SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

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domingo, 17 de março de 2019

SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA



"IPSUM AUDITE"

S. Mateus  XVII, 1-9

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

No Evangelho do domingo último passado vimos o Filho de Deus no deserto, entre os animais selvagens, em luta com o espírito das trevas. Hoje, o Evangelho já nos mostra Jesus num Monte muito alto, com os três apóstolos prediletos, Pedro, que seria o primeiro Chefe visível da Igreja, João, o discípulo que Jesus mais amava, Tiago, que seria o primeiro apóstolo a morrer mártir. Hoje, vemos Jesus entre Moisés e Elias. Hoje o Pai, do alto dos céus proclama: "Este é meu Filho bem amado no qual pus toda minha complacência, ouvi-O".

Caríssimos, estes dois evangelhos representam a imagem dos dois estados aos quais somos chamados, e que devem ocupar nossa existência: um estado de sofrimento, de luta, de trabalho aqui em baixo; um estado de alegria, de repouso, de glória lá em cima. Aqui os jejuns, as penitências, os combates contra a luxúria, o orgulho e a avareza; combate renhido e diuturno contra o demônio, príncipe deste mundo que está nele colocado. Aqui em baixo os desejos que não podem ser nunca satisfeitos, um deserto árido, os animais selvagens, isto é, os vícios, os crimes, as monstruosidades no meio dos quais somos obrigados a viver e que nos causam medo e repugnância. Lá no alto, muito ao contrário, teremos as delícias inalteráveis, a satisfação perfeita de toda nossa ânsia de felicidade, uma sociedade santa onde gozar-se-á um doce entretenimento com os profetas, com Jesus e com Deus. Ah! caríssimos, que os gozos deste segundo estado nos deem forças para passarmos intrépidos e ilesos pelo primeiro! 

Aquele primeiro estado, tomado num círculo mais restrito, é a santa quaresma: são os jejuns, as abstinências, as orações, os santos ofícios aos quais a Santa Igreja nos convida durante este tempo, as lutas às quais nos exorta contra nós mesmos, contra nossas más inclinações, contra o amor dos prazeres, contra nossos hábitos viciosos, contra o orgulho da vida, contra a sede das riquezas. Com a graça de Deus, suportamos valorosamente esta luta, jejuamos, rezamos, escutamos a palavra de Deus, fazemos violência à nossa carne corrompida, reprimimos nossas concupiscências, domamos nosso coração. E assim fazendo, como Deus não se deixa vencer em generosidade, recompensa nossa correspondência à Sua graça e, depois deste curtos esforços, nos dá as alegria da Ressurreição, as festas pascais, durante as quais nós veremos Jesus transfigurado, Jesus na glória, e nós mesmos, purificados pelo combate, pela penitência, lágrimas e  pelo sacramento da Confissão, nos ajoelharemos à mesa da comunhão e seremos alimentados pelo próprio Jesus e nos entreteremos familiarmente com Deus.

Caríssimos, retomando nossa ideia primeira, devemos observar que, para chegarmos ao estado de felicidade perfeita  na Pátria do repouso eterno, mister se faz passar pelo primeiro estado de sofrimentos e tentações aqui na terra. Se Jesus, porque tomou sobre Si os nossos pecados, disse que foi necessário sofrer antes de entrar na Glória, como vamos pretender chegarmos ao Céu, sem passar pelos sofrimentos, sem lutarmos, nós que somos os pecadores? Não podemos, como S. Pedro, querer permanecer para sempre no Monte Tabor, sem antes passarmos pelo Monte Calvário. Se para se chegar à glória mesmo aqui em baixo,  chegar à posse dos bens terrestres, estes bens perecíveis, estes bens de um dia, é preciso trabalhar, lutar e sofrer; com infinita mais razão é preciso sofrer, lutar e trabalhar para se chegar à Glória celestial. Devemos observar que outro evangelista (S. Lucas IX, 31 ) diz que Jesus na Transfiguração falava com Moisés e Elias sobre Sua próxima "saída deste mundo que ia se realizar em Jerusalém, o que significa que o Divino Mestre comentava sobre Sua Paixão e Morte. Assim não podemos separar estes dois montes, o do Tabor e o do Calvário. Devemos estar profundamente convencidos do que disse o próprio Jesus: " O Reino dos  Céus sofre violência e só os violentos o poderão arrebatar". O caminho do Céu é o caminho da cruz! 
                                          
