presidente eleito do nosso Brasil cristão, fique sempre vigilante!

    Ó bom Jesus, que haveis semeado em nossas almas a boa semente da vossa palavra e da vossa graça, ajudai-nos a conservá-las e a fazê-las frutificar sem mistura de cizânia, a fim de que sejamos sempre trigo puro, digno de ser recolhido nos celeiros do Vosso Pai celeste. Amém!

domingo, 4 de novembro de 2018

EVANGELHO DO 24º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



(Transferido o 4º domingo depois da Epifania)
S. Mateus VIII, 23-27
"Senhor, salvai-nos, que perecemos"

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Esta barca agitada pela tempestade é uma das mais perfeitas imagens da Igreja, que transporta sobre o mar deste mundo os discípulos e servos de Jesus. O divino Mestre está lá também, realmente presente, mas oculto e parecendo dormir. Quantas e quantas vezes, desde 20 séculos, a Igreja tem visto a sua existência ameaçada pelas tempestades! Quantas perseguições, ou cruentas e declaradas, ou surdas e hipócritas! Mas devemos ter fé porque Jesus disse: "Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos". De fato, a Igreja conhece o poder d'Aquele que vela, quando parece dormir. A Igreja é indefectível, malgrado todas as borrascas: perseguições sangrentas, heresias e/ou cismas. As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo! A Santa Madre Igreja, nas promessas de sua origem e no desenvolvimento de sua vida sempre trouxe  o signo inconfundível da Divindade; malgrado, pois, as tempestades, as maquinações dos comunistas, os escárnios lançados contra a sua moral e seus dogmas; e não obstante as infiltrações modernistas e comunistas em suas fileiras e mesmo como veneno em suas veias, ela regenera o mundo que se efemina no prazer e se dissolve na corrupção. Mais atualmente, serena e intangível assiste o esboroar dos tronos, o extinguir-se dos foros comunistas. Resistiu impávida e tranquila à violência dos criminosos, aos sofismas dos falsos doutores, ao gargalhar satânico da ironia impotente, à perfídia rebelde de filhos orgulhosos e corruptos, conjugados numa vasta conjuração contra a VERDADE. A Igreja, firme nas promessas de imortalidade do seu Divino Fundador, contemporiza com dignidade magnânima e, uns após outros, vai enterrando os seus inimigos não arrependidos, e generosa e alegremente, perdoando os que se humilham e se convertem. Ininterruptamente, e mesmo em tempo de crise como o nosso, a Igreja continua a semear a verdade e o bem nas almas. Se Deus conosco, quem contra nós?...

Mas em certas tempestades mais violentas, como se dá na crise atual na Igreja e na sociedade, Jesus parece dormir, enquanto que tsunamis parecem tragar-nos a nós e até a Santa Igreja. Máxime, nestas horas, é mister que resistamos fortes na fé, conservando inabalável a confiança de que Jesus, mesmo que pareça dormir, Ele vela por sua Esposa mística e por nós. Enquanto os maus tramam seus complôs, governantes conjurados contra a Igreja parecem prestes a subvertê-la e levá-la à ruína total, os fiéis atemorizados por tão ingentes perigos, chamam por Jesus. Jesus, então se levanta, comanda as ondas e os ventos; Jesus, com um seu olhar, com um sopro de sua boca, destroça os inimigos da Igreja, frustra seus malignos projetos, desfaz suas criminosas intrigas, e, então faz-se calma e a barca da Igreja retoma tranquila o seu curso através dos oceanos e serenamente leva seus filhos às praias da eterna bem-aventurança, ao porto da salvação, à Pátria do repouso eterno.

 Caríssimos, hoje, nesta crise sem precedentes, se considerarmos as coisas de maneira puramente humana, não se verá de onde possa vir o socorro. Sem sombra de dúvida, porém, este socorro virá. Jamais duvidemos disto! Nosso Senhor Jesus Cristo, que parece dormir no fundo da sua barca, a Igreja, levantar-se-á, estenderá suas mãos onipotentes, seus inimigos cairão à Sua direita e à Sua esquerda, e a Santa Madre Igreja sairá triunfante e mais forte da crise violenta em que os seus inimigos esperavam vê-la perecer. Assim sempre foi e assim sempre será!

