SAUDAÇÕES E BOAS VINDAS

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! PARA SEMPRE SEJA LOUVADO!

Caríssimos e amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo! Sêde BEM-VINDOS!!! Através do CATECISMO, das HOMILIAS DOMINICAIS e dos SERMÕES, este blog, com a graça de Deus, tem por objetivo transmitir a DOUTRINA de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna. Jesus, o Bom Pastor, veio para que Suas ovelhas tenham a vida, e com abundância. Ele é a LUZ: quem O segue não anda nas trevas.

Que Jesus Cristo seja realmente para todos vós: O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA, A PAZ E A LUZ! Amém!

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domingo, 14 de abril de 2019

SEGUNDO DOMINGO DA PAIXÃO

DOMINGO DE RAMOS
"Solvite et adducite"

S. Mateus XXI, 1-10

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Durante três anos Nosso Senhor Jesus Cristo enchera toda Palestina com seus ensinamentos e milagres, esclarecendo as almas e curando os corpos, em uma palavra: passou, por toda parte, fazendo o bem. Um ano antes, quando a gente da Galileia O quisera fazer rei, Jesus havia-se escondido. Agora aceita a homenagem que O há de revelar como o Messias esperado. Para que os judeus não possam alegar que Ele não é o Messias esperado, tudo nesta festa vai ter um caráter expressamente messiânico. Assim Jesus escolhe a hora e adota a atitude descrita pelo Profeta. Na verdade, era o derradeiro chamamento ao coração de seus inimigos; era a demonstração irrefragável de que, se caminhava para a morte, não era nenhuma violência ou necessidade que a isso O levava.

Os povos arrebatados pela sua doutrina e tocados pelos seus benefícios, se apressam em multidão no intuito de conceder-Lhe o título mais augusto, o mais elevado segundo o juízo dos homens, isto é, rei. Se Jesus já havia recusado esta honra, foi porque o reinado que Lhe queriam dar não era o que Ele desejava e merecia. Verdadeiramente o Seu reino é mais alto, mais durável, mais vasto, um reino espiritual, sem limite no tempo como no espaço; e os Judeus pretendiam fazer dele um rei temporal, com um reinado limitado seja pela duração, seja pela expansão.

No entanto, para mostrar aos seus discípulos que Ele reconhecia somente aquele título de rei que os profetas tinham dado ao Messias, para lhes oferecer uma imagem deste reinado poderoso e respeitado que  vai conquistar pela sua morte, Ele consente nestas homenagens de uma entrada triunfante na cidade santa, na Jerusalém. Estava próximo o dia em que seria colocada em sua cabeça uma coroa de espinhos, em sua mão uma cana como cetro, um manto de púrpura derrisório sobre os ombros, quando iria ser colocado no trono da cruz, para aí receber a investidura de seu reino eterno.  O triunfo de hoje é o prelúdio daquele que terá lugar dentro de cinco dias no Calvário.

A entrada em Jerusalém neste domingo que inicia a semana na qual Jesus vai morrer está em perfeita harmonia com o retrato que os profetas traçaram d'Ele. É um rei pacífico, um príncipe boníssimo que não quebrará a cana trincada, nem apagará a mecha que ainda fumega: "Dizei à filha de Sião: eis que teu Rei vem a ti manso" (S. Mat. XXI, 5).

O que faz a beleza do triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é, portanto, nem o  brilho vão de uma pompa exterior, nem o aparato do poderio e da grandeza, nem os cativos que leva atrás de si; não! O que provoca o regozijo e o desvelo dos povos  é  a vivacidade de seu amor, o ardor do seu reconhecimento, é a sinceridade de suas homenagens, é a espontaneidade dessas aclamações por ninguém ordenadas, pois espontâneas  brotam  de seus corações. Eis o que enaltece o triunfo de Jesus Cristo e o coloca bem acima dos triunfos faustosos dos conquistadores, cuja glória consiste no derramamento de sangue dos inimigos, na ruína das cidades e na miséria dos povos vencidos. Jesus Cristo, não é um conquistador nestes moldes humanos. Não, absolutamente não! Se Ele faz conquistas, é por amor que as faz; se ganha vassalos, é através de benefícios e para os fazer felizes. Aqueles que acompanham o seu triunfo são os doentes por Ele curados, os cegos aos quais deu a visão, os mortos que ressuscitou, é esta multidão faminta que Ele nutriu no deserto, é a multidão infinita de infelizes que Ele aliviou.