"Enquanto Pedro ainda falava com Jesus, "uma nuvem brilhante os envolveu, e da nuvem soou uma voz que dizia: 'Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência; ouviu-O". Esta nuvem luminosa que envolve ao mesmo tempo a Jesus, Moisés, Elias e os apóstolos, é a Fé. Ela, pois, expande sua doce luz nos nossos espíritos, uma luz que não é isenta de toda sombra. Ela é luz, mas é também sempre nuvem. Por esta luz vemos Deus, Jesus Cristo, os profetas, os apóstolos, mas não totalmente descobertos. Na verdade, só no Céu não haverá mais nuvem; pois, veremos a Deus face a face e sem véu. Agora, pela fé O vemos como em enigma ou como num espelho embaçado. Mas, mesmo assim a Fé é suficiente para alumiar o nosso caminho e nos guiar até às eternas moradas de luz indefectível.

 Por isso, disse o Pai Eterno: "este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência; ouviu-O". Deus não poderia dar Seu Filho aos homens como Mestre de uma maneira mais brilhante e solene! É em presença de Moisés que representava a Lei, é em presença de Elias, que representava as Profecias, é em presença dos apóstolos, isto é, em presença do Antigo e do Novo Testamento: "ESTE É MEU FILHO BEM-AMADO, OUVIU-O". Deus até então havia falado aos homens  por meio de Moisés, dos Patriarcas e dos Profetas, mas agora no Novo Testamento fala pelo Seu próprio Filho. É o Filho de Deus feito Homem que devemos agora ouvir como o Mestre por excelência: "Ipsum audite" (= ouvi-O). É portanto uma coisa solidamente estabelecida, uma coisa certíssima: Jesus Cristo é o nosso Mestre! "Eu estarei convosco até a consumação dos séculos". Jesus nos falou, fala e falará até o fim do mundo através de sua verdadeira Igreja, que nunca poderá deixar de pregar o mesmo que pregou o Divino Mestre: "Jesus é o caminho, a verdade, a vida". E Ele, que é a própria verdade, não muda; Ele é sempre o mesmo, ontem, hoje e sempre". Eis porque S. Paulo na mais rigorosa lógica, conclui: " Portanto rejeitai toda doutrina nova e estranha". E Jesus Cristo, Filho deleto do Pai, não somente nos fala, mas dá-nos a força de O seguir: ensina-nos a Verdade e nos ajuda a crer; nos ordena a prática do bem e nos dá a graça para o realizar. Caríssimos, que outro mestre poderíamos seguir se Nosso Senhor Jesus Cristo é o Filho bem-amado de Deus? Estes outros "mestres" são homens fracos, ignorantes, malgrado o alarde orgulhoso de sua ciência. Estes não podem ser nem o caminho, nem a verdade e nem a vida. Só devem ser ouvidos aqueles pregadores que foram chamados por Jesus e pregam com toda fidelidade o que Ele ensinou. Estes verdadeiros ministros de Jesus Cristo dão testemunho da Verdade que é o próprio Divino Mestre. Eles procuram destruir os preconceitos, os erros e as diatribes deles decorrentes.

É absolutamente necessário que ouçamos o Divino Mestre através dos Santos Evangelhos pregados com toda fidelidade pelos Seus verdadeiros discípulos. Estes, sim, no meio desta geração adúltera e pecadora, não se envergonham da doutrina do Evangelho de Jesus, mas  dele dão testemunho intrépido e constante.