  Esta barca é também figura de nossa pobre alma, tantas vezes batida por toda espécie de tempestades, durante a viagem no mar perigoso deste mundo. A alma fiel está com Jesus; Ele acompanha-a no mar tempestuoso do mundo. É por suas ordens, é por suas inspirações, é por seus sinais que ela se engajou no tumulto dos afazeres e nos cuidados daqui em baixo. E, no entanto, embora com Jesus, na sociedade de Jesus, embora unida a Ele pela graça, a alma é sujeita às tormentas. Abandonados a nós mesmos, pereceríamos infalivelmente. Mas se Jesus está conosco e é a nosso favor, que receio podemos ter? Felizes as almas que trazem Jesus consigo e sabem recorrer a Ele!

   Caríssimos e amados irmãos, as tempestades que acometem a nossa alma são muitas e variadas. São exteriores ou interiores. Entre as exteriores podemos enumerar: as doenças mais imprevistas, longas, dolorosas, dispendiosas; o luto, a perda dos que nos são caros, cuja morte nos enche de grande tristeza; a perda dos bens de fortuna, que nos precipita na miséria ou em dificuldades; calúnias, ódios, processos injustos, vinganças a que nos encontramos expostos, ainda que inocentes etc., etc.

   Tempestades interiores: Mais ordinariamente o demônio deixa em paz os seus escravos. "Os cães não mordem nas pessoas da casa" diz São Francisco de Sales. As almas fiéis a Jesus, porém, são agitadas pelas tentações que vêm do demônio, da carne e do mundo. As paixões se agitam dentro delas: o orgulho, a volúpia, a inveja, a cólera, a vingança, a ambição, fazem-lhes terríveis assaltos. Estas nossas paixões como que rugem no íntimo do nosso ser e tentam revoltar-se contra o espírito, para nos arrastar ao mal.  Podemos ainda enumerar: os escândalos, as seduções do mundo, com as suas máximas falsas, as suas ilusões e os seus prazeres.   O espírito de fé diz-nos, entretanto, que qualquer luta ou tempestade da vida é sempre querida, permitida ou pelo menos não impedida por Deus. Como dizia Santa Teresinha: "Tudo é graça, tudo é fruto do amor infinito de Deus". Deus é Pai que nos prova unicamente porque nos ama.

 As tempestades da nossa vida fazem que reconheçamos a nossa fraqueza e nos obrigam a recorrer a Jesus; porque sem Ele o que seria de nós?!  No meio das tempestades rezamos com mais fervor; praticamos as virtudes mais sublimes: a fé, a confiança em Deus, a submissão à Sua vontade, a paciência e a caridade. As provações servem para, nesta vida, expiarmos as nossas faltas e as nossas imperfeições e merecermos uma coroa melhor no céu. E sobretudo nos tornam mais semelhantes a Jesus.

   Assim, fazendo da nossa parte o que pudermos, ponhamos toda a nossa confiança em Jesus e apressemo-nos a recorrer a Ele com fé e amor. Caríssimos, não deixemos passar uma tão bela ocasião de praticar a humildade, a penitência, a paciência e de aumentar assim os nossos méritos para o céu.

   Irmãos caríssimos, não esqueçamos que, mesmo nestas tempestades, Jesus não teve em vista senão um maior bem para nós; agradeçamos-Lhe com toda a nossa alma; conservemo-nos sempre em união com Ele e seremos auxiliados. Ó doce Jesus, o importante é que estejais no coração de cada um de nós! Amém!

domingo, 23 de setembro de 2018

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO DO 18º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES



S. Mateus IX, 1-8

"Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados"

 Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

O santo Evangelho oferece-nos ensejo de refletirmos sobre muitos assuntos. Quero falar sobre o poder de perdoar pecados, ou seja, sobre o sacramento da Penitência ou Confissão.

O poder de perdoar pecados é, na verdade, um poder divino, isto é, só Deus pode perdoar pecados. Jesus Cristo perdoava pecados justamente porque Ele era Deus. Mas quem tem o poder, pode delegá-lo a outrem. Foi o que Nosso Senhor Jesus Cristo fez. Assim como deu aos Apóstolos o poder de batizar, celebrar o Santo Sacrifício da Missa, o poder de pregar, deu-lhes também a eles e aos seus sucessores o poder de perdoar pecados. Por isso é que Jesus disse: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João XX, 21-23).