Caríssimos, vejamos agora o significado alegórico da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém: é a figura da entrada de Jesus na alma pela graça e pela comunhão. Embora brevemente, consideremos ambas.
Primeiramente a entrada de Jesus na alma pela graça: É um santo mistério que deve penetrar de reconhecimento aqueles em que Jesus Cristo já entrou, e de piedosos desejos e até de amorosa impaciência naqueles que se preparam para a entrada de Jesus em suas almas. Refiro-me aos pecadores tocados pela graça e que se convertem. Desculpem-me a comparação: o que Jesus mandou que seus discípulos fizessem com a jumenta e o jumentinho, aplica-se num bom sentido e alegoricamente aos pecadores: "solvite et adducite", "desprendei-mos e trazei-mos". Desligar primeiramente estas almas dos liames do erro e do pecados a que estão amarradas; desprendê-las pelo poder que Jesus  deu aos seus ministros, isto é, os sacerdotes, de os absolver de seus pecados, logo após sinceramente os confessarem com arrependimento verdadeiro. E, quando por efeito de piedosas instruções dos verdadeiros ministros de Jesus, as cadeias do erro que retinham estas almas, caírem; quando, com tocantes exortações fizerem-nos detestar o vício e amar a virtude,  então as conduzirão das trevas para a luz, das trevas da mentira e das paixões para a luz da verdade e da virtude; conduzi-las-ão do pecado ao arrependimento, da indiferença ao amor, da tibieza à devoção; é mister desprender os pecadores do mundo onde se perdem e conduzi-los à Santa Igreja onde eles encontram a salvação.

Mas os ministros zelosos de Jesus Cristo fazem ainda mais: cobrem-nos das vestimentas, ou melhor, dos méritos de Jesus Cristo, dos quais os padres são os depositários, cobre-os com a vestimenta radiosa da inocência recuperada. Pelo sacramento da penitência, que os padres lhes concederá, são-lhes dadas a graça e virtudes, e Jesus vindo então a eles pela Santíssima Eucaristia, encontram estes convertidos sua alegria e suas delícias ao entrar  em seus corações regenerados  o Seu Rei boníssimo e manso, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E justamente a outra maneira pela qual Jesus entra numa alma é pela santa comunhão. Nisto está o extremo da bondade misericordiosa do Salvador. Há, na verdade favor altíssimo e o mais dignificante do que este prodigalizado à alma por Jesus? E assim terei necessidade de mostrar as disposições que esta alma deve apresentar para receber o seu Deus? A alma de fé, terá dificuldade em se despojar dos velhos hábitos, de seus hábitos de pecado para os lançar sob os pés do Salvador? Não arrancará ela de seu interior estes ramos luxuriantes, estes ramos vivais de suas paixões insuficientemente subjugadas? Não apresentará ela ao modesto triunfador as palmas de suas vitórias, nos combates repetidos que ela teve que travar em se preparando para receber um tal hóspede? Não fará ela sair do seu mais íntimo com todas as suas veras os mil gritos de sua admiração, de seu amor e de suas ações de graças: HOSANNA FILIO DAVID!?

 Mas, caríssimos, por nada deste mundo façamos o que muitos dos judeus fizeram: no Domingo receberam  em triunfo o Salvador e na sexta-feira da mesma semana pediram a sua morte: "Tira-o, tira-o de nossas vistas, crucifica-o!!!... Não, pela graça de Deus, jamais faremos isto, e com S. Pedro, mas com um coração mais humilde e não presunçoso, devemos dizer: "Mesmo que seja necessário morrer convosco, ó Jesus, não vos negarei". Amém! 

domingo, 7 de abril de 2019

DOMINGO DA PAIXÃO



S. João VIII, 46-59

"O que é de Deus ouve as palavras de Deus". 


Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Limitar-me-ei a considerar apenas algumas palavras do evangelho de hoje: as mais importantes e mais próprias para nos instruir.