Assistimos com grandíssima tristeza a apostasia de muitos e muitos; e uma das causas desta derrocada na fé, é porque os homens na sua maioria procuram novidades que agradam e afastam os ouvidos da verdade para os aplicarem às fábulas que o mundo com seus possantes meios de divulgação, apresenta às estas pobres almas.

Por isso, caríssimos e amados irmãos, procuremos estar bem presos ao Nosso Divino Mestre, porque só Ele tem palavras de vida eterna. Somente Suas palavras permanecem para sempre: "IPSUM AUDITE!" Amém!

domingo, 10 de março de 2019

HOMILIA DOMINICAL - 1º Domingo da Quaresma - com explicação do Evangelho

   Leituras: Leitura da 2ª Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 6, 1-10
                   Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus  4, 1-11:
 "Naquele tempo, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Depois de haver jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome. E chegando-se, o tentador disse-Lhe: Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães. Ao que Jesus respondeu, dizendo: Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Então o demônio O levou à cidade santa, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque está escrito: Aos seus Anjos ordenou acerca de ti, e nas mãos te tomarão, para que com teu pé jamais tropeces em alguma pedra. E Jesus disse-lhe: Também está escrito: Não tentarás ao Senhor, teu Deus. De novo, levou-O o demônio a um monte muito alto e mostrou-Lhe todos os reinos do mundo com seu esplendor, dizendo-Lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, satanás, porque está escrito: Adorarás ao Senhor, teu Deus, e só a Ele servirás. Então O deixou o demônio; e eis que os Anjos se chegaram e O serviam". 

   Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

   Em primeiro lugar, vamos dar a explicação de alguns tópicos e palavras deste santo Evangelho.