Todos reconhecem que os reis da terra têm o poder de mandar administrar a justiça em seu nome, quer dizer, de confiar a magistrados o direito de absolver e de condenar os culpados. Por que recusar a Deus o mesmo direito? O Rei do Céu terá menos poderes do que suas criaturas? Evidentemente Deus pode confiar a homens o poder de perdoar os pecados em seu nome. Ora, é um artigo de fé que Jesus Cristo comunicou este poder aos padres quando lhes disse: os pecados serão perdoados a quem vós os perdoardes. O Salvador não disse: os pecados serão perdoados a quem anunciardes que lhes são perdoados; não; pois, absolvendo, o padre perdoa verdadeiramente os pecados na qualidade de substituto de Jesus Cristo, em virtude do poder que lhe foi dado por Nosso Senhor, que é o principal ministro do Sacramento.

Caríssimos, é mesmo impossível que haja um outro meio de perdão. Com efeito, se houvesse na religião outro meio além da confissão, para se restabelecer na graça de Deus; se bastasse, por ex., humilhar-se em sua presença, jejuar, orar, dar esmolas, declarar-lhe sua falta no íntimo do coração, que aconteceria? Que ninguém mais se confessava. Pois quem seria bastante simples para ir solicitar, com um tom suplicante, aos pés de um homem, uma graça que poderia facilmente obter sem ele, e contra a sua vontade? Então que seria da confissão estabelecida pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. S. João, XX, 21 a 23).  - Cairia em desuso e ficaria sem efeito no mundo. Que seria do magnífico poder que Ele deu aos seus ministros de perdoar ou reter os pecados? Não é evidente que este poder tão admirável e divino tornar-se-ia um poder ridículo e completamente irrisório visto que nunca teriam de exercê-lo? Assim, ou há obrigação para todos os pecadores confessarem seus pecados ao padre, ou então Jesus Cristo zombou de seus ministros dizendo-lhes: os pecados serão perdoados a quem os perdoardes, etcE teria igualmente zombado deles quando lhes disse: dar-vos-ei as chaves do reino dos céus (S. Mateus, XVI, 19). De que lhes serviria ter as chaves do céu se nele se pudesse entrar sem que fosse aberto pelo seu ministério?

Os grandes adversários do Sacramento da Penitência são os protestantes. Estes, seguindo Calvino, e também os ímpios modernos ousam dizer que a confissão era desconhecida nos primeiros séculos do Cristianismo. Sustentam que a confissão data do 4º Concílio de Latrão em 1215, época em que o Papa Inocêncio III tê-la-ia inventado. Caríssimos, isto constitui um grave erro que denota a mais grosseira ignorância, ou, pior ainda,  uma demonstração da mais insolente má fé. Vamos ouvir Santo Afonso: este grande Doutor da Santa Igreja diz que o Papa Inocêncio III, não fez senão determinar o tempo em que a confissão deve ser feita pelos fiéis, isto é, ao menos uma vez por ano, como já haviam prescrevido os papas Inocêncio I (+ 417), Leão I (+ 474), Zeferino (+218). Além disso, sabemos que a Tradição e a História da Igreja se apóiam no Santo Evangelho de S. João XX, 21 a 23, para provar que a confissão foi instituída por Jesus Cristo. Suponhamos os Sacramento da Penitência como a Igreja o administra, realmente estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo: Eis aqui os fatos que se devem produzir e dos quais a História Eclesiástica dá, sem dúvida, testemunho; os Padres da Igreja falarão da Confissão em seus escritos, e dirão que ela vem de Jesus Cristo; hão de afirmar que é necessária à salvação, que deve ser feita com sinceridade e com contrição; que só os sacerdotes podem absolver, etc. Os Concílios traçarão as regras aos confessores, para remediar os abusos que nascerão em diversas épocas da história. Conservar-se-ão muitos nomes de confessores que prestaram o socorro de seu ministério a personagens históricos. Talvez se encontre nas mais antigas igrejas o lugar dos tribunais da penitência; enfim, as seitas separadas da Igreja de Jesus Cristo, desde os primeiros séculos, terão provavelmente conservado alguns vestígios dessa salutar instituição.

Consultando as antiguidades eclesiásticas obteremos precisamente estes resultados que acabamos de enumerar. Até historiadores protestantes, devendo ser sinceros diante da evidência, declararam que a Confissão entre os Católicos já era exercida nos quatro primeiros séculos. Por exemplo, o historiador protestante Gibbon diz: "o homem instruído não pode resistir ao peso da evidência histórica que estabeleceu a Confissão como um dos principais pontos da doutrina católica em todo o período dos quatro primeiros séculos".