"Quem de vós me pode acusar de pecado? Se eu vos digo a verdade, por que não me credes? O que é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis porque não sois de Deus".

No episódio da mulher adúltera, Jesus havia lançado aos escribas e fariseus este desafio: "Aquele, dentre vós, que é sem pecado seja o primeiro a atirar-lhe pedra". Ouvindo isto, retiraram-se um após outro, a começar pelos mais velhos, até os últimos". Agora Jesus lança a eles e a todos presentes este desafio: "Quem de vós me arguirá de pecado?" E ninguém ousa abrir a boca contra Jesus. Logo fica provada a santidade perfeita de Jesus e isto, por sua vez é prova inconteste de que Ele fala a verdade. Mas aqueles homens estavam cheios de pecados e, portanto não eram de Deus e é justamente por isso que não queriam aceitar a Verdade, a Palavra de Deus, que era o próprio Jesus Cristo, o Messias, o Salvador.

"Quem de vós me pode acusar de pecado?" Realmente, caríssimos, trata-se de uma palavra audaz, de um desafio audacioso. Quem, senão um Deus, pode falar assim? Quem, portanto, senão um Deus pode lançar em face de inimigos figadais, este desafio? Era preciso realmente estar muito seguro de si, para falar assim a inimigos tão sagazes! Jesus Cristo, com efeito, por esta palavra e outras sobre as quais vamos abaixo refletir, tem por finalidade provar aos judeus sua divindade, e é com uma profunda razão, com uma inteligência perfeita do tempo em que estamos que a Igreja coloca neste domingo a leitura deste evangelho.

Na verdade, já lobrigamos num horizonte próximo o grande sacrifício que resgatou o gênero humano; já se eleva aos nossos olhos sobre o Calvário a Cruz na qual Jesus morreu por nós. Na epístola deste dia (Hebr. IX, 11-14), o Apóstolo S. Paulo lembra, exalta esta grande Vítima e, ao mesmo tempo, este grande Sacrificador. Ele representa Jesus Cristo entrando no tabernáculo, não mais como o Sumo Sacerdote outrora, com o sangue de animais, mas com seu próprio sangue. Para entendermos  o poder infinito deste Sangue é necessário provar que a Vítima era bem aquela que reclamava a Justiça divina. Em outras palavras: para que Jesus Cristo pudesse oferecer a Deus uma reparação infinita por uma ofensa infinita, era mister mostrar que Ele era Deus. E para tanto a Santa Madre Igreja coloca para nossa meditação exatamente este evangelho da Missa do Domingo da Paixão.

Em se proclamando sem pecado, evidentemente Jesus Cristo se declara Deus. Que homem, com efeito, é sem pecado? Os escribas, os fariseus pareciam ter sido os homens que levaram mais longe o orgulho da santidade. "Eu vos dou graças, dizia o fariseu em sua oração soberba, por não ser com os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros". Pois bem, malgrado esta alta estima que tinham de si mesmos, os escribas e fariseus não ousavam acreditar que eram isentos de pecado, como já mostramos acima no episódio da mulher adúltera. Na verdade, há no homem um tal fundo de corrupção, uma inclinação tão acentuada para o mal, que se dizer sem pecado, é dizer-se mais do que um homem, ou seja é dizer-se um Deus-Homem.

"Se glorifico a mim mesmo, minha glória nada é. Quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus. Vós não O conheceis, mas eu o conheço". Não é somente por sua inocência e sua inculpabilidade que Jesus Cristo prova sua divindade, mas também a estabelece pelas obras de que Deus O faz glorioso instrumento, pelos milagres que tem tão frequentemente já excitado a seu respeito a admiração e o reconhecimento dos povos. Lá estão os doentes curados, os mortos ressuscitados, a multidão alimentada no deserto e tantos outros prodígios que encheram sua vida pública e que têm tido por finalidade provar aos povos a divindade de sua missão.