     ... Foi Jesus levado pelo Espírito: A Santa Igreja sempre entendeu que aqui se trata do Espírito Santo.
   ...Para ser tentado pelo demônio: Jesus consente em ser tentado para nos ensinar como devemos vencer as tentações. Ele que era a santidade por excelência sofreu os assaltos da tentação; por isso ninguém se admire de passar pelas mesmas provações. - Satanás não sabia ao certo se Jesus era o Filho de Deus feito homem, e desejava sabê-lo, porque via nele um homem de virtudes extraordinárias.
   As três tentações de Jesus são como um resumo de todas as que nos podem assaltar. Submeteu-se a elas para nos advertir de que nunca estaremos livres de incitações para o mal. Compete-nos, a seu exemplo, repeli-las energicamente. Parece que nos atormentam com maior violência quando vamos realizar obras boas: Jesus ia iniciar seu ministério. 
   ...Depois de jejuar: A oração e o jejum não nos isentam das tentações, mas são os meios de que devemos usar para vencê-las. Nosso Senhor quer iniciar a sua vida pública com uma penitência extraordinária, e ao mesmo tempo nos insinua que o jejum é necessário para mortificar a carne e vencer as tentações.
   ...Não só de pão..: Deut. 8, 3. Primeira tentação: O demônio tenta Jesus a fazer um milagre em seu próprio benefício e para satisfazer as reclamações do corpo. Exatamente o inverso de sua missão divina que era beneficiar os outros e dar-lhes o alimento espiritual de sua doutrina. São as tentações de egoísmo (tudo para si) e de sensualidade (acima de tudo satisfazer o corpo). 
   ...Aos seu Anjos ordenou... etc: O demônio para tentar a Jesus, cita a Bíblia como Lutero e seus discípulos fá-lo-ão a partir do século XVI, isto é, com uma interpretação errônea, e pela metade, ou seja, evitando o que lhes era contrário. É o Salmo 91, 11 e 12. Mas no versículo seguinte (13) está escrito a respeito do Messias: "Pisarás o leão e o áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente (dragão). Sabemos pela Bíblia que este leão que está em torno de nós rugindo e procurando nos devorar é o demônio. Também o demônio é chamado na Bíblia de serpente e dragão. Por isso o demônio não citou o versículo 13. Não lhe convinha! Assim fazem as seitas. Traduzem mal, interpretam pior e, o que é péssimo, suprimem o que não lhes convém.  
   Salmo 91 (segundo a Vulgata é o 90) é um texto em que Deus promete ao Justo (Messias) e aos justos que seguem a Jesus, sua proteção quando se encontrarem em dificuldades no cumprimento do dever. Mas não significa que a pessoa se possa expor presunçosamente e sem necessidade.
   É a segunda tentação: O tentador quer induzir Jesus a ostentar vaidosamente diante dos homens seu poder sobrenatural e a proteção que Deus lhe dispensa. São as tentações de orgulho e presunção. Sabendo que Jesus não se lançaria abaixo, o demônio pretendia acusá-lo de falta de confiança em Deus. Jesus suprime esta acusação dizendo que uma coisa é confiar e outra tentar. E Jesus cita também a Bíblia: "Não tentarás aos Senhor, teu Deus" (Deut. 6, 16). Tentar a Deus é expôr-se ao perigo, a grandes tentações, sem necessidade, e depois pedir um milagre para não sucumbir. - Deus protege no perigo, mas nem por isso devemos expor-nos temerariamente, porque diz o Espírito Santo, quem ama o perigo nele perecerá. 
   ...Mostrou-Lhe todos os reinos do mundo...: Esta promessa do demônio era mentira, mas, se ele pudesse, de fato, dispor de todos os reinos da terra, de todas as suas riquezas e vaidades, tudo isto daria ele por uma só alma, porque um só alma vale mais do que o universo inteiro. 
   Esta foi a terceira tentação: Trocar Deus pelas riquezas e pelas glórias do mundo, colocando nelas a nossa felicidade, ou antes, escravizando-nos a elas. 
    Caríssimos, em segundo lugar e para finalizar, quero explicar a gênese da tentação. Três coisas devemos distinguir na tentação: a sugestão, a deleitação e o consentimento. A sugestão não é um pecado, porque não depende da nossa vontade. A simples deleitação, quando involuntária, também não é pecado. Só o consentimento é sempre criminoso, porque depende exclusivamente de nós o aceitar ou não aceitar a sugestão do pecado. 
   O procedimento do Salvador nos mostra como devemos resistir ao demônio, fortalecidos pela fé. A leitura e a meditação do Evangelho concorrem muito para isso. De cada vez, Jesus repele o tentador com uma palavra da Escritura, como insinuando-nos que o texto sagrado é um arsenal, onde encontramos armas excelentes para os dias da tentação. 
    Depois das tentações os Anjos serviram a refeição a Jesus: É a imagem do festim que Deus serve à alma vitoriosa. O momento que se segue à vitória é o mais delicioso de todos os momentos.
    Caríssimos, terminemos com esta oração de Santo Agostinho: "Senhor, Pai e Deus, vida pela qual todos vivem e sem a qual tudo se deve considerar morto, não me abandoneis ao pensamento maligno e à soberba dos meus olhos; afastai de mim a concupiscência, e não permitais que seja vítima dum ânimo irreverente e insensato; mas tomai posse do meu coração afim de que pense sempre em Vós... Agora, ó Redentor, eu Vos suplico, ajudai-me a fim de que não caia em frente dos meus adversários, preso nos laços que armam a meus pés, para derrubar a minha alma; mas salvai-me, força da minha salvação, para não ser motivo de escárnio para os Vossos inimigos que Vos odeiam. Levantai-Vos, ó Senhor meu Deus, minha fortaleza; e os Vossos inimigos serão dispersos e fugirão da Vossa face aqueles que Vos odeiam. Como a cera se derrete ao fogo, assim desaparecerão os pecadores da Vossa face; e eu me esconderei em Vós e gozarei com os Vossos filhos, saciado de todos os Vossos bens. Vós, ó Senhor Deus, Pai dos órfãos, Mãe dos desamparados, estendei as Vossas asas para que, debaixo delas, nos refugiemos, para nos salvarmos dos inimigos". Amém!