Entre outras seitas heréticas encontramos também quem dá testemunho histórico da existência da Confissão já nos primeiros séculos da Igreja Católica. Por exemplo: os eutiquianos, os jacobitas, os armênios, os nestorianos, em um palavra, as Seitas do Oriente, separadas da Igreja Romana desde o 4º e o 5º séculos, praticavam a confissão como necessária. Muitos sábios autores atestam que se vêem nas catacumbas de Roma os confessionários próximos aos altares, cujas pinturas, semelhantes às de Pompéia, remontam aos primeiros séculos do Cristianismo.

Em Teologia usam-se os argumentos tirados das Sagradas Escrituras e depois os argumentos da Tradição. Frequentemente, usam-se também os argumentos da reta razão humana.  Assim, em se tratando da origem divina do Sacramento da Penitência, vamos, com a graça de Deus, apresentar também os argumentos da reta razão, ou também chamados argumentos do bom senso.

Pois bem! O mais simples bom senso nos mostra que a confissão não pode ter senão uma origem divina. Suponhamos que seja uma invenção humana; certamente, uma tal invenção é bastante notável para que se conhecesse o seu autor. Sabe-se o primeiro cultor da ciência: foi Thales. Arquimedes inventou as espelhos-ustórios; Nilton descobriu a lei da gravidade; Gutemberg descobriu a arte de imprimir. Pedro Álvares Cabral descobriu o nosso querido Brasil; Colombo descobriu a América etc. etc., ... quem é, pois,o inventor da confissão? Foi, acaso, um grande santo? Mas  os santos Padres desde os mais próximos dos Apóstolos já supõem a confissão como um fato existente e conhecido. Logo, não foram eles que inventaram a confissão. Se os padres, os bispos e os papas fossem isentos da confissão, aquela afirmação teria alguma aparência de verdade; eles, porém, estão sujeitos a ela como os simples fiéis. Onde, pois, a razão que os induziria a impor-se uma obrigação tão humilhante? Por que força secreta teriam eles podido constranger os reis a irem ajoelhar-se ante um pobre padre para lhe fazer acusação de suas fraquezas, a submeter-se sem réplica às suas decisões, e receber dele, com respeito, uma penitência proporcionada às suas faltas? Se os padres tivessem inventado a confissão, teriam sido levados por um motivo qualquer. Qual seria este motivo? O interesse? Evidentemente que não; pois o confessor não recebe remuneração alguma pela confissão. O prazer? Mas sabeis o que é ser confessor?   - Ser confessor é ser escravo de todos - depender dos outros desde a manhã até à noite  -  a qualquer hora do dia e da noite. O confessor tem que sondar as chagas mais repugnantes, sem tremer, ouvir os crimes por maiores que sejam, sem arrepiar-se.

É sobretudo à cabeceira dos doentes e moribundos que os padres devem estar presentes. O padre deve administrar os sacramentos aos pestíferos com risco de contaminar-se do mal. Sua vida é uma vida de sacrifícios, de prisão e de fadiga, sobretudo no confessionário e junto aos leitos dos doentes.Quem teria inventado a confissão? Talvez os fiéis? Mas esta segunda suposição é tão absurda como a primeira. A confissão é um constrangimento, um ato de humildade. Ora, o homem, em lugar de submeter-se de boa vontade a uma coisa que o constrange e humilha, é ao contrário levado a repelir tudo que o contraria. Quando alguns do Anglicanismo quiseram introduzir a confissão na Inglaterra; que resultou? As revoltas populares, os gritos sediciosos levantaram-se ao mesmo tempo em todos os pontos do país. Uma tal imposição por parte de fiéis só merece a irrisão pública. Só Deus tem autoridade para impor este ato de humilhação como condição para se receber o perdão dos pecados. Portanto, o homem não podia inventar a confissão; ela é obra de Deus. Só Ele, o soberano Mestre, a poderia impor ao homem; e o homem, qualquer que seja, rei ou súdito, rico ou pobre, é obrigado a submeter-se a essa lei divina, sob a terrível pena de condenação eterna para os que, depois do Batismo, tenham cometido pecado mortal. 

 Quero terminar com a advertência de S. Pio V: "Sejam os confessores como eles devem ser [pai, médico, juiz, mediador, diretor das almas], ver-se-á para logo inteira reforma de todos os cristãos". Amém!