"Em verdade, em verdade vos digo: Eu existo antes que Abraão fosse gerado". Assim, Jesus estabelece também a sua divindade pela sua preexistência a Abraão e aos profetas. Foi exatamente isto que o Precursor S. João Batista já havia dito: "Depois de mim vem um homem que é superior a mim, porque existia antes de mim" (S. Jo. I, 30).Sim, Jesus Cristo existiu antes de Abraão, antes de João Batista, isto é, antes de nascer, Ele era portanto Deus
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Os judeus reagiram, não com argumentos, mas com injúrias: "Não temos razão para dizer que és um samaritano e que tens demônio?  Um insulto atroz para um filho de Israel; e um terribilíssimo para o Filho de Deus!!! Jesus não faz caso do primeiro; mas não pode deixar correr impunemente aquele outro lançado a seu respeito pelos inimigos:  -  "Eu não estou possuído pelo espírito mau. Honro o meu Pai, e vós a mim desonrastes-me. Mas eu não busco a minha glória; há quem vele por ela e julgue". Caríssimos, à uma tal injúria Jesus responde com uma mansidão sobre-humana e, não contente com isso, repete aquele apelo repleto de piedade: "Na verdade, na verdade vos digo: aquele que guarda a minha palavra não verá a morte para sempre". E então com toda fúria, os fariseus confirmam o horrenda injúria de possesso e perguntam: "Por quem te tomas?"  Jesus Cristo responde: "Meu Pai é que me glorifica, aquele que vós dizeis que é vosso Deus e não o conheceis, mas eu o conheço. Se disser que não o conheço, serei um mentiroso, semelhante a vós. Mas eu o conheço e guardo sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou de alegria, desejando ver o meu dia. Viu-o e alegrou-se".  -  Certamente com grande gargalhada, gritaram esta frase irônica: "Ainda não tens cinquenta anos, e vistes Abraão?" E contundente, explícita e solenemente Jesus afirma sua existência antes do tempo: "Na verdade, na verdade vos digo que, antes de que Abraão fosse, eu sou". Deus é aquele que é, ou seja, Jahvé. Era a revelação de um mistério sublime! Mas os Judeus, soberbos e incrédulos, tomaram-na como uma blasfêmia e, por isso, deitaram mãos em pedras no intuito de O matar. Como não era chegada ainda a Sua hora determinada pelo Pai para morrer e morrer crucificado, Jesus, então, ocultou-se e saiu do Templo.

Terminemos com aquela palavra citada no início deste artigo, palavra esta digna de nossa meditação tanto mais por se aplicar a todos e em todos os tempos: "O que é de Deus ouve a palavra de Deus". O justo verdadeiramente coloca suas delícias na palavra santa; procura ouvi-la, medita-a, saboreia-a; faz dela seu pão, seu sustento, o pão e sustento de sua alma.  Ouve com amor a palavra de Deus porque empenha-se ardentemente em colocá-la em prática, consciente que está de nela encontrar a Vida eterna. O pecador, ao contrário, foge dela, rejeita-a, não encontra nela nem sabor nem encanto. A palavra de Deus é enfadonha ao espírito do pecador, importuna às suas paixões. A palavra de Deus derramaria luz na sua consciência; mas é exatamente isto que o pecador receia, pois ama as trevas. A palavra de Deus excitar-lhe-ia os remorsos, perturbando assim sua alma. Na verdade, o pecador se esforça por viver em paz e sem remorsos. A palavra de Deus despertaria o pecador de seu sono de morte, mas ele quer dormir, dormir na sua iniquidade.

Eis porque, caríssimos, malgrado a terna solicitude da Igreja, que multiplica no tempo da quaresma e da Paixão suas exortações maternais, um grande número de cristãos permanecem frios, insensíveis, indiferentes. Eis porque aqueles que justamente mais fome deveriam ter do pão da palavra de Deus, são precisamente os que durante todo ano dele se afastam. Por que acontece isto? A resposta que Jesus dá é terrificante: "Não ouvem a palavra de Deus porque NÃO SÃO DE DEUS". O pai de tais pessoas é o Espírito das Trevas, o pai da mentira, o maligno, o adversário homicida e invejoso das almas remidas por Jesus.

Caríssimos, sejamos mais sábios que os judeus, sejamos mais lógicos. Creiamos na palavra do divino Mestre, obedeçamos às suas leis, e não morreremos jamais, mas teremos a vida eterna. Amém!