   

quarta-feira, 6 de março de 2019

QUARESMA

   A Quaresma é um tempo de reparação e de emenda, consagrado ao recolhimento e à oração, à penitência e às boas obras. A  Santa Madre Igreja quer honrar deste modo o retiro e o longo jejum de Jesus Cristo, e preparar-nos para a Páscoa, isto é, para a passagem da morte para a vida, ou de uma vida imperfeita para uma vida mais santa, assim como o divino Mestre se preparou com um retiro de jejum de quarenta dias, para renovar o mundo com a pregação do Evangelho.

   Antigamente definia-se a Quaresma como o período dos quarenta dias de jejum que precedem a festa da Páscoa. Isto porque neste santo tempo de penitências, havia a obrigação de jejum em todos os dias, com exceção dos domingos, para imitarmos assim os quarenta dias do jejum de Jesus e nos prepararmos dignamente para a festa da Páscoa. Sabemos que hoje todos estes dias obrigatórios de jejum ficaram reduzidos a apenas dois (Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa). 

   São Jerônimo afirma que a Quaresma é de tradição apostólica e que este número de quarenta nas Sagradas Escrituras é sempre o da pena e da aflição. E o grande doutor da Igreja cita Ezequiel XXIX. 

   Lembremo-nos da chuva torrencial de quarenta dias e quarenta noites no dilúvio que submergiu a raça humana sob as vagas, à exceção de oito pessoas, a família de Noé. Consideremos o povo hebreu, errante por quarenta anos no deserto, em castigo de sua ingratidão, antes de poder entrar na terra prometida. Escutemos o Senhor ordenando a seu profeta Ezequiel permanecesse deitado quarenta dias sobre o lado direito, para representar a duração e um cerco, ao qual devia seguir-se a ruína de Jerusalém. 

   No Antigo Testamento Moisés que representava a Lei, e o Elias que representava a Profecia, ambos se aproximam de Deus: o primeiro no monte Sinai, o segundo no monte Horeb; mas nenhum deles consegue acesso junto à divindade, senão depois de purificados pela expiação em um jejum de quarenta dias. 

   A Quaresma aparece-nos então em toda a sua majestosa severidade, e como meio eficaz de aplacar a cólera de Deus e purificar nossas almas. Ao reconhecer humildemente que somos pecadores, sentimos necessidade da penitência, especialmente na quaresma, e esperamos assim que Deus se digne, como no tempo do profeta Jonas, conceder misericórdia a cada um de nós e a todo o povo. Na verdade, para obter a regeneração que nos tornará dignos de voltar às santas alegrias do Aleluia, ser-nos-á necessário o triunfo sobre os nossos três inimigos: o demônio, a carne e o mundo. Unidos ao Redentor, que luta sobre a montanha contra a tríplice tentação e contra o próprio demônio, necessitamos de estar armados e de vigiar sem desfalecimento. 

   "Devemos, diz D. Guéranger, durante a Quaresma trazer à memória os penitentes públicos, que, expulsos solenemente da assembleia dos fiéis na Quarta-feira de Cinzas, constituíam, por todo o espaço da santa Quarentena, objeto de maternal preocupação para a Igreja, devendo esta, se o mereciam, admiti-los à reconciliação na Quinta-feira Santa. Um admirável conjunto de leituras, destinado a instruí-los e a interessar os fiéis em seu favor, passará sob os nossos olhos, pois, a Liturgia nada perdeu tão pouco dessas vigorosas tradições. Lembrar-nos-emos então da facilidade com que nos têm sido perdoadas as iniquidades que, nos séculos passados, talvez não o fossem senão após duras e solenes expiações. E, pensando na justiça do Senhor, que permanece imutável, sejam quais forem as mudanças introduzidas na disciplina pela condescendência da Igreja, sentiremos tanto maior a necessidade de oferecer a Deus o sacrifício de um coração verdadeiramente contrito, e de animar, com um sincero espírito de penitência as leves satisfações que apresentamos à sua divina Majestade" (do Livro "Ano Litúrgico).